O Supositório Arco-Íris

red_pill_blue_pill.jpgUm novo termo tomou de assalto o discurso político nos últimos anos: o comprimido. Em especial, o comprimido vermelho, the red pill, aludindo ao filme The Matrix. E em especial, este comprimido tem sido um discurso político mais à Direita, em oposição ao consenso ideológico reinante nas últimas décadas, que é de Esquerda. No filme oferecem ao protagonista dois comprimidos, um, o azul, que o leva de volta à sua vidinha normal e de volta à paz de acreditar em tudo o que o sistema quer que ele acredite; o outro, vermelho, mostra-lhe a realidade pura e dura.

Tomar o comprimido vermelho é, pois, passar a ver velhas questões com novos olhos. Da verdadeira natureza das mulheres ao processo político, há muitos comprimidos vermelhos. Depois, como a moda pegou, inventaram outros comprimidos: o roxo, o verde, e muitos outros. Honestamente, já perdi a noção do que estes outros significam. Guardei um, porque já me acusaram de o ser várias vezes: blackpill, querendo isso dizer que sou pessimista e transtorno algumas pessoas com esse pessimismo – sinal evidente de que estou a fazer bem o meu trabalho. Se a realidade é negra, e o comprimido mostra a realidade, então a cor adequada é mesmo essa.

Esta história dos comprimidos era aceitável quando só havia dois (o vermelho e o azul), mas agora que já passou a fase da lua de mel e se criam outros para identificar nuances, tornou-se idiota. Era, 111admito, uma boa forma de sumarizar o processo em que um homem passa a perceber o que há de errado com o mundo. Hoje, ser redpilled pode significar simplesmente que se gosta de Donald Trump e se critica o Islão por não ser compatível com os “valores ocidentais” (que na maioria dos casos nada têm que ver com a civilização tradicional cristã, mas com a modernidade que a rejeitou). E convém lembrar que a terminologia vem de um filme razoável, mas que tem duas sequelas absurdas e que os seus autores entretanto decidiram ser transsexuais, por isso o seu julgamento da realidade não é por certo o mais adequado.

Ora, há um comprimido que grande parte da sociedade e, infelizmente, também uma boa parte da Direita moderna engoliu e que não há maneira de regurgitar. Este comprimido é tão forte que é aparentemente imune aos poderes medicinais do vermelho. O seu efeito permanece mesmo quando se digere o outro. Falo, obviamente, do comprimido arco-íris.

O comprimido arco-íris é a aceitação, ou menorização do impacto, da causa e prática da sodomia. Nenhuma questão é tão ignorada ou menosprezada como o impacto que a aceitação e promoção da homossexualidade têm na sociedade. Tendo em conta esta realidade, talvez o comprimido seja afinal um supositório. Tratando-se de seres que se dizem à Direita, esta apatia perante um dos principais flagelos do nosso tempo, não deixa de ser ainda mais preocupante.

Repare-se por exemplo neste texto do camarada Carlos Guimarães Pinto, um dos paladinos do Liberalismo Português, que fala precisamente deste assunto e ilustra o quão enfiado está o supositório arco-íris nos rectos da Direita portuguesa. Sumarizando, parece que uma secretária de estado assumiu a sua condição de sodomita. O Carlos considera que as pessoas normais ignoraram e continuaram a sua vida – tendo em conta o grau de desinformação sobre o assunto, e rainbow supa supressão dos instintos naturais no ser humano moderno, a consideração é acertada. Mais à frente vem a observação de que os conservadores, perante esta notícia, se encontraram na posição de defender «que ser homossexual é normal e plenamente aceite». Não é que não tenha razão, porque tem. O que preocupa é que a Direita se encontre, em 2017, nessa posição. É certo que os seus efeitos em Portugal ainda são mínimos quando comparados com países mais ‘avançados’ na sua degeneração. Mas só uma ingenuidade extrema (a roçar a idiotia) não consegue antever que não deverá demorar muito a que os apanhemos, porque na realidade os continuamos a seguir, no caminho para o abismo civilizacional. Enquanto a Esquerda quer acelerar o passo, a Direita limita-se a defender a posição da Esquerda da década passada. É como se não notasse que a sua defesa do status quo de Esquerda, não mantém esse status quo, mas move-o sempre e sempre para a Esquerda. E é como se não tivesse qualquer princípio basilar na sua filosofia, a não ser a defesa do status quo e a liberdade económica.

