O Papel das Mulheres

A ideia para este texto surgiu de um comentário de uma leitora, Ana Maria, a quem agradeço dar o mote para esta discussão que, tendo em conta a oposição que vou recebendo sobre este tema, já vem tardia.

O ditado popular sobre a mulher ser quem usa as calças em casa é bem conhecido de todo o povo português e aponta para o facto de, contrário à natureza humana, ser a mulher quem lidera o lar. Este ditado providencia um mote perfeito para a discussão que pretendemos efectuar aqui, que é o do papel da mulher no movimento dissidente. men9Analisando a expressão, o que podemos concluir? Primeiro, a supracitada artificialidade da liderança feminina, tão artificial que é necessário criar um ditado jocoso para ilustrar a situação. Segundo, que essa artificialidade é demonstrada não apenas no interior (liderança) mas no exterior (calças), sendo que o exterior é simbólico de algo maior, e mais pernicioso. Ao imitar os homens, as mulheres perdem as suas qualidades femininas, sem ganhar nenhuma das masculinas: tornam-se meramente homens de segunda. Por isso, não exagero quando digo que a decadência da nossa civilização se deve, em grande parte, ao facto das mulheres terem começado a usar calças. Pode parecer apenas um pormenor, mas é um símbolo da deriva maior da nossa civilização, da corrente igualitária que a inundou e virou do avesso, do caos identitário em que nos encontramos. Toda esta tragédia começou, não pela raça, não pela imigração, mas pela confusão do papel da mulher na sociedade. E tão importante é a concepção correcta dos papéis adequados de cada sexo, que todas as sociedades que foram além do mais básico primitivismo a reconheceram e aplicaram. Excepções sempre as houve, mas como se costuma dizer, servem apenas para confirmar a regra. E a regra existe com razão. Uma mulher como a Ayn Rand, por exemplo, fez muitíssimo bem em nunca ter tido filhos e ser dona de casa e, em vez disso, dedicar-se ao trabalho intelectual, produzindo ideias de indiscutível valor e originalidade (a avaliação última dessas ideias é uma questão demasiado complexa para discutirmos aqui). Mas também por essa razão, uma vez chamaram-lhe ‘o homem mais corajoso na América’. Por certo que os que pretendem que as mulheres tenham a liberdade de participar no movimento no mesmo patamar que os homens não quererão que elas se transformem em meras imitações dos homens. E no entanto, quando o fazem, é precisamente nisso que se transformam.

Não é ao acaso que a Bíblia menciona a indumentária especificamente: «Uma mulher não poderá usar coisas de homem e um homem não poderá vestir-se com roupas de mulher, porque o SENHOR, teu Deus, abomina quem assim procede.» (Deuteronómio 22:5). Especula-se que a razão para que tal viesse especificamente mencionado na Bíblia se encontra na proximidade das sociedades pagãs que rodeavam os hebreus na época, e que possivelmente não observariam estas distinções. Ora, tal razão aplica-se também à nossa moribunda civilização, que dedicada hoje a variadíssimos deuses pagãos, se acaba por esquecer até do mais fundamental da organização humana: das diferenças salutares entre homens e mulheres.

É fácil antecipar as objecções: que é um anacronismo extremista, que a sociedade mudou, que ‘evoluímos’, que tais concepções são resquícios antiquados de uma era primitiva, ou no mínimo, menos ‘iluminada’. Estas objecções são, em grande parte, feitas por companheiros dissidentes, a quem só podemos apontar que com essas mesmas objecções a Esquerda defende todo o seu programa – desde a imigração até à aceitação dos ‘estilos de vida alternativos’. Pelo que podemos concluir que tais argumentos são inválidos – ou, caso concluamos que são válidos para uma coisa, são igualmente válidos para outra. Por outras palavras, das mulheres usarem calças à abolição da identidade nacional, vai um tirinho.

Neste canto da Internet, ter opiniões impopulares e consideradas radicais pela maioria é uma inevitabilidade. No entanto, a visão tradicional da Mulher é impopular e considerada radical mesmo no seio do movimento dissidente, mesmo entre homens e mulheres que reconhecem as diferenças físicas, mentais e espirituais entre os sexos, que reconhecem o papel de ambos na ordem tradicional. Para eles, a ideia de que as mulheres devem ter uma função fundamentalmente distinta da dos homens no movimento ainda é tabu, senão mesmo anátema. Pelo contrário, o consenso parece ser 5a610cb01e000028005adbd4que as mulheres podem (e em alguns casos devem) ter um papel semelhante ao dos homens na produção e distribuição de ideias, na participação em demonstrações e debates e, deduz-se, nas batalhas campais em que muitos dos eventos se transformam e eventualmente nas trincheiras de uma potencial guerra civil.

Recentemente o Youtube lançou uma sequela do Karate Kid em forma de série que é surpreendentemente contrária ao politicamente correcto. A série chama-se Cobra Kai (o nome do dojo dos antagonistas no original), e uma das cenas mais hilariantes é quando uma preta gorda com cabelo de lésbica se tenta juntar ao dojo e o sensei lhe diz que não se aceitam mulheres no karaté pela mesma razão que não se aceitam no exército: porque é estúpido. Numa civilização em ordem, eu não necessitaria de justificar o porquê do papel das mulheres no movimento dever ser o de esposas e mães, de aliadas domésticas dos homens que efectuam o principal do trabalho (intelectual e físico) requerido para o triunfo das nossas ideias. Numa civilização em ordem, bastaria simplesmente repetir o truísmo da série e dizer que qualquer outra abordagem é estúpida. Mas infelizmente a nossa civilização não está em ordem, e até os truísmos têm de ser explicados, justificados e argumentados, uma e outra vez.

Já mencionámos a Bíblia, mas convém voltar a mencioná-la e lembrar que as prescrições sobre o papel feminino não se limitam à advertência contra o seu uso de indumentária masculina. Pelo contrário, a mulher é distinta do homem, e deve a ele ser submissa. Repare-se nas seguintes passagens:

«Como acontece em todas as assembleias de santos, as mulheres estejam caladas nas assembleias, porque não lhes é permitido tomar a palavra e, como diz também a Lei, devem ser submissas. Se quiserem saber alguma coisa, perguntem em casa aos maridos, porque não é conveniente para uma mulher falar na assembleia.» (1 Coríntios 14:33-35)

«Submetei-vos uns aos outros, no respeito que tendes a Cristo: as mulheres, aos seus maridos como ao Senhor, porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da Igreja – Ele, o salvador do Corpo. Ora, como a Igreja se submete a Cristo, assim as mulheres, aos maridos, em tudo.» (Efésios 5:21-24)

«A mulher receba a instrução em silêncio, com toda a submissão. Não permito à mulher que ensine, nem que exerça domínio sobre o homem, mas que se mantenha em silêncio. Porque primeiro foi formado Adão, depois Eva. E não foi Adão que foi seduzido mas a mulher que, deixando-se seduzir, incorreu na transgressão. Contudo, será salva pela sua maternidade, desde que persevere na fé, no amor e na santidade, com recato.» (1 Timóteo 2:11-15)

«Do mesmo modo, as anciãs tenham um comportamento reverente, não sejam caluniadoras nem escravas do vinho, mas mestras de virtude, a fim de ensinarem as jovens a amar os maridos e os filhos, a serem prudentes, castas, boas donas de casa e dóceis aos maridos, de modo que a palavra de Deus não seja difamada.» (Tito 2:3-5)

Saliento estas passagens porque elas não existiram no vácuo. Pelo contrário, elas foram a base da civilização que, de uma forma ou de outra, todo o movimento dissidente respeita como o auge da Europa e quer ressuscitar. A identidade nacional nasce primeiro na família, e a família nasce do homem e da mulher. Quão importante é, pois, que tenhamos a concepção correcta do relacionamento entre os dois? E quão destrutivo é que tenhamos uma errada? Basta observar a sociedade presente, que é predicada, não na distinção entre homem e mulher, e na submissão da mulher ao homem, mas pelo contrário, numa absoluta igualdade e individualismo que permite, a homens e a mulheres, fazerem o que bem lhes apetece, mesmo que o que lhes apeteça semeie a destruição da ordem social.

Mas toda esta conversa de religião e civilizações antigas diz muito pouco a um grande número de pessoas no nosso movimento, e apesar das evidências sobre a importância destas considerações, elas são maioritariamente relegadas para o plano da fantasia, pois a questão fundacional é muitas vezes esquecida ou abertamente ignorada (como já apontámos). Por isso avancemos para considerações mais terrenas.

Quando se advoga a participação das mulheres no movimento, não como esposas, mães e companheiras, mas como equivalentes intelectuais e físicas dos homens, obviamente que se tem em mente muitos casos recentes que, admita-se, angariaram indiscutivelmente um grande número de novos convertidos à causa identitária, à defesa do Ocidente e à tentativa de o ressuscitar do torpor terminal em que se encontra depois de ter sido vergado às forças igualitárias e relativistas do Iluminismo.

Consideremos o caso Lauren Southern. Com 23 anos, a menina Southern é não só a fêmea mais famosa no movimento, mas uma das figuras mais proeminentes mesmo descontando o seu cromossoma identificador. Qual é a razão para esta popularidade? Lauren_Southern_OKSerá a originalidade das suas ideias ou da apresentação dessas ideias? Ou será por ser uma jovem rapariga que, no decorrer do seu trabalho, vai mostrando as pernas e os ombros, e por vezes um pouco mais que isso? Não se pode subestimar o poder da libido masculina, que mesmo em assuntos em que deve ser posta de parte acaba por dominar as prioridades. Como podemos ver ilustrado nesta review do seu livro, a menina Southern não é nem original nas ideias, nem na apresentação – pelo contrário, nem sequer se eleva acima do mais básico em ambas as categorias. Nesse livro, inclusivamente, encontra-se esta pérola de intelectualidade e bom gosto: «If there was a moment in the 2016 U.S. election that epitomized this newfound hate for the young on the right, it was Republican consultant Rick Wilson’s infamous… declaration that Trump supporters were “childless, single losers who masturbate to anime.” Guilty as charged. Well, except I don’t masturbate to anime characters. I dress up like them and guys masturbate to meSe isto não demonstra que a menina Southern sabe perfeitamente qual é o seu papel – uma softcore camwhore para nerds políticos – não sei o que demonstra.

