Portugal Desintegrado : EP 6 : Transtorno

Novo episódio sobre a doença mental da moda.

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Em Busca de uma Identidade Impossível

No Jornal da História, edição Século XXI, na secção dos classificados, pode ler-se o seguinte anúncio: Homem Europeu procura Identidade. Assim, sem mais especificações. O homem europeu, como a rapariga gorda, não pode ser esquisito. Não há, simplesmente, muito por onde escolher. E assim, no capítulo da oferta de identidades, o homem europeu tem respostas, mas images.duckduckgonenhuma delas boa. Não o podemos censurar por escolher agarrar-se ao que existe. De um lado, as ideologias (igualitarismo, relativismo, etc); do outro, o mínimo denominador comum (a raça). Desesperado, sem rumo, escolhe uma delas. As ideologias oferecem-lhe um propósito, uma causa, por mais contraditória ou contraproducente; a raça oferece-lhe uma comunidade, por mais artificial que seja. Nenhuma das duas é uma identidade (identidades pré-fabricadas, prontas a usar na lapela, não existem) mas com uma dose razoável de cegueira auto-imposta, as lutas que não necessitam do seu esforço servem para disfarçar a sua verdadeira identidade: o consumismo cosmopolita.

Comecemos pelas ideologias. Nos bons velhos tempos em que ainda haviam identidades nacionais deste lado do mundo, as várias nuances marxistas eram puramente económicas. Eram o fruto de uma interpretação ignorante das acções humanas e de uma inveja mal escondida pelo sucesso. Hoje, ninguém adere a essas ideologias por razões económicas. Em 90% dos jovens, de um lado ou do outro da barricada, a ideologia económica é a mesma: uma economia mista, onde o pior do comunismo e o pior do capitalismo se encontram numa apoteose brilhante de mediocridade. Nenhum membro dos Antifas é animado realmente pela tomada dos meios de produção. Aliás, produzir é a última coisa que querem. Querem destruir. E esperam que a sua destruição criativa gere frutos. É uma identidade que procuram nessa destruição, iludidos de que ainda existe algo para destruir enquanto espezinham as ruínas do que foi a civilização.

Do outro lado, temos o homem europeu que, com um pouco mais de clareza, entende (consciente ou inconscientemente) os objectivos destrutivos do primeiro grupo, e procura algo mais construtivo. Mas estão mais ou menos iludidos sobre a mesma coisa: pretendem proteger um castelo cujas muralhas já foram destruídas, ou pretendem erigir muralhas para proteger um castelo que já é do inimigo. A comunidade não existe. A nação, por extensão, também não. Sobe-se um degrau. E acima está a raça. Às vezes é engraçado ver as discussões online nos fóruns photo_2017-11-14_21-49-20.jpgdedicados ao assunto: o Português é mesmo branco? Será que gostar disto ou daquilo me desqualifica como branco? Ou então ver o saudosismo de aspiração: éramos Gregos e Romanos e tal e coiso. É engraçado até ser deprimente. Tal como o primeiro grupo, procuram uma identidade onde ela não existe. Acabam a dar a volta ao círculo e, numa divina ironia, advogar algo semelhante ao pan-Africanismo. Ora, África nunca teve nações nem nacionalidades. Teve e tem grupos (muitos deles ainda lutando violentamente pelo controlo das entidades políticas criadas pelos europeus para exterminarem ou escravizarem os outros grupos dentro das suas fronteiras), mas nada que se assemelhe às nacionalidades que surgiram na Europa. Não por acaso, e tal como a Europa previamente com o Cristianismo, há outro verdadeiro unificador no horizonte para África: o Islão. Sendo um sistema total, de crenças ontológicas até às políticas, o Islão oferece um ponto de convergência que a raça, por si só, não oferece.

Não sou íntimo conhecedor das várias identidades africanas, mas tendo em conta que as entidades políticas africanas são artifícios, o pan-Africanismo, apesar de igualmente espúrio, continua a fazer mais sentido do que o chamado ‘nacionalismo branco’, que é nada mais do que pan-Europeísmo. Não há absolutamente nada em comum entre as várias etnias europeias. A Europa já esteve de facto unificada sob uma bandeira, Cristo, mas longe vão os tempos – e muitos dos defensores do Nacionalismo Branco consideram o Cristianismo uma conspiração judaica para subjugar a alma virtuosa, e pagã, dos Europeus. Onde podiam encontrar uma verdadeira identidade, rejeitam-na. Mas mesmo os que juntam a sua identidade racial à sua identidade religiosa, esquecem que essa identidade nunca esteve ligada a considerações étnicas e que não nasceu da procura de uma identidade – e que se a razão para aderirem é essa procura, nunca a vão concretizar. Há uma expressão para o fenómeno: LARPing, versão curta de Live Action Role Playing. Não digo que não sejam sinceros. Até podem ser. Mas os meios utilizados não vão gerar os efeitos desejados.

D. Afonso Henriques pode ter criado Portugal como entidade política, mas não foi ele que criou a identidade portuguesa. Como qualquer conceito nebuloso, não é sequer fácil apontar o que é ou não é uma identidade nacional. Mas podemos pelo menos concordar que ela não depende das acções de uma pessoa, mas dos hábitos e vidas dos habitantes da Nação. Olhando para os hábitos benficae vidas dos habitantes, conseguimos logo perceber porque é que não existe uma identidade especificamente nacional, nem aqui nem em qualquer outro país europeu. E se antes ao menos tínhamos um mito de fundação nas conquistas de D. Afonso, hoje o mito de fundação português é o 25 de Abril. Ou seja, é um mito de fundação que rejeita aquilo que era a identidade portuguesa, e pretende fundar uma nova. Meus caros, bem vindos ao vácuo que é a identidade portuguesa no Século XXI. O 25 de Abril como mito representa uma coisa: a abertura de Portugal ao mundo. Antes estávamos orgulhosamente sós, depois ficámos orgulhosamente acompanhados.

Admita-se que é difícil hoje imaginar um país fechado à cultura além das suas fronteiras. Não só a tecnologia permite o acesso a espaços e tempos distantes, mas o enquadramento político acompanhou a tecnologia e não oferece qualquer entrave a esse acesso – esse era um dos objectivos afinal de contas. O 25 de Abril foi feito para podermos beber Coca-ColaTM e ver o Marlon Brando sodomizar a rapariga com a ajuda da manteiga. Longe vão os tempos em que a música, os filmes, a culinária ou a religião de terras distantes era largamente inacessível, e em especial ao cidadão comum. A procura adapta-se tanto à oferta como a oferta se adapta à procura. Talvez na época fosse impossível de antever, mas hoje é possível observar, os efeitos dessa abertura.