Em bom português costuma dizer-se que contra factos não há argumentos, mas quando se toma o supositório arco-íris os factos são irrelevantes. Podem confirmar aqui alguns factos ‘de ódio’ sobre os sodomitas. A lista é vasta, por isso vamos rever apenas uma minoria para ilustrar o quão problemática em termos materialistas é esta ‘comunidade’, quão absurdo é o seu orgulho e qual o seu impacto contabilizável na sociedade. Tendo em conta que a Direita parece obcecada com números, pode ser que assim comecem a abrir os olhos.

Homossexuais do sexo masculino têm 60 vezes mais probabilidade de ter SIDA que homens heterossexuais. 46% dos homossexuais do sexo masculino são alvo de abuso sexual, comparado com apenas 7% dos homens heterossexuais. 43% dos homossexuais de sexo masculino têm mais de 500 ‘parceiros sexuais’ ao longo da vida. 79% dos homossexuais de sexo masculino admitem que mais de metade dos seus ‘parceiros’ são estranhos. Os homossexuais de sexo masculino, que são apenas 1% da população, são 83% dos casos de sífilis. 40% a 60% dos homicidas em série são homossexuais. A monogamia não é uma característica central da maioria das relações homossexuais. 28% dos homossexuais tiveram sexo com mais de mil homens. Entre os homens heterossexuais apenas 25 % tiveram relações com mais de 10 mulheres.

Claro que perante estes factos teremos um coro infindável de vozes da Esquerda a assegurar-nos que a origem destas atitudes claramente disfuncionais se deve, única e exclusivamente, à discriminação de que estas pessoas são alvo pela sociedade normal. Mas parando um pouco para pensar, não há instituição que não se vergue para lhes fazer a vontade, e se por um acaso alguém decidir criticá-los, as tais instituições serão bem sucedidas em destruir a vida de quem teve a audácia de questionar os dogmas sodomitas.

Do lado da Direita, sobretudo da Direita liberal, virá o coro de que, se liberalizarmos o mercado e acabarmos com a subsidiação do seu ‘estilo de vida’ perigoso, os problemas para a sociedade deixam de existir e passam a ser um elemento circunscrito às vidas privadas dos indivíduos que a praticam. E aqui se vê o quão fundo está o supositório arco-íris. O autismo perante a sodomia é simbólico e o caso mais pertinente do autismo geral da Direita perante toda a degeneração que a Esquerda tem vindo a promover desde que tem essa liberdade e que a Direita insiste em defender com dez anos de atraso, só para dizer que se opõe a alguma coisa.

Podemos tentar chamá-los à razão e falar na realidade de que uma relação homossexual nunca pode gerar progenitura, e que portanto os homossexuais não contribuem para a perpetuação da espécie. Visto que os seus maiores defensores (e praticantes) costumam ser ateus e darwinistas, isto deveria ser visto como uma desvantagem – mas não alimentemos ilusões. A um homem com a cabeça no sítio não custa a perceber que deste facto salutar nasce quase toda a disfunção desta ‘comunidade’, mas para quem tomou o supositório, tudo isto não passa de ódio latente. Aliás, quem critica os homossexuais deve ser secretamente homossexual – uma lógica brilhante segundo a qual os ateus que odeiam a religião são secretamente devotos.

Depois podemos falar do bullying que esta ‘comunidade’ faz a qualquer oposição, crítica ou julgamento. Os exemplos são inúmeros (como este, ou este, ou ainda este) e deviam fazer soar o alerta em qualquer homem com senso comum.

Podemos falar nas marchas LGBT que ostentam, com orgulho, todos os tipos de sexualidade desviante como se fosse normal e desejável, e de como pais dão palmadinhas nas costas a si San-Diego-Pride-Parade-39.jpgmesmos por serem tolerantes e levarem os filhos a ver o escabroso espectáculo.

E por fim, podemos apontar o facto de que os governos ocidentais parecem ter a sodomia como uma das principais prioridades da sua política externa, ao ponto de se gastar quase um bilião de dólares com o assunto.

Não me parece que a Direita ignore pelo menos algumas destas realidades. E no entanto, nem um pio sai da sua boca para condenar a ‘comunidade’, a sua causa ou a sua desejabilidade numa sociedade civilizada.

