Automatizar a Alienação: progresso tecnológico e anti-globalismo

«The conservatives are fools: They whine about the decay of traditional values, yet they enthusiastically support technological progress and economic growth. Apparently it never occurs to them that you can’t make rapid, drastic changes in the technology and the economy of a society without causing rapid changes in all other aspects of the society as well, and that such rapid changes inevitably break down traditional values.»

Theodore Kaczynski, Industrial Society and Its Future, 1995

Um dos argumentos mais usados pela intelligentsia globalista para justificar a imigração de massas para o Ocidente é o baixíssimo índice de fertilidade observado entre as populações nativas e a necessidade de manter a população a um nível estável evitando, desta forma, uma descida nos níveis de produtividade e um colapso do sistema de pensões. Esquecendo a perspectiva ‘conspiratória’ de que existem motivos ulteriores social_problems_depicted_in_cool_cartoon_art_04para as elites globalistas quererem esta solução, o argumento que apresentam é puramente económico – e nessa sua miopia estão perfeitamente alinhados com a Direita moderada, para quem a economia é o único barómetro político, social e cultural.

Este argumento pode ser rejeitado por várias razões, algumas económicas e outras de cariz moral: a mais importante, a meu ver, não tem absolutamente nada que ver com economia, e baseia-se no princípio moral de que uma população deve manter a integridade étnica (e logo, cultural) da sua nação ancestral. Acontece que este princípio, embora moralmente justificado, para ser aplicável na realidade, obriga a que se façam considerações de ordem técnica. Podemos achar, e com razão, que os argumentos e intenções dos globalistas são iníquos, mas temos de concordar que o seu raciocínio não é totalmente disparatado, sobretudo se quisermos manter ou aumentar o nível de riqueza presentemente existente. Tendo em conta o índice de fertilidade dos nativos europeus, a Segurança Social e semelhantes sistemas de transferência de rendimentos de jovens para idosos é insustentável. Já o é há várias décadas, e a combinação de declínio populacional e políticas inflacionárias promete destruir o sistema por dentro, seja através da impossibilidade de o Estado cumprir com os compromissos para com os beneficiários ou de os cumprir para com os credores a quem se endividou para pagar aos beneficiários. É um problema inamovível e que exige uma solução.

A Direita moderada não tem preferência: desde que se resolva, não importam os meios – mesmo que esses meios sejam a substituição da população original por africanos, árabes e ameríndios. Tendo em conta que esta substituição não implica uma reposição qualitativa, mas sim quantitativa, que os imigrantes que invadem o Ocidente não têm a mesma capacidade intelectual e produtiva dos nativos, que uma boa parte deles adicionam custos em vez de benefícios ao sistema, e que a economia mundial necessita de cada vez menos mão de obra não-especializada dada a automatização e o avanço tecnológico (algo que já afecta as classes baixas e médias do Ocidente) as considerações conspiratórias ganham alguma validade. Pelo que a Direita identitária rejeita obviamente esta solução, tanto moral como economicamente, e em contraposição diz que não precisamos de imigrantes, precisamos somente de mais automatização e progresso tecnológico. Com a automatização e o progresso tecnológico vem racionalidade económica, maior produtividade e logo a libertação de recursos sem se sacrificar a produção de riqueza, permitindo, em princípio manter o sistema de pensões mesmo perante uma população envelhecida e uma diminuição da população activa. A automatização permite já, e permitirá cada vez mais, a realização de inúmeras tarefas de forma menos dispendiosa do que a prévia necessidade de se empregar as classes baixas e médias, aumentando o nível geral de riqueza. O argumento é ilustrado sucintamente neste video. Ao contrário da Direita moderada e dos globalistas, a Direita identitária pode apontar para sociedades onde a sua solução já está a ser praticada.

Para os identitários, o Japão funciona como o exemplo a seguir. Uma sociedade envelhecida, sim, mas que, apesar disso, continua a prosperar economicamente, cada vez mais tecnologicamente avançada e que se mantém ainda etnicamente homogénea, e logo largamente livre do crime violento ou de propriedade, ao ponto de a polícia não ter o que fazer. No entanto, penso que é algo ingénuo olhar para o Japão como uma história de social_problems_depicted_in_cool_cartoon_art_640_36.jpgsucesso, quando essa história pode ser mais correctamente descrita como uma tragédia. Se as afirmações acima sobre a sociedade Japonesa são verdadeiras, é preciso no entanto olhar para o abismo social e moral em que o país caiu – não apesar delas, mas por causa delas. Neste mini-documentário, vemos a profundidade da decadência para lá dos números, aquela que não podendo ser quantificada, pode ser observada e sentida. Esta é uma sociedade altamente disfuncional, um pesadelo kafkiano de hotéis capsula, de homens herbívoros, de hikikomoris, em que homens e mulheres não têm interesse no sexo oposto, em que a figura do funcionário ideal da corporação se realiza na sua mais assustadora representação – e mesmo isso não sendo suficiente para satisfazer as necessidades de uma sociedade altamente competitiva – em suma: o cúmulo da sociedade materialista. O desenvolvimento tecnológico que tornou o Japão numa história de sucesso económico foi art-emgn-7o mesmo que tornou os seus cidadãos meros autómatos ultra-materialistas, desligados da sua humanidade e, logo, do próximo. E, sem alógenos violentos que, pelo seu barbarismo, os lembrem da realidade pura e dura da vida, têm liberdade e paz para adormecer num torpor estéril de conforto. Não admira que uma tal sociedade não produza progenitura. Para quê trazer crianças ao mundo quando o mundo é um vazio absoluto? Os Japoneses são um retrato aterrador do futuro que a automatização trará ao resto do mundo – se o permitirmos. No fundo são uma ilustração humana da fossa comportamental observada por John B. Calhoun na sua experiência com roedores. E na verdade, mesmo em países relativamente atrasados (em comparação com o Japão), observamos já as mesmas consequências.

