O Papel das Mulheres

A ideia para este texto surgiu de um comentário de uma leitora, Ana Maria, a quem agradeço dar o mote para esta discussão que, tendo em conta a oposição que vou recebendo sobre este tema, já vem tardia.

O ditado popular sobre a mulher ser quem usa as calças em casa é bem conhecido de todo o povo português e aponta para o facto de, contrário à natureza humana, ser a mulher quem lidera o lar. Este ditado providencia um mote perfeito para a discussão que pretendemos efectuar aqui, que é o do papel da mulher no movimento dissidente. men9Analisando a expressão, o que podemos concluir? Primeiro, a supracitada artificialidade da liderança feminina, tão artificial que é necessário criar um ditado jocoso para ilustrar a situação. Segundo, que essa artificialidade é demonstrada não apenas no interior (liderança) mas no exterior (calças), sendo que o exterior é simbólico de algo maior, e mais pernicioso. Ao imitar os homens, as mulheres perdem as suas qualidades femininas, sem ganhar nenhuma das masculinas: tornam-se meramente homens de segunda. Por isso, não exagero quando digo que a decadência da nossa civilização se deve, em grande parte, ao facto das mulheres terem começado a usar calças. Pode parecer apenas um pormenor, mas é um símbolo da deriva maior da nossa civilização, da corrente igualitária que a inundou e virou do avesso, do caos identitário em que nos encontramos. Toda esta tragédia começou, não pela raça, não pela imigração, mas pela confusão do papel da mulher na sociedade. E tão importante é a concepção correcta dos papéis adequados de cada sexo, que todas as sociedades que foram além do mais básico primitivismo a reconheceram e aplicaram. Excepções sempre as houve, mas como se costuma dizer, servem apenas para confirmar a regra. E a regra existe com razão. Uma mulher como a Ayn Rand, por exemplo, fez muitíssimo bem em nunca ter tido filhos e ser dona de casa e, em vez disso, dedicar-se ao trabalho intelectual, produzindo ideias de indiscutível valor e originalidade (a avaliação última dessas ideias é uma questão demasiado complexa para discutirmos aqui). Mas também por essa razão, uma vez chamaram-lhe ‘o homem mais corajoso na América’. Por certo que os que pretendem que as mulheres tenham a liberdade de participar no movimento no mesmo patamar que os homens não quererão que elas se transformem em meras imitações dos homens. E no entanto, quando o fazem, é precisamente nisso que se transformam.

Não é ao acaso que a Bíblia menciona a indumentária especificamente: «Uma mulher não poderá usar coisas de homem e um homem não poderá vestir-se com roupas de mulher, porque o SENHOR, teu Deus, abomina quem assim procede.» (Deuteronómio 22:5). Especula-se que a razão para que tal viesse especificamente mencionado na Bíblia se encontra na proximidade das sociedades pagãs que rodeavam os hebreus na época, e que possivelmente não observariam estas distinções. Ora, tal razão aplica-se também à nossa moribunda civilização, que dedicada hoje a variadíssimos deuses pagãos, se acaba por esquecer até do mais fundamental da organização humana: das diferenças salutares entre homens e mulheres.

É fácil antecipar as objecções: que é um anacronismo extremista, que a sociedade mudou, que ‘evoluímos’, que tais concepções são resquícios antiquados de uma era primitiva, ou no mínimo, menos ‘iluminada’. Estas objecções são, em grande parte, feitas por companheiros dissidentes, a quem só podemos apontar que com essas mesmas objecções a Esquerda defende todo o seu programa – desde a imigração até à aceitação dos ‘estilos de vida alternativos’. Pelo que podemos concluir que tais argumentos são inválidos – ou, caso concluamos que são válidos para uma coisa, são igualmente válidos para outra. Por outras palavras, das mulheres usarem calças à abolição da identidade nacional, vai um tirinho.

Neste canto da Internet, ter opiniões impopulares e consideradas radicais pela maioria é uma inevitabilidade. No entanto, a visão tradicional da Mulher é impopular e considerada radical mesmo no seio do movimento dissidente, mesmo entre homens e mulheres que reconhecem as diferenças físicas, mentais e espirituais entre os sexos, que reconhecem o papel de ambos na ordem tradicional. Para eles, a ideia de que as mulheres devem ter uma função fundamentalmente distinta da dos homens no movimento ainda é tabu, senão mesmo anátema. Pelo contrário, o consenso parece ser 5a610cb01e000028005adbd4que as mulheres podem (e em alguns casos devem) ter um papel semelhante ao dos homens na produção e distribuição de ideias, na participação em demonstrações e debates e, deduz-se, nas batalhas campais em que muitos dos eventos se transformam e eventualmente nas trincheiras de uma potencial guerra civil.

Recentemente o Youtube lançou uma sequela do Karate Kid em forma de série que é surpreendentemente contrária ao politicamente correcto. A série chama-se Cobra Kai (o nome do dojo dos antagonistas no original), e uma das cenas mais hilariantes é quando uma preta gorda com cabelo de lésbica se tenta juntar ao dojo e o sensei lhe diz que não se aceitam mulheres no karaté pela mesma razão que não se aceitam no exército: porque é estúpido. Numa civilização em ordem, eu não necessitaria de justificar o porquê do papel das mulheres no movimento dever ser o de esposas e mães, de aliadas domésticas dos homens que efectuam o principal do trabalho (intelectual e físico) requerido para o triunfo das nossas ideias. Numa civilização em ordem, bastaria simplesmente repetir o truísmo da série e dizer que qualquer outra abordagem é estúpida. Mas infelizmente a nossa civilização não está em ordem, e até os truísmos têm de ser explicados, justificados e argumentados, uma e outra vez.

Já mencionámos a Bíblia, mas convém voltar a mencioná-la e lembrar que as prescrições sobre o papel feminino não se limitam à advertência contra o seu uso de indumentária masculina. Pelo contrário, a mulher é distinta do homem, e deve a ele ser submissa. Repare-se nas seguintes passagens:

«Como acontece em todas as assembleias de santos, as mulheres estejam caladas nas assembleias, porque não lhes é permitido tomar a palavra e, como diz também a Lei, devem ser submissas. Se quiserem saber alguma coisa, perguntem em casa aos maridos, porque não é conveniente para uma mulher falar na assembleia.» (1 Coríntios 14:33-35)

«Submetei-vos uns aos outros, no respeito que tendes a Cristo: as mulheres, aos seus maridos como ao Senhor, porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da Igreja – Ele, o salvador do Corpo. Ora, como a Igreja se submete a Cristo, assim as mulheres, aos maridos, em tudo.» (Efésios 5:21-24)

«A mulher receba a instrução em silêncio, com toda a submissão. Não permito à mulher que ensine, nem que exerça domínio sobre o homem, mas que se mantenha em silêncio. Porque primeiro foi formado Adão, depois Eva. E não foi Adão que foi seduzido mas a mulher que, deixando-se seduzir, incorreu na transgressão. Contudo, será salva pela sua maternidade, desde que persevere na fé, no amor e na santidade, com recato.» (1 Timóteo 2:11-15)

«Do mesmo modo, as anciãs tenham um comportamento reverente, não sejam caluniadoras nem escravas do vinho, mas mestras de virtude, a fim de ensinarem as jovens a amar os maridos e os filhos, a serem prudentes, castas, boas donas de casa e dóceis aos maridos, de modo que a palavra de Deus não seja difamada.» (Tito 2:3-5)

Saliento estas passagens porque elas não existiram no vácuo. Pelo contrário, elas foram a base da civilização que, de uma forma ou de outra, todo o movimento dissidente respeita como o auge da Europa e quer ressuscitar. A identidade nacional nasce primeiro na família, e a família nasce do homem e da mulher. Quão importante é, pois, que tenhamos a concepção correcta do relacionamento entre os dois? E quão destrutivo é que tenhamos uma errada? Basta observar a sociedade presente, que é predicada, não na distinção entre homem e mulher, e na submissão da mulher ao homem, mas pelo contrário, numa absoluta igualdade e individualismo que permite, a homens e a mulheres, fazerem o que bem lhes apetece, mesmo que o que lhes apeteça semeie a destruição da ordem social.

Mas toda esta conversa de religião e civilizações antigas diz muito pouco a um grande número de pessoas no nosso movimento, e apesar das evidências sobre a importância destas considerações, elas são maioritariamente relegadas para o plano da fantasia, pois a questão fundacional é muitas vezes esquecida ou abertamente ignorada (como já apontámos). Por isso avancemos para considerações mais terrenas.

Quando se advoga a participação das mulheres no movimento, não como esposas, mães e companheiras, mas como equivalentes intelectuais e físicas dos homens, obviamente que se tem em mente muitos casos recentes que, admita-se, angariaram indiscutivelmente um grande número de novos convertidos à causa identitária, à defesa do Ocidente e à tentativa de o ressuscitar do torpor terminal em que se encontra depois de ter sido vergado às forças igualitárias e relativistas do Iluminismo.

Consideremos o caso Lauren Southern. Com 23 anos, a menina Southern é não só a fêmea mais famosa no movimento, mas uma das figuras mais proeminentes mesmo descontando o seu cromossoma identificador. Qual é a razão para esta popularidade? Lauren_Southern_OKSerá a originalidade das suas ideias ou da apresentação dessas ideias? Ou será por ser uma jovem rapariga que, no decorrer do seu trabalho, vai mostrando as pernas e os ombros, e por vezes um pouco mais que isso? Não se pode subestimar o poder da libido masculina, que mesmo em assuntos em que deve ser posta de parte acaba por dominar as prioridades. Como podemos ver ilustrado nesta review do seu livro, a menina Southern não é nem original nas ideias, nem na apresentação – pelo contrário, nem sequer se eleva acima do mais básico em ambas as categorias. Nesse livro, inclusivamente, encontra-se esta pérola de intelectualidade e bom gosto: «If there was a moment in the 2016 U.S. election that epitomized this newfound hate for the young on the right, it was Republican consultant Rick Wilson’s infamous… declaration that Trump supporters were “childless, single losers who masturbate to anime.” Guilty as charged. Well, except I don’t masturbate to anime characters. I dress up like them and guys masturbate to meSe isto não demonstra que a menina Southern sabe perfeitamente qual é o seu papel – uma softcore camwhore para nerds políticos – não sei o que demonstra.

Convém neste momento fazer um reparo: não estamos a argumentar que a rapariga não produz nada de qualidade, pelo contrário. Um exemplo recente de algo de qualidade que produziu foi o documentário Farmlands, publicitado aqui com legendas em português do Brasil, que chama a atenção devida para a horrível e ignorada situação dos brancos na África do Sul. Mas há perguntas importantíssimas que se devem colocar: será que este documentário, ou as outras obras de qualidade feitas pela menina Southern, só poderiam ser feitas por ela ou, pelo contrário, um jornalista masculino poderia ter feito o mesmo, com pelo menos a mesma qualidade (note-se que as únicas partes más do filme são precisamente quando ela faz monólogos em voz off enquanto se pavoneia em frente da câmara)? E, sendo que um homem poderia fazer o mesmo trabalho, e potencialmente mais bem feito, haverá algo que só a menina Southern possa fazer, uma categoria de actividades em que um homem a não possa substituir? A resposta é igualmente afirmativa. E essas actividades são aquelas que coincidem com o papel tradicional da mulher na sociedade: ser uma esposa, uma mãe, providenciar acompanhamento emocional e intelectual nos primeiros anos de vida das crianças, manter um lar estável e saudável para a sua progenitura.

Nunca me deixa de surpreender que tantos anti-feministas queiram para as suas mulheres o mesmo que as feministas querem para todas as mulheres: que sejam imitações de segunda dos homens. Que em vez de se dedicarem àquilo que a sua biologia e seu espírito lhes lega como natural e que só mesmo elas podem concretizar, queiram que elas se dediquem a produzir frutos que os homens também podem produzir, e em geral melhor. Esta é uma das falhas primordiais da nossa civilização: esquecer as divisões naturais, os papéis naturais, e transformamos as mulheres em homens de segunda. Não observamos nós o vácuo criado por esta ideia de igualdade, em que as mulheres da nossa raça desperdiçam a sua fertilidade, os seus dons naturais, na perseguição do hedonismo, por um lado, mas por outro lado igualmente destrutivo, na perseguição de carreiras, na imitação do papel masculino? Não reconhecemos as consequências destrutivas para a civilização dessa nova ordem? Não as observamos todos os dias, quer em estatísticas, quer no dia-a-dia? E se sim, porque queremos nós que as nossas mulheres, participando num movimento que fundamentalmente rejeita as consequências dessa ordem social, funcionem da mesma forma e concretizem os mesmos erros?

Depois é preciso considerar algo que já foi mencionado noutros textos: primeiro, que o meio é a mensagem. E depois que atrair as pessoas erradas, e sobretudo os homens errados, é contraproducente. Neste caso, o meio é muitas vezes o de ter mulheres a ditar a homens aquilo em que devem acreditar e porquê. Psicologicamente, isto resulta em kjaskjshomens castrados. A verdade é que a popularidade de Lauren Southern, bem como de raparigas semelhantes, vem da percepção óbvia, mas perniciosa, de que o mesmo tema quando apresentado em conjunção com um decote ou uma carinha laroca tem automaticamente mais audiência. E note-se que a menina Lauren, em termos de beleza, será no máximo um 6.5. Tire-se a maquilhagem e desconfio que se encontra um 4 ou no máximo um 5. Será que queremos conquistar uma audiência de homens sexualmente frustrados que se perdem de amores por uma rapariga de aspecto banal com quem concordam politicamente?