A Direita não diria, por exemplo, que um heroinómano é normal e aceitável, nem sugeriria que se aceitasse essa disfunção como algo «normal e plenamente aceite». E no entanto, diz o mesmo do sodomita, sobre o qual é possível argumentar que a sua disfunção tem muito mais influência na sociedade, e uma influência muito mais negativa.

A realidade é que a aceitação da homossexualidade como normal e permissível, que veio da Esquerda e foi aceite pela Direita, é a fonte de onde jorra o lodo moral onde o Ocidente se encontra. Neste momento, o leitor mais ingénuo, mesmo perante todos os dados providenciados acima, estará a pensar que estou a exagerar.

E eu entendo, até certo ponto. É verdade que pecados é o que não falta, e que muitos deles são parte integrante da nossa sociedade desintegrada. Por exemplo, porque não apontar o sacrifício infantil que as nossas sociedades elevaram a um direito de todas as mulheres com subsídio estatal como a fonte desse lodo? É uma pergunta válida dado que o aborto é, claramente, um sinal de que forças demoníacas caminham entre nós, quando algo tão aberrante e destrutivo, que é nada menos que sacrifício humano ritual, é permitido.

Mas a sodomia é o ponto em volta do qual todos os outros males revolvem, incluindo o aborto. Em primeiro lugar, a sodomia é um ‘estilo de vida’ inerentemente egoísta, luxurioso e hedonista. Promove o sexo como uma acção meramente física (como urinar ou defecar), desligado da sua função biológica e, logo, da sua componente espiritual; é necessariamente infértil e masturbartório – mas masturbartório através do uso, e profanação, de outra pessoa. Promove a doença, porque o hedonismo é forçosamente uma atitude de baixa preferência temporal, ou seja, descarta o sexo seguro e a monogamia na procura de actividades mais extremas, e tal como qualquer disfunção, não fica estanque nessa procura do prazer: a dose tem de ser maior, e o seu efeito mais rápido (o que explica o alto número de pedófilos e pederastas entre a ‘comunidade’ gay). A sodomia promove igualmente, e pela mesma razão, o uso e abuso de drogas, provavelmente porque é um acto que para ser praticado, e ao contrário do sexo (o verdadeiro, entre um homem e uma mulher), necessita de lubrificantes artificiais e é necessariamente violento (não é um acaso que seja um acto praticado amiúde nas prisões como forma de dominação dos mais fracos).

Além disso, a sodomia é inerentemente um pecado organizado, visto que é necessário pelo menos duas pessoas para o cometer. Podem-me dizer que o homicídio é pior que a sodomia, no vácuo, e eu concordo. Mas não há nada inerente ao pecado do homicídio que leve à formação de ‘comunidades’ secretas de homicidas por prazer, que tenham o objectivo de dominar as instituições e propagar a sua ideologia homicida. Pelo contrário, os homicidas por prazer em geral são lobos solitários. Mas os sodomitas organizam-se e recrutam (a história das últimas décadas prova-o). Mais: a sua propensão é para a sociabilidade e portanto para propagar a sua disfunção. Um homicida não vai criar uma ideologia para justificar os seus homicídios, enquanto que os sodomitas fazem-no há séculos para racionalizar a sua disfunção. E essa racionalização, claro, não será no sentido de uma sociedade ordeira, comunitária e recta, mas no sentido de individualismo extremo – visto que o acto em que se baseia é puramente masturbartório, sem qualquer benefício para a comunidade que não o prazer imediato de quem o pratica.

Tendo em conta esta situação, e o facto de serem naturalmente uma minoria, é também natural que a ideologia e ‘comunidade’ sodomita promova todo o tipo de individualismo degenerado entre a população, seja o aborto, o uso de drogas, a aceitação da imigração de massas, a libertação sexual das mulheres ou o transexualismo (e, em breve, a pedofilia), como forma de destruir o modo de vida funcional da maioria.

Além disso, a propagação da sua ideologia destrói as ligações naturais de amizade e lealdade entre os homens, obrigando-os a temer sempre que um outro homem olhe para eles como um receptáculo para o seu sémen. E a ausência destas relações de lealdade tornam a sociedade mais fraca e mais sujeita a subversão interna ou invasão externa, algo que podemos observar em todas as sociedades ocidentais.

Ou seja, embora o homicídio (em que se inclui o aborto) seja um pecado mais grave, a verdade é que não existem manifestações de orgulho pelo homicídio, em que milhares de pessoas não-sodom_gomorrah_2homicidas participam e apoiam. Não existem apoiantes de homicidas nas posições mais altas da sociedade, das instituições públicas às empresas privadas. Não existe uma promoção infindável do estilo de vida homicida nas escolas nem nas universidades. E por fim, não existe a possibilidade de se ser ostracizado pela denúncia do homicídio. O mesmo não pode ser dito da sodomia.