Mesmo deixando de lado considerações sobre a alienação social, o problema demográfico é, pelo menos em parte, um produto da sociedade pós-industrial. Tome-se, por exemplo, o declínio nas contagens de espermatozóides nos homens ocidentais, cujas origens particulares não são objecto de concordância nos estudiosos mas em que todas as hipóteses são produtos do estilo de vida permitido e apenas possível pelo rápido progresso tecnológico (a comida altamente processada, o excesso de toxinas no ar, os químicos na água, etc).

A solução para um problema não pode ter a mesma natureza que a origem desse problema. Aquilo que permitiu a baixa fertilidade e o envelhecimento nas nossas sociedades foi a automatização e o avanço tecnológico, a terciarização da economia, o desligar da actividade económica da capacidade de sobrevivência. Pelo que mais automatização, mais avanço tecnológico e mais terciarização não vão resolver o problema, mas sim complicá-lo. Quanto mais removidas as pessoas estiverem das realidades da natureza, quanto mais conforto e alienação, quanto mais artificiais forem as suas vidas, mais fácil será subverter os seus valores e destruir a sua humanidade.

É inegável que o relativismo moral propagado quer pelas universidades quer pela sociedade de consumo e pela Internet teve e tem um efeito devastador nas atitudes sociais, incluindo aquelas directamente relacionadas com a reprodução, a sexualidade e as relações entre os sexos. Mas estas razões culturais são inseparáveis dos avanços tecnológicos que as permitiram – e sem os quais a propaganda que as promoveu não teria tido efeito, pois os recursos materiais para os realizar não existiriam. Não só a tecnologia permite disseminar a propaganda, mas as próprias atitudes são possíveis apenas através dos meios tecnológicos. Imagine-se, por exemplo, sexualidade desligada da reprodução de forma generalizada sem contraceptivos, transsexualismo sem técnicas avançadas de cirurgia plástica, homossexualidade continuada sem medicamentos que mantenham as várias doenças propagadas pela actividade sob controlo ou, para usar um exemplo ainda mais simples, a própria medicina que permite que pessoas, por mais ineptas ou irresponsáveis, sobrevivam até uma idade extremamente avançada.

Eu costumava partilhar da ideia que a tecnologia era socialmente neutra, isto é, que eram os homens e as suas disposições que imprimiam a uma particular tecnologia uma faceta benéfica ou maléfica. E até certo ponto é verdade. Mas é preciso entender que a tendência natural no Homem é para o mal devido à sua natureza caída. Como diziam os texto technoantigos: a carne é fraca. E é igualmente importante compreender que não é tanto uma tecnologia em particular que constitui o problema, mas o rápido e exponencial avanço da mesma, que leva à introdução de uma ou outra ferramenta na sociedade sem que haja uma consideração prévia das suas consequências para a sociedade. Os últimos 250 anos no Ocidente, quase sem excepção, foram de ditadura científica e tecnológica – sob um ou outro sistema político, a constante foi a primazia deste progresso sobre todas as outras considerações e o concomitante desprezo por qualquer preocupação levantada em relação a essa primazia. Salazar não prezava o ‘imobilismo’ português, como os seus detractores o apelidavam, nem o protegeu institucionalmente por uma questão de pequenez provinciana, mas sim porque sabia que o progresso tecnológico veloz levava a uma igual revolução nas estruturas sociais.

É óbvio que muita gente utiliza a tecnologia para fins nobres, para procurar a verdade, para se tornar uma pessoa melhor e mais completa, para ajudar os outros, etc. Mas, pela própria natureza humana, esses serão sempre uma minoria. Esta realidade, no entanto, só tem consequências sociais graves quando a tecnologia atinge um ponto de sublimação – ou seja, quando se torna generalizada.