As pessoas da minha geração (a Y, os millennials), cresceram tanto ou mais influenciados pela cultura anglo-saxónica, em especial americana, como por qualquer coisa feita em Portugal. Em boa verdade, e por causa dessa influência, não somos bem portugueses, mas um híbrido cosmopolita – e não somos um caso especial, as outras nações (sobretudo do lado ocidental) sofrem do mesmo. Esse híbrido cosmopolita é a verdadeira identidade europeia moderna. Se somos portugueses em algumas coisas (das castanhas ao bacalhau, do café ao futebol), a verdade é que somos menos portugueses do que os nossos pais, e que eles mesmos eram menos portugueses que os seus pais.

Antigamente, só as classes altas tinham acesso à cultura de outros países – isto é, a outras culturas das classes altas – enquanto que as classes médias e baixas eram fechadas entre si. Podia dizer-se que as classes altas eram cosmopolitas, e mais semelhantes culturalmente entre si do que às classes baixas dos seus respectivos países. É importante mencionar de passagem que as aristocracias europeias tinham laços de sangue partilhados, e eram igualmente mais próximas umas dos outras geneticamente do que das plebes nacionais. O nacionalismo clássico, de há cem anos atrás, provou ser um movimento democrático precisamente por isso: a identificação da classe governativa com a classe governada.

Mas o nacionalismo clássico falhou na prática, porque era na realidade uma contradição em termos. Durante Séculos a distinção entre governantes e governados manteve a identidade intacta. Outros factores determinaram a mudança mesmo com a alteração dessa circunstância. A tecnologia, e com ela a democratização da cultura plebeia, foi o que acabou com as identidades nacionais milenares. Não só acabou com a cultura aristocrática, como aproximou as culturas plebeias umas das outras. E embora seja notório que existem diferenças culturais entre os portugueses e os ingleses, ou entre os suecos e os alemães, a verdade é que essas diferenças são cada vez menos marcadas e cada vez mais irrelevantes. Geralmente, são ligadas a elementos que ainda estão condicionados por factores locais e que não podem tão facilmente ser democratizados como a informação. A culinária por exemplo é muito mais particularizada do que as opiniões políticas, pois está ainda até certo ponto ligada aos alimentos produzidos ou importados, que por sua vez ainda estão ligados à tradição do país. Mas estão apesar de tudo num estado retardado de actualização, e adivinha-se, tendo em conta que já há muito que todos os países têm acesso a alimentos de todo o mundo a qualquer momento, que também aí as diferenças continuem a esbater-se. Não me lembro da última vez que vi, numa carta de sobremesas, a expressão ‘fruta da época’. Porque a época já não importa para a disponibilidade da fruta.

A questão do nacionalismo já era complicada quando surgiu, tendo em conta a distinção entre a tradição política (aristocrática) e a sua distância cultural e genética da classe que governava. Mas hoje, é ainda mais complexa. Quando o PNR repete o seu slogan ‘Portugal aos Portugueses‘ (que sabemos não ser sério, pois o seu programa nem sequer postula sair da União Europeia), tomado do ponto de vista étnico é fácil identificar quem faz e não faz parte dos ‘portugueses’. Mas em termos culturais, e deixar-se de fora esse componente é impossível, qual é o ingrediente especial que nos distingue? Não só a ‘cultura portuguesa’ moderna é em muito img_0796.jpgindistinguível das outras culturas plebeias da Europa, como é transversal entre portugueses étnicos e africanos. Mais: uma boa parte da cultura que é mais ou menos exclusiva a Portugal é adoptada por portugueses étnicos, mas produzida pelos africanos. O mesmo se observa nos outros países europeus com as suas minorias étnicas. Um holandês dizia-me no outro dia que os putos holandeses agora falam todos com os maneirismos linguísticos adoptados dos árabes, uma forma de holandês degenerado. Se pessoas da minha geração disserem que nunca usam as palavras ‘bué‘ ou ‘ya‘, estão a mentir. Ou então essa abstenção é produto de uma auto-censura, de um esforço. Não só já não estamos orgulhosamente sós, não somos sequer nós, orgulhosa ou envergonhadamente.

Na questão religiosa, embora exista ainda imensos elementos da tradição Católica em Portugal, a verdade é que na prática a maioria dos Portugueses são quase tão Católicos como Hindus. Mesmo os que vão à Igreja não a ouvem, e aqui o dedo não pode ser somente apontado às pessoas, mas à Igreja que, por fariseismo, não só não responde aos problemas reais das pessoas modernas, mas ao mesmo tempo vai ao sabor da corrente progressista global – o pior dos dois mundos. O rio, em conclusão, desagua no mesmo mar.

O famoso (ou infame) discurso de Salazar sobre estarmos ‘orgulhosamente sós’ era especificamente sobre a política ultramarina, mas não é espúrio mencioná-lo neste contexto. Afinal de contas, o esforço em África, quer concordemos com ele ou não com o benefício da distância, dependia tanto das directivas políticas como da motivação dos combatentes – e esta provou ser, em última instância, incrivelmente afectada pelas opiniões internacionais. Muito para lá das limitações técnicas, a mundividência dos soldados, das famílias, do povo em geral, contribuíram para a derrota em África. Por outras palavras, o espírito do tempo impregnou a identidade nacional de dúvida sobre a aventura africana, e votou-a à derrota. Um exército que não acredita nas razões para lutar não vence guerras.

E assim, através da influência exterior, da ideologia da auto-determinação, do abandonar do ‘fardo do homem branco’, do papel civilizador europeu, do anticolonialismo e do movimento pacifista americano, a guerra ultramarina e, com ela, o regime, caíram. E para fechar o círculo com mais ironia divina, os portugueses são hoje mais influenciados pela cultura das colónias do que alguma vez as colónias foram influenciadas pela nossa.

Mas este não foi caso isolado. Outras influências exteriores contribuíram para a sua dissolução. Podemos perguntar se se a abertura do país à influência exterior foi um benefício ou um malefício, se melhorou a sociedade ou a piorou, se apurou as qualidades portuguesas ou as deteriorou. O que não podemos negar é que sucedeu.

Quando na Primavera Marcelista se começou a abrir fendas no dique que impedia a cultura estrangeira de entrar em Portugal, pôde observar-se que não tardou muito a que não houvessem suficientes meninos para meter os dedinhos nos buracos e impedir a enxurrada.

No outro dia estava a ver este documentário sobre o CascaisJazz, em 1971, que ilustra bem o argumento. Nele aprende-se que alguns dos músicos – e apesar da presença das polícias – fizeram homenagens aos movimentos de libertação africanos, saudados com grandes aplausos e cantos pela ‘liberdade’. As consequências não foram muitas, apesar da inicial ameaça de repercussões, o que provou a abertura do regime aos apoiantes, mas sobretudo provou aos detractores a sua fraqueza. Daí até à abertura completa, foi um piscar de olhos.

Em condições tecnológicas pós-industriais, e num mundo politicamente plebeu, quer se considere boa ou má, a abertura ao exterior é um processo contínuo, uma espécie de PREC, que uma vez começado não tem termo, e se alimenta a si mesmo num feedback loop.