Não é ao acaso que o único episódio bíblico em que Deus destrói directamente duas cidades seja pela prática e aceitação generalizada da sodomia. Uma tal sociedade não tem salvação possível.

A Direita deve voltar a encarar a sodomia, a sua aceitação e infiltração nos seus meios, como um mal. Não como uma ‘escolha’ inócua (embora insalubre), mas como um cancro que não só ameaça corroer a sociedade até ao seu âmago, mas que já o fez em larga medida e possivelmente de forma irremediável. É simples: como Cristo, devemos exigir que se arrependam e que parem de praticar a sua actividade destrutiva.

Está na hora da Direita retirar o supositório arco-íris.

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Uma mera formalidade.

A barbárie Islâmica continua a assolar a Europa. Os detalhes são irrelevantes. Por muito que a imprensa queira ofuscar a origem dos ataques terroristas ou desculpabilizar os responsáveis, só behead-those-who-insult-islammesmo quem insiste em fechar os olhos não sabe. Quem é que, com dois dedos de testa, com o mínimo de atenção e o mínimo de honestidade acha que se deve continuar a importar hordas de árabes, magrebinos e africanos que professam o Islão? Quem é que, na posse das suas faculdades mentais, ainda acha que o Islão é uma religião de paz e que o elemento de conquista é a excepção e não a regra? Ninguém. Quem era passível de ser instruído já o foi. Pelo que é irrelevante para a Direita martelar mais uma vez o assunto.

No entanto, dada a frequência da barbárie, este martelar tornou-se uma fonte de popularidade, de rendimento e mediatismo. Da mesma forma que a Esquerda utiliza os eventos para pregar o seu demónico evangelho, o virtue-signaling da Direita é exclamar, uma e outra vez, o óbvio ululante. É pena porque é uma evidência que ofusca o verdadeiro problema.

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Wilders: “Basta de selvagens castanhos que violam miúdos“; Also Wilders: “Temos de defender os nossos pederastas da selvajaria Islâmica“. Hum… ?

De certa forma, é compreensível. A Direita já não ganha há muito: a sua existência é unicamente reactiva perante qualquer que seja a obsessão da Esquerda no momento – e a Esquerda, que é patrocinada pelas elites financeiras com os seus propósitos particulares completamente

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Espécimes da Raça Ariana.

desligados dos interesses dos nativos e dos imigrantes, está permanentemente investida num exercício de gaslighting da população sem precedentes. A cada atentado, a Esquerda (que inclui a imprensa, as universidades, o governo, os think thanks, etc.) jura-nos que o Islão é uma religião de paz, que os atentados nada têm a ver com a importação desta cultura para a Europa, que criticá-la é ser xenófobo e que, em última instância, encontrar um padrão em todos estes eventos apenas demonstra o quão odiosos são os críticos. Perante isto, a Direita arranca para a refutação de todas as permissas da Esquerda, e assim permite que ela dite o tom e o conteúdo do discurso.

A Esquerda sendo o que é, e patrocinada por quem é, vê apenas as consequências e causas materiais. Nem importa que minta. A refutação das suas mentiras não desliga a crítica da mundividência materialista. Além disso é muito mais fácil atacar os outros do que olhar para dentro, admitir as nossas falhas e superá-las. Se a Esquerda decidiu olhar para dentro e aceitar tudo o que há de mau como sendo bom, a oposição decidiu ignorar o pântano que é a alma europeia e apontar o foco para fora, como se fosse possível que os elementos exteriores nos afectassem como afectam sem que houvesse subversão interna.

É importante perceber a verdadeira origem do problema, que não são os bárbaros estrangeiros mas os nativos moralmente apáticos. Eu não vejo nenhuma outra civilização a convidar bárbaros para as suas nações, a dar-lhes casa, comida e abrigo. Nenhuma outra raça tão apática que após cada atentado defende as suas causas e que continua a insistir em convidá-los. Quantos dos que morreram em Espanha apoiavam os ‘refugiados’? Quantos não apoiando ficaram calados? Quantos permitiram ou estiveram-se a marimbar para o facto de as suas crianças sofrerem lavagens cerebrais na escola para que os aceitem?

