Estudos de Linguagem Corporal (II)

 

handshake.jpgO estudo de hoje incide sobre um aspecto da linguagem corporal que não é visível a olho nu, mas que requer acção: o aperto de mão.

Sendo o método primordial de introdução e despedida, bem como uma forma informal de estabelecer um contrato ou arranjo, o aperto de mão é um acto importantíssimo e através do qual se pode avaliar a personalidade e o carácter de uma pessoa. O aperto de mão, ou “bacalhau” como se dizia quando eu era miúdo, é – ou era – também uma forma de cumprimento fundamentalmente masculina, e como tal, deve expressar virtudes próprias de uma masculinidade saudável: firmeza, determinação e autoconfiança. Por oposição, não deve expressar fraqueza, hesitação e insegurança – isto é, ser efeminado. O feminino não é o oposto do masculino, mas sim complementar. A efeminação, sim, é o contrário da masculinidade.

Vivemos, no entanto, numa civilização extremamente efeminada e não é, pois, infrequente deparar-me com apertos de mão absolutamente ridículos de tão frouxos. Mais uma vez, a mão demonstra no aperto a personalidade, e um aperto de mão frouxo diz muitíssimo sobre o homem que o pratica: como se não tivesse ossos nem músculos, a handshakeweakmão pende sem força e sem rumo, como um molusco, invertebrado e escorregadio, que adapta a sua carne gelatinosa à solidez do aperto que a contém. Nas mulheres ainda se pode desculpar, até certo ponto, sobretudo se oferecerem os dedos no aperto, girando a palma da mão para baixo, como se dessem a sua mão para ser beijada – como em tempos mais civilizados se praticava. Nos homens é absolutamente indesculpável. Estamos perante homens que não têm confiança em si mesmos nem nas suas decisões – efectuar um pacto ou um acordo com um homem assim é perigoso, pois à mínima contrariedade ele tenderá a correr na direcção contrária, fugindo das responsabilidades e deixando-vos na mão (trocadilho intencional), escorregando como a sua mão invertebrada por entre os vossos dedos viris.

De homens destes não se pode esperar que salvem a civilização ocidental – o seu fraco e efeminado aperto de mão é um emblema da nossa decadência, homens que se esqueceram do seu importantíssimo papel na sociedade e que, em vez de ditarem as regras, se submetem a elas. Como água dentro de uma panela, adaptam-se a qualquer recipiente e evaporam quando a temperatura sobe. Não admira que as mulheres ocidentais inventem todo o tipo de ideologias e iniciativas torpes para acordar os seus homens do torpor efeminado em que eles caíram. Eles, infelizmente, em vez de acordar e saltar para fora da panela, adaptam a sua carne viscosa ao novo recipiente e aconchegam-se à espera da fervura.

Por falar em mulheres, em tempos de #metoo toda a precaução é pouca e, demonstrando mais uma vez que estou e sempre estive à frente do meu tempo, a verdade é que nunca fui adepto do beijo na bochecha (ou mero encosto de bochecha com bochecha, ainda pior) para cumprimentar mulheres que não conheço e, por isso, vejo-me frequentemente na posição de apertar a mão a mulheres várias, muitas vezes recebido inicialmente com alguma perplexidade – dado que a maioria dos homens desaprendeu não só a arte do aperto de mão, mas também um outro facto importante, que é o seguinte.

Cumprimentar uma mulher em quem estejam interessados romanticamente com um aperto de mão executado da forma certa tem muito mais impacto do que o simples e frouxo beijinho na bochechinha (adequado para crianças e para a família, não para iniciar o processo de sedução). Em primeiro lugar, pelo efeito surpresa – ela estará à espera do típico encostar facial enquanto vocês, estóicos e viris, oferecem uma mão the_train_station_v.jpgfirme para apertar (que dá, já agora, e entra aqui a problemática #metoo, a possibilidade de negação plausível – afinal, em teoria, um aperto de mão é mais formal e menos íntimo do que um beijo na bochecha, e requer a participação – consentimento – de ambas as partes). Segundo, pelo que referimos acima, o aperto de mão deve expressar virtudes masculinas e como tal é um bom cartão de apresentação para um homem que pretenda iniciar o cortejo de uma donzela. Terceiro, o aperto de mão permite um contacto mais profundo e inquisitivo (porque, como disse, muito se transmite através de um aperto de mão) do que o beijinho na bochecha – até pela possível duração: se um homem se demorar encostado à bochecha da mulher os alarmes de betatude começam logo a disparar; um aperto de mão firme e demorado, com os olhares trancados um no outro, transmite tudo aquilo que uma mulher quer: segurança, confiança, virilidade. Quarto, o facto de saltarem logo para o beijinho ou encosto facial não distingue nenhum homem dos demais. O aperto de mão, pelo contrário, é um transfigurar de expectativas, algo que põe o hamster interno de qualquer mulher a correr – com o bónus adicional de que, se necessário, se pode usar o contacto já efectuado pelo aperto de mão para depois se dar a aproximação do beijo (esta possibilidade, no entanto, não pode ser praticada por principiantes).

No entanto, nada do que se disse no parágrafo anterior é aplicável se o vosso aperto de mão tiver a consistência de um pudim flan. A boa notícia é que é possível transformar um ‘bacalhau’ frouxo (‘com natas’) num ‘bacalhau’ masculino, também conhecido como ‘à lagareiro’. O mais importante é que se mude também a frouxidão interna de que o aperto de mão é apenas uma manifestação externa. Mas a mudança física pode traduzir-se em grande parte numa mudança psicológica. A arte do aperto de mão é um bom começo.

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2 opiniões sobre “Estudos de Linguagem Corporal (II)

  1. Mais uma excelente posta! Não há nada que me dê mais a volta ao estômago noutro homem do que um apertar de mão à “peixe morto”. É realmente repulsivo! Mas também há o contrário, indivíduos que apertam demais, denunciando assim um fenómeno de compensação… um exemplo disso foi a figura ridícula que o Macron fez com o Trump, a apertar-lhe a mão sem largar, como um menino inseguro.

    O aperto de mão de um homem de verdade deve ser firme e convicto… nem frouxidão nem prensa hidráulica!

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    1. Obrigado Afonso!

      De acordo sobre os apertos de mão ‘pressão hidráulica’ – não há necessidade de esmagar a mão que se aperta. Nunca tinha pensado nisso como compensação, mas é bem possível. No entanto, é tão raro encontrar um desses que nem me ocorreu (nem me lembro da última vez que aconteceu), sobretudo em comparação com a quantidade de homens que praticam o ‘peixe morto’.

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