Informar o Público

Nada sublinha a irrelevância de informar o público sobre as forças que o controlam e moldam do que a existência, documentada e comprovada, uma e outra vez, de redes de tráfico humano e pedofilia com pendor ocultista, que operam ao mais alto nível das nossas sociedades e o absoluto nada que resulta sempre que este facto se torna público.

Sempre que uma tal notícia, como aconteceu recentemente, é demasiado grande para ser simplesmente silenciada, ela lá passa nos meios de comunicação oficiais, filtrada como sempre, mas passa.

E depois de passar, desaparece. Casos semelhantes e com implicações igualmente globais aconteceram em inúmeros países, incluíndo o nosso rectângulo atlântico, sem que o castelo de areia que é o sistema de poder moderno fosse derrubado, sem que as pessoas exigissem justiça, sem que houvessem visíveis consequências, culpados e sentenças que mudassem o paradigma.

Como explicar esta situação? Se perguntarmos individualmente aos nossos conhecidos, obviamente que nos expressarão o seu pesar pelo sofrimento das crianças, a sua preocupação com a corrupção dos oligarcas psicopáticos a que insistem em chamar de elites e algum temor com os elementos ocultistas e satânicos envolvidos – se chegarem até essa camada da informação disponível, algo que em si já é duvidoso.

Será pela censura, pela ausência de meios oficiais e de massas para veicular esta informação? Há quem acredite que sim, mas eu acredito que não. Penso até que os nossos mestres sobrestimam a disposição da pessoa comum para se preocupar com estes assuntos.

Se por acaso o cidadão comum se deparasse, como eventualmente se depara, com a realidade dos oligarcas, consciente ou inconscientemente, será levado a concluir que condená-los seria condenar-se a si próprio. E o mesmo poderia ser dito da questão migratória, da influência da cultura de libertinagem sexual e os seus tentáculos, ou qualquer outra questão cultural de peso no nosso tempo.

Porque iria o cidadão comum exprimir, ou sequer sentir, consternação com redes pedófilas quando ele mesmo vê miúdas menores em trajes menores a exibirem-se no Instagram, quando a sua filha adolescente anda na rua vestida como as prostitutas de há 20 anos e o seu filho vê pornografia no telemóvel? Porque iria ele condenar a imigração em massa quando, para o seu Benfica, ela até significa mais vitórias? Porque irá ele criticar a cultura de libertinagem sexual quando tira proveito dela?

É irrelevante informar as pessoas sobre a toxicidade da cultura, quando são viciadas no veneno que as está a matar. A educação de que as pessoas precisam é muito mais profunda do que a mera informação sobre o clima político e social. E pelas minhas observações, são os que mais precisam dessa educação, que mais avessos são a ela, pois é o antídoto para a desordem na qual estão viciados.

Cristo veio trazer a divisão – e os nossos inimigos serão aqueles da nossa própria casa. Se por conveniência, comodismo ou sentimentalismo nos negarmos a expurgar quem se recusa a fazer a coisa certa, quem se recusa a dar uma orientação moral e cultural aos próprios filhos, quem tira partido sem pudor da desagregação social para fins de entretenimento e lucro, lembremo-nos que estamos a negar o Bem. Só porque a lista é longa, não nos devia demover do nosso dever de estabelecer limites e princípios, segundo os quais vivemos, e que não sacrificamos por vantagens de networking ou pela dor da perda de laços de sangue. Se não rejeitamos o mal, e as pessoas que o fazem, por mais banal, ou por omissão, estamos implicitamente a rejeitar o Bem. A hora de ser morno está a chegar ao fim. E podemos pelo menos atentar a sabedoria dos nossos antepassados, que nos explicaram, de forma sucinta e clara, que mais vale só do que mal acompanhado.

É preciso que percebam que há por aí muitas más companhias e que a tentativa de as reformar acaba, quase sempre, na corrupção do reformador.