Morreram 14 pessoas no atentado espanhol. Entretanto houve mais uns quantos, noutros sítios. Mas quantos abortos foram perpetrados nesse espaço de tempo? Quantas vidas pereceram às mãos dos próprios Europeus, com subsídio público e indiferença da população?

No Twitter alguém perguntava, perante a notícia de que o jihadista que cometeu o atentado já tinha anunciado o seu propósito, ‘como é que é possível continuarem a ignorar?‘. A resposta é simples: apatia. Se o jihadista tivesse dito que queria ilegalizar a pornografia tinham-lhe prestado atenção e feito protestos.

Se o problema fosse só um de invasão, era fácil de resolver. Infelizmente, o problema é muito mais profundo. A ameaça física que os bárbaros Islâmicos apresentam é insignificante comparada com

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Mais espécimes da Raça Ariana.

a aniquilação espiritual a que os europeus se votaram a si mesmos. O Homem Europeu tem como único deus o hedonismo. Enquanto lhe permitirem refastelar-se nos seus pecados, é-lhe completamente indiferente se bárbaros estrangeiros matam os seus compatriotas, violam as suas mulheres e crianças ou destroem as suas cidades. A sua lealdade é direccionada apenas para o seu prazer imediato. Pelo que até os críticos do Islão e da sua entrada na Europa estão simplesmente focados na sua remoção e julgam que, uma vez removido o elemento Islâmico, a Europa pode continuar na sua depravação hedonista e tudo correrá pelo melhor.

Os avisos foram-nos dados mas decidimos não os ouvir. Os antigos Israelitas cometeram o mesmo erro, tiveram a mesma presunção e sofreram as mesmas consequências:

«Todas estas maldições vos seguirão e vos alcançarão até que sejam destruídos — tudo por terem recusado ouvir o Senhor vosso Deus. Estes horrores cairão sobre vocês e os vossos descendentes como um sinal. Tornar-se-ão escravos dos vossos inimigos, por causa de não terem louvado o Senhor por tudo o que vos deu. O Senhor mandará os vossos inimigos contra vocês; vocês terão fome, sede, frio e necessidades em todos os domínios. Um jugo de ferro será posto no vosso pescoço, até que sejam destruídos.

O Senhor trará contra vocês uma nação distante que vos cairá em cima como uma ave de rapina; uma nação cuja língua não compreenderão — gente feroz e furiosa que não terá compaixão nem de velhos nem de novos. Eles comerão tudo o que é vosso em casa e nos campos; levar-vos-ão todo o gado e as colheitas; desaparecerão os cereais, o vinho novo, o azeite, as crias das vacas e das ovelhas. Essa nação sitiará as vossas cidades e derrubará as muralhas, por mais altas que sejam e por muito que pensem que vos protegem seguramente.» (Deuteronómio 28:45-52)

A história está a repetir-se porque os Europeus, tal como os antigos Israelitas, elevaram as suas invenções e prazeres terrenos acima de Deus e dos seus mandamentos. A incrível disfuncionalidade das nossas sociedades deriva deste facto, e faz-nos a cada dia mais fracos, mais solipsistas, menos humanos, e a nossa fraqueza torna-nos presas fáceis para os bárbaros. «Quem tem apego à sua vida vai perdê-la; quem despreza a sua vida neste mundo vai conservá-la para a vida eterna» (João 12:25). A alma do Europeu comum está perdida. A morte física trazida pelos bárbaros é uma mera formalidade.

A revolução reaccionária no século XXI

novabandeiraPorquê ter uma bandeira azul e branca sem a coroa? O que é que significa? Vou explicar no fim. Para chegarmos ao destino, primeiro temos de percorrer o caminho. Por isso, façamo-nos à estrada.

Suponho ser inevitável que um reaccionário dê consigo a sonhar com alguma espécie de restauração, ou seja, uma revolução; um corte com a elite política do momento e, no caso da revolução reaccionária, a sua substituição pela elite passada ou pela elite presente que representa esse passado. E sendo reaccionária, esta revolução, seria no sentido de uma sociedade recta e ordeira.

Só por ler a frase se nota o quão difícil será efectuar na prática uma tal contradição teórica. As revoluções são sempre violentas, caóticas – o contrário do que se pretende. Os golpes palacianos são mais elegantes, menos primitivos, menos desmiolados. Por isso a Direita, em geral, prefere-os às revoluções puras e duras.

