Verbos Malditos EP 3 / Correio

O episódio 3 da série Verbos Malditos, em que analisamos a palavra ‘escravatura’, está no ar:

E também um video de uma nova série, Correio, em que respondemos a comentários/questões de ouvintes/leitores:

Espero que gostem.

PS:
Analisando as estatísticas dos novos videos em comparação com os podcasts, torna-se claro que o algoritmo do Youtube relega videos mais pequenos para segundo plano. Se gostarem, partilhem.

Obrigado a todos.

O Elefante Tecnológico

A ortodoxia do nosso tempo assegura-nos que vivemos numa era sem tabus. Na verdade, a nossa era é não só fértil em tabus, como tem neles a sua fundação, meras inversões dos tabus antigos. O consenso social é, em qualquer era, um que requer certas verdades inquestionáveis. O processo de questioná-las e da dissolução do consenso social é uma bola de neve. Quanto mais o consenso é discutido, mais os tabus que o mantêm são destruídos, e mais a sociedade se transforma noutra direcção, com os seus próprios tabus.

É observável nas sociedades modernas que vivemos o fim de uma era, que certos tabus que reinaram desde que os antigos foram destruídos, estão a ser questionados, pelo menos por uma minoria. Todos nós sabemos quais são: a questão da imigração, provavelmente a mais proeminente, mas nas franjas também a questão racial, o liberalismo social, a teoria da evolução, o materialismo, o igualitarismo e até a democracia de massas.

No entanto há um tabu (e, por conseguinte, um consenso) que persiste, entre Esquerda e Direita, entre Progressistas e Tradicionalistas, que é raramente questionado e, pelo contrário, é defendido e proposto, não só como acompanhamento inevitavelmente elephant-in-room-800x634.jpgbenéfico, mas como panaceia para os problemas criados pelos outros tabus – e ainda mais estranhamente, esta visão salvífica é principalmente mantida pelo lado direito da barricada.

O tabu, e consenso, em questão é o progresso tecnológico – e quão estranho e irónico é que tal tabu seja uma precondição, uma necessidade para a manutenção de todos os outros. Nem o anti-imigracionista, nem o racialista, nem o tradicionalista se referem a ele. Preferem ignorá-lo e focar-se nos tabus e consensos permitidos pelo progresso tecnológico, ou pior, exaltá-lo como mágica solução para a destruição desses tabus e consensos. Como um médico diligentemente dedicado a tratar os sintomas, ignorando ou comicamente promovendo a doença que os causa. O progresso tecnológico tornou-se o elefante na sala que a direita insiste em ignorar, enquanto este destrói a mobília.

O anti-imigracionista vocifera contra a imigração de massas, vendo os navios e aviões que trazem milhões de pessoas vindas de longínquas paragens, sem nunca ligar os dois pontos. Diz ele que trazer pessoas de culturas completamente distintas, com padrões civilizacionais completamente díspares, evoluções históricas e padrões sociais avessos, é uma receita para o desastre. Mas não só ignora ou aplaude o mecanismo que torna essa integração forçada possível, como nem contempla as origens de tais distinções e disparidades e portanto é incapaz de entender a génese do problema.

O carácter de cada cultura tem obviamente raízes religiosas, raciais e ideológicas. Mas têm igualmente um carácter geográfico, delimitado. A única cultura que não é geograficamente delimitada é a cultura global, contra a qual se insurgem, pelo menos em parte. As distinções entre as várias culturas derivam do facto de não terem tido uma evolução em comum, de estarem, mais ou menos, isoladas umas das outras, desenvolvendo os seus próprios padrões, costumes e normas. Até à Revolução Industrial, as distinções culturais entre vários países, regiões e localidades Europeias eram certamente menores do que as distinções entre culturas Europeias e Africanas – mas as distinções existiam, e eram parte fundamental da identidade de cada povo, região e localidade. Apesar das raízes religiosas e raciais comuns, havia diversidade entre elas. Com o progresso tecnológico, veio a possibilidade de unificar culturas intra-nacionais, como em Itália, França ou Alemanha, e eventualmente fazê-lo num panorama multi-nacional. O paradigma e objectivo presente é fazê-lo à escala global, mas a natureza do problema é a mesma.