Uma boa ilustração do tipo de homem que estas raparigas atraem para um movimento que se quer sério e que precisa, definitivamente, de homens com espinha, encontra-se quando se ‘segue’ o dinheiro. Antes de ser banida do Patreon, por exemplo, a Lauren estava a receber quase quatro mil dólares por mês e, além de mostrar um decote lauren patreon.pngproeminente na sua foto, referia-se jocosamente ao facto de uma doação dar o direito ao dador de dizer que era seu ‘namorado’ e que ela não confirmaria nem desmentiria. Outro exemplo, entretanto desaparecido da sua página, encontrava-se na possibilidade de pagar duzentos e cinquenta dólares por 15 minutos (!) de sessão de Skype privada com a menina Southern. Não sei de ciência certa, mas apostaria que uma prostituta de luxo levaria menos de mil dólares à hora – em carne e osso, não por sessão de Skype. Isto ilustra tanto o empreendedorismo (por assim dizer) da menina Southern, como a sede de atenção feminina e a total efeminação dos homens brancos modernos, obcecados com a sua ‘namorada virtual’ ao ponto de pagarem a peso de ouro a oportunidade de fazerem parte do seu ‘círculo íntimo’ (quão grande é esse círculo, nunca saberemos). Entretanto a menina Southern apagou esta opção do seu site (depois de algumas críticas) e ficou apenas a opção ‘Exclusive’, em que pagando cem dólares por mês, obtêm um livestream particular entre os subscritores dessa opção e, cereja no topo do bolo, ela segue-os no Twitter (não estou a gozar!). Não só não queremos estes homens ao nosso lado numa batalha, mas perpetuar este tipo de atitude é absolutamente contraproducente. Podemos ter um exército de milhões, mas se forem milhões como os que dão dinheiro à menina Southern, seremos derrotados por trezentos inimigos duros, como na mítica história.

Vários outros exemplos existem destas raparigas, também chamadas de trad thots (ou putéfias tradicionalistas), e das suas legiões de seguidores que comem demasiada soja. Nenhuma delas é casada, ou tem filhos. As únicas mulheres do movimento que os têm são muito mais recatadas, trabalham com os seus maridos e, por essa razão, não obtêm o mesmo nível de atenção masculina (nem é esse o seu objectivo). Mas não podemos culpar apenas as raparigas. Quem devemos culpar são os homens fracos que as promovem e lhes sustentam o estilo de vida. Espero estar enganado, mas suspeito que nenhuma dessas raparigas vai casar e ter filhos enquanto a sua beleza relativa e juventude lhes permitirem ter hordas de frustrados a patrocinar as suas viagens e ‘aventuras’. Para quê dedicarem-se a um homem, quando podem ter a atenção de milhares, senão milhões?

Começámos com um ditado popular, e acabamos com uma história que ilustra a importância, e a força imparável, que é viver e agir conforme a ordem divina, e como isso é espelhado pelos papéis, absolutamente distintos, dos homens e das mulheres.

Com a subida ao poder dos bolcheviques na Rússia, várias leis contra a religião foram passadas, impedindo os padres de evangelizar, incluindo ensinar o Cristianismo às novas gerações. O objectivo, claro, era destruir a prazo toda a religião visto que esta era um obstáculo, senão o maior obstáculo, à criação do paraíso socialista na terra. Estas leis mantiveram-se até praticamente ao final do regime soviético, quase 80 anos. Conta-se que um líder Soviético, pouco depois da revolução e tendo em conta as leis estabelecidas contra a religião, perguntou ao Patriarca de Moscovo o que iria acontecer à Igreja quando a última avó morresse. O Patriarca respondeu-lhe que haveria outra geração de avós para as substituir. Palavras proféticas, sobretudo se se considerar que a maioria das avós russas de hoje eram apenas crianças ou nem sequer nascidas quando estas palavras foram proferidas, e que a Igreja manteve-se ao longo de toda a animosidade comunista e retomou o seu lugar (e continuou a crescer) logo após a queda do regime.

21d602d5ff237aaa874221c992c8797f.jpgO que a história ilustra é que a Igreja salvou-se pelo facto das mulheres agirem como mulheres, cumprindo o seu papel natural, ensinando os mais novos, passando as tradições. Repare-se que não foi através da ordenação de mulheres para o sacerdócio que a Igreja continuou, mas pelo contrário, precisamente por manter essa restrição, cada sexo ter a sua função, permitiu que mesmo sob condições incrivelmente adversas encontrasse uma continuação. Há uma lição aqui para os homens e mulheres ocidentais dos nossos dias. Ao invés de aceitar a senda igualitarista e querer transformar as mulheres em homens de segunda, que invariavelmente transforma os homens em seres efeminados, devemos respeitar a ordem e separação natural de funções, cada um apelando às suas forças, em cooperação, em vez de competição.

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O Nacionalismo não é necessário, nem suficiente

Este texto serve de adição ao que se escreveu aqui sobre o identitarismo. O objectivo não é alienar aqueles que considero aliados e que professam o Nacionalismo como a sua ideologia, mas unicamente apontar uma falha que considero ser incompatível com o seu objectivo principal, analisar as suas origens históricas e as suas manifestações modernas, e argumentar uma alternativa.

 

«Quem dentre vós, querendo construir uma torre, não se senta primeiro para calcular a despesa e ver se tem com que a concluir? Não suceda que, depois de assentar os alicerces, não a podendo acabar, todos os que virem comecem a troçar dele, dizendo: ‘Este homem começou a construir e não pôde acabar’. Ou qual é o rei que parte para a guerra contra outro rei e não se senta primeiro para examinar se lhe é possível com dez mil homens opor-se àquele que vem contra ele com vinte mil? Se não pode, estando o outro ainda longe, manda-lhe embaixadores a pedir a paz

Lucas 14:28-32

O principal problema de qualquer putativo movimento dissidente é a sua sobrevalorização daquilo que pode ser quantificado, aquilo que é visível a olho nu, aquilo que é imediatamente palpável, em detrimento das questões filosóficas, metafísicas e espirituais que são muitas vezes consideradas espúrias. Como o construtor da torre e o rei que parte para a guerra nas palavras de Jesus, muitos não consideram o invisível que subjaz às realidades visíveis. Como um médico que toma os sintomas pela doença e se oferece para os tratar julgando tratar a doença, o Nacionalismo opera da mesma forma no plano político. É desta mentalidade que surge a defesa do Nacionalismo.

Pretendemos aqui argumentar que o Nacionalismo não pode constituir a base para o movimento, pois mesmo para os objectivos que pretende concretizar não é necessário, nem suficiente. Para isso temos primeiro de o definir, para que se saiba aquilo a que apontamos a nossa crítica. Como todas as ideologias, pode dizer-se que é tudo e mais french-nationalismalguma coisa, por isso tentaremos cingir-nos a uma definição que tenha em conta, ao mesmo tempo, a História da ideologia e a sua presente manifestação. O Nacionalismo é uma ideologia política Republicana e Democrática saída da Revolução Francesa, que postula a preservação da Nação enquanto entidade política (o Estado-Nação), a defesa de território delineado por fronteiras terrestres, da tradição e coesão linguística, cultural e étnica contra processos de destruição identitária ou transformação. Quando digo que o Nacionalismo não pode constituir a base, quererá isto dizer que sou contra os seus objectivos individuais postulados acima? Não. Mas quer dizer que estas ideias em si mesmas não garantem aquilo que pretendem garantir, e em particular a formalidade da ideologia (a identificação da nacionalidade com o estado-nação) não é necessária, nem suficiente.

Com a ameaça presente e tangível da imigração de massas, é compreensível que a ideologia do Nacionalismo se tenha tornado a bandeira em torno da qual os dissidentes maioritariamente se agitam, mas esse foco único confunde as árvores pela floresta, e a45210707118b976f894dcb852f4cdb5esquece que há factores metafísicos que o Nacionalismo por si mesmo não contradiz, que não só permitem mas promovem esta situação. Sendo uma invenção moderna saída do próprio Liberalismo, o Nacionalismo tem a mesma fundação no Materialismo Iluminista e sofre dos mesmos problemas insolúveis. O Nacionalismo, por mais benéficas que sejam as suas intenções, acaba a longo prazo na mesma situação que qualquer outra ideia democrática. Isto é, acaba na destruição daquilo que pretende defender. Tal como o Liberalismo é a longo prazo incapaz de defender a Liberdade, o Nacionalismo é incapaz de defender a Nação.

O caso Português, com as suas fronteiras e unidade política com quase mil anos, não é dos melhores exemplos para se perceber o argumento que fazemos aqui. Mas por outro lado, o facto de ser uma absoluta raridade na História Europeia, acaba por ilustrar ainda assim o ponto acima. As nacionalidades de Leste, por exemplo, oferecem um perfeito nationalismexemplo de como a coesão étnica e cultural de um povo não dependem de uma entidade política equivalente, ou seja, não precisam de Nacionalismo. E em alguns casos, observa-se que muitos grupos étnicos estavam mais bem servidos sob uma entidade política mais larga do que quando obtiveram os seus estados-nação. O Império Austro-Húngaro, a Jugoslávia de Tito, ou até a França pré-Revolucionária – onde, lembremos, existiam várias nacionalidades, entretanto extintas precisamente pelo Liberalismo – ou até a Rússia moderna, são bons exemplos de como o Nacionalismo não é necessário. Na maioria dos casos foram precisamente os poderes Liberais e a ideia da auto-determinação dos povos que desagregaram ou destruíram nacionalidades (como no caso Francês ou, em menor escala, na centralização nacionalista da Itália ou da Alemanha). Sob um ou outro império várias nacionalidades sobreviveram sem Nacionalismo, e com Nacionalismo destruíram-se várias nacionalidades e identidades.

Penso que isto prova que a questão da nacionalidade, da coesão étnica e cultural de um povo, é uma questão muito mais complexa do que a simples edificação política. Argumentar o contrário implica admitir, por exemplo, que os falsos estados-nação formados pelos poderes coloniais em África, na Ásia e nas Américas eram nações antes de serem estados, quando uma investigação simples da sua História demonstra que essa concepção é falsa. Obviamente que, com o tempo, outras nacionalidades (ou semi-nacionalidades) se formam a partir destes estados artificiais, mas esse mesmo facto confirma que nesses casos, antes de existir o estado, não existia a nacionalidade, mas uma colecção de grupos étnicos, culturais e linguísticos distintos.

O Nacionalismo não é, pois, necessário à manutenção daquilo que pretende defender. A verdade é que, paradoxalmente, sendo uma consequência da destruição da monarquia e da sociedade tradicional, o Nacionalismo é uma reacção inconsequente, desnorteada, um penso para uma ferida de bala, e sendo uma ideia em grande parte contraditória, como demonstrámos, acaba por ser utilizada amiúde pelas elites globalistas para fomentar o caos e destruir a sociedade tradicional. Obviamente, o Nacionalismo pode ser, sob determinadas circunstâncias, uma força contrária aos planos globalistas, sobretudo centenas de anos depois da destruição da ordem monárquica, mas é preciso nunca esquecer que o próprio Nacionalismo foi uma ideia promovida pelas elites maçónicas da época com o objectivo de destruir as sociedades que existiam, tal como hoje promovem o Globalismo para destruir as que existem. Como a História demonstra, o Nacionalismo não é uma condição necessária para a defesa da nacionalidade mas sobretudo não é suficiente – algo que é ilustrado perfeitamente no Nacionalismo dos nossos dias.

