O Elefante Tecnológico

A ortodoxia do nosso tempo assegura-nos que vivemos numa era sem tabus. Na verdade, a nossa era é não só fértil em tabus, como tem neles a sua fundação, meras inversões dos tabus antigos. O consenso social é, em qualquer era, um que requer certas verdades inquestionáveis. O processo de questioná-las e da dissolução do consenso social é uma bola de neve. Quanto mais o consenso é discutido, mais os tabus que o mantêm são destruídos, e mais a sociedade se transforma noutra direcção, com os seus próprios tabus.

É observável nas sociedades modernas que vivemos o fim de uma era, que certos tabus que reinaram desde que os antigos foram destruídos, estão a ser questionados, pelo menos por uma minoria. Todos nós sabemos quais são: a questão da imigração, provavelmente a mais proeminente, mas nas franjas também a questão racial, o liberalismo social, a teoria da evolução, o materialismo, o igualitarismo e até a democracia de massas.

No entanto há um tabu (e, por conseguinte, um consenso) que persiste, entre Esquerda e Direita, entre Progressistas e Tradicionalistas, que é raramente questionado e, pelo contrário, é defendido e proposto, não só como acompanhamento inevitavelmente elephant-in-room-800x634.jpgbenéfico, mas como panaceia para os problemas criados pelos outros tabus – e ainda mais estranhamente, esta visão salvífica é principalmente mantida pelo lado direito da barricada.

O tabu, e consenso, em questão é o progresso tecnológico – e quão estranho e irónico é que tal tabu seja uma precondição, uma necessidade para a manutenção de todos os outros. Nem o anti-imigracionista, nem o racialista, nem o tradicionalista se referem a ele. Preferem ignorá-lo e focar-se nos tabus e consensos permitidos pelo progresso tecnológico, ou pior, exaltá-lo como mágica solução para a destruição desses tabus e consensos. Como um médico diligentemente dedicado a tratar os sintomas, ignorando ou comicamente promovendo a doença que os causa. O progresso tecnológico tornou-se o elefante na sala que a direita insiste em ignorar, enquanto este destrói a mobília.

O anti-imigracionista vocifera contra a imigração de massas, vendo os navios e aviões que trazem milhões de pessoas vindas de longínquas paragens, sem nunca ligar os dois pontos. Diz ele que trazer pessoas de culturas completamente distintas, com padrões civilizacionais completamente díspares, evoluções históricas e padrões sociais avessos, é uma receita para o desastre. Mas não só ignora ou aplaude o mecanismo que torna essa integração forçada possível, como nem contempla as origens de tais distinções e disparidades e portanto é incapaz de entender a génese do problema.

O carácter de cada cultura tem obviamente raízes religiosas, raciais e ideológicas. Mas têm igualmente um carácter geográfico, delimitado. A única cultura que não é geograficamente delimitada é a cultura global, contra a qual se insurgem, pelo menos em parte. As distinções entre as várias culturas derivam do facto de não terem tido uma evolução em comum, de estarem, mais ou menos, isoladas umas das outras, desenvolvendo os seus próprios padrões, costumes e normas. Até à Revolução Industrial, as distinções culturais entre vários países, regiões e localidades Europeias eram certamente menores do que as distinções entre culturas Europeias e Africanas – mas as distinções existiam, e eram parte fundamental da identidade de cada povo, região e localidade. Apesar das raízes religiosas e raciais comuns, havia diversidade entre elas. Com o progresso tecnológico, veio a possibilidade de unificar culturas intra-nacionais, como em Itália, França ou Alemanha, e eventualmente fazê-lo num panorama multi-nacional. O paradigma e objectivo presente é fazê-lo à escala global, mas a natureza do problema é a mesma.

Existem ainda distinções entre a cultura de Portugal e da Alemanha, mas em larga medida, muitas das que existiam e caracterizavam estes povos como distintos um do outro deixaram de existir. Não vêem todos os mesmos programas de televisão, usam os mesmos smartphones com as mesmas aplicações, conduzem os mesmos carros, praticam as mesmas profissões seguindo os mesmos métodos, bebem as mesmas bebidas, comem nos mesmos restaurantes, partilham da mesma ideologia? E qual é o instrumento que, africanão só lhes permite fazê-lo hoje, mas que destruiu as suas prévias ligações nacionais, locais, comunitárias? Só há uma resposta válida: o progresso tecnológico.