Existem ainda distinções entre a cultura de Portugal e da Alemanha, mas em larga medida, muitas das que existiam e caracterizavam estes povos como distintos um do outro deixaram de existir. Não vêem todos os mesmos programas de televisão, usam os mesmos smartphones com as mesmas aplicações, conduzem os mesmos carros, praticam as mesmas profissões seguindo os mesmos métodos, bebem as mesmas bebidas, comem nos mesmos restaurantes, partilham da mesma ideologia? E qual é o instrumento que, africanão só lhes permite fazê-lo hoje, mas que destruiu as suas prévias ligações nacionais, locais, comunitárias? Só há uma resposta válida: o progresso tecnológico.

A verdade é que cada cultura distinta que existe e existiu na terra, era circunscrita por um determinado contexto geográfico que era, por sua vez, condicionado pelo desenvolvimento tecnológico, que não lhe permitia estender as suas fronteiras e entrar em contacto continuado e massivo com outras culturas. O progresso tecnológico leva, então, inevitavelmente à contaminação e unificação das culturas, primeiro locais, depois regionais, depois nacionais e, agora, globais.

E é importante notar que a possibilidade de integração com outras culturas torna-se uma eventualidade pois é uma necessidade do próprio sistema tecnológico – tal como todas as outras inovações trazidas por ele. Não só o progresso tecnológico traz facilidades e confortos que são atractivos para o cidadão comum, como eventualmente a sua rejeição torna-se impossível para qualquer um que queira participar na sociedade. Isto acontece no plano individual como no plano comunitário, local, regional e nacional. O rebelde que em meados do Século XX dizia que nunca iria conduzir ou utilizar meios de transporte automatizados, torna-se obrigado a usá-los quando todos à sua volta e a própria organização do seu meio envolvente o obriga a tal, se quiser ter uma participação ainda que ínfima na sociedade e obter o seu próprio sustento. Ou o empresário que pretende manter os seus empregados pois é ideologicamente contra a automatização ou simplesmente porque tem uma relação extra-económica com eles, eventualmente terá de automatizar os seus processos, cada vez mais, para acompanhar as outras empresas e manter a sua rentável. Em alternativa, declara falência, despede os seus funcionários e torna-se ele mesmo um funcionário de outrem, sempre com o cutelo da automatização a pairar sobre a sua cabeça, ameaçando o seu posto de trabalho e a sua capacidade de se sustentar. E também o país que rejeita os avanços tecnológicos que vão ocorrendo noutras paragens torna-se vulnerável à conquista por países tecnologicamente mais avançados, e sofre pelo menos a pressão do seu próprio povo para emular estes países pela informação que chega de fora sobre as maravilhas trazidas pelos desenvolvimentos tecnológicos.

Ou seja, o progresso tecnológico é primeiro introduzido como uma opção, mas, eventualmente, e cada vez mais rapidamente, se torna uma necessidade. A adesão aos seus serviços deixa de ser uma escolha e passa a ser uma obrigação para todos – e o preço a pagar pela não-adesão cada vez maior quanto maior o desfasamento entre um e outro grupo. E claro que este processo sempre ocorreu, mesmo em sociedades primitivas, mas sempre de forma muito limitada. Com a Revolução Industrial o espectro de influência e a velocidade com que sucede, tornou-se inescapável para qualquer povo, em qualquer parte do mundo.

O racialista encontra-se na mesma posição. Ele sabe que a integração de raças diferentes, não só de culturas, é em geral uma fonte de conflicto e, excepto em casos históricos pontuais com a combinação perfeita de outros factores, degenera no caos social. Ele sabe que a miscigenação entre raças díspares é uma fonte de fraqueza, não só genética como cultural, e uma destruição da herança deixada pelos 18i2cwilgs7n4jpgnossos antepassados. E, no entanto, ignora ou promove o progresso tecnológico através do qual é possível a importação de outras raças, a convivência continuada e a atenuação das consequências directas da miscigenação. Os problemas e perigos da endogamia são bem conhecidos, sendo que confirmam os tabus modernos, mas os perigos da exogamia são largamente ignorados. No entanto os estudos apontam que, entre membros de raças díspares, existe uma depressão exogâmica, uma degeneração que enfraquece os seus frutos, e quanto mais díspares as combinações, mais geneticamente fraco será o produto. No entanto, através do progresso tecnológico, estas fraquezas são atenuadas – e, eventualmente, resolvidas. Qual é, nesse caso, o argumento contra, se a tecnologia nos permite solucionar os problemas causados pela exogamia? Torna-se num argumento meramente cultural e sentimental. E aí voltamos aos parágrafos anteriores sobre a contaminação e unificação cultural levada a cabo pelo progresso tecnológico.