Convém neste momento fazer um reparo: não estamos a argumentar que a rapariga não produz nada de qualidade, pelo contrário. Um exemplo recente de algo de qualidade que produziu foi o documentário Farmlands, publicitado aqui com legendas em português do Brasil, que chama a atenção devida para a horrível e ignorada situação dos brancos na África do Sul. Mas há perguntas importantíssimas que se devem colocar: será que este documentário, ou as outras obras de qualidade feitas pela menina Southern, só poderiam ser feitas por ela ou, pelo contrário, um jornalista masculino poderia ter feito o mesmo, com pelo menos a mesma qualidade (note-se que as únicas partes más do filme são precisamente quando ela faz monólogos em voz off enquanto se pavoneia em frente da câmara)? E, sendo que um homem poderia fazer o mesmo trabalho, e potencialmente mais bem feito, haverá algo que só a menina Southern possa fazer, uma categoria de actividades em que um homem a não possa substituir? A resposta é igualmente afirmativa. E essas actividades são aquelas que coincidem com o papel tradicional da mulher na sociedade: ser uma esposa, uma mãe, providenciar acompanhamento emocional e intelectual nos primeiros anos de vida das crianças, manter um lar estável e saudável para a sua progenitura.

Nunca me deixa de surpreender que tantos anti-feministas queiram para as suas mulheres o mesmo que as feministas querem para todas as mulheres: que sejam imitações de segunda dos homens. Que em vez de se dedicarem àquilo que a sua biologia e seu espírito lhes lega como natural e que só mesmo elas podem concretizar, queiram que elas se dediquem a produzir frutos que os homens também podem produzir, e em geral melhor. Esta é uma das falhas primordiais da nossa civilização: esquecer as divisões naturais, os papéis naturais, e transformamos as mulheres em homens de segunda. Não observamos nós o vácuo criado por esta ideia de igualdade, em que as mulheres da nossa raça desperdiçam a sua fertilidade, os seus dons naturais, na perseguição do hedonismo, por um lado, mas por outro lado igualmente destrutivo, na perseguição de carreiras, na imitação do papel masculino? Não reconhecemos as consequências destrutivas para a civilização dessa nova ordem? Não as observamos todos os dias, quer em estatísticas, quer no dia-a-dia? E se sim, porque queremos nós que as nossas mulheres, participando num movimento que fundamentalmente rejeita as consequências dessa ordem social, funcionem da mesma forma e concretizem os mesmos erros?

Depois é preciso considerar algo que já foi mencionado noutros textos: primeiro, que o meio é a mensagem. E depois que atrair as pessoas erradas, e sobretudo os homens errados, é contraproducente. Neste caso, o meio é muitas vezes o de ter mulheres a ditar a homens aquilo em que devem acreditar e porquê. Psicologicamente, isto resulta em kjaskjshomens castrados. A verdade é que a popularidade de Lauren Southern, bem como de raparigas semelhantes, vem da percepção óbvia, mas perniciosa, de que o mesmo tema quando apresentado em conjunção com um decote ou uma carinha laroca tem automaticamente mais audiência. E note-se que a menina Lauren, em termos de beleza, será no máximo um 6.5. Tire-se a maquilhagem e desconfio que se encontra um 4 ou no máximo um 5. Será que queremos conquistar uma audiência de homens sexualmente frustrados que se perdem de amores por uma rapariga de aspecto banal com quem concordam politicamente?

Uma boa ilustração do tipo de homem que estas raparigas atraem para um movimento que se quer sério e que precisa, definitivamente, de homens com espinha, encontra-se quando se ‘segue’ o dinheiro. Antes de ser banida do Patreon, por exemplo, a Lauren estava a receber quase quatro mil dólares por mês e, além de mostrar um decote lauren patreon.pngproeminente na sua foto, referia-se jocosamente ao facto de uma doação dar o direito ao dador de dizer que era seu ‘namorado’ e que ela não confirmaria nem desmentiria. Outro exemplo, entretanto desaparecido da sua página, encontrava-se na possibilidade de pagar duzentos e cinquenta dólares por 15 minutos (!) de sessão de Skype privada com a menina Southern. Não sei de ciência certa, mas apostaria que uma prostituta de luxo levaria menos de mil dólares à hora – em carne e osso, não por sessão de Skype. Isto ilustra tanto o empreendedorismo (por assim dizer) da menina Southern, como a sede de atenção feminina e a total efeminação dos homens brancos modernos, obcecados com a sua ‘namorada virtual’ ao ponto de pagarem a peso de ouro a oportunidade de fazerem parte do seu ‘círculo íntimo’ (quão grande é esse círculo, nunca saberemos). Entretanto a menina Southern apagou esta opção do seu site (depois de algumas críticas) e ficou apenas a opção ‘Exclusive’, em que pagando cem dólares por mês, obtêm um livestream particular entre os subscritores dessa opção e, cereja no topo do bolo, ela segue-os no Twitter (não estou a gozar!). Não só não queremos estes homens ao nosso lado numa batalha, mas perpetuar este tipo de atitude é absolutamente contraproducente. Podemos ter um exército de milhões, mas se forem milhões como os que dão dinheiro à menina Southern, seremos derrotados por trezentos inimigos duros, como na mítica história.

Vários outros exemplos existem destas raparigas, também chamadas de trad thots (ou putéfias tradicionalistas), e das suas legiões de seguidores que comem demasiada soja. Nenhuma delas é casada, ou tem filhos. As únicas mulheres do movimento que os têm são muito mais recatadas, trabalham com os seus maridos e, por essa razão, não obtêm o mesmo nível de atenção masculina (nem é esse o seu objectivo). Mas não podemos culpar apenas as raparigas. Quem devemos culpar são os homens fracos que as promovem e lhes sustentam o estilo de vida. Espero estar enganado, mas suspeito que nenhuma dessas raparigas vai casar e ter filhos enquanto a sua beleza relativa e juventude lhes permitirem ter hordas de frustrados a patrocinar as suas viagens e ‘aventuras’. Para quê dedicarem-se a um homem, quando podem ter a atenção de milhares, senão milhões?

Começámos com um ditado popular, e acabamos com uma história que ilustra a importância, e a força imparável, que é viver e agir conforme a ordem divina, e como isso é espelhado pelos papéis, absolutamente distintos, dos homens e das mulheres.

Com a subida ao poder dos bolcheviques na Rússia, várias leis contra a religião foram passadas, impedindo os padres de evangelizar, incluindo ensinar o Cristianismo às novas gerações. O objectivo, claro, era destruir a prazo toda a religião visto que esta era um obstáculo, senão o maior obstáculo, à criação do paraíso socialista na terra. Estas leis mantiveram-se até praticamente ao final do regime soviético, quase 80 anos. Conta-se que um líder Soviético, pouco depois da revolução e tendo em conta as leis estabelecidas contra a religião, perguntou ao Patriarca de Moscovo o que iria acontecer à Igreja quando a última avó morresse. O Patriarca respondeu-lhe que haveria outra geração de avós para as substituir. Palavras proféticas, sobretudo se se considerar que a maioria das avós russas de hoje eram apenas crianças ou nem sequer nascidas quando estas palavras foram proferidas, e que a Igreja manteve-se ao longo de toda a animosidade comunista e retomou o seu lugar (e continuou a crescer) logo após a queda do regime.

21d602d5ff237aaa874221c992c8797f.jpgO que a história ilustra é que a Igreja salvou-se pelo facto das mulheres agirem como mulheres, cumprindo o seu papel natural, ensinando os mais novos, passando as tradições. Repare-se que não foi através da ordenação de mulheres para o sacerdócio que a Igreja continuou, mas pelo contrário, precisamente por manter essa restrição, cada sexo ter a sua função, permitiu que mesmo sob condições incrivelmente adversas encontrasse uma continuação. Há uma lição aqui para os homens e mulheres ocidentais dos nossos dias. Ao invés de aceitar a senda igualitarista e querer transformar as mulheres em homens de segunda, que invariavelmente transforma os homens em seres efeminados, devemos respeitar a ordem e separação natural de funções, cada um apelando às suas forças, em cooperação, em vez de competição.

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O Problema da Fundação

«O Temor do Senhor é o princípio da sabedoria e a inteligência é a ciência dos santos.» (Provérbios 9:10)

«Assim, toda a árvore boa produz bons frutos, e toda a árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa dar maus frutos; nem a árvore má dar frutos bons. Toda a árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo. Portanto, pelos seus frutos os conhecereis. Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade do meu Pai que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizámos nós em teu nome? e em teu nome não expulsámos demónios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi, abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade. Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha; E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha. E aquele que ouve estas minhas palavras, e não as cumpre, compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia; E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda.» (Mateus 7:17-27)

Nenhum movimento sobrevive sem unidade e em especial sem unidade filosófica. Sem uma mundividência partilhada, a tendência será sempre para a luta interna e, eventualmente, para a cisão. E um movimento com cisões é incapaz de levar a cabo as suas aspirações. Mas ainda mais importante é que essa fundação seja sólida, pois apenas sobre ela se pode construir um edifício resiliente. Aqui pretendo defender que só a mundividência Cristã pode providenciar esta fundação para a ampla e ainda vaga afiliação de vozes que, tendo em conta os objectivos expressos, podemos considerar da ‘Direita Dissidente’, e demonstrando que as outras fundações são insuficientes, prejudiciais e, em alguns casos, incoerentes com as consequências prescritivas a que são associadas.