Em menor ou maior grau, é por isso que vemos as identidades nacionais na Europa Ocidental se tornarem com o tempo versões diferentes da mesma cultura cosmopolita, obcecada pelas mesmas causas e guiada pelas mesmas ideias, enquanto que na Europa que esteve por detrás da Cortina, o processo está mais atrasado e a diferença é ainda visível. Mas infelizmente, sem que existam medidas que o contrariem, o processo vai continuar no Leste como continuou no Oeste.

E não parece haver grande diferença entre, por exemplo, cultura sancionada centralmente (como a MTV ou Hollywood), ou cultura descentralizada (como a Internet). A ausência de fronteiras culturais cria um mundo onde as fronteiras reais se tornam irrelevantes. Este argumento é frequentemente avançado pela Esquerda, para justificar a sua defesa de fronteiras abertas, e criticado pela Direita. Mas, mais uma vez, é a Direita quem não está a ser logicamente consistente.

A verdade é que a Direita pretende fronteiras fechadas na prática, mas fronteiras culturais completamente abertas, ignorando que a abertura cultural leva, inevitavelmente, à abertura real. O consenso geral de que devemos deixar entrar pessoas de todo o mundo para ‘enriquecerem’ a nossa cultura não nasceu do vácuo, foi um processo gradual, e não é produto de uma conspiração. É apenas o resultado natural da exposição continuada a culturas estrangeiras, que leva à perda de identidade e cultura nacional. O ‘enriquecimento’ só é possível, e só faz sentido, porque se perdeu a base. Se a própria cultura é uma mistura indiscriminada de influências, não há razão lógica para que a população o não seja. Em última instância, só encorajamos a entrada de outras culturas porque perdemos a nossa.

E não pensem que é possível impedir este processo. Ele já está demasiado avançado para se salvar alguma coisa. Qualquer ilusão sobre o assunto convém que seja abandonada. Os monárquicos e reaccionários autistas podem clamar e rezar todos os dias para a restauração da IMG_0486.jpgcultura portuguesa, mas o Portugal que existiu não volta a existir. O nacionalismo nos seus parâmetros clássicos é impossível e é difícil antever o que se segue. Mesmo que Portugal, como entidade política reganhe a soberania – algo bastante duvidoso quando nem o partido nacionalista, único, postula a possibilidade – não vem daí o regresso automático da identidade portuguesa perdida. Se D. Sebastião aparecer do nevoeiro, provavelmente volta para ele pois não reconhece as gentes e pensa que se enganou na saída. Mas não é caso para desespero porque, lembremos, a maioria das antigas nacionalidades europeias não era politicamente delineada. Viveu e sobreviveu sob jugo político externo. Portugal, com os seus 900 anos de independência política, é uma excepção nesse respeito. Nada indica que exista um Portugal politicamente unificado no futuro, mas isso não impede a criação de uma ou várias identidades.

Não ignoro a deliciosa ironia de que este texto contradiga a aspiração presente no título deste blog. Mas a verdade é que, como já se disse, não há restauração grandiosa possível. Temos de recomeçar do zero. É preciso repetir que a identidade nacional nasceu das acções individuais dos portugueses, e não porque estes estavam conscientes de que as suas acções levavam a esse fim. Aconteceu independentemente da sua vontade. Por isso qualquer futura identidade requer o nosso envolvimento, a nossa acção, o nosso investimento na nossa comunidade, não em aventuras identitárias que são, curiosamente, um fenómeno moderno global. A comunidade é o alicerce. Só o tempo dirá se é suficiente para suportar um edifício comum. O que é certo é que não se constroem casas a partir do telhado.

A Guerra dos Sexos

«O marido deve cumprir os seus deveres conjugais para com a sua mulher, e da mesma forma a mulher para com o seu marido. A mulher não tem autoridade sobre o seu próprio corpo, mas sim o marido. Da mesma forma, o marido não tem autoridade sobre o seu próprio corpo, mas sim a mulher. Não se recusem um ao outro, excepto por mútuo consentimento e durante certo tempo, para se dedicarem à oração. Depois, unam-se de novo, para que Satanás não os tente por não terem domínio próprio. Digo isso como concessão, e não como mandamento. Gostaria que todos os homens fossem como eu; mas cada um tem o seu próprio dom da parte de Deus; um de um modo, outro de outro. Digo, porém, aos solteiros e às viúvas: É bom que permaneçam como eu. Mas, se não conseguem controlar-se, devem casar-se, pois é melhor casar-se do que ficar ardendo de desejo.»

1 Coríntios 7:3-9

É triste verificar o quão removidos estamos do ideal bíblico e difícil imaginar que o abandono desse ideal pode ir mais longe. Mas a cada ano, a cada década, a distância aumenta.

É um óbvio ululante dizer que os papéis tradicionais dos sexos se alteraram radicalmente nos últimos cem anos, e em especial nos últimos cinquenta, com a velocidade dessa mudança a acelerar cada vez mais, ao ponto de praticamente não existirem diferenças sociais entre os sexos – na lei essas diferenças são proibidas, e na sociedade civil para aí se caminha. A Esquerda, claro, aplaude. A Direita, com poucas excepções, também. A Esquerda apregoa a igualdade mas promove, na prática, a supremacia das mulheres, sempre na sua demanda caótica. A Direita apregoa a igualdade e acredita nela, o que é mais trágico – na prática, actua como um travão muito ténue ao estabelecimento, legal e social, da supremacia feminina.

A revolução sexual não foi um movimento de baixo para cima, mas uma operação deliberada por sociedades secretas e agências governamentais. E se ainda não há muitos anos as elites eram tímidas na sua imposição do relativismo, hoje fazem-no abertamente e sem qualquer pudor. Há uma guerra artificial entre homens e mulheres, criada pelas elites. Esta conspiração está photo_2017-10-28_11-49-13vastamente documentada. O problema está identificado, pelo que não vale a pena perder muito tempo a afirmar o que já se sabe. Se ofereço contexto é porque pretendo apresentar uma tese que aposto irá eriçar muitos pêlos e ofender muitas cabeças. Não falo da Esquerda, nem sequer da Direita que pensa nos moldes de Esquerda – mas da verdadeira Direita, tradicionalista.

Por muito que as esganiçadas do Bloco de Esquerda gritem que vivemos ainda sob o jugo opressivo do Patriarcado, a verdade é que a situação actual pode ser mais correctamente descrita como um Matriarcado. Exceptuando os casos, parcos, em que a biologia exerce a sua inevitável influência de forma irremediável (como nas ciências duras ou no desporto – ou na criminalidade violenta), a supremacia feminina é facilmente observável. E mesmo nessas poucas excepções, existem programas pagos pelos contribuintes para ‘corrigir’ essas ‘injustiças’.

Por cada juiz que decide em favor do homem em disputas legais entre conjugues, existem milhares de outros em que a decisão é favorável à mulher. A propaganda oficial tende a mostrar as mulheres como fortes e independentes, e em geral bem intencionadas, enquanto que os homens tendem a ser pintados como patéticos ou psicopatas. As escolas, as igrejas e os locais de trabalho são ambientes cada vez mais direccionados às mulheres, desenhados propositadamente para não ferir as suas sensibilidades e para acomodar as suas peculiaridades. Espaços puramente masculinos são infiltrados, e quando o não são, aparecem nas notícias para serem publicamente vilificados.