Mais, numa era em que as culturas se unificam e homogeneízam, o argumento de que importar outras raças e culturas é disruptivo torna-se ele mesmo espúrio, pois até que ponto podemos falar de culturas diferentes num mundo globalizado? O Africano tribal é certamente inassimilável à cultura tradicional Portuguesa, mas o Africano que ouve música popular americana, come McDonalds, bebe Coca-Cola e vê Netflix é culturalmente semelhante ao Português que faz exactamente o mesmo. A cultura é a suma das acções e atitudes de um grupo humano – se as acções e atitudes são as mesmas, os grupos, para todos os efeitos, são os mesmos e podem misturar-se à vontade, pois já não há praticamente nada a separá-los.

Da mesma forma, o tradicionalista queixa-se do declínio moral observado na sociedade, da destruição da família e da comunidade, da atomização e do individualismo, sem nunca apontar a mira ao mecanismo que não só possibilitou a destruição de toda a ordem social que considera valiosa, mas tornou essa destruição uma inevitabilidade.

Na sociedade tradicional, a família e a comunidade não eram uma escolha, nem uma convenção, mas uma necessidade de sobrevivência. O indivíduo precisava de uma rede de apoios familiares e comunitários para existir e persistir. A tradição era, ao mesmo tempo, uma ferramenta para as novas gerações, que tinham um ponto de partida, e um Waltons_on_porchobjectivo que significava a sua perpetuação, porque ao perpetuá-la cada família e comunidade assegurava o seu futuro. Coisas tão simples como os filhos continuarem os misteres dos pais, ao invés de perseguirem outras ocupações, assegurava a continuação e manutenção da comunidade. A introdução de automatismos retira esta necessidade, e promove a dispersão e dissolução da comunidade. A invenção da fábrica moderna destruiu, para todos os efeitos, esta forma de vida – ou seja, destruiu a comunidade e a família tal como foi entendida durante milénios. Hordas de rurais abandonaram as suas comunidades porque as suas actividades económicas já não eram rentáveis face às capacidades tecnológicas das fábricas; substituíram a sua comunidade particular pelos habitáculos indistintos e estranhos da cidade onde não conheciam os vizinhos, nem tinham com eles nada em comum, a não ser a desgraça de terem sido empurrados para aquela situação; as suas culturas comunitárias, por sua vez, desapareceram, visto que o ciclo de continuação foi abruptamente parado; nas cidades, bayard-st-5-cent-lodgingos indivíduos atomizados aderem, pois, necessariamente à cultura urbana, cosmopolita e desligada de qualquer raiz, pois é a única que existe e que pode existir.

A moralidade tradicional perde toda a sua força quando é desligada da sua razão objectiva, de sobrevivência. A castidade e a monogamia deixam de ser ferramentas necessárias para uma vida salubre, e tornam-se opções – opções morais, mas cuja não-adesão deixa de ter penas concretas na vida terrena. Onde antes a libertinagem sexual trazia graves consequências para o indivíduo (e, visto que este estava inserido numa comunidade, também para todos à sua volta), com a introdução de métodos contraceptivos modernos, de métodos abortivos mais seguros, até da facilidade de providenciar sustento sendo mãe solteira, as consequências são atenuadas, quando não removidas, e a regra moral deixa de ter uma aplicação clara e objectiva na vida comum. O mesmo para a monogamia heterossexual, que numa sociedade tradicional é a única forma de produzir progenitura e assegurar que esta tenha possibilidade, não só de estabilidade psicológica, mas de sustento e fhhsobrevivência, através da introdução tecnológica torna-se uma escolha – e todo o tipo de arranjos alternativos se auto-justificam.

E reparem que não referimos as consequências dos malefícios do progresso tecnológico, que em geral só são descobertos tarde demais, como por exemplo a destruição do meio natural pela poluição industrial ou a contaminação dos nossos corpos por partículas tóxicas, como comprovadas regularmente em estudos que chegam à conclusão de que os avanços tecnológicos têm, afinal, também prejuízos. Estamos a falar das consequências, não dos malefícios, mas dos benefícios do progresso tecnológico. Estes benefícios, que são inegáveis, como o aumento da esperança de vida ou a relativa facilidade na produção de alimentos, têm em si mesmos contrapartidas nefastas, sobretudo de um ponto de vista de direita. Que os vários avanços tecnológicos tenham algumas consequências materiais negativas é óbvio para todos com o passar do tempo, mas que as consequências materiais positivas trazem os seus próprios problemas – e que não são problemas pontuais e circunscritos, mas problemas civilizacionais, de paradigma – não é tão fácil de ver, ou de admitir. Se o fosse teriamos muito mais vozes na direita a expressar preocupações com este fenómeno, e a verdade é que não temos.