A verdade é que cada cultura distinta que existe e existiu na terra, era circunscrita por um determinado contexto geográfico que era, por sua vez, condicionado pelo desenvolvimento tecnológico, que não lhe permitia estender as suas fronteiras e entrar em contacto continuado e massivo com outras culturas. O progresso tecnológico leva, então, inevitavelmente à contaminação e unificação das culturas, primeiro locais, depois regionais, depois nacionais e, agora, globais.

E é importante notar que a possibilidade de integração com outras culturas torna-se uma eventualidade pois é uma necessidade do próprio sistema tecnológico – tal como todas as outras inovações trazidas por ele. Não só o progresso tecnológico traz facilidades e confortos que são atractivos para o cidadão comum, como eventualmente a sua rejeição torna-se impossível para qualquer um que queira participar na sociedade. Isto acontece no plano individual como no plano comunitário, local, regional e nacional. O rebelde que em meados do Século XX dizia que nunca iria conduzir ou utilizar meios de transporte automatizados, torna-se obrigado a usá-los quando todos à sua volta e a própria organização do seu meio envolvente o obriga a tal, se quiser ter uma participação ainda que ínfima na sociedade e obter o seu próprio sustento. Ou o empresário que pretende manter os seus empregados pois é ideologicamente contra a automatização ou simplesmente porque tem uma relação extra-económica com eles, eventualmente terá de automatizar os seus processos, cada vez mais, para acompanhar as outras empresas e manter a sua rentável. Em alternativa, declara falência, despede os seus funcionários e torna-se ele mesmo um funcionário de outrem, sempre com o cutelo da automatização a pairar sobre a sua cabeça, ameaçando o seu posto de trabalho e a sua capacidade de se sustentar. E também o país que rejeita os avanços tecnológicos que vão ocorrendo noutras paragens torna-se vulnerável à conquista por países tecnologicamente mais avançados, e sofre pelo menos a pressão do seu próprio povo para emular estes países pela informação que chega de fora sobre as maravilhas trazidas pelos desenvolvimentos tecnológicos.

Ou seja, o progresso tecnológico é primeiro introduzido como uma opção, mas, eventualmente, e cada vez mais rapidamente, se torna uma necessidade. A adesão aos seus serviços deixa de ser uma escolha e passa a ser uma obrigação para todos – e o preço a pagar pela não-adesão cada vez maior quanto maior o desfasamento entre um e outro grupo. E claro que este processo sempre ocorreu, mesmo em sociedades primitivas, mas sempre de forma muito limitada. Com a Revolução Industrial o espectro de influência e a velocidade com que sucede, tornou-se inescapável para qualquer povo, em qualquer parte do mundo.

O racialista encontra-se na mesma posição. Ele sabe que a integração de raças diferentes, não só de culturas, é em geral uma fonte de conflicto e, excepto em casos históricos pontuais com a combinação perfeita de outros factores, degenera no caos social. Ele sabe que a miscigenação entre raças díspares é uma fonte de fraqueza, não só genética como cultural, e uma destruição da herança deixada pelos 18i2cwilgs7n4jpgnossos antepassados. E, no entanto, ignora ou promove o progresso tecnológico através do qual é possível a importação de outras raças, a convivência continuada e a atenuação das consequências directas da miscigenação. Os problemas e perigos da endogamia são bem conhecidos, sendo que confirmam os tabus modernos, mas os perigos da exogamia são largamente ignorados. No entanto os estudos apontam que, entre membros de raças díspares, existe uma depressão exogâmica, uma degeneração que enfraquece os seus frutos, e quanto mais díspares as combinações, mais geneticamente fraco será o produto. No entanto, através do progresso tecnológico, estas fraquezas são atenuadas – e, eventualmente, resolvidas. Qual é, nesse caso, o argumento contra, se a tecnologia nos permite solucionar os problemas causados pela exogamia? Torna-se num argumento meramente cultural e sentimental. E aí voltamos aos parágrafos anteriores sobre a contaminação e unificação cultural levada a cabo pelo progresso tecnológico.