Um exemplo ilustrativo. 1985 foi o último ano em que o número de homens inscritos na faculdade era superior ao número de mulheres. Mais raparigas estão a desperdiçar os seus anos férteis na perseguição de uma carreira – e em muitos casos, nem sequer a vão concretizar. Mas mesmo que concretizem, a tragédia não é menor: as mulheres que adquiram um emprego bem remunerado kjaskjs.jpgterão maior dificuldade em encontrar um homem para casar, pois apesar de toda a cantilena feminista, não é costume ver executivas de sucesso a casar com empregados de mesa – enquanto que o contrário é comum. As mulheres procurarão sempre, por força da sua natureza biológica, um homem que tenha mais valor do que elas. No mundo mercantil em que vivemos, o salário e status social são o indicador principal no que toca a juntar os trapos e formar família. Uma mulher não respeitará o seu marido se este tiver um status menor e trouxer menos dinheiro para casa que ela. E assim se explica a proliferação da solteirona, da maluca dos gatos – que tendo passado a juventude focada na sua carreira e satisfazendo a sua necessidade de intimidade com encontros casuais e relações insignificantes, entre contraceptivos e abortos, termina numa triste desolação ou, no melhor dos casos, arranja um parolo disposto a rebaixar-se por migalhas de intimidade, quando a sua fertilidade e a sua beleza tiverem desvanecido.

Enquanto a populaça se convence da benevolência das grandes vitórias do liberalismo, as elites regozijam com a destruição da família, o seu objectivo principal. A família é o único entrave à implementação do controlo total do Estado sobre o indivíduo, o primordial obstáculo a uma nova ordem mundial, pois é nela que se baseiam todas as outras instituições intermédias, sem as quais photo_2017-11-06_09-46-10homens e a mulheres ficam indefesos perante o poder político. Não é ao acaso que a destruição ou irrelevância das instituições intermédias tenha andado, década após década, de mão dada com a desintegração da família. E na génese da família está a união de um homem e de uma mulher.

Esta união, apesar de ser uma parceria, é tudo menos igualitária. O homem e a mulher têm funções diferentes, responsabilidades diferentes, poderes diferentes. E sem essa desigualdade, a instituição não sobrevive, nem consegue cumprir a sua função. Todo o edifício desmorona. Isto é o que vemos acontecer no mundo moderno. Chesterton tem uma frase adequada: nunca deitem abaixo uma cerca sem antes saber porque foi construída. A revolução sexual ofereceu à mulher o controlo sobre o seu aparelho reprodutivo e essa ‘libertação’, que no vácuo parece sábia e justa, abriu uma caixa de pandora que ameaça desmantelar todos os alicerces que mantêm, por enquanto, a sociedade de pé.

Tendo assim exposto o problema, a resposta é óbvia: retornar à ordem tradicional, restabelecer o Patriarcado. Mas daqui até lá há um longo caminho a percorrer, e neste momento o caminho está cheio de obstáculos e buracos, e sem iluminação. Com a libertação da mulher, veio o aprisionar do homem; com a masculinização da mulher, veio a efeminação do homem. Os homens têm de, mais uma vez, exercer domínio sobre as mulheres, mas como efectuar isso na prática?

A lei proíbe-o e a sociedade desencoraja-o. Pior: as instituições que deviam oferecer luz e auxílio, juntaram-se ao inimigo; as vozes tradicionalistas, recusam-se ao combate. Os conselhos das instituições e pensadores tradicionalistas não são aplicáveis no panorama actual. A Igreja 111.jpgrecomenda que se espere até ao casamento para ter sexo e num mundo são isto seria não só possível como desejável. No mundo moderno, é possível (de certa forma) mas não é desejável. Os incentivos que existem correntemente contribuem para que as mulheres não só não precisem de um homem, como não o respeitem. Um homem moral, que queira esperar até ao casamento, vai certamente casar virgem, mas não vai casar com uma virgem. Infelizmente, na sociedade moderna, para o homem exercer domínio sobre uma mulher, esse domínio tem de ser sexual. E tendo em conta que é difícil imaginar dois jovens a conhecerem-se e a casarem quase imediatamente, sucede que o sexo vai suceder antes do casamento ser consumado.

A alternativa de alguns tradicionalistas é remover-se da sociedade totalmente, viver uma vida ascética, de celibato. Em alguns, não poucos, casos, existe uma aura de misoginia, como se as mulheres tivessem escolha, ou culpa, de serem como são – como se não caísse sobre os homens a responsabilidade de as liderar. Se de um lado da boca afirmam as virtudes tradicionais, por outro resignam-se a aceitar as torpes mentiras modernas, não em teoria, mas na prática. Ao observarem a natureza hipergâmica das mulheres, completamente desenfreada dada a realidade legal e social, decidem – porque é mais simples – que nenhuma mulher merece o seu esforço, a sua tutela. Quando na realidade é mais importante do que nunca que os homens sejam masculinos, e ofereçam uma liderança viril para as mulheres da sua geração.

Não ponho de parte, claro, que há casos perdidos – querendo com isto dizer que há putéfias irredimíveis, tal como existem homens sem qualquer capacidade de serem viris. Mas é preciso compreender que as mulheres estão tão perdidas como os homens. São vítimas da mesma images.duckduckgodegeneração da civilização ocidental, da mesma hemorragia de valores, e não sairão desse abismo sem a liderança dos homens. A cada esquina as jovens mulheres são encorajadas a abrir as pernas, a oferecer aquilo que lhes é único (a sua beleza e fertilidade) a troco de nada; a saltar de ‘relação’ em ‘relação’, quando não mesmo de cama em cama, enquanto se focam naquilo que na distorção moderna se tornou o objectivo principal: o fantasma mitológico da ‘realização pessoal’, da carreira, do trabalho. Na prática são encorajadas a serem obedientes ao patrão, em vez de ao marido.

Mas como pode uma mulher moderna ser submissa se não encontra um homem recto e viril, que queira fazer dela uma esposa? Se os homens na sua vida são puramente hedonistas, ou fracos e inseguros, incapazes de dar um passo e tomar uma decisão? Se os homens rectos não conseguem sequer ganhar coragem para meter conversa com uma rapariga e convidá-la para beber um café? Se nem esse pequeno passo são capazes de dar, como vão ser líderes dentro da sua própria casa? O meme dos involuntariamente celibatários existe por uma razão. As mulheres não se sentem atraídas pela fraqueza, e muito menos se resignarão a aceitá-la durante o auge da sua fertilidade.

E se, por um lado, existe valor moral em ser voluntariamente celibatário, existe muito pouco em ser-se involuntariamente celibatário. A verdade é que a via ascética é, e sempre foi, um caminho adequado para uma pequena minoria. A maioria dos homens não nasceu com essa vocação, e numa era sã, estariam casados e com famílias. Acontece que esse caminho é cada vez mais difícil, e exige ainda mais virilidade para o atingir. Exige, na verdade, um esforço continuado para manter a mulher fora da esfera de influência do Demónio.

