O Problema da Fundação

«O Temor do Senhor é o princípio da sabedoria e a inteligência é a ciência dos santos.» (Provérbios 9:10)

«Assim, toda a árvore boa produz bons frutos, e toda a árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa dar maus frutos; nem a árvore má dar frutos bons. Toda a árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo. Portanto, pelos seus frutos os conhecereis. Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade do meu Pai que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizámos nós em teu nome? e em teu nome não expulsámos demónios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi, abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade. Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha; E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha. E aquele que ouve estas minhas palavras, e não as cumpre, compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia; E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda.» (Mateus 7:17-27)

Nenhum movimento sobrevive sem unidade e em especial sem unidade filosófica. Sem uma mundividência partilhada, a tendência será sempre para a luta interna e, eventualmente, para a cisão. E um movimento com cisões é incapaz de levar a cabo as suas aspirações. Mas ainda mais importante é que essa fundação seja sólida, pois apenas sobre ela se pode construir um edifício resiliente. Aqui pretendo defender que só a mundividência Cristã pode providenciar esta fundação para a ampla e ainda vaga afiliação de vozes que, tendo em conta os objectivos expressos, podemos considerar da ‘Direita Dissidente’, e demonstrando que as outras fundações são insuficientes, prejudiciais e, em alguns casos, incoerentes com as consequências prescritivas a que são associadas.

Tendo seguido e investigado as várias vozes que podemos considerar como parte desta Direita consigo identificar três grupos, nos quais existe obviamente alguma sobreposição, mas que em termos fundacionais merecem ser mencionados em separado: os tradicionalistas perenialistas, os nacionalistas/identitários e os tradicionalistas Cristãos. Encontrando-me neste último grupo, e fazendo a apologia dele, tratarei das virtudes da sua fundação em comparação com as fundações dos outros dois.

Observando os principais blogs que representam estas três ‘facções’ há algum tempo e mergulhando nos seus arquivos, fiquei com a ideia que, dos três grupos, a ausência de fundação é observada maioritariamente nos nacionalistas/identitários, em que não só não existe uma mundividência base que seja partilhada, mas ainda mais grave, em alguns casos não existe uma preocupação em expor ou estabelecer essa mundividência. Há um imediatismo neste grupo que, embora tenha os seus méritos, põe de lado a questão fundacional e se preocupa somente em reagir a eventos, notícias ou ideias da modernidade. Nessas reacções está necessariamente subjacente uma visão do mundo, premissas antropológicas e ontológicas – mas estas nunca são explicitamente apresentadas ou explicadas, e não é claro que sejam reconhecidas pelos seus promotores. Em alguns casos, por serem inconscientemente professadas, acabam mesmo por ser contraditórias com as prescrições, dependendo da manifestação particular de texto para texto.

Embora exista algum tipo de unidade em relação a questões particulares, em especial a oposição à imigração, tudo o resto é difuso porque as questões de fundação filosófica não são postuladas. Sendo que a mundividência relativista já é o status quo fundacional do Ocidente, não me surpreende que, mesmo postulando valores que só podem ser compreendidos numa ética Cristã, muitos se considerem ateus ou perenialistas. Note-se que eu leio frequentemente, e já recomendei, uma boa parte das pessoas de quem estou a falar. Não é pois uma crítica, é uma exortação.

Antes de entrarmos a fundo na análise, observemos algumas dicotomias absolutamente absurdas que ilustram o vazio fundacional. Há quem seja ardentemente pró-Israel, e quem ache que o mundo é controlado por um cabal judaico (sendo o Cristianismo a maior conspiração de todos os tempos) – ambas as posições, a meu ver, demonstrando uma ignorância (ou malícia) risível. Vamos assumir que não é malícia, mas simplesmente ignorância. Os blogs (supostamente Cristãos) ardentemente pró-Israel e pró-Judeus fazem uma crónica ininterrupta dos males do Islão, nunca abrindo a boca sobre o papel dos Judeus na promoção da invasão Islâmica do Ocidente, as atrocidades cometidas pelos Israelitas ou as circunstâncias históricas em que o Estado se formou, a influência do Sionismo e dos judeus na propagação do relativismo no Ocidente, ou sequer reconhecendo as razões mais profundas, morais, da invasão islâmica que tanto criticam. Ou seja, proclamando-se Cristãos, são na prática meros materialistas e, na sua ardente defesa dos Judeus dos nossos dias, revelam que nunca leram a Bíblia com atenção. Os blogs anti-Israel, por seu turno, vivem obcecados com os judeus de tal forma que lêem o Novo Testamento (assumindo que o leram) e acham que Jesus de Nazaré foi um Sayanim da antiguidade, enviado para enganar os gentios. Ambas as posições são patentemente absurdas. No entanto, ambos os lados são considerados parte deste mesmo movimento – seria interessante ouvir um debate entre os representantes, mas isso é outra história – e a razão para o serem é porque concordam com prescrições específicas para problemas concretos (sobretudo, a oposição à imigração). Termino este parágrafo dizendo apenas que tanto os partidários da teoria de que o Cristianismo é uma conspiração judaica como os Cristãos que são ardentemente pró-Israel estão para lá de qualquer razão ou argumento – e digo isto por experiência. A insanidade dos anti e o sabujismo dos pró tolda-lhes a visão. Aos segundos, custa-me não atribuir também segundas intenções ou malícia, mas não importa muito explorar o fenómeno neste texto.