Tendo seguido e investigado as várias vozes que podemos considerar como parte desta Direita consigo identificar três grupos, nos quais existe obviamente alguma sobreposição, mas que em termos fundacionais merecem ser mencionados em separado: os tradicionalistas perenialistas, os nacionalistas/identitários e os tradicionalistas Cristãos. Encontrando-me neste último grupo, e fazendo a apologia dele, tratarei das virtudes da sua fundação em comparação com as fundações dos outros dois.

Observando os principais blogs que representam estas três ‘facções’ há algum tempo e mergulhando nos seus arquivos, fiquei com a ideia que, dos três grupos, a ausência de fundação é observada maioritariamente nos nacionalistas/identitários, em que não só não existe uma mundividência base que seja partilhada, mas ainda mais grave, em alguns casos não existe uma preocupação em expor ou estabelecer essa mundividência. Há um imediatismo neste grupo que, embora tenha os seus méritos, põe de lado a questão fundacional e se preocupa somente em reagir a eventos, notícias ou ideias da modernidade. Nessas reacções está necessariamente subjacente uma visão do mundo, premissas antropológicas e ontológicas – mas estas nunca são explicitamente apresentadas ou explicadas, e não é claro que sejam reconhecidas pelos seus promotores. Em alguns casos, por serem inconscientemente professadas, acabam mesmo por ser contraditórias com as prescrições, dependendo da manifestação particular de texto para texto.

Embora exista algum tipo de unidade em relação a questões particulares, em especial a oposição à imigração, tudo o resto é difuso porque as questões de fundação filosófica não são postuladas. Sendo que a mundividência relativista já é o status quo fundacional do Ocidente, não me surpreende que, mesmo postulando valores que só podem ser compreendidos numa ética Cristã, muitos se considerem ateus ou perenialistas. Note-se que eu leio frequentemente, e já recomendei, uma boa parte das pessoas de quem estou a falar. Não é pois uma crítica, é uma exortação.

Antes de entrarmos a fundo na análise, observemos algumas dicotomias absolutamente absurdas que ilustram o vazio fundacional. Há quem seja ardentemente pró-Israel, e quem ache que o mundo é controlado por um cabal judaico (sendo o Cristianismo a maior conspiração de todos os tempos) – ambas as posições, a meu ver, demonstrando uma ignorância (ou malícia) risível. Vamos assumir que não é malícia, mas simplesmente ignorância. Os blogs (supostamente Cristãos) ardentemente pró-Israel e pró-Judeus fazem uma crónica ininterrupta dos males do Islão, nunca abrindo a boca sobre o papel dos Judeus na promoção da invasão Islâmica do Ocidente, as atrocidades cometidas pelos Israelitas ou as circunstâncias históricas em que o Estado se formou, a influência do Sionismo e dos judeus na propagação do relativismo no Ocidente, ou sequer reconhecendo as razões mais profundas, morais, da invasão islâmica que tanto criticam. Ou seja, proclamando-se Cristãos, são na prática meros materialistas e, na sua ardente defesa dos Judeus dos nossos dias, revelam que nunca leram a Bíblia com atenção. Os blogs anti-Israel, por seu turno, vivem obcecados com os judeus de tal forma que lêem o Novo Testamento (assumindo que o leram) e acham que Jesus de Nazaré foi um Sayanim da antiguidade, enviado para enganar os gentios. Ambas as posições são patentemente absurdas. No entanto, ambos os lados são considerados parte deste mesmo movimento – seria interessante ouvir um debate entre os representantes, mas isso é outra história – e a razão para o serem é porque concordam com prescrições específicas para problemas concretos (sobretudo, a oposição à imigração). Termino este parágrafo dizendo apenas que tanto os partidários da teoria de que o Cristianismo é uma conspiração judaica como os Cristãos que são ardentemente pró-Israel estão para lá de qualquer razão ou argumento – e digo isto por experiência. A insanidade dos anti e o sabujismo dos pró tolda-lhes a visão. Aos segundos, custa-me não atribuir também segundas intenções ou malícia, mas não importa muito explorar o fenómeno neste texto.

Tentemos, pois, encontrar as fundações subentendidas nas duas estirpes não-Cristãs.

Para os perenialistas a fundação é, à superfície, mais semelhante à Cristã, pois é de origem transcendental. No entanto, esta filosofia afirma que todas as tradições religiosas são apenas manifestações diferentes da mesma ideia, da mesma verdade metafísica. Assim, o Deus do Zoroastrismo ou o ‘motor imóvel’ de Aristóteles seriam apenas diferentes manifestações do Deus da Bíblia. E igualmente as doutrinas de um e de outro serão igualmente manifestações esteticamente distintas mas metafisicamente semelhantes – e todas portanto com a mesma validade e das quais se poderão inferir as mesmas implicações éticas. Usei os exemplos mais próximos (ao invés de, por exemplo, o Hinduísmo) precisamente porque, mesmo sendo na aparência mais semelhantes (afinal, são uma ou outra forma de monoteísmo), se pode mostrar que na verdade não existe equivalência, e que estas não são manifestações diferentes da mesma ideia, mas ideias distintas, com distintas consequências teóricas e práticas. Antes de apontar aquilo que distingue estas concepções da concepção Cristã, convém salientar que não disputamos a ideia de que as várias culturas e tradições religiosas chegaram a algumas conclusões práticas semelhantes – da mesma forma que as várias vozes dissidentes do nosso dia chegam também às mesmas conclusões apesar das suas fundações metafísicas distintas. Assim, por exemplo, quase todas as tradições religiosas, sobretudo aquelas que fundaram civilizações dignas desse nome, foram patriarcais, reconheciam a propriedade privada e restringiam a liberdade sexual. São Paulo, falando aos Pagãos Romanos, afirma: «Com efeito, quando há gentios que, não tendo a Lei, praticam, por inclinação natural, o que está na Lei, embora não tenham a Lei, para si próprios são lei. Esses mostram que o que a Lei manda praticar está escrito nos seus corações, tendo ainda o testemunho da sua consciência tal como dos pensamentos que, conforme o caso, os acusem ou defendam.» (Romanos, 2:14-15). Ou seja, Deus imprimiu em todos os homens a capacidade de discernir formas de conduta e de organização social desejáveis. Mas dizer que a Lei é discernível não remove a necessidade da sua revelação, tal como o facto de sabermos que moderar a velocidade é benéfico não remove a necessidade de conhecer o Código da Estrada.

O monoteísmo do Zoroastrismo e o monoteísmo do ‘motor imóvel’ não são iguais ao monoteísmo Bíblico, e as diferenças são logo encontradas na fundação. A antiga religião Persa afirma uma concepção divina, ontológica e antropológica dualista, em que o Bem e o Mal são forças equivalentes em constante fricção e à procura de equilíbrio – e em que tanto o ‘deus bom’ como o ‘deus mau’ existiam previamente à Criação: «Ahura Mazda spake unto Spitama Zarathushtra, saying: I have made every land dear (to its people), even though it had no charms whatever in it: had I not made every land dear (to its people), even zoroastrianism-symbol.jpgthough it had no charms whatever in it, then the whole living world would have invaded the Airyana Vaeja. The first of the good lands and countries which I, Ahura Mazda, created, was the Airyana Vaeja, by the Vanguhi Daitya. Thereupon came Angra Mainyu, who is all death, and he counter-created the serpent in the river and Winter, a work of the Daevas.» (Vendidad, Fargard 1:1-2). Por cada coisa boa que Ahura Mazda (o deus bom) cria de benéfico, o seu contraparte maléfico, Angra Mainyu, cria o seu oposto: «The second of the good lands and countries which I, Ahura Mazda, created, was the plain which the Sughdhas inhabit. Thereupon came Angra Mainyu, who is all death, and he counter-created the locust, which brings death unto cattle and plants. The third of the good lands and countries which I, Ahura Mazda, created, was the strong, holy Mouru. Thereupon came Angra Mainyu, who is all death, and he counter-created plunder and sin.» (Vendidad, Fargard 1:4-5).

Algo completamente distinto é-nos contado na história da Criação Bíblica, em que Deus Cria ex nihilo (isto é, nada existia antes além Dele), e em que o mal é simplesmente a rebelião de seres criados contra a sua autoridade. O Mal, portanto, não tem existência ontológica no Cristianismo, mas é simplesmente a ausência do Bem – e o Homem não foi criado com duas naturezas, mas com uma: uma natureza que a sua desobediência corrompeu. Isto pode parecer insignificante mas não é: na concepção Zoroastra o Mal já existia, e é uma de duas escolhas possíveis; na concepção Cristã existe obediência ou desobediência à Lei, adesão ou não-adesão ao Bem. Voltando à analogia do Código da Estrada, o Zoroastrianismo diz-nos que, na génese, há dois Códigos, o bom e o mau – e que devemos seguir o ‘bom’ porque gera boas consequências e evitar o ‘mau’ por gerar as más; no Cristianismo existe apenas um Código, o Bem, e é da nossa desobediência que surgem as más consequências, o Mal.

Também o ‘motor imóvel’ não é o Deus da Bíblia, mas algo mecânico e impessoal que ‘põe as coisas em movimento’: «Since this is a possible account of the matter, and if it were not true, the world would have proceeded out of night and ‘all things together’ and out of non-being, these difficulties may be taken as solved. There is, then, something which is always moved with an unceasing motion, which is motion in a circle; and this is plain not in theory only but in fact. Therefore the first heaven must be eternal. There is therefore also something which moves it. And since that which moves and is moved is intermediate, there is something which moves without being moved, being eternal, substance, and actuality.» (Metaphysics, Book 12, Part 7). Mas se Deus não é pessoal nem a Criação é o produto da sua acção, a Lei não existe como algo transcendente que nos foi revelado – mas torna-se um mero artifício humano, uma heurística, desenvolvida pelos mecanismos naturais derivados do primeiro movimento.