Que uma maioria dos homens de valor, com princípios, com uma ideia de como a sociedade deve funcionar, siga uma via ascética (voluntária ou involuntariamente), não é um caminho para a restauração, não é um alicerce para o futuro. Mesmo quando é moralmente impecável, não oferece qualquer saída para o buraco em que nos encontramos. Pelo contrário, ajuda a que a situação piore ainda mais rápido, pois não coloca qualquer entrave a que as mulheres cumpram a sua natureza hipergâmica, e desperdicem a sua beleza e fertilidade em busca do ideal hedonista.

A sociedade moderna é repleta de paradoxos morais. Um deles, talvez o maior, é que para voltar a estabelecer uma ordem natural e moral na sociedade, o homem tem de estabelecer um domínio sobre o imperativo feminino sem ter qualquer ferramenta legal ou social, mas unicamente a sua narcismasculinidade. Para dominar a mulher num clima de libertação sexual, o homem não pode simplesmente oferecer-lhe o que oferecia no passado pois praticamente tudo pode ser adquirido sem um homem. Desde o conforto material que o emprego lhe oferece até à atenção masculina das hordas de homens sexualmente frustrados obtida através das redes sociais. Só a virilidade da liderança, da tutela do homem, e o sexo, a atracção primária, não pode ser adquirida sem ele. Se um homem for casto, e a mulher não for (e tudo a impele a que não seja), ela nunca o respeitará e com a grande loteria do divórcio, que favorece desproporcionalmente as mulheres, o homem não terá qualquer hipótese de estabelecer domínio sobre a mulher. Pelo contrário, acabará figurativamente castrado.

As mulheres são naturalmente subordinadas ao homem, e portanto as suas atitudes são, mesmo neste clima tóxico, subordinadas ao que os homens na sua vida lhes permitem. Mas isto acarreta uma responsabilidade, um esforço, um peso sobre os ombros que muitos não querem tomar. Esta masculinitynegação da realidade vai do indivíduo às instituições, em especial no campo do tradicionalismo. A verdade é que por muito que vejamos as várias mentiras que o sistema lucra em nos vender e nos rejeitemos a comprá-las, há sempre uma parte de nós que quer voltar ao conforto da mentira. E a primeira mentira que insistimos em consumir é a de que podemos esperar a mesma força moral das mulheres que esperamos dos homens; que podemos confiar no cumprimento das regras quando já não existe árbitro ou penalização pelo seu não-cumprimento. A mulher submissa e casta era um produto, não da sua biologia, mas das circunstâncias legais e sociais em que se encontrava. Circunstâncias que já não existem, mas que pelo contrário são em tudo opostas às que mantinham esse santo equilíbrio.

O conforto da mentira é apelativo, porque não exige esforço, intelectual, moral ou físico. Em nenhum campo isto é mais observável do que nas relações entre os sexos. Queremos ainda acreditar que o contexto em que vivemos é o mesmo que vem descrito na Bíblia, e que portanto podemos aplicar as mesmas estratégias e obter os mesmos resultados. Ignoramos voluntariamente que o Demónio é um íntimo conhecedor da escritura, e que a sua estratégia é encaminhar o mundo para as ambiguidades dos versos, criar situações não explicitamente descritas, onde as prescrições não geram os efeitos desejados, pois o contexto mudou, e assim desencaminhar as almas do caminho recto ou votando as que não desencaminha à total impotência e sofrimento.

Não é pois surpreendente que tantos jovens se afastem da Igreja, quando esta ignora com violência a realidade fora das suas portas, apontando um caminho onde agora só existem obstáculos e sugerindo acções que geram o efeito contrário daquilo que deviam gerar. Não é de admirar que tantas famílias católicas votem os seus filhos ao celibato involuntário e as suas filhas à promiscuidade radical (um meme vivo do mundo moderno, observável por todo o mundo ocidental). O fariseismo na questão da sexualidade tem o mesmo efeito que qualquer forma de fariseismo: afastar as almas da verdade, focando-se nas regras, em vez de no espírito. E a total fifty.jpgefeminação da Igreja é por demais óbvia precisamente no catecismo sobre o casamento e a sexualidade. As mulheres são chamadas a serem submissas aos seus maridos, mas apenas na medida em que os homens ‘amam as suas esposas como Cristo à Igreja’, e a interpretação, claro, vem directamente da mulher: se o homem não faz a mulher ‘sentir-se’ amada, então este não merece a sua submissão. A Igreja moderna sublinha este absurdo mantra da cultura pop, de que o amor é um sentimento, em vez de uma acção. E naturalmente, no campo dos sentimentos, a mulher tem todo o poder. E enquanto castigam os homens pela sua libido, mesmo quando não tem qualquer escape moral, desculpam às mulheres a sua constante procura por atenção masculina ou as suas fantasias em forma de romances degenerados.

Os homens modernos não podem esperar, ou procurar, uma esposa. Têm de exercer a sua masculinidade para fazer esposas das mulheres que se cruzam no seu caminho – e mais, exercê-la continuamente para que elas se mantenham esposas. Da mesma forma que não podem encarar o contexto sexual de um ponto de vista hedonista, procurando apenas o prazer imediato, não podem encará-lo de uma perspectiva beata e formalista, obedecendo a regras de um jogo que deixou de ter regras há muitas décadas. Os homens têm de estar preparados e dispostos a procurar e abordar mulheres para fazer de uma delas a sua esposa – longe vão os tempos em que podia confiar no círculo social, nas relações de proximidade, para encontrá-la, e longe vão os tempos em que a primeira que lhe surgisse daria uma esposa obediente e cristã. E têm de estar preparados para abandonar a relação, não por razões egoístas, mas porque o clima presente é necessariamente um de tentativa e erro, e nada mostra melhor a superioridade e virilidade do que ter opções e estar disposto a sair quando a mulher não cumpre com a sua submissão. A natureza biológica da mulher impede-a de apreciar a força do compromisso masculino, a sua dedicação ou até mesmo a Lei – e sem forças externas como a tutela familiar, a influência da Igreja ou leis que a contenham, é necessário que o homem tome as rédeas, sozinho, e imponha a ordem natural ditada por Deus.

De todos os episódios bíblicos, nenhum é mais ilustrativo da natureza feminina do que a insubordinação da Eva perante o mandamento divino. Se a mulher não pode ser confiada para se adam and eve.jpgmanter fiel a Deus, quanta negação e ilusão é necessária para se acreditar que, sem constante supervisão e acção, num mundo em que a serpente está presente em cada esquina, se mantenha fiel ao homem?

O homem de princípios tem de encarar a relação presente entre os sexos como uma guerra, e numa guerra nem todos os mandamentos podem ser perfeitamente seguidos. Se forem, é a garantia da derrota. Para isto se desenvolveu o conceito Cristão de ‘guerra justa’. A guerra entre os sexos é real e fugir à batalha não é uma opção se o objectivo é voltar à sanidade social, à ordem natural, ao casamento Cristão.