Inúmeros outros exemplos podem ser dados daquilo que era natural e necessário numa sociedade tradicional, mono-cultural e mono-racial, e que se torna acessório, opcional ou até desvantajoso com a introdução de tecnologia moderna. Aqueles que lutam a favor de um retorno sem criticar o sistema tecnológico, estão a lutar contra uma sombra numa parede – e quem dá murros contra paredes, não só magoa a mão, como não fere o DSC00494PS21.jpginimigo. A modernidade pode ser uma doença espiritual, mas é enquadrada em parâmetros físicos. Todas as sociedades Europeias, no continente ou na diáspora, estão afectadas e infectadas por esta doença. Será que o problema é, então, especificamente Europeu? Não, a razão para as sociedades Europeias (e logo a seguir as do extremo Oriente) serem as mais afectadas é que são as que há mais tempo convivem com a tecnologia moderna, que lideram os seus avanços e sofrem primeiro as consequências da sua introdução. A existência de grupos como os Quakers, os Amish ou os Menonitas, que rejeitam a tecnologia moderna e, não por acaso, mantêm comunidades tradicionais, mono-culturais e mono-raciais, prova a origem do problema.

O Globalismo, em todos os seus aspectos culturais, raciais e morais, não é na sua génese uma simples ideologia, que pode ou não ser promovida e pode ou não ser combatida em si mesma. O Globalismo é a mera racionalização do sistema tecnológico, a moldura necessária para o quadro pintado pelo progresso tecnológico. A história da Torre de Babel é muitas vezes trazida à discussão para ilustrar o Globalismo, tanto da parte dos eu-tower-of-babel-poster.jpgseus opositores como dos seus proponentes. Mas os seus opositores falham em ver que há uma lição tecnológica na história: a construção não seria possível sem os materiais, o conhecimento e a linguagem comum. Quando Deus dispersa as nações, não as separa simplesmente em termos geográficos, mas retira-lhes a ferramenta, a linguagem comum, que era a condição principal para a sua afronta a Deus. A mesma lição existe na história da desobediência humana no Jardim do Éden, em que o novo conhecimento precipita a decadência de toda a criação. Aqueles que encolhem os ombros e vêem esta admonição como irrelevante ou até contraproducente, estão presos numa visão progressista do mundo, a mesma da Esquerda, de que o progresso é um bem em si mesmo, trazendo novos amanhãs que cantam, e que a estabilidade é uma anomalia. Daí verem o progresso tecnológico, não como destrutivo, mas como libertador. Mas piores são aqueles que, entendendo a lição Bíblica, ainda assim fecham os olhos à sua manifesta e óbvia encenação contemporânea, o progresso tecnológico e as suas consequências para a saúde moral dos homens e das suas sociedades. Ambos, porém, ao ignorarem ou apoiarem o progresso tecnológico, passado, presente e futuro, estão a lutar sem saberem contra si mesmos, em contradição absoluta.

Este parece ser o comprimido mais difícil de engolir para os meus correligionários: o progresso tecnológico é inerentemente disruptivo de tudo aquilo que a direita diz querer preservar, seja de natureza cultural, racial ou moral. Ou seja, é necessariamente uma ferramenta da esquerda, que só pode avançar os objectivos da esquerda. Se a direita quiser lutar de forma séria e eficaz contra os males que correctamente identifica no mundo, tem de ser necessariamente céptica de avanços tecnológicos e favorecer um retorno, não só aos aspectos exteriores da sociedade tradicional, mas às condições tecnológicas que as tornavam possíveis e salutares.

Mário Manchado

O episódio é relatado por Vasco Pulido Valente no seu livro ‘Retratos e Auto-Retratos’ (p. 122 da edição da Assírio e Alvim, 1997):

 

«A meio da conversa, na conferência de imprensa que fechou o Congresso [XIII do PCP em Maio de 1990], Cunhal saiu-se de repente com uma extraordinária observação. Estavam a atazaná-lo com Lenine e ele respondeu que o mal não vinha de Lenine, vinha de que os comunistas deste ‘fim de século’ não tinham encontrado as ‘respostas adequadas’ para os problemas de hoje, como Lenine as encontrara para os problemas do ‘fim do século passado’. Nem mais, nem menos»

 

Vem isto a propósito de Mário Machado, da sua ridícula participação em programas da TVI para se fazer de vítima, debitar inanidades ou truísmos e oferecer, mais uma vez, ao sistema um pincel depreciativo com que pintar qualquer alternativa ao status quo. Diz o homem que precisamos de um novo Salazar. Já vamos discutir se precisamos ou não, mas podemos começar por dizer que de Mário Machado definitivamente não precisamos. O sistema precisa, nós dispensamos.