A melhoria das condições de vida desligada do esforço individual não é uma estrada de sentido único. Estas melhorias, sobretudo a partir de um certo ponto de desligamento completo entre produção e sobrevivência, de controlo e alienação quase absolutos da natureza, criam as suas próprias estruturas mentais e culturais. As normas tradicionais existem dentro de uma moldura civilizacional em que os homens têm de trabalhar para sobreviver, estão sujeitos e, até certo ponto, limitados pelas forças da natureza. Não admira pois que, quanto mais avançada a revolução industrial e mais removidos os homens estão destas condições naturais, menos as normas tradicionais sejam seguidas ou vistas como válidas, e mais a promoção dos estilos de vida alternativos se torne aceitável.

Veja-se algo tão simples como veículos motorizados. Estes permitem percorrer distâncias relativamente longas com facilidade, onde antes as mesmas distâncias eram muito mais dispendiosas e difíceis. Por um lado, admitimos todos os benefícios que trouxe, mas não nos podemos admirar que esta mobilidade facilitada tenha ajudado também a acabar com a proximidade comunitária, que tenha levado a que a família estendida se transformasse em família nuclear, que a educação das crianças deixasse de ser um trabalho do bairro, da vila ou da aldeia. Isto para ilustrar que até uma tecnologia que tomamos como garantida, tem implicações para a organização social e enfraquece normas tradicionais de comunidade.

Outro exemplo do dia-a-dia pode ser encontrado nos electrodomésticos. Tendo sido originalmente oferecidos às donas de casa, para as ajudar nas tarefas diárias que faziam parte dos deveres de uma mulher, rapidamente se transformaram numa forma de libertação, não só dos aspectos mais cansativos da lida da casa, mas eventualmente da própria casa. A mulher libertada pelos electrodomésticos que não tinha de despender tanto tempo nas tarefas domésticas criou a ‘dona de casa aborrecida’, sujeita a todo o tipo de propaganda da sociedade de consumo, até eventualmente criar a mulher que entra no mercado de trabalho, a mulher carreirista, as enormes taxas de divórcio e mães solteiras, e por aí adiante.

Estes exemplos, e milhares de outros, sugerem que o nível de crescimento tecnológico, que é exponencial, não linear, é rápido demais para que exista uma concordante adaptação mental nas pessoas, gerando a disfunção e alienação que caracterizam as nossas sociedades.

As pessoas gostam de imaginar, por exemplo, que os carros conduzidos automaticamente vão libertar tempo para as pessoas se instruírem, adquirirem novas capacidades, criarem novas obras de arte, etc. Na realidade, o que vai acontecer e acontece sempre é que as pessoas vão usar esse tempo para ver pornografia, reality shows, tirar selfies e jogar jogos de computador. Da mesma forma que gostavam de imaginar que a Internet seria usada para expandir o conhecimento e erudição do cidadão comum, quando na verdade a maioria usa-a para satisfazer impulsos primários e alienar-se do vácuo da vida moderna através de entretenimento.

E repare-se que nem mencionámos os perigos que a Inteligência Artificial e a modificação genética apresentam para a humanidade, problemas distintos em natureza daqueles que falámos acima, e que são o produto do progresso tecnológico exponencial quando não existem entraves institucionais, ou sequer considerações sérias sobre as consequências desse progresso.

Por isso a invasão imigrante é menos destrutiva a longo prazo do que a crescente automatização e progresso tecnológico, precisamente por gerar mais sofrimento físico e mais tensão – uma tensão e sofrimento que podem trazer-nos de volta a um reconhecimento das realidades base da vida e que são essenciais para acordar o homem moderno ocidental do seu torpor tecnologicamente induzido. Quando tudo arde art-emgn-3nenhuma mulher vai queixar-se do patriarcado, nenhum homossexual vai insistir na sua perversão. Se insistirem vão rapidamente perecer. Os identitários gostam muito de falar nas práticas disgénicas da nossa sociedade, mas nunca mencionam o factor que permite esta disgenia generalizada: o progresso tecnológico. Pelo contrário, paradoxalmente encontramos entre eles alguns dos seus mais ávidos defensores. Nenhuma outra força permite numa escala tão grande a sobrevivência dos fracos, nem promove com a mesma ferocidade a complacência dos fortes. O avanço tecnológico é um sedativo gradual que leva ao equivalente social de um corpo vegetativo ligado a uma máquina.

Muitas sociedades e povos sobreviveram a invasões, nenhuma sobreviveu à decadência do conforto. Foram precisamente as sociedades afluentes, confortáveis e decadentes (uma combinação que não é um acaso) que foram incapazes de resistir aos invasores. Pelo que a solução não pode ser uma insistência e intensificação dos meios que geraram os fins que queremos evitar, mas sim uma rejeição desses meios e um retorno a uma forma de organização económica e social que não só reflicta os valores que consideramos certos, mas garanta a manutenção da sociedade de acordo com esses valores.

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