Mais, numa era em que as culturas se unificam e homogeneízam, o argumento de que importar outras raças e culturas é disruptivo torna-se ele mesmo espúrio, pois até que ponto podemos falar de culturas diferentes num mundo globalizado? O Africano tribal é certamente inassimilável à cultura tradicional Portuguesa, mas o Africano que ouve música popular americana, come McDonalds, bebe Coca-Cola e vê Netflix é culturalmente semelhante ao Português que faz exactamente o mesmo. A cultura é a suma das acções e atitudes de um grupo humano – se as acções e atitudes são as mesmas, os grupos, para todos os efeitos, são os mesmos e podem misturar-se à vontade, pois já não há praticamente nada a separá-los.

Da mesma forma, o tradicionalista queixa-se do declínio moral observado na sociedade, da destruição da família e da comunidade, da atomização e do individualismo, sem nunca apontar a mira ao mecanismo que não só possibilitou a destruição de toda a ordem social que considera valiosa, mas tornou essa destruição uma inevitabilidade.

Na sociedade tradicional, a família e a comunidade não eram uma escolha, nem uma convenção, mas uma necessidade de sobrevivência. O indivíduo precisava de uma rede de apoios familiares e comunitários para existir e persistir. A tradição era, ao mesmo tempo, uma ferramenta para as novas gerações, que tinham um ponto de partida, e um Waltons_on_porchobjectivo que significava a sua perpetuação, porque ao perpetuá-la cada família e comunidade assegurava o seu futuro. Coisas tão simples como os filhos continuarem os misteres dos pais, ao invés de perseguirem outras ocupações, assegurava a continuação e manutenção da comunidade. A introdução de automatismos retira esta necessidade, e promove a dispersão e dissolução da comunidade. A invenção da fábrica moderna destruiu, para todos os efeitos, esta forma de vida – ou seja, destruiu a comunidade e a família tal como foi entendida durante milénios. Hordas de rurais abandonaram as suas comunidades porque as suas actividades económicas já não eram rentáveis face às capacidades tecnológicas das fábricas; substituíram a sua comunidade particular pelos habitáculos indistintos e estranhos da cidade onde não conheciam os vizinhos, nem tinham com eles nada em comum, a não ser a desgraça de terem sido empurrados para aquela situação; as suas culturas comunitárias, por sua vezes, desapareceram, visto que o ciclo de continuação foi abruptamente parado; nas cidades, bayard-st-5-cent-lodgingos indivíduos atomizados aderem, pois, necessariamente à cultura urbana, cosmopolita e desligada de qualquer raiz, pois é a única que existe e que pode existir.

A moralidade tradicional perde toda a sua força quando é desligada da sua razão objectiva, de sobrevivência. A castidade e a monogamia deixam de ser ferramentas necessárias para uma vida salubre, e tornam-se opções – opções morais, mas cuja não-adesão deixa de ter penas concretas na vida terrena. Onde antes a libertinagem sexual trazia graves consequências para o indivíduo (e, visto que este estava inserido numa comunidade, também para todos à sua volta), com a introdução de métodos contraceptivos modernos, de métodos abortivos mais seguros, até da facilidade de providenciar sustento sendo mãe solteira, as consequências são atenuadas, quando não removidas, e a regra moral deixa de ter uma aplicação clara e objectiva na vida comum. O mesmo para a monogamia heterossexual, que numa sociedade tradicional é a única forma de produzir progenitura e assegurar que esta tenha possibilidade, não só de estabilidade psicológica, mas de sustento e fhhsobrevivência, através da introdução tecnológica torna-se uma escolha – e todo o tipo de arranjos alternativos se auto-justificam.