Tentemos, pois, encontrar as fundações subentendidas nas duas estirpes não-Cristãs.

Para os perenialistas a fundação é, à superfície, mais semelhante à Cristã, pois é de origem transcendental. No entanto, esta filosofia afirma que todas as tradições religiosas são apenas manifestações diferentes da mesma ideia, da mesma verdade metafísica. Assim, o Deus do Zoroastrismo ou o ‘motor imóvel’ de Aristóteles seriam apenas diferentes manifestações do Deus da Bíblia. E igualmente as doutrinas de um e de outro serão igualmente manifestações esteticamente distintas mas metafisicamente semelhantes – e todas portanto com a mesma validade e das quais se poderão inferir as mesmas implicações éticas. Usei os exemplos mais próximos (ao invés de, por exemplo, o Hinduísmo) precisamente porque, mesmo sendo na aparência mais semelhantes (afinal, são uma ou outra forma de monoteísmo), se pode mostrar que na verdade não existe equivalência, e que estas não são manifestações diferentes da mesma ideia, mas ideias distintas, com distintas consequências teóricas e práticas. Antes de apontar aquilo que distingue estas concepções da concepção Cristã, convém salientar que não disputamos a ideia de que as várias culturas e tradições religiosas chegaram a algumas conclusões práticas semelhantes – da mesma forma que as várias vozes dissidentes do nosso dia chegam também às mesmas conclusões apesar das suas fundações metafísicas distintas. Assim, por exemplo, quase todas as tradições religiosas, sobretudo aquelas que fundaram civilizações dignas desse nome, foram patriarcais, reconheciam a propriedade privada e restringiam a liberdade sexual. São Paulo, falando aos Pagãos Romanos, afirma: «Com efeito, quando há gentios que, não tendo a Lei, praticam, por inclinação natural, o que está na Lei, embora não tenham a Lei, para si próprios são lei. Esses mostram que o que a Lei manda praticar está escrito nos seus corações, tendo ainda o testemunho da sua consciência tal como dos pensamentos que, conforme o caso, os acusem ou defendam.» (Romanos, 2:14-15). Ou seja, Deus imprimiu em todos os homens a capacidade de discernir formas de conduta e de organização social desejáveis. Mas dizer que a Lei é discernível não remove a necessidade da sua revelação, tal como o facto de sabermos que moderar a velocidade é benéfico não remove a necessidade de conhecer o Código da Estrada.

O monoteísmo do Zoroastrismo e o monoteísmo do ‘motor imóvel’ não são iguais ao monoteísmo Bíblico, e as diferenças são logo encontradas na fundação. A antiga religião Persa afirma uma concepção divina, ontológica e antropológica dualista, em que o Bem e o Mal são forças equivalentes em constante fricção e à procura de equilíbrio – e em que tanto o ‘deus bom’ como o ‘deus mau’ existiam previamente à Criação: «Ahura Mazda spake unto Spitama Zarathushtra, saying: I have made every land dear (to its people), even though it had no charms whatever in it: had I not made every land dear (to its people), even zoroastrianism-symbol.jpgthough it had no charms whatever in it, then the whole living world would have invaded the Airyana Vaeja. The first of the good lands and countries which I, Ahura Mazda, created, was the Airyana Vaeja, by the Vanguhi Daitya. Thereupon came Angra Mainyu, who is all death, and he counter-created the serpent in the river and Winter, a work of the Daevas.» (Vendidad, Fargard 1:1-2). Por cada coisa boa que Ahura Mazda (o deus bom) cria de benéfico, o seu contraparte maléfico, Angra Mainyu, cria o seu oposto: «The second of the good lands and countries which I, Ahura Mazda, created, was the plain which the Sughdhas inhabit. Thereupon came Angra Mainyu, who is all death, and he counter-created the locust, which brings death unto cattle and plants. The third of the good lands and countries which I, Ahura Mazda, created, was the strong, holy Mouru. Thereupon came Angra Mainyu, who is all death, and he counter-created plunder and sin.» (Vendidad, Fargard 1:4-5).

Algo completamente distinto é-nos contado na história da Criação Bíblica, em que Deus Cria ex nihilo (isto é, nada existia antes além Dele), e em que o mal é simplesmente a rebelião de seres criados contra a sua autoridade. O Mal, portanto, não tem existência ontológica no Cristianismo, mas é simplesmente a ausência do Bem – e o Homem não foi criado com duas naturezas, mas com uma: uma natureza que a sua desobediência corrompeu. Isto pode parecer insignificante mas não é: na concepção Zoroastra o Mal já existia, e é uma de duas escolhas possíveis; na concepção Cristã existe obediência ou desobediência à Lei, adesão ou não-adesão ao Bem. Voltando à analogia do Código da Estrada, o Zoroastrianismo diz-nos que, na génese, há dois Códigos, o bom e o mau – e que devemos seguir o ‘bom’ porque gera boas consequências e evitar o ‘mau’ por gerar as más; no Cristianismo existe apenas um Código, o Bem, e é da nossa desobediência que surgem as más consequências, o Mal.