Pode questionar-se a relevância destas considerações para as questões mais concretas com que nos deparamos, mas a fundação determina não só a resiliência do edifício mas também a forma que esse edifício toma. Estas noções de ‘equilíbrio’ entre Bem e Mal creation_left_lg(existente nas concepções orientais do divino tão promovidas no Ocidente moderno) e do ‘motor imóvel’ (de que a teoria do Big Bang é um exemplo) são partes importantes da mundividência maçónica/gnóstica que tomou conta do Ocidente nos últimos séculos, e é sobre elas que as nossas sociedades são erigidas. Não admira, pois, que o edifício esteja a ruir. Ambas as fundações, embora na aparência monoteísticas, levam directamente ao relativismo. A abertura da teologia Cristã a estes conceitos antagónicos, numa tentativa de ‘ecumenismo’ e ‘sincretismo’, foi uma das principais razões para esta degeneração fundacional na civilização Ocidental. Não é um acaso que quando a consciência da fundação Cristã, da Criação ex nihilo e da Lei como revelação, foi apagada no Ocidente, se deixou de prestar tributo à dignidade humana inerente e se começou a achar que todas as formas de viver são certas.

Tornamo-nos agora para os identitários. Alguns subscrevem uma forma ou outra de neopaganismo como fundação supostamente transcendental – e digo supostamente porque, na maioria das vezes, é somente uma rejeição do Cristianismo do que uma convicção noutra forma de espiritualidade e fundação, uma forma de procurar algo que o ateísmo, por si mesmo, não oferece (e saúdo-lhes, pelo menos, o reconhecimento deste facto – embora, como vamos ver, não o sigam até à sua conclusão última). É, além disso, difícil analisar as premissas dos neo-pagãos porque, na verdade, não existe uma teologia coerente mesmo quando procuram essa fundação. Nas minhas observações noto que os vários neo-pagãos resume-se simplesmente à ideia de preservar a tribo a que pertencem e simultaneamente ao darwinismo social. Por isso esta análise é, não tanto de um ou vários neo-paganismos (que, na realidade, são apenas apêndices cosméticos), mas da visão ateia e evolucionária que permeia a mundividência identitária.

Para eles a fundação é a tribo ou a raça – o ethnos – e todas as outras considerações devem ser a ele subjugadas. Rejeitam o Cristanismo afirmando que este, postulando uma moral universal a que todos estamos subjugados, não tem qualquer apreciação pelo ethnos. Tal afirmação, tão comum nos nossos dias, seja da boca de anti-Cristãos como dos próprios Cristãos, é simplesmente falsa, e surge simplesmente de ignorância.

Se observamos muitos auto-proclamados Cristãos a denegrir o ethnos, é em directa oposição às escrituras e aos Pais da Igreja. Não só a tradição reconhece a existência do ethnos, como recomenda a sua preservação. São Paulo, pregando aos Atenienses, sublinha a existência e importância das diferenças entre as tribos no próprio plano Divino: «De um só homem fez Deus todas as raças humanas, a fim de que povoassem a terra, havendo determinado previamente as épocas e os lugares exactos onde deveriam habitar. Deus assim procedeu para que a humanidade o buscasse e provavelmente, como que tacteando, o pudesse encontrar, ainda que, de facto, não esteja distante de cada um de nós». São Paulo expressa também na sua carta aos Romanos o peso que tem o seu apego à sua própria tribo: «Digo a verdade em Cristo, não falo inverdades, minha consciência o confirma no Espírito Santo, que tenho grande tristeza e incessante dor no meu coração. Porquanto eu mesmo desejaria ser amaldiçoado e separado de Cristo por amor de meus irmãos, que são meus parentes segundo a carne» (Romanos 9:1-3). Mais, a única ocasião em que S. Paulo repreende S. Pedro é precisamente na questão étnica, mostrando que, sendo a Lei para todos, cada cultura deve manter-se e não ser forçada uma sobre a outra: «Quando, porém, Pedro chegou a Antioquia, eu o enfrentei face a face, por causa da sua atitude reprovável. Porque antes de chegarem alguns da parte de Tiago, ele fazia suas refeições na companhia dos gentios; todavia, quando eles chegaram, Pedro foi se afastando até se apartar dos incircuncisos, apenas por temor aos que defendiam a circuncisão. E os outros judeus de igual modo se uniram a ele nessa atitude hipócrita, de modo que até mesmo Barnabé se deixou influenciar. Contudo, assim que percebi que não estavam se portando de acordo com a verdade do Evangelho, repreendi a Pedro, diante de todos: “Se tu, sendo judeu, vives como os gentios, e não conforme a tradição judaica, por que obrigas os gentios a viver como judeus?”» (Gálatas 2:11-13). E também nas visões de S. João o ethnos surge como parte da providência eterna de Deus para a humanidade: «Em seguida, olhei, e diante de mim descortinava-se uma grande multidão tão vasta que ninguém podia contar, formada por pessoas de todas as nações, tribos, povos e línguas. Estavam em pé, diante do trono do Cordeiro, vestidos com túnicas brancas, empunhando folhas de palmeira. E proclamavam com grande voz: “A Salvação pertence ao nosso Deus, que se assenta no trono e ao Cordeiro!”» (Apocalipse 7:9-10).

Tendo em conta que os identitários reconhecem o valor da tribo e procuram uma ordem social que a sirva, e que o darwinismo social, quando levado à sua conclusão lógica, impossibilita qualquer forma de lei que não a da simples sobrevivência, o próprio facto de terem a tribo como valor e postularem uma ordem social é contraditória com essa fundação. Para ilustrar este ponto, pensemos no seguinte: várias vezes li identitários a aplaudir as raças do Oriente Extremo como ‘superiores’, querendo com isso dizer que exibem em grande quantidade as características que consideram de valor (quase todas fundadas no facto de terem QIs relativamente altos – com as consequências societais derivadas desse facto). Podemos concluir então que a nossa tribo merece, a bem da sobrevivência e da evolução, ser conquistada e substituída por Chineses e Japoneses. Não são eles ‘superiores’? Se tomarmos o darwinismo social como fundação filosófica, temos de responder que sim (lembremos que o título completo do famoso livro de Darwin é On the Origin of Species by Means of Natural Selection, or the Preservation of Favoured Races in the Struggle for Life), embora claramente os identitários respondam que não. E se se pudesse provar que a miscigenação criaria uma raça biologicamente superior, seriam os identitários darwinistas a favor desse destino? Obviamente que não. Mas porquê? Porque valorizam a sua tribo acima da sobrevivência do ‘mais forte’ e acima da evolução, e é nessa premissa que se funda a sua mundividência – por muito que erroneamente considerem que a fundam no darwinismo. Por outras palavras, a sua mundividência funda-se no amor ao próximo. E o próximo não é qualquer um, é aquele que está próximo. Porquê amar o próximo como a nós mesmos? Porque o próximo é como nós. É parte de nós. A concepção Cristã, a original, não é antagónica à identidade tribal: o ethos e o ethnos complementam-se. Perdendo-se um, perde-se o outro.

O facto de, aos olhos de Cristo, sermos todos iguais não significa que não existam diferenças entre nós, nem que essas diferenças não devam ser observadas por Cristãos (se assim fosse, Deus não teria, por exemplo, ordenado a submissão terrena da mulher ao homem, porque a famosa passagem Gálatas 3:28 diz que em Cristo ‘não há masculino nem feminino‘). Os Cristãos são comandados a observar tais diferenças, e o que Cristo observa é a nossa obediência. E o que é que Cristo requer de nós? «Mestre, qual é o grande mandamento na lei? E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos depende toda a lei e os profetas.» (Mateus 22:36-40).

«Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia o seu irmão, é mentiroso. Pois, quem não ama o seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu? E dele temos este mandamento: que quem ama a Deus, ame, também, o seu irmão.» (1 João 4:20-21). Os Cristãos que professam a sua fé apoiando a invasão de povos alógenos estão a descurar o amor ao próximo em nome de um ideal universalista condenado por Deus, não só na separação dos povos na Babilónia mas ao dizer, pela voz de Cristo, que é ao próximo que devemos em primeiro lugar apontar o nosso amor. Dizendo amar a Deus e à sua Verdade, odeiam o próximo, e portanto, rejeitam a Deus. Pelo menos neste aspecto, aqueles que se dizem anti-Cristãos mas valorizam o ethnos, estão mais perto da Verdade do que aqueles que o desprezam, dizendo-se Cristãos.

O ethnos, no entanto, não pode ser a fundação e isso é claro quando compreendemos o sentido de ‘amar’ no Cristianismo. Amar não é ser tolerante, ou simpático, ou permissivo. Amar é ter o desejo de colocar alguém no caminho recto e agir de forma a fazer o Bem por quem se ama. Isso por vezes pode significar repreensão violenta: «Quem se nega a disciplinar e repreender seu filho não o ama; quem o ama de facto não hesita em corrigi-lo.» (Provérbios 13:24). No entanto, tendo o ethnos como base, todas as considerações têm de estar a ele subjugadas, o que implica a defesa dos membros degenerados da tribo em detrimento de algo maior (o ethos). E isso observa-se na facilidade com que tantos identitários abraçam o relativismo moral e aceitam membros da tribo na sua iniquidade por mais destrutivos que eles sejam para a própria tribo. Quantas famílias foram já destruídas por causa de “amor incondicional”, em que mães e pais defendem os filhos por mais pulhas que sejam? E quantas vezes vemos o problema de diagnóstico dos identitários, que na sua defesa incondicional da sua ‘família’ nacional, são incapazes de lhe ver as falhas e assim também incapazes de apontar a origem (moral) dos seus problemas? E nos casos em que os identitários de facto se recusam a aceitar degeneração moral e a rejeitar os membros da tribo que a personificam, deixaram de colocar a tribo em primeiro lugar, e inconscientemente aceitaram que o ethos tem de preceder ao ethnos.