Se investigarmos seriamente os objectivos das elites globalistas percebemos que o seu plano não é somente de aniquilação da nacionalidade, mas aniquilação de qualquer tipo de identidade: étnica, cultural e linguística, mas também familiar, religiosa, sexual e, o plano final transhumanista, também da identidade humana. Quão fútil é pois que nos oponhamos a um dos seus objectivos mas descuremos a oposição aos outros? Ou pior, que se subscreva uma parte do seu programa? O Nacionalismo hoje pretende cortar uma das cabeças do monstro globalista, mas deixar as suas outras cabeças intactas. Isto é por MTG_Apocalypse-Hydra.jpgdemais óbvio olhando para os partidos nacionalistas que vão surgindo sob a bandeira da anti-imigração, e em particular anti-Islão, e que predicam a sua oposição na defesa de valores modernos completamente antagónicos à coesão nacional. Os exemplos são demasiado numerosos, tanto dos partidos e movimentos, como das ideias que partilham com os globalistas, para que se ignore esta tendência. A sua manifestação mais gritante é na oposição ao Islamismo. É um óbvio ululante que nos devemos opor ao Islamismo como ideologia, e ainda mais à imigração massiva de proponentes dessa ideologia para a Europa, mas há boas e más razões para o fazer. E, infelizmente, a maioria dos nacionalistas opõe-se ao Islamismo pelas razões erradas. A maioria das críticas feitas pelos nacionalistas são às ideias que caracterizam como ‘retrógradas’ e que contrastam com as ‘liberdades’ ocidentais: a submissão da mulher ao homem e a intolerância dos desviantes sexuais, em particular, comprazem a grande maioria das críticas. Nelas está subjacente a defesa da insubmissão e liberdade femininas e da tolerância dos desviantes sexuais. Ou seja, atacando o Islamismo por estas coisas, os Nacionalistas atacam igualmente qualquer sistema político e social que incorpore estes closet-rue-89.jpgprincípios. Isto demonstra que estes Nacionalistas são infelizmente ignorantes, tanto da História Ocidental como da História universal, pois todas as civilizações dignas desse nome impuseram regras sociais estritas, e em particular, a submissão da mulher ao homem e a remoção dos desviantes sexuais (aquelas que, com o tempo, deixaram de o fazer acabaram na mesma decadência em que a nossa se encontra hoje); e demonstra igualmente que são antagónicos à organização social Cristã que dominou a Europa durante pelo menos 1500 anos, e que foi paralela ao florescimento da Europa como força dominante em todos os aspectos em que normalmente se avaliam as civilizações. Ou seja, pretendendo defender o Ocidente, a maioria dos Nacionalistas defende as ideias que perverteram a nossa civilização e nos trouxeram ao ponto actual. O bem comum, a coesão social, a unidade nacional, requerem necessariamente determinados sacrifícios de liberdade individual. Ao elevarem essa liberdade ao princípio base da sua visão do Ocidente, estes Nacionalistas plantam a própria semente que germinará na disfunção política, social e económica que cria o problema migratório em primeiro lugar.

A base da Nação é a família e o individualismo primário que defendem é a antítese da família. Ao defenderem o individualismo contra o colectivismo dos Islamistas, os nacionalistas apenas escolhem uma forma de atentado contra a Nação em prol de outra. Esta defesa é emblemática da atitude que, na realidade, existe na génese do Nacionalismo: o Estado-Nação torna-se na única premissa, e a ordem social necessária à manutenção da nacionalidade é ignorada. Um movimento que defenda o Estado-Nação e se oponha à imigração, mas que aprove e permita todos os males da modernidade, que pretenda manter o status quo social de liberdade sexual, de supremacia feminina, de economia baseada na usura, de organização democrática, é incapaz de sequer manter aquilo que eleva como valor principal. E é a isto que nos referimos quando dizemos que o Nacionalismo descura o aspecto metafísico, pois é incapaz de perceber que a situação migratória é uma consequência da perda de valores tradicionais na sociedade, não é um assunto separado que possa ser resolvido sem se resolver este outro.

A identidade é feita de círculos concêntricos – o primeiro sendo a família nuclear, depois a família extensa, o bairro, a cidade, a região, a Nação (entendida como esfera partilhada de laços étnicos, linguísticos e culturais), a ligação regional (por exemplo, entre povos com línguas de origem latina ou de proximidade geográfica) e, por fim, a identidade geral europeia, que não pode ser entendida fora do domínio da Cristandade – pois hierocles-concentric-circles.jpgpreviamente os vários povos europeus não tinham língua, cultura ou logos em comum, mas eram sim uma colecção de povos com crenças, culturas e línguas distintas e rivais.

Os nacionalistas verdadeiros reconhecem que a Nação não é uma mera delineação geográfica e que o que a constitui não é meramente a terra onde se encontra (o ridículo conceito de ‘magic dirt’), mas sim as pessoas que a compõem, com uma etnia e cultura próprias. Reconhecem, logo, que não se pode substituir as pessoas sem aniquilar a Nação, ou sem a transformar em algo completamente distinto. No entanto, e infelizmente, muitos não prestam a devida atenção à conduta das pessoas que compõem a Nação, nem têm um entendimento de que o bem comum da Nação é muito mais do que o bem individual dos seus membros, e subscrevem assim uma forma ou outra de individualismo, que é radicalmente antagónico ao objectivo que pretendem alcançar.

Mesmo admitindo que o Nacionalismo consegue ganhar eleições e expulsar os alógenos, qual é o resultado? Ter paradas gay mais seguras? Um sistema de saúde a funcionar melhor para mais eficientemente abortar crianças? Jovens mulheres a embebedarem-se nas ruas das nossas cidades sem o receio de violação por parte de alógenos? O Nacionalismo hoje é análogo ao puxar um suicidário da beira da ponte, mas depois mandá-lo para casa onde tem cordas, armas e comprimidos. É a fantasia de achar que se não resolvermos o problema psicológico e espiritual ele vai deixar de ter tendências suicidas. A nossa civilização presente é patentemente suicidária, a vários níveis, e o Nacionalismo infelizmente apenas pretende criar as condições para que se suicide em paz.

double-headed-romanov-imperial-eagleComo expliquei anteriormente, o Ethnos tem de ser entendido e só pode ser defendido através do Ethos. Só o retorno a uma ordem tradicional, em todas as suas implicações, pode garantir a coesão étnica e cultural. Não podemos manter uma parte do edifício liberal e esperar que fique estanque e não volte a destruir aquilo que já destruiu uma vez. Aqueles que anseiam por uma sociedade etnicamente coesa mas que pretendem simultaneamente manter outros aspectos da sociedade moderna, estão a perseguir uma ilusão, mas ainda mais importante, não podem ser considerados como aliados. Pelo que é de extrema importância que se entenda que o movimento tem de rejeitar todos os pontos do liberalismo, e ser muito mais radical do que o simples Nacionalismo.

O Problema da Fundação

«O Temor do Senhor é o princípio da sabedoria e a inteligência é a ciência dos santos.» (Provérbios 9:10)

«Assim, toda a árvore boa produz bons frutos, e toda a árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa dar maus frutos; nem a árvore má dar frutos bons. Toda a árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo. Portanto, pelos seus frutos os conhecereis. Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade do meu Pai que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizámos nós em teu nome? e em teu nome não expulsámos demónios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi, abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade. Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha; E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha. E aquele que ouve estas minhas palavras, e não as cumpre, compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia; E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda.» (Mateus 7:17-27)

Nenhum movimento sobrevive sem unidade e em especial sem unidade filosófica. Sem uma mundividência partilhada, a tendência será sempre para a luta interna e, eventualmente, para a cisão. E um movimento com cisões é incapaz de levar a cabo as suas aspirações. Mas ainda mais importante é que essa fundação seja sólida, pois apenas sobre ela se pode construir um edifício resiliente. Aqui pretendo defender que só a mundividência Cristã pode providenciar esta fundação para a ampla e ainda vaga afiliação de vozes que, tendo em conta os objectivos expressos, podemos considerar da ‘Direita Dissidente’, e demonstrando que as outras fundações são insuficientes, prejudiciais e, em alguns casos, incoerentes com as consequências prescritivas a que são associadas.

Tendo seguido e investigado as várias vozes que podemos considerar como parte desta Direita consigo identificar três grupos, nos quais existe obviamente alguma sobreposição, mas que em termos fundacionais merecem ser mencionados em separado: os tradicionalistas perenialistas, os nacionalistas/identitários e os tradicionalistas Cristãos. Encontrando-me neste último grupo, e fazendo a apologia dele, tratarei das virtudes da sua fundação em comparação com as fundações dos outros dois.

Observando os principais blogs que representam estas três ‘facções’ há algum tempo e mergulhando nos seus arquivos, fiquei com a ideia que, dos três grupos, a ausência de fundação é observada maioritariamente nos nacionalistas/identitários, em que não só não existe uma mundividência base que seja partilhada, mas ainda mais grave, em alguns casos não existe uma preocupação em expor ou estabelecer essa mundividência. Há um imediatismo neste grupo que, embora tenha os seus méritos, põe de lado a questão fundacional e se preocupa somente em reagir a eventos, notícias ou ideias da modernidade. Nessas reacções está necessariamente subjacente uma visão do mundo, premissas antropológicas e ontológicas – mas estas nunca são explicitamente apresentadas ou explicadas, e não é claro que sejam reconhecidas pelos seus promotores. Em alguns casos, por serem inconscientemente professadas, acabam mesmo por ser contraditórias com as prescrições, dependendo da manifestação particular de texto para texto.

Embora exista algum tipo de unidade em relação a questões particulares, em especial a oposição à imigração, tudo o resto é difuso porque as questões de fundação filosófica não são postuladas. Sendo que a mundividência relativista já é o status quo fundacional do Ocidente, não me surpreende que, mesmo postulando valores que só podem ser compreendidos numa ética Cristã, muitos se considerem ateus ou perenialistas. Note-se que eu leio frequentemente, e já recomendei, uma boa parte das pessoas de quem estou a falar. Não é pois uma crítica, é uma exortação.

Antes de entrarmos a fundo na análise, observemos algumas dicotomias absolutamente absurdas que ilustram o vazio fundacional. Há quem seja ardentemente pró-Israel, e quem ache que o mundo é controlado por um cabal judaico (sendo o Cristianismo a maior conspiração de todos os tempos) – ambas as posições, a meu ver, demonstrando uma ignorância (ou malícia) risível. Vamos assumir que não é malícia, mas simplesmente ignorância. Os blogs (supostamente Cristãos) ardentemente pró-Israel e pró-Judeus fazem uma crónica ininterrupta dos males do Islão, nunca abrindo a boca sobre o papel dos Judeus na promoção da invasão Islâmica do Ocidente, as atrocidades cometidas pelos Israelitas ou as circunstâncias históricas em que o Estado se formou, a influência do Sionismo e dos judeus na propagação do relativismo no Ocidente, ou sequer reconhecendo as razões mais profundas, morais, da invasão islâmica que tanto criticam. Ou seja, proclamando-se Cristãos, são na prática meros materialistas e, na sua ardente defesa dos Judeus dos nossos dias, revelam que nunca leram a Bíblia com atenção. Os blogs anti-Israel, por seu turno, vivem obcecados com os judeus de tal forma que lêem o Novo Testamento (assumindo que o leram) e acham que Jesus de Nazaré foi um Sayanim da antiguidade, enviado para enganar os gentios. Ambas as posições são patentemente absurdas. No entanto, ambos os lados são considerados parte deste mesmo movimento – seria interessante ouvir um debate entre os representantes, mas isso é outra história – e a razão para o serem é porque concordam com prescrições específicas para problemas concretos (sobretudo, a oposição à imigração). Termino este parágrafo dizendo apenas que tanto os partidários da teoria de que o Cristianismo é uma conspiração judaica como os Cristãos que são ardentemente pró-Israel estão para lá de qualquer razão ou argumento – e digo isto por experiência. A insanidade dos anti e o sabujismo dos pró tolda-lhes a visão. Aos segundos, custa-me não atribuir também segundas intenções ou malícia, mas não importa muito explorar o fenómeno neste texto.

Tentemos, pois, encontrar as fundações subentendidas nas duas estirpes não-Cristãs.

Para os perenialistas a fundação é, à superfície, mais semelhante à Cristã, pois é de origem transcendental. No entanto, esta filosofia afirma que todas as tradições religiosas são apenas manifestações diferentes da mesma ideia, da mesma verdade metafísica. Assim, o Deus do Zoroastrismo ou o ‘motor imóvel’ de Aristóteles seriam apenas diferentes manifestações do Deus da Bíblia. E igualmente as doutrinas de um e de outro serão igualmente manifestações esteticamente distintas mas metafisicamente semelhantes – e todas portanto com a mesma validade e das quais se poderão inferir as mesmas implicações éticas. Usei os exemplos mais próximos (ao invés de, por exemplo, o Hinduísmo) precisamente porque, mesmo sendo na aparência mais semelhantes (afinal, são uma ou outra forma de monoteísmo), se pode mostrar que na verdade não existe equivalência, e que estas não são manifestações diferentes da mesma ideia, mas ideias distintas, com distintas consequências teóricas e práticas. Antes de apontar aquilo que distingue estas concepções da concepção Cristã, convém salientar que não disputamos a ideia de que as várias culturas e tradições religiosas chegaram a algumas conclusões práticas semelhantes – da mesma forma que as várias vozes dissidentes do nosso dia chegam também às mesmas conclusões apesar das suas fundações metafísicas distintas. Assim, por exemplo, quase todas as tradições religiosas, sobretudo aquelas que fundaram civilizações dignas desse nome, foram patriarcais, reconheciam a propriedade privada e restringiam a liberdade sexual. São Paulo, falando aos Pagãos Romanos, afirma: «Com efeito, quando há gentios que, não tendo a Lei, praticam, por inclinação natural, o que está na Lei, embora não tenham a Lei, para si próprios são lei. Esses mostram que o que a Lei manda praticar está escrito nos seus corações, tendo ainda o testemunho da sua consciência tal como dos pensamentos que, conforme o caso, os acusem ou defendam.» (Romanos, 2:14-15). Ou seja, Deus imprimiu em todos os homens a capacidade de discernir formas de conduta e de organização social desejáveis. Mas dizer que a Lei é discernível não remove a necessidade da sua revelação, tal como o facto de sabermos que moderar a velocidade é benéfico não remove a necessidade de conhecer o Código da Estrada.