A única forma de a Direita fazer um golpe palaciano é através das instituições: infiltrando, influenciando, convertendo. Com instituições queremos dizer os centros de influência política, religiosa, militar, económica, cultural, legal – que em democracia fazem todos parte do mesmo bolo, e que em Portugal significa também, centralizar tudo em Lisboa, e deixar ao resto do país as migalhas.

Só que os golpes palacianos apenas funcionam quando as instituições foram infiltradas. A formalidade do golpe na transferência de poder quando é dita em voz alta, é apenas isso: uma formalidade. O verdadeiro golpe acontece aos poucos, devagar, por baixo – muito antes de chegar ao palácio. Mas a eficiência de uma tal revolução pressupõe que as instituições estejam num estado em que é possível e desejável recuperá-las. Gostaria que me apontassem uma que não esteja podre dos pés à cabeça e cujo resgate valha a pena, para não falar da possibilidade de a resgatar. E, para não nos perdermos muito cedo em deambulações teóricas, convém lembrar que as ‘instituições’ são simplesmente as pessoas que populam e agitam as tais. Não há um espírito mágico a correr pelos corredores, a não ser possivelmente um ou outro demónio, mas esses são também o resultado da presença humana.

Pelo que a conclusão é que as instituições estão podres, porque as pessoas estão podres. Triste realização. O clássico golpe palaciano parece improvável. Mas vamos esquecer o caminho para lá, e imaginar que está feito, por milagre. O golpe monárquico e o golpe ‘Faxista’, chamemos-lhe assim, são cenários diferentes, por isso vamos separá-los.

Imaginando a eventualidade de Portugal voltar a ser monárquico, devolvendo o trono ao seu herdeiro, a ideia de que cortará com a modernidade – não só politica mas culturalmente – já me parece demasiada suspensão da incredulidade para que os espectadores continuem a ver o filme. Não me parece igualmente que dure muito, mesmo que dê de início todos os passos certos. Só não argumento contra aqueles que acreditam na restauração por razões de fé – honestamente, apenas um milagre pode efectuar essa restauração, não só em nome, como em espírito. E a verdade é que ter fé em Deus é preferível a ter fé nos homens, em todas as ocasiões e circunstâncias.

Quanto aos monárquicos que acreditam, ou fingem acreditar, numa restauração por vias democráticas, rio-me da vossa ingenuidade e censuro a vossa malícia ou tolice.

Se sairmos do campo da monarquia, temos o ‘Faxismo’, as ditaturas populares de Direita (Salazarismo, Franquismo) ou com tiques de Direita (Fascismo, Nacional Socialismo). Imaginar uma restauração do Estado Novo, por exemplo, actualizado para o Portugal no Século XXI não deixa de ter o seu apelo nostálgico mas parece igualmente improvável, senão ainda mais. Aqui, nem o apelo ao Divino o pode fazer acreditar.

O problema das ditaduras populares é que são populares. Em última instância o poder está na figura carismática do líder. O Salazarismo era óptimo, mas morreu com Salazar – com ele era o que era, sem ele não era nada. Caetano não era terrível (era certamente melhor que qualquer político da I ou da III República), mas não tinha o carisma – e portanto não tinha a autoridade.

Na política, as massas são movidas por caras, símbolos, slogans – mas não são, nem nunca serão, actores políticos. Não o são em Monarquias Aristocráticas, como o não são em ‘Faxismo’, Comunismo ou Social-Democracia. Mas nestes últimos, mantém-se a fachada de que são (quer seja pela identificação do líder carismático ou do Estado com o povo, ou pelo sufrágio universal). Grande parte da propaganda do Fascismo Italiano e do Nacional-Socialismo Alemão propõe-se a afirmar que o Estado, o Líder, ou o Partido, agem em benefício do povo, através do povo: pelo povo e para o povo. Nessa pedra basilar está a fundação ideológica dos regimes autoritários de Direita. Ao contrário de uma ordem aristocrática, o poder está sempre na rua; a política faz parte da vida dos comuns mortais.