Quem se dá ao trabalho de considerar questões políticas e sociais complexas, em geral não o faz tendo como objectivo apenas o seu próprio bem-estar – está subentendido um reconhecimento do valor da comunidade e da ordem. Se considera que existe valor na comunidade e na ordem, reconhece que existe uma dimensão superior, que não somos apenas pedaços de carne conscientes, produtos de forças aleatórias. Essa dimensão tem de ter uma origem e essa origem, para ser generalizável – como tem de ser numa ordem social – não pode ser baseada somente nas preferências pessoais de quem a postula. Mas rejeitando uma origem transcendental, isto é, divina, para essa dimensão, não podemos dizer sem contradição que a Ordem é preferível ao Caos, que a Justiça é preferível à Injustiça, ou sequer que a Ordem e a Justiça existam como conceitos válidos – se tudo é fluxo, também a Ordem e a Justiça são conceitos transitórios, mutáveis conforme os movimentos da história, da natureza, das condições materiais, etc. Ou seja, voltamos ao materialismo relativista que precisamos de rejeitar.

Um dos argumentos que já repeti mais vezes é o de que os nossos problemas materiais (como a imigração) têm origem na nossa disposição espiritual (o hedonismo). Esta disposição é o produto directo da fundação relativista que substituiu a fundação absolutista fundada na Criação revelada na Bíblia. Sem rejeitarmos as várias fundações erróneas, não temos meio de rejeitar os seus resultados. E sem aceitarmos a fundação certa, não temos meios de obter os seus benefícios.

A Guerra dos Sexos

«O marido deve cumprir os seus deveres conjugais para com a sua mulher, e da mesma forma a mulher para com o seu marido. A mulher não tem autoridade sobre o seu próprio corpo, mas sim o marido. Da mesma forma, o marido não tem autoridade sobre o seu próprio corpo, mas sim a mulher. Não se recusem um ao outro, excepto por mútuo consentimento e durante certo tempo, para se dedicarem à oração. Depois, unam-se de novo, para que Satanás não os tente por não terem domínio próprio. Digo isso como concessão, e não como mandamento. Gostaria que todos os homens fossem como eu; mas cada um tem o seu próprio dom da parte de Deus; um de um modo, outro de outro. Digo, porém, aos solteiros e às viúvas: É bom que permaneçam como eu. Mas, se não conseguem controlar-se, devem casar-se, pois é melhor casar-se do que ficar ardendo de desejo.»

1 Coríntios 7:3-9

É triste verificar o quão removidos estamos do ideal bíblico e difícil imaginar que o abandono desse ideal pode ir mais longe. Mas a cada ano, a cada década, a distância aumenta.

É um óbvio ululante dizer que os papéis tradicionais dos sexos se alteraram radicalmente nos últimos cem anos, e em especial nos últimos cinquenta, com a velocidade dessa mudança a acelerar cada vez mais, ao ponto de praticamente não existirem diferenças sociais entre os sexos – na lei essas diferenças são proibidas, e na sociedade civil para aí se caminha. A Esquerda, claro, aplaude. A Direita, com poucas excepções, também. A Esquerda apregoa a igualdade mas promove, na prática, a supremacia das mulheres, sempre na sua demanda caótica. A Direita apregoa a igualdade e acredita nela, o que é mais trágico – na prática, actua como um travão muito ténue ao estabelecimento, legal e social, da supremacia feminina.

A revolução sexual não foi um movimento de baixo para cima, mas uma operação deliberada por sociedades secretas e agências governamentais. E se ainda não há muitos anos as elites eram tímidas na sua imposição do relativismo, hoje fazem-no abertamente e sem qualquer pudor. Há uma guerra artificial entre homens e mulheres, criada pelas elites. Esta conspiração está photo_2017-10-28_11-49-13vastamente documentada. O problema está identificado, pelo que não vale a pena perder muito tempo a afirmar o que já se sabe. Se ofereço contexto é porque pretendo apresentar uma tese que aposto irá eriçar muitos pêlos e ofender muitas cabeças. Não falo da Esquerda, nem sequer da Direita que pensa nos moldes de Esquerda – mas da verdadeira Direita, tradicionalista.

Por muito que as esganiçadas do Bloco de Esquerda gritem que vivemos ainda sob o jugo opressivo do Patriarcado, a verdade é que a situação actual pode ser mais correctamente descrita como um Matriarcado. Exceptuando os casos, parcos, em que a biologia exerce a sua inevitável influência de forma irremediável (como nas ciências duras ou no desporto – ou na criminalidade violenta), a supremacia feminina é facilmente observável. E mesmo nessas poucas excepções, existem programas pagos pelos contribuintes para ‘corrigir’ essas ‘injustiças’.

Por cada juiz que decide em favor do homem em disputas legais entre conjugues, existem milhares de outros em que a decisão é favorável à mulher. A propaganda oficial tende a mostrar as mulheres como fortes e independentes, e em geral bem intencionadas, enquanto que os homens tendem a ser pintados como patéticos ou psicopatas. As escolas, as igrejas e os locais de trabalho são ambientes cada vez mais direccionados às mulheres, desenhados propositadamente para não ferir as suas sensibilidades e para acomodar as suas peculiaridades. Espaços puramente masculinos são infiltrados, e quando o não são, aparecem nas notícias para serem publicamente vilificados.

Um exemplo ilustrativo. 1985 foi o último ano em que o número de homens inscritos na faculdade era superior ao número de mulheres. Mais raparigas estão a desperdiçar os seus anos férteis na perseguição de uma carreira – e em muitos casos, nem sequer a vão concretizar. Mas mesmo que concretizem, a tragédia não é menor: as mulheres que adquiram um emprego bem remunerado kjaskjs.jpgterão maior dificuldade em encontrar um homem para casar, pois apesar de toda a cantilena feminista, não é costume ver executivas de sucesso a casar com empregados de mesa – enquanto que o contrário é comum. As mulheres procurarão sempre, por força da sua natureza biológica, um homem que tenha mais valor do que elas. No mundo mercantil em que vivemos, o salário e status social são o indicador principal no que toca a juntar os trapos e formar família. Uma mulher não respeitará o seu marido se este tiver um status menor e trouxer menos dinheiro para casa que ela. E assim se explica a proliferação da solteirona, da maluca dos gatos – que tendo passado a juventude focada na sua carreira e satisfazendo a sua necessidade de intimidade com encontros casuais e relações insignificantes, entre contraceptivos e abortos, termina numa triste desolação ou, no melhor dos casos, arranja um parolo disposto a rebaixar-se por migalhas de intimidade, quando a sua fertilidade e a sua beleza tiverem desvanecido.

Enquanto a populaça se convence da benevolência das grandes vitórias do liberalismo, as elites regozijam com a destruição da família, o seu objectivo principal. A família é o único entrave à implementação do controlo total do Estado sobre o indivíduo, o primordial obstáculo a uma nova ordem mundial, pois é nela que se baseiam todas as outras instituições intermédias, sem as quais photo_2017-11-06_09-46-10homens e a mulheres ficam indefesos perante o poder político. Não é ao acaso que a destruição ou irrelevância das instituições intermédias tenha andado, década após década, de mão dada com a desintegração da família. E na génese da família está a união de um homem e de uma mulher.

Esta união, apesar de ser uma parceria, é tudo menos igualitária. O homem e a mulher têm funções diferentes, responsabilidades diferentes, poderes diferentes. E sem essa desigualdade, a instituição não sobrevive, nem consegue cumprir a sua função. Todo o edifício desmorona. Isto é o que vemos acontecer no mundo moderno. Chesterton tem uma frase adequada: nunca deitem abaixo uma cerca sem antes saber porque foi construída. A revolução sexual ofereceu à mulher o controlo sobre o seu aparelho reprodutivo e essa ‘libertação’, que no vácuo parece sábia e justa, abriu uma caixa de pandora que ameaça desmantelar todos os alicerces que mantêm, por enquanto, a sociedade de pé.

Tendo assim exposto o problema, a resposta é óbvia: retornar à ordem tradicional, restabelecer o Patriarcado. Mas daqui até lá há um longo caminho a percorrer, e neste momento o caminho está cheio de obstáculos e buracos, e sem iluminação. Com a libertação da mulher, veio o aprisionar do homem; com a masculinização da mulher, veio a efeminação do homem. Os homens têm de, mais uma vez, exercer domínio sobre as mulheres, mas como efectuar isso na prática?

A lei proíbe-o e a sociedade desencoraja-o. Pior: as instituições que deviam oferecer luz e auxílio, juntaram-se ao inimigo; as vozes tradicionalistas, recusam-se ao combate. Os conselhos das instituições e pensadores tradicionalistas não são aplicáveis no panorama actual. A Igreja 111.jpgrecomenda que se espere até ao casamento para ter sexo e num mundo são isto seria não só possível como desejável. No mundo moderno, é possível (de certa forma) mas não é desejável. Os incentivos que existem correntemente contribuem para que as mulheres não só não precisem de um homem, como não o respeitem. Um homem moral, que queira esperar até ao casamento, vai certamente casar virgem, mas não vai casar com uma virgem. Infelizmente, na sociedade moderna, para o homem exercer domínio sobre uma mulher, esse domínio tem de ser sexual. E tendo em conta que é difícil imaginar dois jovens a conhecerem-se e a casarem quase imediatamente, sucede que o sexo vai suceder antes do casamento ser consumado.