O monoteísmo do Zoroastrismo e o monoteísmo do ‘motor imóvel’ não são iguais ao monoteísmo Bíblico, e as diferenças são logo encontradas na fundação. A antiga religião Persa afirma uma concepção divina, ontológica e antropológica dualista, em que o Bem e o Mal são forças equivalentes em constante fricção e à procura de equilíbrio – e em que tanto o ‘deus bom’ como o ‘deus mau’ existiam previamente à Criação: «Ahura Mazda spake unto Spitama Zarathushtra, saying: I have made every land dear (to its people), even though it had no charms whatever in it: had I not made every land dear (to its people), even zoroastrianism-symbol.jpgthough it had no charms whatever in it, then the whole living world would have invaded the Airyana Vaeja. The first of the good lands and countries which I, Ahura Mazda, created, was the Airyana Vaeja, by the Vanguhi Daitya. Thereupon came Angra Mainyu, who is all death, and he counter-created the serpent in the river and Winter, a work of the Daevas.» (Vendidad, Fargard 1:1-2). Por cada coisa boa que Ahura Mazda (o deus bom) cria de benéfico, o seu contraparte maléfico, Angra Mainyu, cria o seu oposto: «The second of the good lands and countries which I, Ahura Mazda, created, was the plain which the Sughdhas inhabit. Thereupon came Angra Mainyu, who is all death, and he counter-created the locust, which brings death unto cattle and plants. The third of the good lands and countries which I, Ahura Mazda, created, was the strong, holy Mouru. Thereupon came Angra Mainyu, who is all death, and he counter-created plunder and sin.» (Vendidad, Fargard 1:4-5).

Algo completamente distinto é-nos contado na história da Criação Bíblica, em que Deus Cria ex nihilo (isto é, nada existia antes além Dele), e em que o mal é simplesmente a rebelião de seres criados contra a sua autoridade. O Mal, portanto, não tem existência ontológica no Cristianismo, mas é simplesmente a ausência do Bem – e o Homem não foi criado com duas naturezas, mas com uma: uma natureza que a sua desobediência corrompeu. Isto pode parecer insignificante mas não é: na concepção Zoroastra o Mal já existia, e é uma de duas escolhas possíveis; na concepção Cristã existe obediência ou desobediência à Lei, adesão ou não-adesão ao Bem. Voltando à analogia do Código da Estrada, o Zoroastrianismo diz-nos que, na génese, há dois Códigos, o bom e o mau – e que devemos seguir o ‘bom’ porque gera boas consequências e evitar o ‘mau’ por gerar as más; no Cristianismo existe apenas um Código, o Bem, e é da nossa desobediência que surgem as más consequências, o Mal.

Também o ‘motor imóvel’ não é o Deus da Bíblia, mas algo mecânico e impessoal que ‘põe as coisas em movimento’: «Since this is a possible account of the matter, and if it were not true, the world would have proceeded out of night and ‘all things together’ and out of non-being, these difficulties may be taken as solved. There is, then, something which is always moved with an unceasing motion, which is motion in a circle; and this is plain not in theory only but in fact. Therefore the first heaven must be eternal. There is therefore also something which moves it. And since that which moves and is moved is intermediate, there is something which moves without being moved, being eternal, substance, and actuality.» (Metaphysics, Book 12, Part 7). Mas se Deus não é pessoal nem a Criação é o produto da sua acção, a Lei não existe como algo transcendente que nos foi revelado – mas torna-se um mero artifício humano, uma heurística, desenvolvida pelos mecanismos naturais derivados do primeiro movimento.

Pode questionar-se a relevância destas considerações para as questões mais concretas com que nos deparamos, mas a fundação determina não só a resiliência do edifício mas também a forma que esse edifício toma. Estas noções de ‘equilíbrio’ entre Bem e Mal creation_left_lg(existente nas concepções orientais do divino tão promovidas no Ocidente moderno) e do ‘motor imóvel’ (de que a teoria do Big Bang é um exemplo) são partes importantes da mundividência maçónica/gnóstica que tomou conta do Ocidente nos últimos séculos, e é sobre elas que as nossas sociedades são erigidas. Não admira, pois, que o edifício esteja a ruir. Ambas as fundações, embora na aparência monoteísticas, levam directamente ao relativismo. A abertura da teologia Cristã a estes conceitos antagónicos, numa tentativa de ‘ecumenismo’ e ‘sincretismo’, foi uma das principais razões para esta degeneração fundacional na civilização Ocidental. Não é um acaso que quando a consciência da fundação Cristã, da Criação ex nihilo e da Lei como revelação, foi apagada no Ocidente, se deixou de prestar tributo à dignidade humana inerente e se começou a achar que todas as formas de viver são certas.

Tornamo-nos agora para os identitários. Alguns subscrevem uma forma ou outra de neopaganismo como fundação supostamente transcendental – e digo supostamente porque, na maioria das vezes, é somente uma rejeição do Cristianismo do que uma convicção noutra forma de espiritualidade e fundação, uma forma de procurar algo que o ateísmo, por si mesmo, não oferece (e saúdo-lhes, pelo menos, o reconhecimento deste facto – embora, como vamos ver, não o sigam até à sua conclusão última). É, além disso, difícil analisar as premissas dos neo-pagãos porque, na verdade, não existe uma teologia coerente mesmo quando procuram essa fundação. Nas minhas observações noto que os vários neo-pagãos resume-se simplesmente à ideia de preservar a tribo a que pertencem e simultaneamente ao darwinismo social. Por isso esta análise é, não tanto de um ou vários neo-paganismos (que, na realidade, são apenas apêndices cosméticos), mas da visão ateia e evolucionária que permeia a mundividência identitária.

Para eles a fundação é a tribo ou a raça – o ethnos – e todas as outras considerações devem ser a ele subjugadas. Rejeitam o Cristanismo afirmando que este, postulando uma moral universal a que todos estamos subjugados, não tem qualquer apreciação pelo ethnos. Tal afirmação, tão comum nos nossos dias, seja da boca de anti-Cristãos como dos próprios Cristãos, é simplesmente falsa, e surge simplesmente de ignorância.

Se observamos muitos auto-proclamados Cristãos a denegrir o ethnos, é em directa oposição às escrituras e aos Pais da Igreja. Não só a tradição reconhece a existência do ethnos, como recomenda a sua preservação. São Paulo, pregando aos Atenienses, sublinha a existência e importância das diferenças entre as tribos no próprio plano Divino: «De um só homem fez Deus todas as raças humanas, a fim de que povoassem a terra, havendo determinado previamente as épocas e os lugares exactos onde deveriam habitar. Deus assim procedeu para que a humanidade o buscasse e provavelmente, como que tacteando, o pudesse encontrar, ainda que, de facto, não esteja distante de cada um de nós». São Paulo expressa também na sua carta aos Romanos o peso que tem o seu apego à sua própria tribo: «Digo a verdade em Cristo, não falo inverdades, minha consciência o confirma no Espírito Santo, que tenho grande tristeza e incessante dor no meu coração. Porquanto eu mesmo desejaria ser amaldiçoado e separado de Cristo por amor de meus irmãos, que são meus parentes segundo a carne» (Romanos 9:1-3). Mais, a única ocasião em que S. Paulo repreende S. Pedro é precisamente na questão étnica, mostrando que, sendo a Lei para todos, cada cultura deve manter-se e não ser forçada uma sobre a outra: «Quando, porém, Pedro chegou a Antioquia, eu o enfrentei face a face, por causa da sua atitude reprovável. Porque antes de chegarem alguns da parte de Tiago, ele fazia suas refeições na companhia dos gentios; todavia, quando eles chegaram, Pedro foi se afastando até se apartar dos incircuncisos, apenas por temor aos que defendiam a circuncisão. E os outros judeus de igual modo se uniram a ele nessa atitude hipócrita, de modo que até mesmo Barnabé se deixou influenciar. Contudo, assim que percebi que não estavam se portando de acordo com a verdade do Evangelho, repreendi a Pedro, diante de todos: “Se tu, sendo judeu, vives como os gentios, e não conforme a tradição judaica, por que obrigas os gentios a viver como judeus?”» (Gálatas 2:11-13). E também nas visões de S. João o ethnos surge como parte da providência eterna de Deus para a humanidade: «Em seguida, olhei, e diante de mim descortinava-se uma grande multidão tão vasta que ninguém podia contar, formada por pessoas de todas as nações, tribos, povos e línguas. Estavam em pé, diante do trono do Cordeiro, vestidos com túnicas brancas, empunhando folhas de palmeira. E proclamavam com grande voz: “A Salvação pertence ao nosso Deus, que se assenta no trono e ao Cordeiro!”» (Apocalipse 7:9-10).

Tendo em conta que os identitários reconhecem o valor da tribo e procuram uma ordem social que a sirva, e que o darwinismo social, quando levado à sua conclusão lógica, impossibilita qualquer forma de lei que não a da simples sobrevivência, o próprio facto de terem a tribo como valor e postularem uma ordem social é contraditória com essa fundação. Para ilustrar este ponto, pensemos no seguinte: várias vezes li identitários a aplaudir as raças do Oriente Extremo como ‘superiores’, querendo com isso dizer que exibem em grande quantidade as características que consideram de valor (quase todas fundadas no facto de terem QIs relativamente altos – com as consequências societais derivadas desse facto). Podemos concluir então que a nossa tribo merece, a bem da sobrevivência e da evolução, ser conquistada e substituída por Chineses e Japoneses. Não são eles ‘superiores’? Se tomarmos o darwinismo social como fundação filosófica, temos de responder que sim (lembremos que o título completo do famoso livro de Darwin é On the Origin of Species by Means of Natural Selection, or the Preservation of Favoured Races in the Struggle for Life), embora claramente os identitários respondam que não. E se se pudesse provar que a miscigenação criaria uma raça biologicamente superior, seriam os identitários darwinistas a favor desse destino? Obviamente que não. Mas porquê? Porque valorizam a sua tribo acima da sobrevivência do ‘mais forte’ e acima da evolução, e é nessa premissa que se funda a sua mundividência – por muito que erroneamente considerem que a fundam no darwinismo. Por outras palavras, a sua mundividência funda-se no amor ao próximo. E o próximo não é qualquer um, é aquele que está próximo. Porquê amar o próximo como a nós mesmos? Porque o próximo é como nós. É parte de nós. A concepção Cristã, a original, não é antagónica à identidade tribal: o ethos e o ethnos complementam-se. Perdendo-se um, perde-se o outro.

O facto de, aos olhos de Cristo, sermos todos iguais não significa que não existam diferenças entre nós, nem que essas diferenças não devam ser observadas por Cristãos (se assim fosse, Deus não teria, por exemplo, ordenado a submissão terrena da mulher ao homem, porque a famosa passagem Gálatas 3:28 diz que em Cristo ‘não há masculino nem feminino‘). Os Cristãos são comandados a observar tais diferenças, e o que Cristo observa é a nossa obediência. E o que é que Cristo requer de nós? «Mestre, qual é o grande mandamento na lei? E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos depende toda a lei e os profetas.» (Mateus 22:36-40).

«Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia o seu irmão, é mentiroso. Pois, quem não ama o seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu? E dele temos este mandamento: que quem ama a Deus, ame, também, o seu irmão.» (1 João 4:20-21). Os Cristãos que professam a sua fé apoiando a invasão de povos alógenos estão a descurar o amor ao próximo em nome de um ideal universalista condenado por Deus, não só na separação dos povos na Babilónia mas ao dizer, pela voz de Cristo, que é ao próximo que devemos em primeiro lugar apontar o nosso amor. Dizendo amar a Deus e à sua Verdade, odeiam o próximo, e portanto, rejeitam a Deus. Pelo menos neste aspecto, aqueles que se dizem anti-Cristãos mas valorizam o ethnos, estão mais perto da Verdade do que aqueles que o desprezam, dizendo-se Cristãos.

O ethnos, no entanto, não pode ser a fundação e isso é claro quando compreendemos o sentido de ‘amar’ no Cristianismo. Amar não é ser tolerante, ou simpático, ou permissivo. Amar é ter o desejo de colocar alguém no caminho recto e agir de forma a fazer o Bem por quem se ama. Isso por vezes pode significar repreensão violenta: «Quem se nega a disciplinar e repreender seu filho não o ama; quem o ama de facto não hesita em corrigi-lo.» (Provérbios 13:24). No entanto, tendo o ethnos como base, todas as considerações têm de estar a ele subjugadas, o que implica a defesa dos membros degenerados da tribo em detrimento de algo maior (o ethos). E isso observa-se na facilidade com que tantos identitários abraçam o relativismo moral e aceitam membros da tribo na sua iniquidade por mais destrutivos que eles sejam para a própria tribo. Quantas famílias foram já destruídas por causa de “amor incondicional”, em que mães e pais defendem os filhos por mais pulhas que sejam? E quantas vezes vemos o problema de diagnóstico dos identitários, que na sua defesa incondicional da sua ‘família’ nacional, são incapazes de lhe ver as falhas e assim também incapazes de apontar a origem (moral) dos seus problemas? E nos casos em que os identitários de facto se recusam a aceitar degeneração moral e a rejeitar os membros da tribo que a personificam, deixaram de colocar a tribo em primeiro lugar, e inconscientemente aceitaram que o ethos tem de preceder ao ethnos.