E reparem que não referimos as consequências dos malefícios do progresso tecnológico, que em geral só são descobertos tarde demais, como por exemplo a destruição do meio natural pela poluição industrial ou a contaminação dos nossos corpos por partículas tóxicas, como comprovadas regularmente em estudos que chegam à conclusão de que os avanços tecnológicos têm, afinal, também prejuízos. Estamos a falar das consequências, não dos malefícios, mas dos benefícios do progresso tecnológico. Estes benefícios, que são inegáveis, como o aumento da esperança de vida ou a relativa facilidade na produção de alimentos, têm em si mesmos contrapartidas nefastas, sobretudo de um ponto de vista de direita. Que os vários avanços tecnológicos tenham algumas consequências materiais negativas é óbvio para todos com o passar do tempo, mas que as consequências materiais positivas trazem os seus próprios problemas – e que não são problemas pontuais e circunscritos, mas problemas civilizacionais, de paradigma – não é tão fácil de ver, ou de admitir. Se o fosse teriamos muito mais vozes na direita a expressar preocupações com este fenómeno, e a verdade é que não temos.

Inúmeros outros exemplos podem ser dados daquilo que era natural e necessário numa sociedade tradicional, mono-cultural e mono-racial, e que se torna acessório, opcional ou até desvantajoso com a introdução de tecnologia moderna. Aqueles que lutam a favor de um retorno sem criticar o sistema tecnológico, estão a lutar contra uma sombra numa parede – e quem dá murros contra paredes, não só magoa a mão, como não fere o DSC00494PS21.jpginimigo. A modernidade pode ser uma doença espiritual, mas é enquadrada em parâmetros físicos. Todas as sociedades Europeias, no continente ou na diáspora, estão afectadas e infectadas por esta doença. Será que o problema é, então, especificamente Europeu? Não, a razão para as sociedades Europeias (e logo a seguir as do extremo Oriente) serem as mais afectadas é que são as que há mais tempo convivem com a tecnologia moderna, que lideram os seus avanços e sofrem primeiro as consequências da sua introdução. A existência de grupos como os Quakers, os Amish ou os Menonitas, que rejeitam a tecnologia moderna e, não por acaso, mantêm comunidades tradicionais, mono-culturais e mono-raciais, prova a origem do problema.

O Globalismo, em todos os seus aspectos culturais, raciais e morais, não é na sua génese uma simples ideologia, que pode ou não ser promovida e pode ou não ser combatida em si mesma. O Globalismo é a mera racionalização do sistema tecnológico, a moldura necessária para o quadro pintado pelo progresso tecnológico. A história da Torre de Babel é muitas vezes trazida à discussão para ilustrar o Globalismo, tanto da parte dos eu-tower-of-babel-poster.jpgseus opositores como dos seus proponentes. Mas os seus opositores falham em ver que há uma lição tecnológica na história: a construção não seria possível sem os materiais, o conhecimento e a linguagem comum. Quando Deus dispersa as nações, não as separa simplesmente em termos geográficos, mas retira-lhes a ferramenta, a linguagem comum, que era a condição principal para a sua afronta a Deus. A mesma lição existe na história da desobediência humana no Jardim do Éden, em que o novo conhecimento precipita a decadência de toda a criação. Aqueles que encolhem os ombros e vêem esta admonição como irrelevante ou até contraproducente, estão presos numa visão progressista do mundo, a mesma da Esquerda, de que o progresso é um bem em si mesmo, trazendo novos amanhãs que cantam, e que a estabilidade é uma anomalia. Daí verem o progresso tecnológico, não como destrutivo, mas como libertador. Mas piores são aqueles que, entendendo a lição Bíblica, ainda assim fecham os olhos à sua manifesta e óbvia encenação contemporânea, o progresso tecnológico e as suas consequências para a saúde moral dos homens e das suas sociedades. Ambos, porém, ao ignorarem ou apoiarem o progresso tecnológico, passado, presente e futuro, estão a lutar sem saberem contra si mesmos, em contradição absoluta.

Este parece ser o comprimido mais difícil de engolir para os meus correligionários: o progresso tecnológico é inerentemente disruptivo de tudo aquilo que a direita diz querer preservar, seja de natureza cultural, racial ou moral. Ou seja, é necessariamente uma ferramenta da esquerda, que só pode avançar os objectivos da esquerda. Se a direita quiser lutar de forma séria e eficaz contra os males que correctamente identifica no mundo, tem de ser necessariamente céptica de avanços tecnológicos e favorecer um retorno, não só aos aspectos exteriores da sociedade tradicional, mas às condições tecnológicas que as tornavam possíveis e salutares.