A alternativa de alguns tradicionalistas é remover-se da sociedade totalmente, viver uma vida ascética, de celibato. Em alguns, não poucos, casos, existe uma aura de misoginia, como se as mulheres tivessem escolha, ou culpa, de serem como são – como se não caísse sobre os homens a responsabilidade de as liderar. Se de um lado da boca afirmam as virtudes tradicionais, por outro resignam-se a aceitar as torpes mentiras modernas, não em teoria, mas na prática. Ao observarem a natureza hipergâmica das mulheres, completamente desenfreada dada a realidade legal e social, decidem – porque é mais simples – que nenhuma mulher merece o seu esforço, a sua tutela. Quando na realidade é mais importante do que nunca que os homens sejam masculinos, e ofereçam uma liderança viril para as mulheres da sua geração.

Não ponho de parte, claro, que há casos perdidos – querendo com isto dizer que há putéfias irredimíveis, tal como existem homens sem qualquer capacidade de serem viris. Mas é preciso compreender que as mulheres estão tão perdidas como os homens. São vítimas da mesma images.duckduckgodegeneração da civilização ocidental, da mesma hemorragia de valores, e não sairão desse abismo sem a liderança dos homens. A cada esquina as jovens mulheres são encorajadas a abrir as pernas, a oferecer aquilo que lhes é único (a sua beleza e fertilidade) a troco de nada; a saltar de ‘relação’ em ‘relação’, quando não mesmo de cama em cama, enquanto se focam naquilo que na distorção moderna se tornou o objectivo principal: o fantasma mitológico da ‘realização pessoal’, da carreira, do trabalho. Na prática são encorajadas a serem obedientes ao patrão, em vez de ao marido.

Mas como pode uma mulher moderna ser submissa se não encontra um homem recto e viril, que queira fazer dela uma esposa? Se os homens na sua vida são puramente hedonistas, ou fracos e inseguros, incapazes de dar um passo e tomar uma decisão? Se os homens rectos não conseguem sequer ganhar coragem para meter conversa com uma rapariga e convidá-la para beber um café? Se nem esse pequeno passo são capazes de dar, como vão ser líderes dentro da sua própria casa? O meme dos involuntariamente celibatários existe por uma razão. As mulheres não se sentem atraídas pela fraqueza, e muito menos se resignarão a aceitá-la durante o auge da sua fertilidade.

E se, por um lado, existe valor moral em ser voluntariamente celibatário, existe muito pouco em ser-se involuntariamente celibatário. A verdade é que a via ascética é, e sempre foi, um caminho adequado para uma pequena minoria. A maioria dos homens não nasceu com essa vocação, e numa era sã, estariam casados e com famílias. Acontece que esse caminho é cada vez mais difícil, e exige ainda mais virilidade para o atingir. Exige, na verdade, um esforço continuado para manter a mulher fora da esfera de influência do Demónio.

Que uma maioria dos homens de valor, com princípios, com uma ideia de como a sociedade deve funcionar, siga uma via ascética (voluntária ou involuntariamente), não é um caminho para a restauração, não é um alicerce para o futuro. Mesmo quando é moralmente impecável, não oferece qualquer saída para o buraco em que nos encontramos. Pelo contrário, ajuda a que a situação piore ainda mais rápido, pois não coloca qualquer entrave a que as mulheres cumpram a sua natureza hipergâmica, e desperdicem a sua beleza e fertilidade em busca do ideal hedonista.

A sociedade moderna é repleta de paradoxos morais. Um deles, talvez o maior, é que para voltar a estabelecer uma ordem natural e moral na sociedade, o homem tem de estabelecer um domínio sobre o imperativo feminino sem ter qualquer ferramenta legal ou social, mas unicamente a sua narcismasculinidade. Para dominar a mulher num clima de libertação sexual, o homem não pode simplesmente oferecer-lhe o que oferecia no passado pois praticamente tudo pode ser adquirido sem um homem. Desde o conforto material que o emprego lhe oferece até à atenção masculina das hordas de homens sexualmente frustrados obtida através das redes sociais. Só a virilidade da liderança, da tutela do homem, e o sexo, a atracção primária, não pode ser adquirida sem ele. Se um homem for casto, e a mulher não for (e tudo a impele a que não seja), ela nunca o respeitará e com a grande loteria do divórcio, que favorece desproporcionalmente as mulheres, o homem não terá qualquer hipótese de estabelecer domínio sobre a mulher. Pelo contrário, acabará figurativamente castrado.

As mulheres são naturalmente subordinadas ao homem, e portanto as suas atitudes são, mesmo neste clima tóxico, subordinadas ao que os homens na sua vida lhes permitem. Mas isto acarreta uma responsabilidade, um esforço, um peso sobre os ombros que muitos não querem tomar. Esta masculinitynegação da realidade vai do indivíduo às instituições, em especial no campo do tradicionalismo. A verdade é que por muito que vejamos as várias mentiras que o sistema lucra em nos vender e nos rejeitemos a comprá-las, há sempre uma parte de nós que quer voltar ao conforto da mentira. E a primeira mentira que insistimos em consumir é a de que podemos esperar a mesma força moral das mulheres que esperamos dos homens; que podemos confiar no cumprimento das regras quando já não existe árbitro ou penalização pelo seu não-cumprimento. A mulher submissa e casta era um produto, não da sua biologia, mas das circunstâncias legais e sociais em que se encontrava. Circunstâncias que já não existem, mas que pelo contrário são em tudo opostas às que mantinham esse santo equilíbrio.

O conforto da mentira é apelativo, porque não exige esforço, intelectual, moral ou físico. Em nenhum campo isto é mais observável do que nas relações entre os sexos. Queremos ainda acreditar que o contexto em que vivemos é o mesmo que vem descrito na Bíblia, e que portanto podemos aplicar as mesmas estratégias e obter os mesmos resultados. Ignoramos voluntariamente que o Demónio é um íntimo conhecedor da escritura, e que a sua estratégia é encaminhar o mundo para as ambiguidades dos versos, criar situações não explicitamente descritas, onde as prescrições não geram os efeitos desejados, pois o contexto mudou, e assim desencaminhar as almas do caminho recto ou votando as que não desencaminha à total impotência e sofrimento.

Não é pois surpreendente que tantos jovens se afastem da Igreja, quando esta ignora com violência a realidade fora das suas portas, apontando um caminho onde agora só existem obstáculos e sugerindo acções que geram o efeito contrário daquilo que deviam gerar. Não é de admirar que tantas famílias católicas votem os seus filhos ao celibato involuntário e as suas filhas à promiscuidade radical (um meme vivo do mundo moderno, observável por todo o mundo ocidental). O fariseismo na questão da sexualidade tem o mesmo efeito que qualquer forma de fariseismo: afastar as almas da verdade, focando-se nas regras, em vez de no espírito. E a total fifty.jpgefeminação da Igreja é por demais óbvia precisamente no catecismo sobre o casamento e a sexualidade. As mulheres são chamadas a serem submissas aos seus maridos, mas apenas na medida em que os homens ‘amam as suas esposas como Cristo à Igreja’, e a interpretação, claro, vem directamente da mulher: se o homem não faz a mulher ‘sentir-se’ amada, então este não merece a sua submissão. A Igreja moderna sublinha este absurdo mantra da cultura pop, de que o amor é um sentimento, em vez de uma acção. E naturalmente, no campo dos sentimentos, a mulher tem todo o poder. E enquanto castigam os homens pela sua libido, mesmo quando não tem qualquer escape moral, desculpam às mulheres a sua constante procura por atenção masculina ou as suas fantasias em forma de romances degenerados.

Os homens modernos não podem esperar, ou procurar, uma esposa. Têm de exercer a sua masculinidade para fazer esposas das mulheres que se cruzam no seu caminho – e mais, exercê-la continuamente para que elas se mantenham esposas. Da mesma forma que não podem encarar o contexto sexual de um ponto de vista hedonista, procurando apenas o prazer imediato, não podem encará-lo de uma perspectiva beata e formalista, obedecendo a regras de um jogo que deixou de ter regras há muitas décadas. Os homens têm de estar preparados e dispostos a procurar e abordar mulheres para fazer de uma delas a sua esposa – longe vão os tempos em que podia confiar no círculo social, nas relações de proximidade, para encontrá-la, e longe vão os tempos em que a primeira que lhe surgisse daria uma esposa obediente e cristã. E têm de estar preparados para abandonar a relação, não por razões egoístas, mas porque o clima presente é necessariamente um de tentativa e erro, e nada mostra melhor a superioridade e virilidade do que ter opções e estar disposto a sair quando a mulher não cumpre com a sua submissão. A natureza biológica da mulher impede-a de apreciar a força do compromisso masculino, a sua dedicação ou até mesmo a Lei – e sem forças externas como a tutela familiar, a influência da Igreja ou leis que a contenham, é necessário que o homem tome as rédeas, sozinho, e imponha a ordem natural ditada por Deus.

De todos os episódios bíblicos, nenhum é mais ilustrativo da natureza feminina do que a insubordinação da Eva perante o mandamento divino. Se a mulher não pode ser confiada para se adam and eve.jpgmanter fiel a Deus, quanta negação e ilusão é necessária para se acreditar que, sem constante supervisão e acção, num mundo em que a serpente está presente em cada esquina, se mantenha fiel ao homem?

O homem de princípios tem de encarar a relação presente entre os sexos como uma guerra, e numa guerra nem todos os mandamentos podem ser perfeitamente seguidos. Se forem, é a garantia da derrota. Para isto se desenvolveu o conceito Cristão de ‘guerra justa’. A guerra entre os sexos é real e fugir à batalha não é uma opção se o objectivo é voltar à sanidade social, à ordem natural, ao casamento Cristão.