Quem se dá ao trabalho de considerar questões políticas e sociais complexas, em geral não o faz tendo como objectivo apenas o seu próprio bem-estar – está subentendido um reconhecimento do valor da comunidade e da ordem. Se considera que existe valor na comunidade e na ordem, reconhece que existe uma dimensão superior, que não somos apenas pedaços de carne conscientes, produtos de forças aleatórias. Essa dimensão tem de ter uma origem e essa origem, para ser generalizável – como tem de ser numa ordem social – não pode ser baseada somente nas preferências pessoais de quem a postula. Mas rejeitando uma origem transcendental, isto é, divina, para essa dimensão, não podemos dizer sem contradição que a Ordem é preferível ao Caos, que a Justiça é preferível à Injustiça, ou sequer que a Ordem e a Justiça existam como conceitos válidos – se tudo é fluxo, também a Ordem e a Justiça são conceitos transitórios, mutáveis conforme os movimentos da história, da natureza, das condições materiais, etc. Ou seja, voltamos ao materialismo relativista que precisamos de rejeitar.

Um dos argumentos que já repeti mais vezes é o de que os nossos problemas materiais (como a imigração) têm origem na nossa disposição espiritual (o hedonismo). Esta disposição é o produto directo da fundação relativista que substituiu a fundação absolutista fundada na Criação revelada na Bíblia. Sem rejeitarmos as várias fundações erróneas, não temos meio de rejeitar os seus resultados. E sem aceitarmos a fundação certa, não temos meios de obter os seus benefícios.

Apatia Mortal

Introdução

Apesar de na grande maioria dos países Europeus não se poder manter estatísticas criminais discriminadas por etnia, é um segredo mal guardado que a criminalidade violenta é um ofício praticado em grande parte por indivíduos de origem não-Europeia.

Com o influxo migratório que a crise de ‘refugiados’ trouxe à Europa o número desses crimes aumentou exponencialmente, como já tinha vindo a aumentar nas últimas décadas com a mais calma, mas ainda assim grande, enxurrada de emigrantes de países africanos e asiáticos. Muito já refugees-welcomese escreveu sobre o assunto, por antagonistas e apologistas. A identificação de padrões como o acima descrito sobre a criminalidade e a sua relação com a etnia é uma das coisas de que os média alternativos se orgulham de providenciar, tendo em conta a total ausência dessa identificação (ou mesmo omissão maliciosa) desses padrões. No entanto há um ângulo que é quase sempre ignorado (e dizer quase é ser generoso), mas que me parece ser extremamente importante, senão mesmo determinante não só para se entender o fenómeno, mas também para encontrar soluções para o mesmo.

Há essencialmente duas narrativas referentes a estes crimes: os média tradicionais têm a narrativa globalista, muitas vezes ocultando (ou tentando ocultar) as origens étnicas e religiosas dos prevaricadores – quando não é possível ignorar os crimes; os média alternativos (blogs, canais de youtube, alguns jornais online) avançam a narrativa nacionalista, salientando o carácter de invasão, de que estes crimes são cometidos não por nativos, mas sim por elementos estranhos à sociedade em que são perpetrados, racial e culturalmente. A narrativa que nunca vejo avançada, ou sequer mencionada, é nem nacionalista nem globalista (embora claramente mais simpatizante com a nacionalista, pelo menos em termos de objectivos), e é a narrativa moralista, que é a que venho apresentar aqui hoje, e que já mencionei algumas vezes no podcast.

Acho que é possível comparar o problema da invasão do terceiro mundo e dos crimes cometidos pelos invasores com o problema das armas e dos massacres perpetrados por exemplo nas escolas (como este caso recente). Em ambos os lados encontramos a narrativa materialista: da Esquerda querem proibir as armas, na Direita permitir o acesso a armas para efeitos de auto-defesa. Também aqui concordo muito mais com a Direita (já que a auto-defesa é um direito e um dever), mas não deixa de faltar ao seu argumento (muitas vezes) uma dimensão não-materialista. A origem do problema, e logo a sua solução última, não está na posse ou na ausência de armas – mas na alienação social, nos fármacos providenciados e na ausência de escapes adequados para jovens direccionarem a sua energia.

Mas se este problema é algumas vezes apontado pela Direita, juntamente com a sua defesa da posse de armas para auto-defesa, a verdade é que no caso da imigração esta outra (mais fundamental) identificação do problema é raramente mencionada.

Por isso vamos rever alguns dos casos mais famosos (ou mais macabros) e evidenciar este problema que raramente é mencionado, ou sublinhado, nos artigos que nos apresentam as histórias ou nos comentários que se fazem a eles.

O Escândalo de Rotherham

Este escândalo foi de tal forma grande que nem os média tradicionais o puderam ignorar quando rebentou, e consiste no abuso sexual de raparigas menores, ao longo de vários anos, por parte de grupos de paquistaneses. Tais abusos foram facilitados pela reluctância das autoridades em investigar os homens envolvidos por estes serem de uma minoria étnica (a BBC refere-se a eles rotherham-groomingcomo ‘asiáticos’, mas as fotos desfazem a confusão sobre a que parte da Ásia eles pertencem). O medo de serem acusados de racismo foi maior do que a vontade de descobrir a verdade sobre estes abusos, daí que eles tenham decorrido durante vários anos.

Este episódio teve um precedente, raramente mencionado, em que um ‘casal’ de sodomitas que tinha adoptado vários rapazes abusava frequentemente das crianças e usava o sistema de adopção (e a apatia dos serviços de adopção) como forma de acesso a rapazes para violar. Tal como em Rotherham, as autoridades não investigaram aquilo que era uma situação mais do que suspeita por medo de serem acusados de homofobia. Ao contrário de Rotherham, não houve grande publicidade ou agitação nos média (tradicionais ou alternativos). E usando este caso podemos apontar as causas óbvias, materialistas: a cobardia dos serviços de adopção, a falta de investigação sobre quem quer adoptar. Mas mais importante é apontar, a meu ver, uma sociedade que permite e encoraja a adopção de “casais” do mesmo sexo, e o próprio facto de que tantas crianças Europeias são concebidas fora do casamento e dadas para adopção. Ou seja, sublinha a existência de um problema moral, social, muito antes de ser um problema policial.

Similarmente, a primeira coisa a notar sobre Rotherham, e que foi de facto apontada pelos média alternativos, é a chocante realidade de que o homem Europeu tem mais medo de ser acusado de ser racista (ou homofóbico) do que tem vontade de justiça, preferindo legar menores ao abuso sexual e deixar os abusadores em liberdade. Isto seria já de si extremamente demonstrativo da apatia Europeia, mas a verdade é que essa apatia não fica por aqui – e é precisamente esta parte seguinte que é frequentemente ignorada, mas que é talvez ainda mais ilustrativa.

Este artigo conta as histórias, na primeira pessoa, de algumas das raparigas. ‘Sarah’, por exemplo, conta que foi levada com 11 anos por outra rapariga, que lhe mostrou ‘o que fazer’. ‘Jessica’, com 14, conta como um dos homens parou o carro ao pé dela e dos amigos e que foi assim que entrou em contacto com eles. Diz ela que ‘gostava dele e que queria estar com ele’, e que os pais diziam que ela não devia, que ele era muito velho, mas ela ‘não queria saber’, estava ‘fascinada por ele’. O pai ainda foi à polícia, mas como a rapariga ia voluntariamente com o homem, não podiam (e não queriam) fazer nada. ‘Emma’ conheceu os seus abusadores com 12 anos, seduzida pela promessa de drogas e álcool. As violações começaram pouco depois e as ameaças à mãe da rapariga levaram a que ela não fizesse queixa dos homens às autoridades.

Noutro artigo temos uma história com mais detalhes. Outra Sarah, desta vez nome verdadeiro, conta por exemplo que também ela foi apresentada, com 11 anos, aos homens por uma rapariga mais velha, de 15, com promessa de erva e álcool. Estas levaram, ao fim de dois anos, a cocaína e anfetaminas. Os abusos sexuais faziam parte da rotina: os homens iam buscá-la a casa e levavam-na de carro para vários locais onde o consumo de drogas e os abusos eram praticados. A rapariga vivia com a mãe, e apenas com a mãe, e com 3 irmãos. A mãe tinha dois trabalhos e sempre que tentava impedir a filha de ir com os seus violadores ela reagia violentamente, pois queria as drogas que eles providenciavam. Diz ela ‘eu tive 15 homens a puxar-me para fora de casa dos braços da minha mãe, mas eu odiava-a’.

Por fim, conta ainda a história da irmã mais nova, Laura, que aos 15 anos começou uma relação com um paquistanês de 16 anos. Ao fim de uns tempos acabaram e ela teve um outro caso com um amigo dele, também muçulmano, de quem engravidou. Depois voltou para o seu ex-namorado que, após descobrir que ela contara a história à família dele, decidiu matá-la por ter trazido vergonha e desonrado a sua família.

A história de Rotherham pinta um quadro de desolação social, desagregação familiar e apatia comunitária, sem o qual estes abusos continuados não poderiam existir. Se eliminássemos os imigrantes muçulmanos, não eliminaríamos o problema, apenas um dos seus sintomas. A facilidade e até celebração com que o Ocidente recebe hordas de imigrantes é em si um resultado da mesma desolação, desagregação e apatia. Quem vive numa lixeira pode andar constantemente a matar os mosquitos, mas sem se livrar do lixo não se livra da praga.

Rapariga Italiana desmembrada

Um dos casos mais recentes foi o de Pamela Mastropiero, uma rapariga de 18 anos encontrada morta e desmembrada dentro de malas de viagem. O primeiro homem acusado pelo crime foi um nigeriano de 29 anos, já conhecido das autoridades por ser um traficante de droga. Haxixe foi encontrado na sua casa. A rapariga, entretanto, era drogada e acabara de sair da clínica de reabilitação – a sua morte ocorrendo no dia seguinte.

Que conclusões podemos tirar?

Bom, os artigos são muito limitados na informação que dão porque, como eu disse, são focados na causa material, nunca nas situações e disposições que levaram à conclusão. Mas pelos pormenores dados não é difícil de adivinhar que a rapariga, com 18 anos e já viciada em drogas, saiu da clínica (não se sabe se contra as recomendações dos médicos, ou com o seu aval) e no mesmo dia foi procurar um traficante (o tal nigeriano), aparecendo no dia seguinte morta. Ou seja, foi procurar uma forma de morte e encontrou outra. Por mais macabro que o crime seja, por mais repulsivo que o assassino seja (ambas as coisas indisputáveis), o crime não teria acontecido sem a acção da rapariga em questão. E mesmo que o traficante fosse italiano, e que em vez de a matar se tornasse o seu vendedor frequente, poderíamos dizer que não havia nenhum problema? Quanto tempo até morrer de overdose? Quanto tempo até se prostituir para arranjar mais uma dose? E seria este destino melhor só porque a sua morte seria mais lenta, consentida, e com a ajuda de um Europeu, em vez de um Africano?

Se a nossa sociedade não estivesse caída num hedonismo suicidário, num abismo de alienação, esta história não existiria.

Rapariga Alemã esfaqueada

O título do artigo no site da Identity Evropa lê ‘Migrante Afegão assassina rapariga alemã de 15 anos’. O artigo em si não adianta grandes pormenores: afirma que o assassinato ocorreu numa loja devido a uma discussão (não se sabe sobre o quê) e mais nada sobre o crime em si. É curioso, mas é preciso ir aos média tradicionais para se encontrar detalhes que oferecem alguma perspectiva (neste caso a omissão maliciosa está do lado da narrativa nacionalista, mais uma vez mostrando que muita gente nos média alternativos se recusa a encarar o verdadeiro problema): a rapariga era, afinal, ex-namorada do assassino. O artigo diz, na voz da mãe da rapariga, que antes dela terminar o namoro com o rapaz, a família o tinha recebido de braços abertos. Também aqui as autoridades nada fizeram: aparentemente, depois da rapariga ter acabado com ele, o rapaz começou a persegui-la online e a causar distúrbios com os amigos dela.

Mais uma vez urge perguntar se, numa sociedade em ordem, com uma população moralmente sã, com famílias intactas, com um sentido de identidade e comunidade, se este crime, ou mais especificamente, as circunstâncias que levaram ao crime, poderiam ter acontecido. Não só a rapariga de 15 anos (!) entrou numa relação amorosa (e, deduz-se, sexual) com um emigrante afegão, como a família aceitou essa relação abertamente, convidou o futuro assassino para sua casa e, por fim, a rapariga decidiu terminar o namoro (algo que é cada vez mais comum entre as mulheres ocidentais, seja nas suas relações com Europeus ou não-Europeus).

Aposto que estas minhas considerações vão ser mal-entendidas por muita gente, mas não consigo, nem acho benéfico, ignorar o grande problema de lealdade entre os ocidentais, e em especial entre as mulheres ocidentais, que repetidamente correm para os braços dos refugiados, desde as mais tenras idades, com a apatia ou apoio dos pais (quando estes têm conhecimento, ou fazem parte das suas vidas de todo).

Na ausência dos ‘refugiados’ que se tornaram o objecto e maior emblema dessa falta de lealdade, de alguma outra forma essa falha moral se manifestaria. E o Ocidente continuaria em declínio mortal, deixando as suas raparigas e mulheres sexualmente livres para experimentar, desperdiçarem a sua fertilidade e beleza, e não produzirem descendência, ou produzirem uma descendência igualmente desligada de valores e normas de comportamento decentes que perpetuariam o ciclo de degeneração.