7 opiniões sobre “O Elefante Tecnológico

  1. Ora nem mais, Ilo!

    A minha única esperança é, e custa-me dizê-lo, que haja um cataclismo a nível euroasiático, ou até mesmo mundial, e Deus nos permita voltar a uma idade das Trevas onde se reinvente o sindicalismo católico, a vida rural, orgânica, assente na paróquia, município e província. Só assim podemos esperar restaurar Portugal, pois neste momento, toda a tecnologia que mobiliza o incessante zeitgeist engoliu Portugal, e não adiantam soluções como votar em populistas ou revoluções.

    Não se pode querer preservar a Tradição se usamos agentes que a desvirtuam. Não nos podemos conservar se continuamos a abraçar tudo o que vem de novo. A tradição não é boa por ser antiga, é antiga por ser boa. Cabe-nos saber esperar pelo momento de restaurar a consciência lusitana nos tempos que correm.

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    1. Olá LP,

      Obrigado pelo comentário. Por vezes também sou apanhado a desejar um colapso, pois tal como tu, não vejo como sair desta espiral descendente de outra forma. Mas acho que isso seria quase ideal, e não sei se merecemos soluções ideais. Deus tem toda a justificação para nos punir e testar a nossa dedicação e fé.

      Seja qual for o futuro, temos a palavra de Deus para nos guiar, e o nosso próprio julgamento e razão, dádivas divinas, e temos de fazer o melhor que podemos, dizer a verdade, proteger os nossos, amar o próximo (na verdadeira signifcação da palavra). Concordo contigo que activismos políticos, populismos, revoluções são futilidades. Se nos mudarmos a nós mesmos já fazemos um grande serviço, e ao fazê-lo aumentamos as hipóteses de o mundo mudar também.

      Um abraço,
      Ilo

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  2. Grande post Ilo. Tocas no ponto fulcral que mais ninguém quer ver, o verdadeiro tabu dos tempos de hoje. Criticar o desenvolvimento tecnológico é um atentado ao conhecimento, à longevidade e qualidade de vida de um individuo ou grupo. Todos querem um vida simples, mas ninguém quer abdicar dos avanços tecnológicos, seja de esquerda ou de direita,seja liberal ou conservador. Porque como tu o referes nós não só nos tornamos dependentes deles como nos tornamos inferiores a eles!
    No entanto eu sou vitima e ao mesmo tempo, complacente do avanço tecnológico e humildemente eu não sei a resposta para retornarmos a uma vida melhor sem toda a evolução que tivemos até aos dias de hoje.

    Kal-El

    PS: Queria também dizer que por tua influência e também de outros, adquiri a Bíblia. Comecei a ler na semana passada e penso que será um enorme contributo para mim e para os que me rodeiam.

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    1. Olá Kal-El,

      Somos todos complacentes, mas é impossível não o ser até certo ponto pela própria natureza do monstro. Não seria necessário falar destes assuntos, ou aprender sobre eles, sem o monstro existir. Mas visto que existe, que destruiu as comunidades naturais, que nos afastou da natureza, temos de utilizar os seus próprios meios, nem que seja para estudar o mal e aprender a lidar com ele e combatê-lo.

      A meu ver, fora um colapso total, a única forma é formar comunidades que emulem os grupos que mencionei, como os Amish ou os Menonitas. Isto é difícil, mas não é impossível. E, a nível individual, tentar ser menos dependente da tecnologia, designar certos limites, como ter horas em que não se usa o telemóvel, por exemplo. Ou não ter televisão. Eu implementei estas regras e foi mais simples do que pensei. Eventualmente espero fazer mais coisas do género, mas nem que seja algo temporário, tipo esta semana não vou ligar o computador, ou não vou usar o telemóvel, etc. Já é uma preparação, seja para o colapso, como para uma futura vida mais ‘desligada’.