Também o ‘motor imóvel’ não é o Deus da Bíblia, mas algo mecânico e impessoal que ‘põe as coisas em movimento’: «Since this is a possible account of the matter, and if it were not true, the world would have proceeded out of night and ‘all things together’ and out of non-being, these difficulties may be taken as solved. There is, then, something which is always moved with an unceasing motion, which is motion in a circle; and this is plain not in theory only but in fact. Therefore the first heaven must be eternal. There is therefore also something which moves it. And since that which moves and is moved is intermediate, there is something which moves without being moved, being eternal, substance, and actuality.» (Metaphysics, Book 12, Part 7). Mas se Deus não é pessoal nem a Criação é o produto da sua acção, a Lei não existe como algo transcendente que nos foi revelado – mas torna-se um mero artifício humano, uma heurística, desenvolvida pelos mecanismos naturais derivados do primeiro movimento.

Pode questionar-se a relevância destas considerações para as questões mais concretas com que nos deparamos, mas a fundação determina não só a resiliência do edifício mas também a forma que esse edifício toma. Estas noções de ‘equilíbrio’ entre Bem e Mal creation_left_lg(existente nas concepções orientais do divino tão promovidas no Ocidente moderno) e do ‘motor imóvel’ (de que a teoria do Big Bang é um exemplo) são partes importantes da mundividência maçónica/gnóstica que tomou conta do Ocidente nos últimos séculos, e é sobre elas que as nossas sociedades são erigidas. Não admira, pois, que o edifício esteja a ruir. Ambas as fundações, embora na aparência monoteísticas, levam directamente ao relativismo. A abertura da teologia Cristã a estes conceitos antagónicos, numa tentativa de ‘ecumenismo’ e ‘sincretismo’, foi uma das principais razões para esta degeneração fundacional na civilização Ocidental. Não é um acaso que quando a consciência da fundação Cristã, da Criação ex nihilo e da Lei como revelação, foi apagada no Ocidente, se deixou de prestar tributo à dignidade humana inerente e se começou a achar que todas as formas de viver são certas.

Tornamo-nos agora para os identitários. Alguns subscrevem uma forma ou outra de neopaganismo como fundação supostamente transcendental – e digo supostamente porque, na maioria das vezes, é somente uma rejeição do Cristianismo do que uma convicção noutra forma de espiritualidade e fundação, uma forma de procurar algo que o ateísmo, por si mesmo, não oferece (e saúdo-lhes, pelo menos, o reconhecimento deste facto – embora, como vamos ver, não o sigam até à sua conclusão última). É, além disso, difícil analisar as premissas dos neo-pagãos porque, na verdade, não existe uma teologia coerente mesmo quando procuram essa fundação. Nas minhas observações noto que os vários neo-pagãos resume-se simplesmente à ideia de preservar a tribo a que pertencem e simultaneamente ao darwinismo social. Por isso esta análise é, não tanto de um ou vários neo-paganismos (que, na realidade, são apenas apêndices cosméticos), mas da visão ateia e evolucionária que permeia a mundividência identitária.

Para eles a fundação é a tribo ou a raça – o ethnos – e todas as outras considerações devem ser a ele subjugadas. Rejeitam o Cristanismo afirmando que este, postulando uma moral universal a que todos estamos subjugados, não tem qualquer apreciação pelo ethnos. Tal afirmação, tão comum nos nossos dias, seja da boca de anti-Cristãos como dos próprios Cristãos, é simplesmente falsa, e surge simplesmente de ignorância.