Outra rapariga Alemã

Esta outra rapariga alemã, de 19 anos, estudante de medicina, saíra de uma festa organizada pela faculdade às 2:37 da manhã e no caminho para casa, que percorria de bicicleta, foi violada e afogada no rio por um emigrante afegão. Como o Daily Mail observa, ‘ironicamente’ a rapariga fazia voluntariado em part-time para ajudar os ‘refugiados’. A polícia acredita no entanto que o agressor e a vítima nunca se tinham conhecido. A rapariga também fazia parte de uma iniciativa no Facebook chamada ‘Refugee Help Freiburg’.

A família, posteriormente, pediu oficialmente que, quem quisesse mostrar compaixão pelo sucedido, doasse dinheiro a uma instituição de caridade que ajudasse os ‘refugiados’.

Tal como no episódio anterior, uma sociedade sã, com as prioridades certas, não produziria esta situação. A mesma rapariga há 50, 100 ou 200 anos atrás não estaria numa festa, não estaria a estudar, mas sim em casa, com o marido e, provavelmente, com os filhos.

Não é possível desligar a libertação sexual, o acesso das mulheres à educação, a desagregação ou inexistência da família do problema migratório. A apatia e o hedonismo que levaram a uma coisa levaram também a outro. E mesmo que se resolva um dos problemas, mantém-se o problema original que levou à sua existência.

Como o Afonso muito bem observou num comentário a um episódio do podcast, a Direita em geral concorda na identificação dos problemas, e concorda com as soluções directas, mas é duvidoso que concordem com a identificação das causas mais profundas que estão na origem destes problemas (no caso, tratava-se da prostituição ‘soft’, como lhe chamam, praticada por miúdas de classe média de pais divorciados – e da reluctância de muita Direita em proibir o divórcio).

Rapariga Finlandesa Assassinada

Uma rapariga Finlandesa de 17 anos foi assassinada por um rapaz afegão que a violou, encharcou em gasolina e lhe pegou fogo. O contexto? Namoravam há um mês quando a rapariga quis acabar a relação para namorar com outro homem, enquanto que o namorado queria que ela se casasse com ele e fosse mãe dos seus filhos. Como ela não cooperou, ele atacou-a enquanto ela fazia jogging. Seja ou não verdade o que o ‘refugiado’ disse sobre querer casar e ter filhos, importa pouco para ilustrar a falha moral da parte da rapariga, que é o que me importa documentar.

Penso que não preciso de repetir a ladainha. O problema é exactamente o mesmo, apenas a manifestação é ligeiramente diferente, com outro cenário e noutro país. Mas a patologia social não muda.

Violação e violência na Suécia

Três raparigas adolescentes e um rapaz encontram-se para uma festa num apartamento nos arredores de Estocolmo.

Uma das raparigas convidou um emigrante da Libéria de 21 anos, que já conhecia. Este trouxe outro emigrante, do Quénia. Pouco depois, os dois emigrantes atacariam o rapaz (deixando-o com danos cerebrais permanentes) e violariam as raparigas.

Este é o último exemplo que aqui apresento. Tal como nos exemplos acima, revela exactamente o mesmo hedonismo, a mesma apatia, a mesma hipergamia feminina fora de controlo, a mesma efeminação masculina que é implícita ou explícita (um dos exemplos que não consegui encontrar o link, mas que me lembro de ler foi de uma jovem, se não me engano italiana, que convidou um ‘refugiado’ para o seu apartamento para ter sexo, e que foi depois encontrada morta pelo namorado, Europeu – o exemplo perfeito da falta de lealdade de que falamos).

Conclusão

Note-se que não mencionámos absolutamente nada (pois já muito se disse noutras paragens) sobre a política e os políticos, as decisões judiciais e os seus decisores, os organismos oficiais e instituições, etc, que vão maioritariamente no sentido da leniência para com os criminosos, de abertura das fronteiras e de apoio aos ‘refugiados’ a todos os custos. E também não mencionámos os atentados terroristas que são paralelos a estes outros crimes pontuais. Estes outros resultados são causados, ou no mínimo facilitados, pela mesma apatia para que chamamos a atenção.

Esquecendo portanto esses outros fenómenos a nível institucional, a nível individual a verdade é que encontramos caso atrás de caso em que são os Europeus (e em especial as Europeias) a convidar a sua própria destruição, seja num sentido mais global de quererem os ‘refugiados’ dentro das suas fronteiras, seja num sentido mais particular de os quererem dentro das suas casas e dos seus corpos. Caso atrás de caso em que a alienação, o hedonismo, a apatia, a desagregação da família e da comunidade, a falta de entraves à hipergamia feminina, a efeminação e impotência masculina, em suma, a morte espiritual dos Europeus, são a linha melódica que liga os vários movimentos desta sinfonia trágica.

E é indiscutível que existem muitos outros casos em que as vítimas (ou os pais das vítimas) não têm qualquer responsabilidade passiva, em que não procuraram a morte mas a encontraram na mesma às mãos dos bárbaros, mas arriscaria dizer que a maioria, senão uma esmagadora maioria, destes crimes se encontra na primeira categoria de ‘morte convidada’, e ignorar esta disposição suicidária nos Europeus é ignorar uma parte importantíssima da história, sem a qual o problema migratório não existiria em primeiro lugar, nem é passível de ser entendido e logo, de ser resolvido, satisfatoriamente e de uma vez por todas.

O facto é que existem igualmente inúmeros outros casos de mulheres que procuram os ‘refugiados’ para sexo sem que tenham o desfecho violento que vimos nos casos acima, que sublinham a mesma falta de lealdade, o mesmo hedonismo, a mesma apatia, o mesmo suicídio.

Podemos rever alguns dos mais conhecidos. Como o da rapariga Mórmon americana que, ao invés de ajudar as pessoas na sua comunidade, decidiu ir para um campo de refugiados na Grécia e acabou por se ‘apaixonar’ por um deles.

Ou as inúmeras mulheres suecas que levam ‘refugiados’ para casa que, supostamente, são menores de idade para terem relações sexuais com eles. As mesmas mulheres que, apesar do aumento enorme do número de violações, reagem desta forma quando alguns, poucos, adopt-refugee-1homens decidem protegê-las dizendo para os emigrantes tirarem as mãos das suas mulheres, elas respondem dizendo que não são deles coisa nenhuma.

Ou as também inúmeras mulheres britânicas que foram fazer voluntariado para a ‘selva’ de Calais para ter sexo com os ‘refugiados’, algumas com vários em cada dia.

O episódio mais grotesco, e ao mesmo tempo mais icónico, é o da mulher branca a ter relações sexuais com um ‘refugiado’ africano em cima de uma pilha de lixo. Orwell escreveu há umas décadas atrás que se quiséssemos uma imagem do futuro que imaginássemos uma bota a pisar um rosto, para sempre. Orwell, no entanto, provou ser extremamente ingénuo. Acho que podemos actualizar a frase e dizer, que se querem uma imagem do futuro Europeu imaginem um ‘refugiado’ a ter sexo com uma Europeia sobre uma pilha de lixo, para sempre. Enquanto não mudarmos o ímpeto na alma Europeia de se rebaixar a tal forma, de se destruir tão ilustrativamente, não podemos mudar nada.

Mas como evitar este futuro? Infelizmente não existem soluções fáceis nem instantâneas. O que sei por certo é qual não é a solução. E a solução não é continuarmos com um liberalismo, permissividade, matriarcado, degeneração puramente brancos. A solução não é removermos os imigrantes e continuarmos a indulgir no hedonismo que resulta na apatia que os convidou em primeiro lugar e que os continua a convidar. Afinal de contas, ainda não há muitas décadas os nossos países eram homogéneos, e essa homogeneidade resultou neste destino. Já existia algo de muito errado na nossa civilização, e nas almas das pessoas que a constituíam.

O nosso suicídio não será menos estrondoso, nem menos trágico, se for consumado apenas entre Europeus. Sem uma mudança estrutural, não só política, mas espiritual (sem a qual a política não pode suceder), sem retornar à tradição Cristã, ao patriarcado que o Ocidente rejeita mas que o Islão, bem ou mal, representa, o Ocidente não tem salvação. A luta não será sequer uma luta. A sociedade patriarcal vai vencer. Será simplesmente uma questão de saber se será a nossa, ou a deles.

A Guerra dos Sexos

«O marido deve cumprir os seus deveres conjugais para com a sua mulher, e da mesma forma a mulher para com o seu marido. A mulher não tem autoridade sobre o seu próprio corpo, mas sim o marido. Da mesma forma, o marido não tem autoridade sobre o seu próprio corpo, mas sim a mulher. Não se recusem um ao outro, excepto por mútuo consentimento e durante certo tempo, para se dedicarem à oração. Depois, unam-se de novo, para que Satanás não os tente por não terem domínio próprio. Digo isso como concessão, e não como mandamento. Gostaria que todos os homens fossem como eu; mas cada um tem o seu próprio dom da parte de Deus; um de um modo, outro de outro. Digo, porém, aos solteiros e às viúvas: É bom que permaneçam como eu. Mas, se não conseguem controlar-se, devem casar-se, pois é melhor casar-se do que ficar ardendo de desejo.»

1 Coríntios 7:3-9

É triste verificar o quão removidos estamos do ideal bíblico e difícil imaginar que o abandono desse ideal pode ir mais longe. Mas a cada ano, a cada década, a distância aumenta.

É um óbvio ululante dizer que os papéis tradicionais dos sexos se alteraram radicalmente nos últimos cem anos, e em especial nos últimos cinquenta, com a velocidade dessa mudança a acelerar cada vez mais, ao ponto de praticamente não existirem diferenças sociais entre os sexos – na lei essas diferenças são proibidas, e na sociedade civil para aí se caminha. A Esquerda, claro, aplaude. A Direita, com poucas excepções, também. A Esquerda apregoa a igualdade mas promove, na prática, a supremacia das mulheres, sempre na sua demanda caótica. A Direita apregoa a igualdade e acredita nela, o que é mais trágico – na prática, actua como um travão muito ténue ao estabelecimento, legal e social, da supremacia feminina.

A revolução sexual não foi um movimento de baixo para cima, mas uma operação deliberada por sociedades secretas e agências governamentais. E se ainda não há muitos anos as elites eram tímidas na sua imposição do relativismo, hoje fazem-no abertamente e sem qualquer pudor. Há uma guerra artificial entre homens e mulheres, criada pelas elites. Esta conspiração está photo_2017-10-28_11-49-13vastamente documentada. O problema está identificado, pelo que não vale a pena perder muito tempo a afirmar o que já se sabe. Se ofereço contexto é porque pretendo apresentar uma tese que aposto irá eriçar muitos pêlos e ofender muitas cabeças. Não falo da Esquerda, nem sequer da Direita que pensa nos moldes de Esquerda – mas da verdadeira Direita, tradicionalista.

Por muito que as esganiçadas do Bloco de Esquerda gritem que vivemos ainda sob o jugo opressivo do Patriarcado, a verdade é que a situação actual pode ser mais correctamente descrita como um Matriarcado. Exceptuando os casos, parcos, em que a biologia exerce a sua inevitável influência de forma irremediável (como nas ciências duras ou no desporto – ou na criminalidade violenta), a supremacia feminina é facilmente observável. E mesmo nessas poucas excepções, existem programas pagos pelos contribuintes para ‘corrigir’ essas ‘injustiças’.

Por cada juiz que decide em favor do homem em disputas legais entre conjugues, existem milhares de outros em que a decisão é favorável à mulher. A propaganda oficial tende a mostrar as mulheres como fortes e independentes, e em geral bem intencionadas, enquanto que os homens tendem a ser pintados como patéticos ou psicopatas. As escolas, as igrejas e os locais de trabalho são ambientes cada vez mais direccionados às mulheres, desenhados propositadamente para não ferir as suas sensibilidades e para acomodar as suas peculiaridades. Espaços puramente masculinos são infiltrados, e quando o não são, aparecem nas notícias para serem publicamente vilificados.

Um exemplo ilustrativo. 1985 foi o último ano em que o número de homens inscritos na faculdade era superior ao número de mulheres. Mais raparigas estão a desperdiçar os seus anos férteis na perseguição de uma carreira – e em muitos casos, nem sequer a vão concretizar. Mas mesmo que concretizem, a tragédia não é menor: as mulheres que adquiram um emprego bem remunerado kjaskjs.jpgterão maior dificuldade em encontrar um homem para casar, pois apesar de toda a cantilena feminista, não é costume ver executivas de sucesso a casar com empregados de mesa – enquanto que o contrário é comum. As mulheres procurarão sempre, por força da sua natureza biológica, um homem que tenha mais valor do que elas. No mundo mercantil em que vivemos, o salário e status social são o indicador principal no que toca a juntar os trapos e formar família. Uma mulher não respeitará o seu marido se este tiver um status menor e trouxer menos dinheiro para casa que ela. E assim se explica a proliferação da solteirona, da maluca dos gatos – que tendo passado a juventude focada na sua carreira e satisfazendo a sua necessidade de intimidade com encontros casuais e relações insignificantes, entre contraceptivos e abortos, termina numa triste desolação ou, no melhor dos casos, arranja um parolo disposto a rebaixar-se por migalhas de intimidade, quando a sua fertilidade e a sua beleza tiverem desvanecido.