      Fico muito contente que tenhas começado a ler a Bíblia, e sinto-me lisonjeado se tive alguma influência nessa decisão. Podes revelar qual é a tradução/versão? É que há certas versões já (((subvertidas))) em pontos fundamentais – sobretudo no Antigo Testamento, por usarem o texto Masorético Judaico da Idade Média em vez do Septuaginto Grego, que é a versão que Jesus cita abundantemente no Novo Testamento. Se não conseguires descobrir posso apontar-te certas passagens que, pelo que dizem, dá para ver logo se são traduões fidedignas ou (((alteradas))).

      Um abraço,
      Ilo

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      1. Compreendo, as vezes também dou por mim a imaginar um cenário apocalíptico. No fundo, no fundo todos nós desejamos o fim do mundo.
        Aqui em Portugal e em alguns países europeus, já há várias comunidades que se afastaram da civilização.. a maioria daqueles que adotaram esse estilo de vida dizem ter encontrado a felicidade e o sentido da vida.

        Neste caso é a Bíblia de Jerusalém, dizem que é a mais fidedigna às escrituras originais, com tradução directa do hebraico, aramaico e grego.
        Penso também em ler o livro de Enoque em breve e outros livros que se tornaram apócrifos.

        Abraço, Kal-El

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  3. Caro Ilo, peço desculpa pelo off-topic, mas encontrei recentemente um vídeo no YouTube que vai ao encontro da conversa que estamos a ter via email sobre tessitura vocal. O vídeo apresenta um método alternativo sobre como determinar o nosso registo vocal (Baixo, Barítono, Tenor, Soprano, Mezzo-Soprano, Soprano).

    Eu por acaso não gosto muito deste método porque as amplitudes foram definidas de um modo muito alargado (e.g. o barítono é definindo entre E2 e A4, mas na tradição clássica considera-se apenas entre G2 e G4. Um barítono pode atingir E2 e A4 com algum treino, é verdade, mas a tessitura deve ser identificada para amadores, não para profissionais. Porquê? Porque essas categorias foram criadas originalmente para identificar as partes dos coros religiosos, sendo que as pessoas que os integravam eram geralmente pessoas normais, não cantores profissionais.

    Seja como for, o vídeo é muito bom do ponto de vista teórico e fala sobre um aspecto que eu me tinha esquecido de mencionar: o sistema Fach, mediante o qual foram criadas/identificadas 31 categorias vocais (e não apenas 29, como o autor do vídeo afirma) e que é aquele mais usualmente usado pelos cantores profissionais da actualidade:

    https://en.wikipedia.org/wiki/Fach

    Um abraço!

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  4. Ilo,
    Se calhar poderia fazer um post a falar exactamente sobre como detectar as traduções subvertidas da Bíblia ou até mesmo uma boa tradução que lhe seja de confiança.

    Parabéns pelos 50 (+1) episódios, é um prazer ver que está em fase de crescimento e angariação de novos seguidores. Tenho gostado de ouvir os contributos que todos dão.

    Em relação a este post, contra nós falo, pois é o nosso meio de comunicação, mas concordo que tem de haver uma exposição limitada às tecnologias. Por exemplo na área da Medicina há imensos avanços e meios de diagnóstico bem precoces, mas nem sempre são só benefícios (p.e., mamografia aumenta imenso o próprio risco de cancro). E também, claro, não passa de uma estratégia capitalista de nos despertar “necessidades” que não temos (telemóvel topo de gama, trocar a torradeira de casa por uma esteticamente mais bonita, etc; antigamente, tudo era usado, reparado mil vezes e só então substítuido). Não tenho filhos, espero ter e criá-los à maneira tradicional e simples (i.e., em casa com ensino doméstico e suprimindo necessidades reais), mas vejo que é o próprio sistema consumista que impede as pessoas de terem mais filhos, pois suprimir todas estas falsas necessidades de uma criança é mesmo muito dispendioso, enquanto antigamente havia famílias numerosas, hoje 2 filhos – com infantários + escolas (privados), aulas extra, desportos, sapatos especiais, consultas preventivas em todos os médicos + terapias, alimentação super cuidadosa, atividades culturais, brinquedos, etc – é uma despesa que dava para construir uma casa de férias em Miami! Por outro lado, não fazer nada disto faz com que a criança fique meio fora de contexto (o que, bem vendo, nem parece mau).

    Espero que os podcasts continue e uma boa semana para si!
    Raquel

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