Pelo que para edificar uma ditadura popular de Direita, é preciso um povo em concordância. O povo português de hoje não é o povo português de 1926 ou até de 1945 – ou, sequer, de 1965. A consistente e insistente destruição e implosão do casamento, da família, da comunidade, da Igreja, etc etc etc, tem os seus efeitos inevitáveis. O povo é de Esquerda. O povo até pode querer mais autoritarismo, mas é de Esquerda. Imaginem um Estado mais agressivo no combate ao crime, na protecção das fronteiras, na punição da delinquência; imaginem um Estado que banisse a pornografia, ou proibisse as relações homossexuais. Imaginem um Estado que ilegalize o aborto. A reacção popular seria de rir se não fosse de chorar. Isto mesmo sem contar com o dinheiro estrangeiro que geralmente acaba no meio destas causas. Mas mesmo sem esse dinheiro, quer-me parecer que a probabilidade do regime durar é pequena.

Abrir a política ao povo é convidar e promover o elemento mercenário e o elemento parasítico numa ordem social, qualquer que seja. De repente, o exercício do poder, a garantia de uma ordem, não é um dever de homens capazes e dispostos, mas uma carreira com promessas de subir na vida. Os piores são atraídos para o topo, seja com partidos ou com o partido. Voltamos a repetir: o povo de hoje não é o povo de Salazar. É o povo de Mário Soares e Cavaco Silva. Uma importante diferença. Uma diferença que inviabiliza a restauração.

Pelo que a restauração monárquica ou ‘faxista’ é, na minha perspectiva, um sonho idílico de quem não costuma privar com o cidadão comum.

E aqui chegamos à questão da bandeira. “Se não acreditas na restauração, porquê a bandeira azul e branca?” “E porquê apropriar as cores sem a coroa?” O que a bandeira significa é que, apesar da nossa história e da tradição monárquica em Portugal, me interessam pouco os aspectos cosméticos da Monarquia. Sou monárquico porque acredito que o governo privado e hereditário é a forma natural de governo, porque considero que essa é a forma recta e desejável do exercício do poder, não porque nutra qualquer simpatia ou reverência pelos nossos membros da aristocracia, ou pelas qualidades estéticas da história da monarquia portuguesa. A aristocracia moderna é o produto do seu tempo e, admita-se, não serve. Uma nova aristocracia terá de nascer para que um regime monárquico exista. Uma aristocracia nascida do mérito, da honra e do sentido de justiça, ou seja, da verdadeira autoridade, na qual o exercício recto do poder se funda. Tal como surgiu aquela depois da queda do Império Romano, nascerá esta depois da queda do Império Americano.

Por isso, não desanimem. A batalha não está perdida. É simplesmente longa e nós estamos na fase de transição. Para fundar uma nova aristocracia é preciso fundar um novo povo que reconheça a sua autoridade natural. Não existem soluções fáceis e rápidas. Não existe revolução reaccionária que, numa manhã de nevoeiro, traga o almejado regime e o permita governar em paz. Para o regime mudar as pessoas têm de mudar. E isso leva tempo.

Por isso escolhi uma bandeira que não é a presente, nem a passada, mas uma que signifique a aspiração a um Portugal futuro. É a minha convicção que a “ordem” (e ponho aspas porque é mais uma desordem) presente está para lá da salvação e com a sua desintegração, as estruturas de poder vão desaparecer e a realidade será reduzida à sua base natural: a família. Depois, a comunidade. A nós, e provavelmente aos nossos filhos, netos e bisnetos, resta-nos continuar. Os nossos números vão descer. O nosso conforto vai diminuir, as adversidades aumentar. Mas pela persistência no esforço da continuação nascerá uma nova ordem.

A resposta simples, mas não fácil, é que para fundar uma nova monarquia, é simplesmente preciso ser um Homem. Ser um Homem nas acções e nas palavras. Ser honrado e não apologético. Fazer o bem e evitar o mal. Planear e construir. Ter uma família e liderá-la. Fazer filhos e educá-los, para que eles possam fazer o mesmo quando crescerem. Continuar, indiferente às modas e às obsessões do mundo iníquo que nos rodeia. E um dia, mais cedo ou mais tarde, os nossos netos ou bisnetos poderão hastear uma nova bandeira e proclamar Portugal uma pátria, novamente, integral.

Portugal Desintegrado : EP 2 : O Deus da Sodomia

No dia a seguir a gravar este episódio, o Dr. Gentil Martins  meteu-se em sarilhos por dizer o óbvio.

O timing não podia ser melhor. Serve de mote para o segundo episódio do Portugal Desintegrado, intitulado ‘O Deus da Sodomia‘.

Como sempre, o download é gratuíto mas as doações são apreciadas. Bom para ouvir no carro ou nos transportes públicos, enquanto se observa a decadência moderna.