Enquanto a populaça se convence da benevolência das grandes vitórias do liberalismo, as elites regozijam com a destruição da família, o seu objectivo principal. A família é o único entrave à implementação do controlo total do Estado sobre o indivíduo, o primordial obstáculo a uma nova ordem mundial, pois é nela que se baseiam todas as outras instituições intermédias, sem as quais photo_2017-11-06_09-46-10homens e a mulheres ficam indefesos perante o poder político. Não é ao acaso que a destruição ou irrelevância das instituições intermédias tenha andado, década após década, de mão dada com a desintegração da família. E na génese da família está a união de um homem e de uma mulher.

Esta união, apesar de ser uma parceria, é tudo menos igualitária. O homem e a mulher têm funções diferentes, responsabilidades diferentes, poderes diferentes. E sem essa desigualdade, a instituição não sobrevive, nem consegue cumprir a sua função. Todo o edifício desmorona. Isto é o que vemos acontecer no mundo moderno. Chesterton tem uma frase adequada: nunca deitem abaixo uma cerca sem antes saber porque foi construída. A revolução sexual ofereceu à mulher o controlo sobre o seu aparelho reprodutivo e essa ‘libertação’, que no vácuo parece sábia e justa, abriu uma caixa de pandora que ameaça desmantelar todos os alicerces que mantêm, por enquanto, a sociedade de pé.

Tendo assim exposto o problema, a resposta é óbvia: retornar à ordem tradicional, restabelecer o Patriarcado. Mas daqui até lá há um longo caminho a percorrer, e neste momento o caminho está cheio de obstáculos e buracos, e sem iluminação. Com a libertação da mulher, veio o aprisionar do homem; com a masculinização da mulher, veio a efeminação do homem. Os homens têm de, mais uma vez, exercer domínio sobre as mulheres, mas como efectuar isso na prática?

A lei proíbe-o e a sociedade desencoraja-o. Pior: as instituições que deviam oferecer luz e auxílio, juntaram-se ao inimigo; as vozes tradicionalistas, recusam-se ao combate. Os conselhos das instituições e pensadores tradicionalistas não são aplicáveis no panorama actual. A Igreja 111.jpgrecomenda que se espere até ao casamento para ter sexo e num mundo são isto seria não só possível como desejável. No mundo moderno, é possível (de certa forma) mas não é desejável. Os incentivos que existem correntemente contribuem para que as mulheres não só não precisem de um homem, como não o respeitem. Um homem moral, que queira esperar até ao casamento, vai certamente casar virgem, mas não vai casar com uma virgem. Infelizmente, na sociedade moderna, para o homem exercer domínio sobre uma mulher, esse domínio tem de ser sexual. E tendo em conta que é difícil imaginar dois jovens a conhecerem-se e a casarem quase imediatamente, sucede que o sexo vai suceder antes do casamento ser consumado.

A alternativa de alguns tradicionalistas é remover-se da sociedade totalmente, viver uma vida ascética, de celibato. Em alguns, não poucos, casos, existe uma aura de misoginia, como se as mulheres tivessem escolha, ou culpa, de serem como são – como se não caísse sobre os homens a responsabilidade de as liderar. Se de um lado da boca afirmam as virtudes tradicionais, por outro resignam-se a aceitar as torpes mentiras modernas, não em teoria, mas na prática. Ao observarem a natureza hipergâmica das mulheres, completamente desenfreada dada a realidade legal e social, decidem – porque é mais simples – que nenhuma mulher merece o seu esforço, a sua tutela. Quando na realidade é mais importante do que nunca que os homens sejam masculinos, e ofereçam uma liderança viril para as mulheres da sua geração.

Não ponho de parte, claro, que há casos perdidos – querendo com isto dizer que há putéfias irredimíveis, tal como existem homens sem qualquer capacidade de serem viris. Mas é preciso compreender que as mulheres estão tão perdidas como os homens. São vítimas da mesma images.duckduckgodegeneração da civilização ocidental, da mesma hemorragia de valores, e não sairão desse abismo sem a liderança dos homens. A cada esquina as jovens mulheres são encorajadas a abrir as pernas, a oferecer aquilo que lhes é único (a sua beleza e fertilidade) a troco de nada; a saltar de ‘relação’ em ‘relação’, quando não mesmo de cama em cama, enquanto se focam naquilo que na distorção moderna se tornou o objectivo principal: o fantasma mitológico da ‘realização pessoal’, da carreira, do trabalho. Na prática são encorajadas a serem obedientes ao patrão, em vez de ao marido.

Mas como pode uma mulher moderna ser submissa se não encontra um homem recto e viril, que queira fazer dela uma esposa? Se os homens na sua vida são puramente hedonistas, ou fracos e inseguros, incapazes de dar um passo e tomar uma decisão? Se os homens rectos não conseguem sequer ganhar coragem para meter conversa com uma rapariga e convidá-la para beber um café? Se nem esse pequeno passo são capazes de dar, como vão ser líderes dentro da sua própria casa? O meme dos involuntariamente celibatários existe por uma razão. As mulheres não se sentem atraídas pela fraqueza, e muito menos se resignarão a aceitá-la durante o auge da sua fertilidade.

E se, por um lado, existe valor moral em ser voluntariamente celibatário, existe muito pouco em ser-se involuntariamente celibatário. A verdade é que a via ascética é, e sempre foi, um caminho adequado para uma pequena minoria. A maioria dos homens não nasceu com essa vocação, e numa era sã, estariam casados e com famílias. Acontece que esse caminho é cada vez mais difícil, e exige ainda mais virilidade para o atingir. Exige, na verdade, um esforço continuado para manter a mulher fora da esfera de influência do Demónio.

Que uma maioria dos homens de valor, com princípios, com uma ideia de como a sociedade deve funcionar, siga uma via ascética (voluntária ou involuntariamente), não é um caminho para a restauração, não é um alicerce para o futuro. Mesmo quando é moralmente impecável, não oferece qualquer saída para o buraco em que nos encontramos. Pelo contrário, ajuda a que a situação piore ainda mais rápido, pois não coloca qualquer entrave a que as mulheres cumpram a sua natureza hipergâmica, e desperdicem a sua beleza e fertilidade em busca do ideal hedonista.

A sociedade moderna é repleta de paradoxos morais. Um deles, talvez o maior, é que para voltar a estabelecer uma ordem natural e moral na sociedade, o homem tem de estabelecer um domínio sobre o imperativo feminino sem ter qualquer ferramenta legal ou social, mas unicamente a sua narcismasculinidade. Para dominar a mulher num clima de libertação sexual, o homem não pode simplesmente oferecer-lhe o que oferecia no passado pois praticamente tudo pode ser adquirido sem um homem. Desde o conforto material que o emprego lhe oferece até à atenção masculina das hordas de homens sexualmente frustrados obtida através das redes sociais. Só a virilidade da liderança, da tutela do homem, e o sexo, a atracção primária, não pode ser adquirida sem ele. Se um homem for casto, e a mulher não for (e tudo a impele a que não seja), ela nunca o respeitará e com a grande loteria do divórcio, que favorece desproporcionalmente as mulheres, o homem não terá qualquer hipótese de estabelecer domínio sobre a mulher. Pelo contrário, acabará figurativamente castrado.

As mulheres são naturalmente subordinadas ao homem, e portanto as suas atitudes são, mesmo neste clima tóxico, subordinadas ao que os homens na sua vida lhes permitem. Mas isto acarreta uma responsabilidade, um esforço, um peso sobre os ombros que muitos não querem tomar. Esta masculinitynegação da realidade vai do indivíduo às instituições, em especial no campo do tradicionalismo. A verdade é que por muito que vejamos as várias mentiras que o sistema lucra em nos vender e nos rejeitemos a comprá-las, há sempre uma parte de nós que quer voltar ao conforto da mentira. E a primeira mentira que insistimos em consumir é a de que podemos esperar a mesma força moral das mulheres que esperamos dos homens; que podemos confiar no cumprimento das regras quando já não existe árbitro ou penalização pelo seu não-cumprimento. A mulher submissa e casta era um produto, não da sua biologia, mas das circunstâncias legais e sociais em que se encontrava. Circunstâncias que já não existem, mas que pelo contrário são em tudo opostas às que mantinham esse santo equilíbrio.

O conforto da mentira é apelativo, porque não exige esforço, intelectual, moral ou físico. Em nenhum campo isto é mais observável do que nas relações entre os sexos. Queremos ainda acreditar que o contexto em que vivemos é o mesmo que vem descrito na Bíblia, e que portanto podemos aplicar as mesmas estratégias e obter os mesmos resultados. Ignoramos voluntariamente que o Demónio é um íntimo conhecedor da escritura, e que a sua estratégia é encaminhar o mundo para as ambiguidades dos versos, criar situações não explicitamente descritas, onde as prescrições não geram os efeitos desejados, pois o contexto mudou, e assim desencaminhar as almas do caminho recto ou votando as que não desencaminha à total impotência e sofrimento.

Não é pois surpreendente que tantos jovens se afastem da Igreja, quando esta ignora com violência a realidade fora das suas portas, apontando um caminho onde agora só existem obstáculos e sugerindo acções que geram o efeito contrário daquilo que deviam gerar. Não é de admirar que tantas famílias católicas votem os seus filhos ao celibato involuntário e as suas filhas à promiscuidade radical (um meme vivo do mundo moderno, observável por todo o mundo ocidental). O fariseismo na questão da sexualidade tem o mesmo efeito que qualquer forma de fariseismo: afastar as almas da verdade, focando-se nas regras, em vez de no espírito. E a total fifty.jpgefeminação da Igreja é por demais óbvia precisamente no catecismo sobre o casamento e a sexualidade. As mulheres são chamadas a serem submissas aos seus maridos, mas apenas na medida em que os homens ‘amam as suas esposas como Cristo à Igreja’, e a interpretação, claro, vem directamente da mulher: se o homem não faz a mulher ‘sentir-se’ amada, então este não merece a sua submissão. A Igreja moderna sublinha este absurdo mantra da cultura pop, de que o amor é um sentimento, em vez de uma acção. E naturalmente, no campo dos sentimentos, a mulher tem todo o poder. E enquanto castigam os homens pela sua libido, mesmo quando não tem qualquer escape moral, desculpam às mulheres a sua constante procura por atenção masculina ou as suas fantasias em forma de romances degenerados.

Os homens modernos não podem esperar, ou procurar, uma esposa. Têm de exercer a sua masculinidade para fazer esposas das mulheres que se cruzam no seu caminho – e mais, exercê-la continuamente para que elas se mantenham esposas. Da mesma forma que não podem encarar o contexto sexual de um ponto de vista hedonista, procurando apenas o prazer imediato, não podem encará-lo de uma perspectiva beata e formalista, obedecendo a regras de um jogo que deixou de ter regras há muitas décadas. Os homens têm de estar preparados e dispostos a procurar e abordar mulheres para fazer de uma delas a sua esposa – longe vão os tempos em que podia confiar no círculo social, nas relações de proximidade, para encontrá-la, e longe vão os tempos em que a primeira que lhe surgisse daria uma esposa obediente e cristã. E têm de estar preparados para abandonar a relação, não por razões egoístas, mas porque o clima presente é necessariamente um de tentativa e erro, e nada mostra melhor a superioridade e virilidade do que ter opções e estar disposto a sair quando a mulher não cumpre com a sua submissão. A natureza biológica da mulher impede-a de apreciar a força do compromisso masculino, a sua dedicação ou até mesmo a Lei – e sem forças externas como a tutela familiar, a influência da Igreja ou leis que a contenham, é necessário que o homem tome as rédeas, sozinho, e imponha a ordem natural ditada por Deus.

De todos os episódios bíblicos, nenhum é mais ilustrativo da natureza feminina do que a insubordinação da Eva perante o mandamento divino. Se a mulher não pode ser confiada para se adam and eve.jpgmanter fiel a Deus, quanta negação e ilusão é necessária para se acreditar que, sem constante supervisão e acção, num mundo em que a serpente está presente em cada esquina, se mantenha fiel ao homem?

O homem de princípios tem de encarar a relação presente entre os sexos como uma guerra, e numa guerra nem todos os mandamentos podem ser perfeitamente seguidos. Se forem, é a garantia da derrota. Para isto se desenvolveu o conceito Cristão de ‘guerra justa’. A guerra entre os sexos é real e fugir à batalha não é uma opção se o objectivo é voltar à sanidade social, à ordem natural, ao casamento Cristão.

O Supositório Arco-Íris

red_pill_blue_pill.jpgUm novo termo tomou de assalto o discurso político nos últimos anos: o comprimido. Em especial, o comprimido vermelho, the red pill, aludindo ao filme The Matrix. E em especial, este comprimido tem sido um discurso político mais à Direita, em oposição ao consenso ideológico reinante nas últimas décadas, que é de Esquerda. No filme oferecem ao protagonista dois comprimidos, um, o azul, que o leva de volta à sua vidinha normal e de volta à paz de acreditar em tudo o que o sistema quer que ele acredite; o outro, vermelho, mostra-lhe a realidade pura e dura.