O Supositório Arco-Íris

red_pill_blue_pill.jpgUm novo termo tomou de assalto o discurso político nos últimos anos: o comprimido. Em especial, o comprimido vermelho, the red pill, aludindo ao filme The Matrix. E em especial, este comprimido tem sido um discurso político mais à Direita, em oposição ao consenso ideológico reinante nas últimas décadas, que é de Esquerda. No filme oferecem ao protagonista dois comprimidos, um, o azul, que o leva de volta à sua vidinha normal e de volta à paz de acreditar em tudo o que o sistema quer que ele acredite; o outro, vermelho, mostra-lhe a realidade pura e dura.

Tomar o comprimido vermelho é, pois, passar a ver velhas questões com novos olhos. Da verdadeira natureza das mulheres ao processo político, há muitos comprimidos vermelhos. Depois, como a moda pegou, inventaram outros comprimidos: o roxo, o verde, e muitos outros. Honestamente, já perdi a noção do que estes outros significam. Guardei um, porque já me acusaram de o ser várias vezes: blackpill, querendo isso dizer que sou pessimista e transtorno algumas pessoas com esse pessimismo – sinal evidente de que estou a fazer bem o meu trabalho. Se a realidade é negra, e o comprimido mostra a realidade, então a cor adequada é mesmo essa.

Esta história dos comprimidos era aceitável quando só havia dois (o vermelho e o azul), mas agora que já passou a fase da lua de mel e se criam outros para identificar nuances, tornou-se idiota. Era, 111admito, uma boa forma de sumarizar o processo em que um homem passa a perceber o que há de errado com o mundo. Hoje, ser redpilled pode significar simplesmente que se gosta de Donald Trump e se critica o Islão por não ser compatível com os “valores ocidentais” (que na maioria dos casos nada têm que ver com a civilização tradicional cristã, mas com a modernidade que a rejeitou). E convém lembrar que a terminologia vem de um filme razoável, mas que tem duas sequelas absurdas e que os seus autores entretanto decidiram ser transsexuais, por isso o seu julgamento da realidade não é por certo o mais adequado.

Ora, há um comprimido que grande parte da sociedade e, infelizmente, também uma boa parte da Direita moderna engoliu e que não há maneira de regurgitar. Este comprimido é tão forte que é aparentemente imune aos poderes medicinais do vermelho. O seu efeito permanece mesmo quando se digere o outro. Falo, obviamente, do comprimido arco-íris.

O comprimido arco-íris é a aceitação, ou menorização do impacto, da causa e prática da sodomia. Nenhuma questão é tão ignorada ou menosprezada como o impacto que a aceitação e promoção da homossexualidade têm na sociedade. Tendo em conta esta realidade, talvez o comprimido seja afinal um supositório. Tratando-se de seres que se dizem à Direita, esta apatia perante um dos principais flagelos do nosso tempo, não deixa de ser ainda mais preocupante.

Repare-se por exemplo neste texto do camarada Carlos Guimarães Pinto, um dos paladinos do Liberalismo Português, que fala precisamente deste assunto e ilustra o quão enfiado está o supositório arco-íris nos rectos da Direita portuguesa. Sumarizando, parece que uma secretária de estado assumiu a sua condição de sodomita. O Carlos considera que as pessoas normais ignoraram e continuaram a sua vida – tendo em conta o grau de desinformação sobre o assunto, e rainbow supa supressão dos instintos naturais no ser humano moderno, a consideração é acertada. Mais à frente vem a observação de que os conservadores, perante esta notícia, se encontraram na posição de defender «que ser homossexual é normal e plenamente aceite». Não é que não tenha razão, porque tem. O que preocupa é que a Direita se encontre, em 2017, nessa posição. É certo que os seus efeitos em Portugal ainda são mínimos quando comparados com países mais ‘avançados’ na sua degeneração. Mas só uma ingenuidade extrema (a roçar a idiotia) não consegue antever que não deverá demorar muito a que os apanhemos, porque na realidade os continuamos a seguir, no caminho para o abismo civilizacional. Enquanto a Esquerda quer acelerar o passo, a Direita limita-se a defender a posição da Esquerda da década passada. É como se não notasse que a sua defesa do status quo de Esquerda, não mantém esse status quo, mas move-o sempre e sempre para a Esquerda. E é como se não tivesse qualquer princípio basilar na sua filosofia, a não ser a defesa do status quo e a liberdade económica.

Em bom português costuma dizer-se que contra factos não há argumentos, mas quando se toma o supositório arco-íris os factos são irrelevantes. Podem confirmar aqui alguns factos ‘de ódio’ sobre os sodomitas. A lista é vasta, por isso vamos rever apenas uma minoria para ilustrar o quão problemática em termos materialistas é esta ‘comunidade’, quão absurdo é o seu orgulho e qual o seu impacto contabilizável na sociedade. Tendo em conta que a Direita parece obcecada com números, pode ser que assim comecem a abrir os olhos.

Homossexuais do sexo masculino têm 60 vezes mais probabilidade de ter SIDA que homens heterossexuais. 46% dos homossexuais do sexo masculino são alvo de abuso sexual, comparado com apenas 7% dos homens heterossexuais. 43% dos homossexuais de sexo masculino têm mais de 500 ‘parceiros sexuais’ ao longo da vida. 79% dos homossexuais de sexo masculino admitem que mais de metade dos seus ‘parceiros’ são estranhos. Os homossexuais de sexo masculino, que são apenas 1% da população, são 83% dos casos de sífilis. 40% a 60% dos homicidas em série são homossexuais. A monogamia não é uma característica central da maioria das relações homossexuais. 28% dos homossexuais tiveram sexo com mais de mil homens. Entre os homens heterossexuais apenas 25 % tiveram relações com mais de 10 mulheres.

Claro que perante estes factos teremos um coro infindável de vozes da Esquerda a assegurar-nos que a origem destas atitudes claramente disfuncionais se deve, única e exclusivamente, à discriminação de que estas pessoas são alvo pela sociedade normal. Mas parando um pouco para pensar, não há instituição que não se vergue para lhes fazer a vontade, e se por um acaso alguém decidir criticá-los, as tais instituições serão bem sucedidas em destruir a vida de quem teve a audácia de questionar os dogmas sodomitas.

Do lado da Direita, sobretudo da Direita liberal, virá o coro de que, se liberalizarmos o mercado e acabarmos com a subsidiação do seu ‘estilo de vida’ perigoso, os problemas para a sociedade deixam de existir e passam a ser um elemento circunscrito às vidas privadas dos indivíduos que a praticam. E aqui se vê o quão fundo está o supositório arco-íris. O autismo perante a sodomia é simbólico e o caso mais pertinente do autismo geral da Direita perante toda a degeneração que a Esquerda tem vindo a promover desde que tem essa liberdade e que a Direita insiste em defender com dez anos de atraso, só para dizer que se opõe a alguma coisa.