Uma mera formalidade

A barbárie Islâmica continua a assolar a Europa. Os detalhes são irrelevantes. Por muito que a imprensa queira ofuscar a origem dos ataques terroristas ou desculpabilizar os responsáveis, só behead-those-who-insult-islammesmo quem insiste em fechar os olhos não sabe. Quem é que, com dois dedos de testa, com o mínimo de atenção e o mínimo de honestidade acha que se deve continuar a importar hordas de árabes, magrebinos e africanos que professam o Islão? Quem é que, na posse das suas faculdades mentais, ainda acha que o Islão é uma religião de paz e que o elemento de conquista é a excepção e não a regra? Ninguém. Quem era passível de ser instruído já o foi. Pelo que é irrelevante para a Direita martelar mais uma vez o assunto.

No entanto, dada a frequência da barbárie, este martelar tornou-se uma fonte de popularidade, de rendimento e mediatismo. Da mesma forma que a Esquerda utiliza os eventos para pregar o seu demónico evangelho, o virtue-signaling da Direita é exclamar, uma e outra vez, o óbvio ululante. É pena porque é uma evidência que ofusca o verdadeiro problema.

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Wilders: “Basta de selvagens castanhos que violam miúdos“; Also Wilders: “Temos de defender os nossos pederastas da selvajaria Islâmica“. Hum… ?

De certa forma, é compreensível. A Direita já não ganha há muito: a sua existência é unicamente reactiva perante qualquer que seja a obsessão da Esquerda no momento – e a Esquerda, que é patrocinada pelas elites financeiras com os seus propósitos particulares completamente

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Espécimes da Raça Ariana.

desligados dos interesses dos nativos e dos imigrantes, está permanentemente investida num exercício de gaslighting da população sem precedentes. A cada atentado, a Esquerda (que inclui a imprensa, as universidades, o governo, os think thanks, etc.) jura-nos que o Islão é uma religião de paz, que os atentados nada têm a ver com a importação desta cultura para a Europa, que criticá-la é ser xenófobo e que, em última instância, encontrar um padrão em todos estes eventos apenas demonstra o quão odiosos são os críticos. Perante isto, a Direita arranca para a refutação de todas as permissas da Esquerda, e assim permite que ela dite o tom e o conteúdo do discurso.

A Esquerda sendo o que é, e patrocinada por quem é, vê apenas as consequências e causas materiais. Nem importa que minta. A refutação das suas mentiras não desliga a crítica da mundividência materialista. Além disso é muito mais fácil atacar os outros do que olhar para dentro, admitir as nossas falhas e superá-las. Se a Esquerda decidiu olhar para dentro e aceitar tudo o que há de mau como sendo bom, a oposição decidiu ignorar o pântano que é a alma europeia e apontar o foco para fora, como se fosse possível que os elementos exteriores nos afectassem como afectam sem que houvesse subversão interna.

É importante perceber a verdadeira origem do problema, que não são os bárbaros estrangeiros mas os nativos moralmente apáticos. Eu não vejo nenhuma outra civilização a convidar bárbaros para as suas nações, a dar-lhes casa, comida e abrigo. Nenhuma outra raça tão apática que após cada atentado defende as suas causas e que continua a insistir em convidá-los. Quantos dos que morreram em Espanha apoiavam os ‘refugiados’? Quantos não apoiando ficaram calados? Quantos permitiram ou estiveram-se a marimbar para o facto de as suas crianças sofrerem lavagens cerebrais na escola para que os aceitem?

Morreram 14 pessoas no atentado espanhol. Entretanto houve mais uns quantos, noutros sítios. Mas quantos abortos foram perpetrados nesse espaço de tempo? Quantas vidas pereceram às mãos dos próprios Europeus, com subsídio público e indiferença da população?

No Twitter alguém perguntava, perante a notícia de que o jihadista que cometeu o atentado já tinha anunciado o seu propósito, ‘como é que é possível continuarem a ignorar?‘. A resposta é simples: apatia. Se o jihadista tivesse dito que queria ilegalizar a pornografia tinham-lhe prestado atenção e feito protestos.

Se o problema fosse só um de invasão, era fácil de resolver. Infelizmente, o problema é muito mais profundo. A ameaça física que os bárbaros Islâmicos apresentam é insignificante comparada com

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Mais espécimes da Raça Ariana.

a aniquilação espiritual a que os europeus se votaram a si mesmos. O Homem Europeu tem como único deus o hedonismo. Enquanto lhe permitirem refastelar-se nos seus pecados, é-lhe completamente indiferente se bárbaros estrangeiros matam os seus compatriotas, violam as suas mulheres e crianças ou destroem as suas cidades. A sua lealdade é direccionada apenas para o seu prazer imediato. Pelo que até os críticos do Islão e da sua entrada na Europa estão simplesmente focados na sua remoção e julgam que, uma vez removido o elemento Islâmico, a Europa pode continuar na sua depravação hedonista e tudo correrá pelo melhor.

Os avisos foram-nos dados mas decidimos não os ouvir. Os antigos Israelitas cometeram o mesmo erro, tiveram a mesma presunção e sofreram as mesmas consequências:

«Todas estas maldições vos seguirão e vos alcançarão até que sejam destruídos — tudo por terem recusado ouvir o Senhor vosso Deus. Estes horrores cairão sobre vocês e os vossos descendentes como um sinal. Tornar-se-ão escravos dos vossos inimigos, por causa de não terem louvado o Senhor por tudo o que vos deu. O Senhor mandará os vossos inimigos contra vocês; vocês terão fome, sede, frio e necessidades em todos os domínios. Um jugo de ferro será posto no vosso pescoço, até que sejam destruídos.

O Senhor trará contra vocês uma nação distante que vos cairá em cima como uma ave de rapina; uma nação cuja língua não compreenderão — gente feroz e furiosa que não terá compaixão nem de velhos nem de novos. Eles comerão tudo o que é vosso em casa e nos campos; levar-vos-ão todo o gado e as colheitas; desaparecerão os cereais, o vinho novo, o azeite, as crias das vacas e das ovelhas. Essa nação sitiará as vossas cidades e derrubará as muralhas, por mais altas que sejam e por muito que pensem que vos protegem seguramente.» (Deuteronómio 28:45-52)

A história está a repetir-se porque os Europeus, tal como os antigos Israelitas, elevaram as suas invenções e prazeres terrenos acima de Deus e dos seus mandamentos. A incrível disfuncionalidade das nossas sociedades deriva deste facto, e faz-nos a cada dia mais fracos, mais solipsistas, menos humanos, e a nossa fraqueza torna-nos presas fáceis para os bárbaros. «Quem tem apego à sua vida vai perdê-la; quem despreza a sua vida neste mundo vai conservá-la para a vida eterna» (João 12:25). A alma do Europeu comum está perdida. A morte física trazida pelos bárbaros é uma mera formalidade.

O colapso de quê?

«This is the arresting and dominant fact about modern social discussion; that the quarrel is not merely about the difficulties, but about the aim. We agree about the evil; it is about the good that we should tear each other’s eyes out. (…) The social case is exactly the opposite of the medical case. We do not disagree, like doctors, about the precise nature of the illness, while agreeing about the nature of health. (…) I maintain, therefore, that the common sociological method is quite useless: that of first dissecting abject poverty or cataloguing prostitution. We all dislike abject poverty; but it might be another business if we began to discuss independent and dignified poverty. We all disapprove of prostitution; but we do not all approve of purity. The only way to discuss the social evil is to get at once to the social ideal

G. K. Chesterton, What is wrong with the world, 1910

Lendo o excerto acima (e, de preferência, o livro de onde é retirado e de que é só uma introdução), podemos observar que a situação do discurso político não se alterou em natureza, apenas em grau. Dizer, por exemplo, que hoje todos desaprovamos a prostituição é obviamente falso, quando a Esquerda decidiu abraçar todas as formas de degeneração possível – e a prostituição, comparada com algumas das novas causas da Esquerda, é um mal menor. E no entanto, continua a ser verdade que se concorda, mais ou menos, nos problemas sociais que existem, na medida em que se pode ter a discussão. Atingimos, porém, um ponto da discussão em que, dos partidos às escolas passando pelos meios de comunicação e pelas universidades (os vários tentáculos do mesmo monstro), não só não se concorda sobre as soluções, não se mantém sequer qualquer pretensão (em nenhuma das facções) de haver um ‘ideal’ social.

E no entanto, esse ideal existe. E não só existe como é a religião que enforma o mundo moderno há 300 anos (mais ou menos), a que podemos chamar Religião Salvacionista Democrática. Antes heres-what-donald-trump-supporters-really-believe.jpgde me aventurar nas consequências da RSD, vou explicar os três pilares da mesma: a RSD é uma Religião no sentido de um sistema cultural de práticas e comportamentos centrados numa colecção de valores e crenças (‘Liberdade, Fraternidade, Igualdade’ – ou LFI), com comemorações e instituições (escolas, universidades; dias internacionais; etc) e dogmas. Mesmo sem um ‘deus’ a RSD tem as suas premissas irredutíveis, e quando se investiga as suas origens descobre-se que só podem ter revelação divina, pois não são certamente susceptíveis de discussão racional. São crenças, no sentido básico do termo. Análogas à crença em Deus. A RSD é salvacionista porque acredita que todos os homens podem ser salvos, através da sua particular sopinha ética (a trindade da LFI), rejeitando qualquer ideia de pecado e punição (na essência, o único pecado é não acreditar e não agir em conformidade com a RSD-LFI). Por fim é Democrática porque é o único sistema político onde é possível pôr em prática a trindade da LFI, e a partir da qual se promovem as características salvíficas da mesma.

Existe uma frase célebre sobre o Demónio em que se afirma que o seu maior truque foi convencer as pessoas de que não existia. O mesmo pode ser dito da RSD. A RSD não se identifica como tal, nem clama existir – mas é indiscutível que existe, e que os seus tentáculos infiltraram o tecido social nas suas variadas camadas, incluindo as camadas do inimigo (as Igrejas Cristãs tradicionais). Em certa medida, o Protestantismo foi a primeira encarnação da RSD.