Se observamos muitos auto-proclamados Cristãos a denegrir o ethnos, é em directa oposição às escrituras e aos Pais da Igreja. Não só a tradição reconhece a existência do ethnos, como recomenda a sua preservação. São Paulo, pregando aos Atenienses, sublinha a existência e importância das diferenças entre as tribos no próprio plano Divino: «De um só homem fez Deus todas as raças humanas, a fim de que povoassem a terra, havendo determinado previamente as épocas e os lugares exactos onde deveriam habitar. Deus assim procedeu para que a humanidade o buscasse e provavelmente, como que tacteando, o pudesse encontrar, ainda que, de facto, não esteja distante de cada um de nós». São Paulo expressa também na sua carta aos Romanos o peso que tem o seu apego à sua própria tribo: «Digo a verdade em Cristo, não falo inverdades, minha consciência o confirma no Espírito Santo, que tenho grande tristeza e incessante dor no meu coração. Porquanto eu mesmo desejaria ser amaldiçoado e separado de Cristo por amor de meus irmãos, que são meus parentes segundo a carne» (Romanos 9:1-3). Mais, a única ocasião em que S. Paulo repreende S. Pedro é precisamente na questão étnica, mostrando que, sendo a Lei para todos, cada cultura deve manter-se e não ser forçada uma sobre a outra: «Quando, porém, Pedro chegou a Antioquia, eu o enfrentei face a face, por causa da sua atitude reprovável. Porque antes de chegarem alguns da parte de Tiago, ele fazia suas refeições na companhia dos gentios; todavia, quando eles chegaram, Pedro foi se afastando até se apartar dos incircuncisos, apenas por temor aos que defendiam a circuncisão. E os outros judeus de igual modo se uniram a ele nessa atitude hipócrita, de modo que até mesmo Barnabé se deixou influenciar. Contudo, assim que percebi que não estavam se portando de acordo com a verdade do Evangelho, repreendi a Pedro, diante de todos: “Se tu, sendo judeu, vives como os gentios, e não conforme a tradição judaica, por que obrigas os gentios a viver como judeus?”» (Gálatas 2:11-13). E também nas visões de S. João o ethnos surge como parte da providência eterna de Deus para a humanidade: «Em seguida, olhei, e diante de mim descortinava-se uma grande multidão tão vasta que ninguém podia contar, formada por pessoas de todas as nações, tribos, povos e línguas. Estavam em pé, diante do trono do Cordeiro, vestidos com túnicas brancas, empunhando folhas de palmeira. E proclamavam com grande voz: “A Salvação pertence ao nosso Deus, que se assenta no trono e ao Cordeiro!”» (Apocalipse 7:9-10).

Tendo em conta que os identitários reconhecem o valor da tribo e procuram uma ordem social que a sirva, e que o darwinismo social, quando levado à sua conclusão lógica, impossibilita qualquer forma de lei que não a da simples sobrevivência, o próprio facto de terem a tribo como valor e postularem uma ordem social é contraditória com essa fundação. Para ilustrar este ponto, pensemos no seguinte: várias vezes li identitários a aplaudir as raças do Oriente Extremo como ‘superiores’, querendo com isso dizer que exibem em grande quantidade as características que consideram de valor (quase todas fundadas no facto de terem QIs relativamente altos – com as consequências societais derivadas desse facto). Podemos concluir então que a nossa tribo merece, a bem da sobrevivência e da evolução, ser conquistada e substituída por Chineses e Japoneses. Não são eles ‘superiores’? Se tomarmos o darwinismo social como fundação filosófica, temos de responder que sim (lembremos que o título completo do famoso livro de Darwin é On the Origin of Species by Means of Natural Selection, or the Preservation of Favoured Races in the Struggle for Life), embora claramente os identitários respondam que não. E se se pudesse provar que a miscigenação criaria uma raça biologicamente superior, seriam os identitários darwinistas a favor desse destino? Obviamente que não. Mas porquê? Porque valorizam a sua tribo acima da sobrevivência do ‘mais forte’ e acima da evolução, e é nessa premissa que se funda a sua mundividência – por muito que erroneamente considerem que a fundam no darwinismo. Por outras palavras, a sua mundividência funda-se no amor ao próximo. E o próximo não é qualquer um, é aquele que está próximo. Porquê amar o próximo como a nós mesmos? Porque o próximo é como nós. É parte de nós. A concepção Cristã, a original, não é antagónica à identidade tribal: o ethos e o ethnos complementam-se. Perdendo-se um, perde-se o outro.

O facto de, aos olhos de Cristo, sermos todos iguais não significa que não existam diferenças entre nós, nem que essas diferenças não devam ser observadas por Cristãos (se assim fosse, Deus não teria, por exemplo, ordenado a submissão terrena da mulher ao homem, porque a famosa passagem Gálatas 3:28 diz que em Cristo ‘não há masculino nem feminino‘). Os Cristãos são comandados a observar tais diferenças, e o que Cristo observa é a nossa obediência. E o que é que Cristo requer de nós? «Mestre, qual é o grande mandamento na lei? E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos depende toda a lei e os profetas.» (Mateus 22:36-40).

«Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia o seu irmão, é mentiroso. Pois, quem não ama o seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu? E dele temos este mandamento: que quem ama a Deus, ame, também, o seu irmão.» (1 João 4:20-21). Os Cristãos que professam a sua fé apoiando a invasão de povos alógenos estão a descurar o amor ao próximo em nome de um ideal universalista condenado por Deus, não só na separação dos povos na Babilónia mas ao dizer, pela voz de Cristo, que é ao próximo que devemos em primeiro lugar apontar o nosso amor. Dizendo amar a Deus e à sua Verdade, odeiam o próximo, e portanto, rejeitam a Deus. Pelo menos neste aspecto, aqueles que se dizem anti-Cristãos mas valorizam o ethnos, estão mais perto da Verdade do que aqueles que o desprezam, dizendo-se Cristãos.