Tomar o comprimido vermelho é, pois, passar a ver velhas questões com novos olhos. Da verdadeira natureza das mulheres ao processo político, há muitos comprimidos vermelhos. Depois, como a moda pegou, inventaram outros comprimidos: o roxo, o verde, e muitos outros. Honestamente, já perdi a noção do que estes outros significam. Guardei um, porque já me acusaram de o ser várias vezes: blackpill, querendo isso dizer que sou pessimista e transtorno algumas pessoas com esse pessimismo – sinal evidente de que estou a fazer bem o meu trabalho. Se a realidade é negra, e o comprimido mostra a realidade, então a cor adequada é mesmo essa.

Esta história dos comprimidos era aceitável quando só havia dois (o vermelho e o azul), mas agora que já passou a fase da lua de mel e se criam outros para identificar nuances, tornou-se idiota. Era, 111admito, uma boa forma de sumarizar o processo em que um homem passa a perceber o que há de errado com o mundo. Hoje, ser redpilled pode significar simplesmente que se gosta de Donald Trump e se critica o Islão por não ser compatível com os “valores ocidentais” (que na maioria dos casos nada têm que ver com a civilização tradicional cristã, mas com a modernidade que a rejeitou). E convém lembrar que a terminologia vem de um filme razoável, mas que tem duas sequelas absurdas e que os seus autores entretanto decidiram ser transsexuais, por isso o seu julgamento da realidade não é por certo o mais adequado.

Ora, há um comprimido que grande parte da sociedade e, infelizmente, também uma boa parte da Direita moderna engoliu e que não há maneira de regurgitar. Este comprimido é tão forte que é aparentemente imune aos poderes medicinais do vermelho. O seu efeito permanece mesmo quando se digere o outro. Falo, obviamente, do comprimido arco-íris.

O comprimido arco-íris é a aceitação, ou menorização do impacto, da causa e prática da sodomia. Nenhuma questão é tão ignorada ou menosprezada como o impacto que a aceitação e promoção da homossexualidade têm na sociedade. Tendo em conta esta realidade, talvez o comprimido seja afinal um supositório. Tratando-se de seres que se dizem à Direita, esta apatia perante um dos principais flagelos do nosso tempo, não deixa de ser ainda mais preocupante.

Repare-se por exemplo neste texto do camarada Carlos Guimarães Pinto, um dos paladinos do Liberalismo Português, que fala precisamente deste assunto e ilustra o quão enfiado está o supositório arco-íris nos rectos da Direita portuguesa. Sumarizando, parece que uma secretária de estado assumiu a sua condição de sodomita. O Carlos considera que as pessoas normais ignoraram e continuaram a sua vida – tendo em conta o grau de desinformação sobre o assunto, e rainbow supa supressão dos instintos naturais no ser humano moderno, a consideração é acertada. Mais à frente vem a observação de que os conservadores, perante esta notícia, se encontraram na posição de defender «que ser homossexual é normal e plenamente aceite». Não é que não tenha razão, porque tem. O que preocupa é que a Direita se encontre, em 2017, nessa posição. É certo que os seus efeitos em Portugal ainda são mínimos quando comparados com países mais ‘avançados’ na sua degeneração. Mas só uma ingenuidade extrema (a roçar a idiotia) não consegue antever que não deverá demorar muito a que os apanhemos, porque na realidade os continuamos a seguir, no caminho para o abismo civilizacional. Enquanto a Esquerda quer acelerar o passo, a Direita limita-se a defender a posição da Esquerda da década passada. É como se não notasse que a sua defesa do status quo de Esquerda, não mantém esse status quo, mas move-o sempre e sempre para a Esquerda. E é como se não tivesse qualquer princípio basilar na sua filosofia, a não ser a defesa do status quo e a liberdade económica.

Em bom português costuma dizer-se que contra factos não há argumentos, mas quando se toma o supositório arco-íris os factos são irrelevantes. Podem confirmar aqui alguns factos ‘de ódio’ sobre os sodomitas. A lista é vasta, por isso vamos rever apenas uma minoria para ilustrar o quão problemática em termos materialistas é esta ‘comunidade’, quão absurdo é o seu orgulho e qual o seu impacto contabilizável na sociedade. Tendo em conta que a Direita parece obcecada com números, pode ser que assim comecem a abrir os olhos.

Homossexuais do sexo masculino têm 60 vezes mais probabilidade de ter SIDA que homens heterossexuais. 46% dos homossexuais do sexo masculino são alvo de abuso sexual, comparado com apenas 7% dos homens heterossexuais. 43% dos homossexuais de sexo masculino têm mais de 500 ‘parceiros sexuais’ ao longo da vida. 79% dos homossexuais de sexo masculino admitem que mais de metade dos seus ‘parceiros’ são estranhos. Os homossexuais de sexo masculino, que são apenas 1% da população, são 83% dos casos de sífilis. 40% a 60% dos homicidas em série são homossexuais. A monogamia não é uma característica central da maioria das relações homossexuais. 28% dos homossexuais tiveram sexo com mais de mil homens. Entre os homens heterossexuais apenas 25 % tiveram relações com mais de 10 mulheres.

Claro que perante estes factos teremos um coro infindável de vozes da Esquerda a assegurar-nos que a origem destas atitudes claramente disfuncionais se deve, única e exclusivamente, à discriminação de que estas pessoas são alvo pela sociedade normal. Mas parando um pouco para pensar, não há instituição que não se vergue para lhes fazer a vontade, e se por um acaso alguém decidir criticá-los, as tais instituições serão bem sucedidas em destruir a vida de quem teve a audácia de questionar os dogmas sodomitas.

Do lado da Direita, sobretudo da Direita liberal, virá o coro de que, se liberalizarmos o mercado e acabarmos com a subsidiação do seu ‘estilo de vida’ perigoso, os problemas para a sociedade deixam de existir e passam a ser um elemento circunscrito às vidas privadas dos indivíduos que a praticam. E aqui se vê o quão fundo está o supositório arco-íris. O autismo perante a sodomia é simbólico e o caso mais pertinente do autismo geral da Direita perante toda a degeneração que a Esquerda tem vindo a promover desde que tem essa liberdade e que a Direita insiste em defender com dez anos de atraso, só para dizer que se opõe a alguma coisa.

Podemos tentar chamá-los à razão e falar na realidade de que uma relação homossexual nunca pode gerar progenitura, e que portanto os homossexuais não contribuem para a perpetuação da espécie. Visto que os seus maiores defensores (e praticantes) costumam ser ateus e darwinistas, isto deveria ser visto como uma desvantagem – mas não alimentemos ilusões. A um homem com a cabeça no sítio não custa a perceber que deste facto salutar nasce quase toda a disfunção desta ‘comunidade’, mas para quem tomou o supositório, tudo isto não passa de ódio latente. Aliás, quem critica os homossexuais deve ser secretamente homossexual – uma lógica brilhante segundo a qual os ateus que odeiam a religião são secretamente devotos.

Depois podemos falar do bullying que esta ‘comunidade’ faz a qualquer oposição, crítica ou julgamento. Os exemplos são inúmeros (como este, ou este, ou ainda este) e deviam fazer soar o alerta em qualquer homem com senso comum.

Podemos falar nas marchas LGBT que ostentam, com orgulho, todos os tipos de sexualidade desviante como se fosse normal e desejável, e de como pais dão palmadinhas nas costas a si San-Diego-Pride-Parade-39.jpgmesmos por serem tolerantes e levarem os filhos a ver o escabroso espectáculo.

E por fim, podemos apontar o facto de que os governos ocidentais parecem ter a sodomia como uma das principais prioridades da sua política externa, ao ponto de se gastar quase um bilião de dólares com o assunto.

Não me parece que a Direita ignore pelo menos algumas destas realidades. E no entanto, nem um pio sai da sua boca para condenar a ‘comunidade’, a sua causa ou a sua desejabilidade numa sociedade civilizada.

A Direita não diria, por exemplo, que um heroinómano é normal e aceitável, nem sugeriria que se aceitasse essa disfunção como algo «normal e plenamente aceite». E no entanto, diz o mesmo do sodomita, sobre o qual é possível argumentar que a sua disfunção tem muito mais influência na sociedade, e uma influência muito mais negativa.

A realidade é que a aceitação da homossexualidade como normal e permissível, que veio da Esquerda e foi aceite pela Direita, é a fonte de onde jorra o lodo moral onde o Ocidente se encontra. Neste momento, o leitor mais ingénuo, mesmo perante todos os dados providenciados acima, estará a pensar que estou a exagerar.

E eu entendo, até certo ponto. É verdade que pecados é o que não falta, e que muitos deles são parte integrante da nossa sociedade desintegrada. Por exemplo, porque não apontar o sacrifício infantil que as nossas sociedades elevaram a um direito de todas as mulheres com subsídio estatal como a fonte desse lodo? É uma pergunta válida dado que o aborto é, claramente, um sinal de que forças demoníacas caminham entre nós, quando algo tão aberrante e destrutivo, que é nada menos que sacrifício humano ritual, é permitido.

Mas a sodomia é o ponto em volta do qual todos os outros males revolvem, incluindo o aborto. Em primeiro lugar, a sodomia é um ‘estilo de vida’ inerentemente egoísta, luxurioso e hedonista. Promove o sexo como uma acção meramente física (como urinar ou defecar), desligado da sua função biológica e, logo, da sua componente espiritual; é necessariamente infértil e masturbartório – mas masturbartório através do uso, e profanação, de outra pessoa. Promove a doença, porque o hedonismo é forçosamente uma atitude de baixa preferência temporal, ou seja, descarta o sexo seguro e a monogamia na procura de actividades mais extremas, e tal como qualquer disfunção, não fica estanque nessa procura do prazer: a dose tem de ser maior, e o seu efeito mais rápido (o que explica o alto número de pedófilos e pederastas entre a ‘comunidade’ gay). A sodomia promove igualmente, e pela mesma razão, o uso e abuso de drogas, provavelmente porque é um acto que para ser praticado, e ao contrário do sexo (o verdadeiro, entre um homem e uma mulher), necessita de lubrificantes artificiais e é necessariamente violento (não é um acaso que seja um acto praticado amiúde nas prisões como forma de dominação dos mais fracos).

Além disso, a sodomia é inerentemente um pecado organizado, visto que é necessário pelo menos duas pessoas para o cometer. Podem-me dizer que o homicídio é pior que a sodomia, no vácuo, e eu concordo. Mas não há nada inerente ao pecado do homicídio que leve à formação de ‘comunidades’ secretas de homicidas por prazer, que tenham o objectivo de dominar as instituições e propagar a sua ideologia homicida. Pelo contrário, os homicidas por prazer em geral são lobos solitários. Mas os sodomitas organizam-se e recrutam (a história das últimas décadas prova-o). Mais: a sua propensão é para a sociabilidade e portanto para propagar a sua disfunção. Um homicida não vai criar uma ideologia para justificar os seus homicídios, enquanto que os sodomitas fazem-no há séculos para racionalizar a sua disfunção. E essa racionalização, claro, não será no sentido de uma sociedade ordeira, comunitária e recta, mas no sentido de individualismo extremo – visto que o acto em que se baseia é puramente masturbartório, sem qualquer benefício para a comunidade que não o prazer imediato de quem o pratica.

Tendo em conta esta situação, e o facto de serem naturalmente uma minoria, é também natural que a ideologia e ‘comunidade’ sodomita promova todo o tipo de individualismo degenerado entre a população, seja o aborto, o uso de drogas, a aceitação da imigração de massas, a libertação sexual das mulheres ou o transexualismo (e, em breve, a pedofilia), como forma de destruir o modo de vida funcional da maioria.

Além disso, a propagação da sua ideologia destrói as ligações naturais de amizade e lealdade entre os homens, obrigando-os a temer sempre que um outro homem olhe para eles como um receptáculo para o seu sémen. E a ausência destas relações de lealdade tornam a sociedade mais fraca e mais sujeita a subversão interna ou invasão externa, algo que podemos observar em todas as sociedades ocidentais.

Ou seja, embora o homicídio (em que se inclui o aborto) seja um pecado mais grave, a verdade é que não existem manifestações de orgulho pelo homicídio, em que milhares de pessoas não-sodom_gomorrah_2homicidas participam e apoiam. Não existem apoiantes de homicidas nas posições mais altas da sociedade, das instituições públicas às empresas privadas. Não existe uma promoção infindável do estilo de vida homicida nas escolas nem nas universidades. E por fim, não existe a possibilidade de se ser ostracizado pela denúncia do homicídio. O mesmo não pode ser dito da sodomia.

Não é ao acaso que o único episódio bíblico em que Deus destrói directamente duas cidades seja pela prática e aceitação generalizada da sodomia. Uma tal sociedade não tem salvação possível.

A Direita deve voltar a encarar a sodomia, a sua aceitação e infiltração nos seus meios, como um mal. Não como uma ‘escolha’ inócua (embora insalubre), mas como um cancro que não só ameaça corroer a sociedade até ao seu âmago, mas que já o fez em larga medida e possivelmente de forma irremediável. É simples: como Cristo, devemos exigir que se arrependam e que parem de praticar a sua actividade destrutiva.

Está na hora da Direita retirar o supositório arco-íris.