A RSD é, pois, uma rejeição do ideal de uma sociedade cristã, em que todos os seus conceitos – de autoridade, liberdade, propriedade e justiça – são reapropriados e virados do avesso e kitsappride2015HappyPride.jpgresultam na absoluta licensiosidade e defesa do abominável e na perseguição feroz a quem se atreve a julgar a abominação.

Visto que a RSD elevou a Ciência a um dos seus dogmas (essencialmente o que distingue a Ciência do Cientismo – se calhar deviamos mudar a sigla para LFIC), vamos analisar como a RSD se comporta de um ponto de vista evolucionário, isto é, se a RSD contribui para a perpetuação da espécie. Para isso, olhemos para o problema do declínio populacional.

Há anos que se sabe que as sociedades ‘civilizadas’ (as infectadas pela RSD) têm uma taxa de natalidade abaixo do necessário para manter a população presente. Simplesmente, não se produzem crianças suficientes. Se a tendência se mantiver, eventualmente o ‘homem europeu’ deixará de existir. As Nações Unidas, estando unicamente interessadas na sustentabilidade económica e na perpetuação da RSD (sendo a pedra ideológica em que se fundam), têm um plano para a sua resolução: Emigração de Substituição. O que isto significa é que a solução, do ponto de vista dos sacerdotes da RSD, é simplesmente importar pessoas de fora, de etnias e culturas distintas da população original, que se reproduzam e mantenham uma base tributária.

As razões para a solução proposta são discutíveis. A minha interpretação é que a liderança da RSD têm uma concepção (errónea, mas não ingénua) de igualdade entre os povos e as culturas; essa falta de ingenuidade baseia-se no facto de que os povos e culturas que querem importar são atrasadas (em comparação com as europeias) e que as populações associadas têm, em média, QIs mais baixos. Serão portanto, ou pelo menos imagina-se que sejam, mais fáceis de controlar. O objectivo de um mundo Orwelliano (o objectivo da RSD) é muito mais facilmente atingível com uma população intelectualmente diminuída, com nenhuma tradição de respeito pelo valor do

migrants
“aquilo são dois homens aos beijos? ó diacho!”

indivíduo. O objectivo é ter eleitores/consumidores ignorantes, que permitam a continuação do sistema, que mantenham uma situação de caos (que “requer” uma vigilância constante) na rua, mas não possuam a capacidade de abstracção e organização que os povos europeus possuiam (e, imagina-se, possuem ainda em potência) para contestar os planos dos líderes da RSD de controlo total. Embora, admita-se, haja algumas indicações de que a situação talvez não seja assim tão simples, e que dadas as décadas de propaganda da RSD-LFI a que o Ocidente foi sujeito, talvez seja mesmo entre as populações mais primitivas que se encontre alguma resistência. É possível que a esperança esteja mesmo nos proles, embora no panorama global os proles sejam, não o estrato mais baixo da sociedade, mas as culturas mais primitivas, precisamente por serem mais primitivas e, logo, menos susceptíveis de engolirem a propaganda da RSD.

Seja como for, é claro que este objectivo e esta solução devem ser rejeitadas por qualquer pessoa europeia interessada em resgatar a cultura europeia pré-RSD, mas servindo um pouco de advogado do Diabo, esta solução não é tão descabida como parece, no sentido de adereçar o problema de forma racional. Afinal, é um facto que as etnias e culturas europeias deixaram de ser capazes de se reproduzir. Do ponto de vista da RSD, são precisas pessoas, mas é irrelevante para eles que pessoas populam os países europeus (afinal, a Igualdade é um dos seus dogmas). Mas que cultura na realidade existe na Europa? O consumismo? A licensiosidade? A tolerância suicída? O poder popular? O que existe, então, de bom para conservar? E se não existe nada, como argumentar contra esta solução? Os que rejeitam a Islamização ou Africanização da Europa em defesa da cultura do presente (que é uma cultura da RSD) não estão a defender nada a não ser um suicídio lento. ‘Deixem-nos morrer em paz na nossa vacuidade; deixem-nos ir para o Inferno ao nosso ritmo‘ – é, na essência, a sua posição. Uma posição em concordância com os dogmas da RSD – a ‘oposição controlada’.

Ou seja, quer se aceite a solução das elites globais ou não, o problema continua a existir. Mesmo sem esta solução final que vemos todos os dias praticada, mesmo sem a importação em massa de estrangeiros do terceiro mundo, os europeus continuam escravos da cultura da RSD que conduz à sua própria aniquilação (só os acólitos da RSD acham que é um acaso que a aniquilação moral do homem europeu ande de mãos dadas com a aniquilação física). Neste momento, os governos europeus dividem-se entre os que não querem incentivar a população nativa à reprodução (mais a oeste), e os que querem e incentivam (mais a leste), para atenuar ou reverter esta situação aberrante. Mas o simples facto dos europeus precisarem de incentivos fiscais e financeiros para a sua própria renovação populacional mostra o quão a civilização europeia está perdida. Em termos evolucionários, é uma experiência falhada. Mas que experiência?

A experiência é a RSD-LFIC.

Como já referimos, vários eventos históricos podem ser apresentados como catalisadores da RSD (por exemplo, a substituição do Feudalismo pela Monarquia Absoluta ou a Reforma Protestante). Mas talvez seja mais adequado apontar as revoluções liberais como a origem desta experiência e que são, em última instância, as responsáveis por esta degeneração civilizacional – afinal, a RSD não existe sem o patrocínio do poder político e foram as revoluções liberais que lhe deram a hegemonia (a história, afinal, é escrita pelos vencedores e a RSD teve as suas grandes vitórias políticas nas revoluções liberais). Chamando Chesterton de volta à conversa: «We often read nowadays of the valor or audacity with which some rebel attacks a hoary tyranny or an antiquated superstition. There is not really any courage at all in attacking hoary or antiquated things, any more than in offering to fight one’s grandmother» As revoluções liberais foram muito simplesmente essa revolta torpe e fácil contra a avó civilizacional. Não deixa de ser curioso que os mais acérrimos e ortodoxos defensores da RSD, completamente dentro da doutrina, se considerem parte da resistência.

A civilização europeia deixou de acreditar em Deus para passar a acreditar no Homem. Por outras palavras, e para voltar ao início do texto, a RSD substituiu o ideal antigo pelo seu avesso. E as consequências eram previsíveis.

É por isso importante sublinhar uma vez mais que a RSD não é a ausência de religião, mas uma religião em si mesma. E que como não podia deixar de ser, é intolerante para com os heréticos que questionam os seus dogmas. Nunca nenhuma sociedade humana existiu sem um paradigma picture-pledge-of-allegiance-praying-to-the-statereligioso e sem a garantia legal dos seus dogmas, e a nossa não é excepção. A diferença é simplesmente no objecto de culto. O caso só não é claro porque a RSD tem uma tendência natural para a dissonância cognitiva (daí o efeito curioso exemplificado no video linkado acima), e postula a sua religião como a sua ausência. Mas não é possível substituir algo por nada. O motor humano pode ser abastecido com diferentes combustíveis, mas não anda se estiver vazio. A RSD, portanto, não aboliu a religião, apenas substituiu a antiga por uma nova – um espelho perverso onde tudo o que era bom e desejável é agora vil e execrável e vice versa. Para citar Chesterton novamente (ou talvez não): «When men choose not to believe in God, they do not thereafter believe in nothing, they then become capable of believing in anything.»

Acontece que esta particular religião é inerentemente auto-destrutiva. Todas as suas premissas resultaram em suicidárias consequências. O “poder do povo” não só nunca o foi como resultou nos sistemas mais opressivos, onde o homem comum é mais controlado e indefeso perante o poder, do que em qualquer regime aristocrático – onde a distinção entre governantes e governados é clara e largamente inalterável. O cientismo/secularismo, em vez de libertar o democracy_o_838073.jpghomem do fanatismo e promover o pensamento livre, construiu gerações e gerações de IYIs (Intellectual Yet Idiots), confundindo as sombras pela realidade; e, no panorama da plebe, criou uma intolerância perante qualquer crítica ou julgamento em que já não é possível inquirir se existe alguma diferença entre a sombra na parede e a realidade reflectida – em suma, numa aceitação sem escrutínio de todos os vícios e pecados, e com isso uma imparável tendência para degeneração moral e física. A igualdade e a fraternidade, em vez de harmonizarem as diferentes naturezas e capacidades, ao ignorá-las criaram antagonismos ferozes que resultam numa guerra de todos contra todos (filhos contra pais, mulheres contra maridos, alunos contra professores, funcionários públicos contra privados) e que em termos geopolíticos resulta na guerra total (lembrar que o único regime a lançar uma bomba atómica foi exactamente aquele que representa o auge e a consagração da RSD). Em nenhum outro tópico, no entanto, isto é tão óbvio como na relação entre os sexos. O pináculo da RSD é a incapacidade dos seus aderentes de se reproduzirem.

Por isso o pessimismo talvez seja inevitável, mas não totalmente justificado. O colapso é eminente, mas o colapso de quê? Da RSD – e dos seus dogmas LFIC. Os valores ancestrais da honra, da

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Capítulo importante na história LGBT

autoridade, da razão e da caridade são ancestrais por alguma razão. Não são arbitrários (apesar de, em certa medida, não serem naturais e requererem esforço e cuidado). A aberração da RSD é apenas uma pequena intermissão. Como na história de Sodoma e Gomorra, as sociedades controladas pela RSD serão destruídas por força maior (quer se ache que é justiça divina ou simples consequência da sua irracionalidade, ou como eu, se ache que ambas são essencialmente a mesma coisa).  Salvar-se-á quem repudiar e abandonar a RSD. Quem olhar para trás, porém, arrisca-se a transformar-se numa pilha de sal.