O ethnos, no entanto, não pode ser a fundação e isso é claro quando compreendemos o sentido de ‘amar’ no Cristianismo. Amar não é ser tolerante, ou simpático, ou permissivo. Amar é ter o desejo de colocar alguém no caminho recto e agir de forma a fazer o Bem por quem se ama. Isso por vezes pode significar repreensão violenta: «Quem se nega a disciplinar e repreender seu filho não o ama; quem o ama de facto não hesita em corrigi-lo.» (Provérbios 13:24). No entanto, tendo o ethnos como base, todas as considerações têm de estar a ele subjugadas, o que implica a defesa dos membros degenerados da tribo em detrimento de algo maior (o ethos). E isso observa-se na facilidade com que tantos identitários abraçam o relativismo moral e aceitam membros da tribo na sua iniquidade por mais destrutivos que eles sejam para a própria tribo. Quantas famílias foram já destruídas por causa de “amor incondicional”, em que mães e pais defendem os filhos por mais pulhas que sejam? E quantas vezes vemos o problema de diagnóstico dos identitários, que na sua defesa incondicional da sua ‘família’ nacional, são incapazes de lhe ver as falhas e assim também incapazes de apontar a origem (moral) dos seus problemas? E nos casos em que os identitários de facto se recusam a aceitar degeneração moral e a rejeitar os membros da tribo que a personificam, deixaram de colocar a tribo em primeiro lugar, e inconscientemente aceitaram que o ethos tem de preceder ao ethnos.

Quem se dá ao trabalho de considerar questões políticas e sociais complexas, em geral não o faz tendo como objectivo apenas o seu próprio bem-estar – está subentendido um reconhecimento do valor da comunidade e da ordem. Se considera que existe valor na comunidade e na ordem, reconhece que existe uma dimensão superior, que não somos apenas pedaços de carne conscientes, produtos de forças aleatórias. Essa dimensão tem de ter uma origem e essa origem, para ser generalizável – como tem de ser numa ordem social – não pode ser baseada somente nas preferências pessoais de quem a postula. Mas rejeitando uma origem transcendental, isto é, divina, para essa dimensão, não podemos dizer sem contradição que a Ordem é preferível ao Caos, que a Justiça é preferível à Injustiça, ou sequer que a Ordem e a Justiça existam como conceitos válidos – se tudo é fluxo, também a Ordem e a Justiça são conceitos transitórios, mutáveis conforme os movimentos da história, da natureza, das condições materiais, etc. Ou seja, voltamos ao materialismo relativista que precisamos de rejeitar.

Um dos argumentos que já repeti mais vezes é o de que os nossos problemas materiais (como a imigração) têm origem na nossa disposição espiritual (o hedonismo). Esta disposição é o produto directo da fundação relativista que substituiu a fundação absolutista fundada na Criação revelada na Bíblia. Sem rejeitarmos as várias fundações erróneas, não temos meio de rejeitar os seus resultados. E sem aceitarmos a fundação certa, não temos meios de obter os seus benefícios.

Anúncios

A Guerra dos Sexos

«O marido deve cumprir os seus deveres conjugais para com a sua mulher, e da mesma forma a mulher para com o seu marido. A mulher não tem autoridade sobre o seu próprio corpo, mas sim o marido. Da mesma forma, o marido não tem autoridade sobre o seu próprio corpo, mas sim a mulher. Não se recusem um ao outro, excepto por mútuo consentimento e durante certo tempo, para se dedicarem à oração. Depois, unam-se de novo, para que Satanás não os tente por não terem domínio próprio. Digo isso como concessão, e não como mandamento. Gostaria que todos os homens fossem como eu; mas cada um tem o seu próprio dom da parte de Deus; um de um modo, outro de outro. Digo, porém, aos solteiros e às viúvas: É bom que permaneçam como eu. Mas, se não conseguem controlar-se, devem casar-se, pois é melhor casar-se do que ficar ardendo de desejo.»

1 Coríntios 7:3-9

É triste verificar o quão removidos estamos do ideal bíblico e difícil imaginar que o abandono desse ideal pode ir mais longe. Mas a cada ano, a cada década, a distância aumenta.

É um óbvio ululante dizer que os papéis tradicionais dos sexos se alteraram radicalmente nos últimos cem anos, e em especial nos últimos cinquenta, com a velocidade dessa mudança a acelerar cada vez mais, ao ponto de praticamente não existirem diferenças sociais entre os sexos – na lei essas diferenças são proibidas, e na sociedade civil para aí se caminha. A Esquerda, claro, aplaude. A Direita, com poucas excepções, também. A Esquerda apregoa a igualdade mas promove, na prática, a supremacia das mulheres, sempre na sua demanda caótica. A Direita apregoa a igualdade e acredita nela, o que é mais trágico – na prática, actua como um travão muito ténue ao estabelecimento, legal e social, da supremacia feminina.

A revolução sexual não foi um movimento de baixo para cima, mas uma operação deliberada por sociedades secretas e agências governamentais. E se ainda não há muitos anos as elites eram tímidas na sua imposição do relativismo, hoje fazem-no abertamente e sem qualquer pudor. Há uma guerra artificial entre homens e mulheres, criada pelas elites. Esta conspiração está photo_2017-10-28_11-49-13vastamente documentada. O problema está identificado, pelo que não vale a pena perder muito tempo a afirmar o que já se sabe. Se ofereço contexto é porque pretendo apresentar uma tese que aposto irá eriçar muitos pêlos e ofender muitas cabeças. Não falo da Esquerda, nem sequer da Direita que pensa nos moldes de Esquerda – mas da verdadeira Direita, tradicionalista.