Podemos tentar chamá-los à razão e falar na realidade de que uma relação homossexual nunca pode gerar progenitura, e que portanto os homossexuais não contribuem para a perpetuação da espécie. Visto que os seus maiores defensores (e praticantes) costumam ser ateus e darwinistas, isto deveria ser visto como uma desvantagem – mas não alimentemos ilusões. A um homem com a cabeça no sítio não custa a perceber que deste facto salutar nasce quase toda a disfunção desta ‘comunidade’, mas para quem tomou o supositório, tudo isto não passa de ódio latente. Aliás, quem critica os homossexuais deve ser secretamente homossexual – uma lógica brilhante segundo a qual os ateus que odeiam a religião são secretamente devotos.

Depois podemos falar do bullying que esta ‘comunidade’ faz a qualquer oposição, crítica ou julgamento. Os exemplos são inúmeros (como este, ou este, ou ainda este) e deviam fazer soar o alerta em qualquer homem com senso comum.

Podemos falar nas marchas LGBT que ostentam, com orgulho, todos os tipos de sexualidade desviante como se fosse normal e desejável, e de como pais dão palmadinhas nas costas a si San-Diego-Pride-Parade-39.jpgmesmos por serem tolerantes e levarem os filhos a ver o escabroso espectáculo.

E por fim, podemos apontar o facto de que os governos ocidentais parecem ter a sodomia como uma das principais prioridades da sua política externa, ao ponto de se gastar quase um bilião de dólares com o assunto.

Não me parece que a Direita ignore pelo menos algumas destas realidades. E no entanto, nem um pio sai da sua boca para condenar a ‘comunidade’, a sua causa ou a sua desejabilidade numa sociedade civilizada.

A Direita não diria, por exemplo, que um heroinómano é normal e aceitável, nem sugeriria que se aceitasse essa disfunção como algo «normal e plenamente aceite». E no entanto, diz o mesmo do sodomita, sobre o qual é possível argumentar que a sua disfunção tem muito mais influência na sociedade, e uma influência muito mais negativa.

A realidade é que a aceitação da homossexualidade como normal e permissível, que veio da Esquerda e foi aceite pela Direita, é a fonte de onde jorra o lodo moral onde o Ocidente se encontra. Neste momento, o leitor mais ingénuo, mesmo perante todos os dados providenciados acima, estará a pensar que estou a exagerar.

E eu entendo, até certo ponto. É verdade que pecados é o que não falta, e que muitos deles são parte integrante da nossa sociedade desintegrada. Por exemplo, porque não apontar o sacrifício infantil que as nossas sociedades elevaram a um direito de todas as mulheres com subsídio estatal como a fonte desse lodo? É uma pergunta válida dado que o aborto é, claramente, um sinal de que forças demoníacas caminham entre nós, quando algo tão aberrante e destrutivo, que é nada menos que sacrifício humano ritual, é permitido.

Mas a sodomia é o ponto em volta do qual todos os outros males revolvem, incluindo o aborto. Em primeiro lugar, a sodomia é um ‘estilo de vida’ inerentemente egoísta, luxurioso e hedonista. Promove o sexo como uma acção meramente física (como urinar ou defecar), desligado da sua função biológica e, logo, da sua componente espiritual; é necessariamente infértil e masturbartório – mas masturbartório através do uso, e profanação, de outra pessoa. Promove a doença, porque o hedonismo é forçosamente uma atitude de baixa preferência temporal, ou seja, descarta o sexo seguro e a monogamia na procura de actividades mais extremas, e tal como qualquer disfunção, não fica estanque nessa procura do prazer: a dose tem de ser maior, e o seu efeito mais rápido (o que explica o alto número de pedófilos e pederastas entre a ‘comunidade’ gay). A sodomia promove igualmente, e pela mesma razão, o uso e abuso de drogas, provavelmente porque é um acto que para ser praticado, e ao contrário do sexo (o verdadeiro, entre um homem e uma mulher), necessita de lubrificantes artificiais e é necessariamente violento (não é um acaso que seja um acto praticado amiúde nas prisões como forma de dominação dos mais fracos).

Além disso, a sodomia é inerentemente um pecado organizado, visto que é necessário pelo menos duas pessoas para o cometer. Podem-me dizer que o homicídio é pior que a sodomia, no vácuo, e eu concordo. Mas não há nada inerente ao pecado do homicídio que leve à formação de ‘comunidades’ secretas de homicidas por prazer, que tenham o objectivo de dominar as instituições e propagar a sua ideologia homicida. Pelo contrário, os homicidas por prazer em geral são lobos solitários. Mas os sodomitas organizam-se e recrutam (a história das últimas décadas prova-o). Mais: a sua propensão é para a sociabilidade e portanto para propagar a sua disfunção. Um homicida não vai criar uma ideologia para justificar os seus homicídios, enquanto que os sodomitas fazem-no há séculos para racionalizar a sua disfunção. E essa racionalização, claro, não será no sentido de uma sociedade ordeira, comunitária e recta, mas no sentido de individualismo extremo – visto que o acto em que se baseia é puramente masturbartório, sem qualquer benefício para a comunidade que não o prazer imediato de quem o pratica.

Tendo em conta esta situação, e o facto de serem naturalmente uma minoria, é também natural que a ideologia e ‘comunidade’ sodomita promova todo o tipo de individualismo degenerado entre a população, seja o aborto, o uso de drogas, a aceitação da imigração de massas, a libertação sexual das mulheres ou o transexualismo (e, em breve, a pedofilia), como forma de destruir o modo de vida funcional da maioria.

Além disso, a propagação da sua ideologia destrói as ligações naturais de amizade e lealdade entre os homens, obrigando-os a temer sempre que um outro homem olhe para eles como um receptáculo para o seu sémen. E a ausência destas relações de lealdade tornam a sociedade mais fraca e mais sujeita a subversão interna ou invasão externa, algo que podemos observar em todas as sociedades ocidentais.

Ou seja, embora o homicídio (em que se inclui o aborto) seja um pecado mais grave, a verdade é que não existem manifestações de orgulho pelo homicídio, em que milhares de pessoas não-sodom_gomorrah_2homicidas participam e apoiam. Não existem apoiantes de homicidas nas posições mais altas da sociedade, das instituições públicas às empresas privadas. Não existe uma promoção infindável do estilo de vida homicida nas escolas nem nas universidades. E por fim, não existe a possibilidade de se ser ostracizado pela denúncia do homicídio. O mesmo não pode ser dito da sodomia.

Não é ao acaso que o único episódio bíblico em que Deus destrói directamente duas cidades seja pela prática e aceitação generalizada da sodomia. Uma tal sociedade não tem salvação possível.

A Direita deve voltar a encarar a sodomia, a sua aceitação e infiltração nos seus meios, como um mal. Não como uma ‘escolha’ inócua (embora insalubre), mas como um cancro que não só ameaça corroer a sociedade até ao seu âmago, mas que já o fez em larga medida e possivelmente de forma irremediável. É simples: como Cristo, devemos exigir que se arrependam e que parem de praticar a sua actividade destrutiva.