Por muito que as esganiçadas do Bloco de Esquerda gritem que vivemos ainda sob o jugo opressivo do Patriarcado, a verdade é que a situação actual pode ser mais correctamente descrita como um Matriarcado. Exceptuando os casos, parcos, em que a biologia exerce a sua inevitável influência de forma irremediável (como nas ciências duras ou no desporto – ou na criminalidade violenta), a supremacia feminina é facilmente observável. E mesmo nessas poucas excepções, existem programas pagos pelos contribuintes para ‘corrigir’ essas ‘injustiças’.

Por cada juiz que decide em favor do homem em disputas legais entre conjugues, existem milhares de outros em que a decisão é favorável à mulher. A propaganda oficial tende a mostrar as mulheres como fortes e independentes, e em geral bem intencionadas, enquanto que os homens tendem a ser pintados como patéticos ou psicopatas. As escolas, as igrejas e os locais de trabalho são ambientes cada vez mais direccionados às mulheres, desenhados propositadamente para não ferir as suas sensibilidades e para acomodar as suas peculiaridades. Espaços puramente masculinos são infiltrados, e quando o não são, aparecem nas notícias para serem publicamente vilificados.

Um exemplo ilustrativo. 1985 foi o último ano em que o número de homens inscritos na faculdade era superior ao número de mulheres. Mais raparigas estão a desperdiçar os seus anos férteis na perseguição de uma carreira – e em muitos casos, nem sequer a vão concretizar. Mas mesmo que concretizem, a tragédia não é menor: as mulheres que adquiram um emprego bem remunerado kjaskjs.jpgterão maior dificuldade em encontrar um homem para casar, pois apesar de toda a cantilena feminista, não é costume ver executivas de sucesso a casar com empregados de mesa – enquanto que o contrário é comum. As mulheres procurarão sempre, por força da sua natureza biológica, um homem que tenha mais valor do que elas. No mundo mercantil em que vivemos, o salário e status social são o indicador principal no que toca a juntar os trapos e formar família. Uma mulher não respeitará o seu marido se este tiver um status menor e trouxer menos dinheiro para casa que ela. E assim se explica a proliferação da solteirona, da maluca dos gatos – que tendo passado a juventude focada na sua carreira e satisfazendo a sua necessidade de intimidade com encontros casuais e relações insignificantes, entre contraceptivos e abortos, termina numa triste desolação ou, no melhor dos casos, arranja um parolo disposto a rebaixar-se por migalhas de intimidade, quando a sua fertilidade e a sua beleza tiverem desvanecido.

Enquanto a populaça se convence da benevolência das grandes vitórias do liberalismo, as elites regozijam com a destruição da família, o seu objectivo principal. A família é o único entrave à implementação do controlo total do Estado sobre o indivíduo, o primordial obstáculo a uma nova ordem mundial, pois é nela que se baseiam todas as outras instituições intermédias, sem as quais photo_2017-11-06_09-46-10homens e a mulheres ficam indefesos perante o poder político. Não é ao acaso que a destruição ou irrelevância das instituições intermédias tenha andado, década após década, de mão dada com a desintegração da família. E na génese da família está a união de um homem e de uma mulher.

Esta união, apesar de ser uma parceria, é tudo menos igualitária. O homem e a mulher têm funções diferentes, responsabilidades diferentes, poderes diferentes. E sem essa desigualdade, a instituição não sobrevive, nem consegue cumprir a sua função. Todo o edifício desmorona. Isto é o que vemos acontecer no mundo moderno. Chesterton tem uma frase adequada: nunca deitem abaixo uma cerca sem antes saber porque foi construída. A revolução sexual ofereceu à mulher o controlo sobre o seu aparelho reprodutivo e essa ‘libertação’, que no vácuo parece sábia e justa, abriu uma caixa de pandora que ameaça desmantelar todos os alicerces que mantêm, por enquanto, a sociedade de pé.

Tendo assim exposto o problema, a resposta é óbvia: retornar à ordem tradicional, restabelecer o Patriarcado. Mas daqui até lá há um longo caminho a percorrer, e neste momento o caminho está cheio de obstáculos e buracos, e sem iluminação. Com a libertação da mulher, veio o aprisionar do homem; com a masculinização da mulher, veio a efeminação do homem. Os homens têm de, mais uma vez, exercer domínio sobre as mulheres, mas como efectuar isso na prática?

A lei proíbe-o e a sociedade desencoraja-o. Pior: as instituições que deviam oferecer luz e auxílio, juntaram-se ao inimigo; as vozes tradicionalistas, recusam-se ao combate. Os conselhos das instituições e pensadores tradicionalistas não são aplicáveis no panorama actual. A Igreja 111.jpgrecomenda que se espere até ao casamento para ter sexo e num mundo são isto seria não só possível como desejável. No mundo moderno, é possível (de certa forma) mas não é desejável. Os incentivos que existem correntemente contribuem para que as mulheres não só não precisem de um homem, como não o respeitem. Um homem moral, que queira esperar até ao casamento, vai certamente casar virgem, mas não vai casar com uma virgem. Infelizmente, na sociedade moderna, para o homem exercer domínio sobre uma mulher, esse domínio tem de ser sexual. E tendo em conta que é difícil imaginar dois jovens a conhecerem-se e a casarem quase imediatamente, sucede que o sexo vai suceder antes do casamento ser consumado.