Está na hora da Direita retirar o supositório arco-íris.

Uma mera formalidade.

A barbárie Islâmica continua a assolar a Europa. Os detalhes são irrelevantes. Por muito que a imprensa queira ofuscar a origem dos ataques terroristas ou desculpabilizar os responsáveis, só behead-those-who-insult-islammesmo quem insiste em fechar os olhos não sabe. Quem é que, com dois dedos de testa, com o mínimo de atenção e o mínimo de honestidade acha que se deve continuar a importar hordas de árabes, magrebinos e africanos que professam o Islão? Quem é que, na posse das suas faculdades mentais, ainda acha que o Islão é uma religião de paz e que o elemento de conquista é a excepção e não a regra? Ninguém. Quem era passível de ser instruído já o foi. Pelo que é irrelevante para a Direita martelar mais uma vez o assunto.

No entanto, dada a frequência da barbárie, este martelar tornou-se uma fonte de popularidade, de rendimento e mediatismo. Da mesma forma que a Esquerda utiliza os eventos para pregar o seu demónico evangelho, o virtue-signaling da Direita é exclamar, uma e outra vez, o óbvio ululante. É pena porque é uma evidência que ofusca o verdadeiro problema.

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Wilders: “Basta de selvagens castanhos que violam miúdos“; Also Wilders: “Temos de defender os nossos pederastas da selvajaria Islâmica“. Hum… ?

De certa forma, é compreensível. A Direita já não ganha há muito: a sua existência é unicamente reactiva perante qualquer que seja a obsessão da Esquerda no momento – e a Esquerda, que é patrocinada pelas elites financeiras com os seus propósitos particulares completamente

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Espécimes da Raça Ariana.

desligados dos interesses dos nativos e dos imigrantes, está permanentemente investida num exercício de gaslighting da população sem precedentes. A cada atentado, a Esquerda (que inclui a imprensa, as universidades, o governo, os think thanks, etc.) jura-nos que o Islão é uma religião de paz, que os atentados nada têm a ver com a importação desta cultura para a Europa, que criticá-la é ser xenófobo e que, em última instância, encontrar um padrão em todos estes eventos apenas demonstra o quão odiosos são os críticos. Perante isto, a Direita arranca para a refutação de todas as permissas da Esquerda, e assim permite que ela dite o tom e o conteúdo do discurso.

A Esquerda sendo o que é, e patrocinada por quem é, vê apenas as consequências e causas materiais. Nem importa que minta. A refutação das suas mentiras não desliga a crítica da mundividência materialista. Além disso é muito mais fácil atacar os outros do que olhar para dentro, admitir as nossas falhas e superá-las. Se a Esquerda decidiu olhar para dentro e aceitar tudo o que há de mau como sendo bom, a oposição decidiu ignorar o pântano que é a alma europeia e apontar o foco para fora, como se fosse possível que os elementos exteriores nos afectassem como afectam sem que houvesse subversão interna.

É importante perceber a verdadeira origem do problema, que não são os bárbaros estrangeiros mas os nativos moralmente apáticos. Eu não vejo nenhuma outra civilização a convidar bárbaros para as suas nações, a dar-lhes casa, comida e abrigo. Nenhuma outra raça tão apática que após cada atentado defende as suas causas e que continua a insistir em convidá-los. Quantos dos que morreram em Espanha apoiavam os ‘refugiados’? Quantos não apoiando ficaram calados? Quantos permitiram ou estiveram-se a marimbar para o facto de as suas crianças sofrerem lavagens cerebrais na escola para que os aceitem?

Morreram 14 pessoas no atentado espanhol. Entretanto houve mais uns quantos, noutros sítios. Mas quantos abortos foram perpetrados nesse espaço de tempo? Quantas vidas pereceram às mãos dos próprios Europeus, com subsídio público e indiferença da população?

No Twitter alguém perguntava, perante a notícia de que o jihadista que cometeu o atentado já tinha anunciado o seu propósito, ‘como é que é possível continuarem a ignorar?‘. A resposta é simples: apatia. Se o jihadista tivesse dito que queria ilegalizar a pornografia tinham-lhe prestado atenção e feito protestos.

Se o problema fosse só um de invasão, era fácil de resolver. Infelizmente, o problema é muito mais profundo. A ameaça física que os bárbaros Islâmicos apresentam é insignificante comparada com

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Mais espécimes da Raça Ariana.

a aniquilação espiritual a que os europeus se votaram a si mesmos. O Homem Europeu tem como único deus o hedonismo. Enquanto lhe permitirem refastelar-se nos seus pecados, é-lhe completamente indiferente se bárbaros estrangeiros matam os seus compatriotas, violam as suas mulheres e crianças ou destroem as suas cidades. A sua lealdade é direccionada apenas para o seu prazer imediato. Pelo que até os críticos do Islão e da sua entrada na Europa estão simplesmente focados na sua remoção e julgam que, uma vez removido o elemento Islâmico, a Europa pode continuar na sua depravação hedonista e tudo correrá pelo melhor.

Os avisos foram-nos dados mas decidimos não os ouvir. Os antigos Israelitas cometeram o mesmo erro, tiveram a mesma presunção e sofreram as mesmas consequências:

«Todas estas maldições vos seguirão e vos alcançarão até que sejam destruídos — tudo por terem recusado ouvir o Senhor vosso Deus. Estes horrores cairão sobre vocês e os vossos descendentes como um sinal. Tornar-se-ão escravos dos vossos inimigos, por causa de não terem louvado o Senhor por tudo o que vos deu. O Senhor mandará os vossos inimigos contra vocês; vocês terão fome, sede, frio e necessidades em todos os domínios. Um jugo de ferro será posto no vosso pescoço, até que sejam destruídos.

O Senhor trará contra vocês uma nação distante que vos cairá em cima como uma ave de rapina; uma nação cuja língua não compreenderão — gente feroz e furiosa que não terá compaixão nem de velhos nem de novos. Eles comerão tudo o que é vosso em casa e nos campos; levar-vos-ão todo o gado e as colheitas; desaparecerão os cereais, o vinho novo, o azeite, as crias das vacas e das ovelhas. Essa nação sitiará as vossas cidades e derrubará as muralhas, por mais altas que sejam e por muito que pensem que vos protegem seguramente.» (Deuteronómio 28:45-52)

A história está a repetir-se porque os Europeus, tal como os antigos Israelitas, elevaram as suas invenções e prazeres terrenos acima de Deus e dos seus mandamentos. A incrível disfuncionalidade das nossas sociedades deriva deste facto, e faz-nos a cada dia mais fracos, mais solipsistas, menos humanos, e a nossa fraqueza torna-nos presas fáceis para os bárbaros. «Quem tem apego à sua vida vai perdê-la; quem despreza a sua vida neste mundo vai conservá-la para a vida eterna» (João 12:25). A alma do Europeu comum está perdida. A morte física trazida pelos bárbaros é uma mera formalidade.