A alternativa de alguns tradicionalistas é remover-se da sociedade totalmente, viver uma vida ascética, de celibato. Em alguns, não poucos, casos, existe uma aura de misoginia, como se as mulheres tivessem escolha, ou culpa, de serem como são – como se não caísse sobre os homens a responsabilidade de as liderar. Se de um lado da boca afirmam as virtudes tradicionais, por outro resignam-se a aceitar as torpes mentiras modernas, não em teoria, mas na prática. Ao observarem a natureza hipergâmica das mulheres, completamente desenfreada dada a realidade legal e social, decidem – porque é mais simples – que nenhuma mulher merece o seu esforço, a sua tutela. Quando na realidade é mais importante do que nunca que os homens sejam masculinos, e ofereçam uma liderança viril para as mulheres da sua geração.

Não ponho de parte, claro, que há casos perdidos – querendo com isto dizer que há putéfias irredimíveis, tal como existem homens sem qualquer capacidade de serem viris. Mas é preciso compreender que as mulheres estão tão perdidas como os homens. São vítimas da mesma images.duckduckgodegeneração da civilização ocidental, da mesma hemorragia de valores, e não sairão desse abismo sem a liderança dos homens. A cada esquina as jovens mulheres são encorajadas a abrir as pernas, a oferecer aquilo que lhes é único (a sua beleza e fertilidade) a troco de nada; a saltar de ‘relação’ em ‘relação’, quando não mesmo de cama em cama, enquanto se focam naquilo que na distorção moderna se tornou o objectivo principal: o fantasma mitológico da ‘realização pessoal’, da carreira, do trabalho. Na prática são encorajadas a serem obedientes ao patrão, em vez de ao marido.

Mas como pode uma mulher moderna ser submissa se não encontra um homem recto e viril, que queira fazer dela uma esposa? Se os homens na sua vida são puramente hedonistas, ou fracos e inseguros, incapazes de dar um passo e tomar uma decisão? Se os homens rectos não conseguem sequer ganhar coragem para meter conversa com uma rapariga e convidá-la para beber um café? Se nem esse pequeno passo são capazes de dar, como vão ser líderes dentro da sua própria casa? O meme dos involuntariamente celibatários existe por uma razão. As mulheres não se sentem atraídas pela fraqueza, e muito menos se resignarão a aceitá-la durante o auge da sua fertilidade.

E se, por um lado, existe valor moral em ser voluntariamente celibatário, existe muito pouco em ser-se involuntariamente celibatário. A verdade é que a via ascética é, e sempre foi, um caminho adequado para uma pequena minoria. A maioria dos homens não nasceu com essa vocação, e numa era sã, estariam casados e com famílias. Acontece que esse caminho é cada vez mais difícil, e exige ainda mais virilidade para o atingir. Exige, na verdade, um esforço continuado para manter a mulher fora da esfera de influência do Demónio.

Que uma maioria dos homens de valor, com princípios, com uma ideia de como a sociedade deve funcionar, siga uma via ascética (voluntária ou involuntariamente), não é um caminho para a restauração, não é um alicerce para o futuro. Mesmo quando é moralmente impecável, não oferece qualquer saída para o buraco em que nos encontramos. Pelo contrário, ajuda a que a situação piore ainda mais rápido, pois não coloca qualquer entrave a que as mulheres cumpram a sua natureza hipergâmica, e desperdicem a sua beleza e fertilidade em busca do ideal hedonista.

A sociedade moderna é repleta de paradoxos morais. Um deles, talvez o maior, é que para voltar a estabelecer uma ordem natural e moral na sociedade, o homem tem de estabelecer um domínio sobre o imperativo feminino sem ter qualquer ferramenta legal ou social, mas unicamente a sua narcismasculinidade. Para dominar a mulher num clima de libertação sexual, o homem não pode simplesmente oferecer-lhe o que oferecia no passado pois praticamente tudo pode ser adquirido sem um homem. Desde o conforto material que o emprego lhe oferece até à atenção masculina das hordas de homens sexualmente frustrados obtida através das redes sociais. Só a virilidade da liderança, da tutela do homem, e o sexo, a atracção primária, não pode ser adquirida sem ele. Se um homem for casto, e a mulher não for (e tudo a impele a que não seja), ela nunca o respeitará e com a grande loteria do divórcio, que favorece desproporcionalmente as mulheres, o homem não terá qualquer hipótese de estabelecer domínio sobre a mulher. Pelo contrário, acabará figurativamente castrado.

As mulheres são naturalmente subordinadas ao homem, e portanto as suas atitudes são, mesmo neste clima tóxico, subordinadas ao que os homens na sua vida lhes permitem. Mas isto acarreta uma responsabilidade, um esforço, um peso sobre os ombros que muitos não querem tomar. Esta masculinitynegação da realidade vai do indivíduo às instituições, em especial no campo do tradicionalismo. A verdade é que por muito que vejamos as várias mentiras que o sistema lucra em nos vender e nos rejeitemos a comprá-las, há sempre uma parte de nós que quer voltar ao conforto da mentira. E a primeira mentira que insistimos em consumir é a de que podemos esperar a mesma força moral das mulheres que esperamos dos homens; que podemos confiar no cumprimento das regras quando já não existe árbitro ou penalização pelo seu não-cumprimento. A mulher submissa e casta era um produto, não da sua biologia, mas das circunstâncias legais e sociais em que se encontrava. Circunstâncias que já não existem, mas que pelo contrário são em tudo opostas às que mantinham esse santo equilíbrio.

O conforto da mentira é apelativo, porque não exige esforço, intelectual, moral ou físico. Em nenhum campo isto é mais observável do que nas relações entre os sexos. Queremos ainda acreditar que o contexto em que vivemos é o mesmo que vem descrito na Bíblia, e que portanto podemos aplicar as mesmas estratégias e obter os mesmos resultados. Ignoramos voluntariamente que o Demónio é um íntimo conhecedor da escritura, e que a sua estratégia é encaminhar o mundo para as ambiguidades dos versos, criar situações não explicitamente descritas, onde as prescrições não geram os efeitos desejados, pois o contexto mudou, e assim desencaminhar as almas do caminho recto ou votando as que não desencaminha à total impotência e sofrimento.

Não é pois surpreendente que tantos jovens se afastem da Igreja, quando esta ignora com violência a realidade fora das suas portas, apontando um caminho onde agora só existem obstáculos e sugerindo acções que geram o efeito contrário daquilo que deviam gerar. Não é de admirar que tantas famílias católicas votem os seus filhos ao celibato involuntário e as suas filhas à promiscuidade radical (um meme vivo do mundo moderno, observável por todo o mundo ocidental). O fariseismo na questão da sexualidade tem o mesmo efeito que qualquer forma de fariseismo: afastar as almas da verdade, focando-se nas regras, em vez de no espírito. E a total fifty.jpgefeminação da Igreja é por demais óbvia precisamente no catecismo sobre o casamento e a sexualidade. As mulheres são chamadas a serem submissas aos seus maridos, mas apenas na medida em que os homens ‘amam as suas esposas como Cristo à Igreja’, e a interpretação, claro, vem directamente da mulher: se o homem não faz a mulher ‘sentir-se’ amada, então este não merece a sua submissão. A Igreja moderna sublinha este absurdo mantra da cultura pop, de que o amor é um sentimento, em vez de uma acção. E naturalmente, no campo dos sentimentos, a mulher tem todo o poder. E enquanto castigam os homens pela sua libido, mesmo quando não tem qualquer escape moral, desculpam às mulheres a sua constante procura por atenção masculina ou as suas fantasias em forma de romances degenerados.

Os homens modernos não podem esperar, ou procurar, uma esposa. Têm de exercer a sua masculinidade para fazer esposas das mulheres que se cruzam no seu caminho – e mais, exercê-la continuamente para que elas se mantenham esposas. Da mesma forma que não podem encarar o contexto sexual de um ponto de vista hedonista, procurando apenas o prazer imediato, não podem encará-lo de uma perspectiva beata e formalista, obedecendo a regras de um jogo que deixou de ter regras há muitas décadas. Os homens têm de estar preparados e dispostos a procurar e abordar mulheres para fazer de uma delas a sua esposa – longe vão os tempos em que podia confiar no círculo social, nas relações de proximidade, para encontrá-la, e longe vão os tempos em que a primeira que lhe surgisse daria uma esposa obediente e cristã. E têm de estar preparados para abandonar a relação, não por razões egoístas, mas porque o clima presente é necessariamente um de tentativa e erro, e nada mostra melhor a superioridade e virilidade do que ter opções e estar disposto a sair quando a mulher não cumpre com a sua submissão. A natureza biológica da mulher impede-a de apreciar a força do compromisso masculino, a sua dedicação ou até mesmo a Lei – e sem forças externas como a tutela familiar, a influência da Igreja ou leis que a contenham, é necessário que o homem tome as rédeas, sozinho, e imponha a ordem natural ditada por Deus.

De todos os episódios bíblicos, nenhum é mais ilustrativo da natureza feminina do que a insubordinação da Eva perante o mandamento divino. Se a mulher não pode ser confiada para se adam and eve.jpgmanter fiel a Deus, quanta negação e ilusão é necessária para se acreditar que, sem constante supervisão e acção, num mundo em que a serpente está presente em cada esquina, se mantenha fiel ao homem?

O homem de princípios tem de encarar a relação presente entre os sexos como uma guerra, e numa guerra nem todos os mandamentos podem ser perfeitamente seguidos. Se forem, é a garantia da derrota. Para isto se desenvolveu o conceito Cristão de ‘guerra justa’. A guerra entre os sexos é real e fugir à batalha não é uma opção se o objectivo é voltar à sanidade social, à ordem natural, ao casamento Cristão.