 

Qualquer ser com a cabeça bem assente nos ombros e dois dedos de testa consegue perceber que a maior contribuição que Mário Machado poderia fazer para o Nacionalismo Português, seja ele de que estirpe for, e para toda a gente que não se revê na ‘direita’ que ocupa o parlamento, seria afastar-se, definitivamente, de qualquer activismo blood-stain-e1346706098953.jpgpolítico e qualquer aparição mediática. Mesmo ignorando o seu passado de violência, barbarismo e estupidez, ou acedendo que uma pessoa pode mudar, há coisas que não mudam: e a sua imagem é uma delas. É injusto que erros (mesmo que graves) de juventude manchem para sempre a percepção alheia sobre uma pessoa? Talvez. Mas sucede que mancham. E há manchas que não saem, por mais sabão mediático que se aplique. Além de que o sistema não tem qualquer desejo (ou, admita-se, obrigação) de aplicar sabão algum – pelo contrário, usará sempre o seu passado contra si e, pior, contra nós, exagerando, mesmo que não seja necessário, os seus pecados passados e desprezando qualquer futura conversão aos bons sentimentos. E não falo apenas da imagem que estará para sempre marcada na cabeça do cidadão comum sobre quem o homem é e o que representa, mas também da sua imagem propriamente dita. Uma simples pesquisa pelo seu nome revela dezenas de fotografias em que aparece pejado de tatuagens, em si mesmas preocupantes em qualquer líder que se queira sério e são, algumas delas de cruzes suásticas e outros símbolos associados ao Nazismo, rodeado de outros grunhos do mesmo género e de bandeiras, posters e todo o tipo de simbologia insalubre. Só outros grunhos se podem identificar com esta imagética, e ninguém minimamente são lhe ficará indiferente: pelo contrário, terá uma aversão imediata e profunda a toda a empresa.

 

Não importa se há razão ou não nessa aversão, se o revisionismo é salutar ou se se exagera na condenação, nem adianta mencionar que a mesma aversão seria devida a símbolos comunistas se atendêssemos à brutalidade dos regimes. O facto, puro e simples, é que na cabeça do cidadão comum o Nazismo representa o mal na terra, o ódio puro ng7158955.jpgsem justificação, e qualquer associação a ele é uma sentença de iniquidade e más intenções. Deixando de lado a parvoíce histórica e ideológica que é ser adepto do Nazismo sendo Português, mesmo que o não fosse a estratégia de usar a sua imagética – ou simplesmente estar associado a ela – é uma estratégia votada à derrota. Por isso uma personagem como Mário Machado é, e será sempre, um trunfo do sistema contra qualquer putativo movimento de direita não-liberal e servirá, não para angariar seguidores e simpatizantes, mas para afastar qualquer pessoa normal. Confrontado com uma fotografia do Mário Machado a fazer uma saudação romana com a suástica tatuada no braço, um homem normal, por mais desiludido e farto que esteja do status quo, pensa ‘se este gajo é a alternativa ao sistema, então fico-me pelo sistema porque do mal o menos’. Não sei se o Mário percebe o dano que causou ao aparecer na televisão, se continua a procurar mediatismo por vaidade, se é pago para ser uma marioneta ou se tem boas intenções. Na verdade não importa. O que importa é que, ao fazê-lo, o Mário deu inadvertidamente mais outra machadada brutal na percepção pública dos nacionalistas, oferecendo assim uma prenda de Natal atrasada a todos aqueles que supostamente quer derrotar.

 

Estas lições não são difíceis de aprender. Sabem quem as aprendeu? O PNR. E mesmo assim, passados tantos anos, ainda sobre ele paira o espectro, a suspeita de que na realidade é um grupelho de cripto-nazis que simplesmente mandaram cobrir as tatuagens de suásticas para consumo generalizado. É possível que paire para sempre. Esta é a medida da toxicidade desta imagética e não pode ser ignorada, nem tolerada.

 

Agora voltamos ao início. Citei o episódio com Cunhal porque a nova ‘iniciativa’ do Mário, que aparentemente conseguiu compreender, nem que seja em parte, o que se disse acima, é apelar, não ao passado do nacional-socialismo alemão, mas ao passado salazarista. Diz ele que precisamos de um novo Salazar. Infelizmente, demonstra também aqui a sua irremediável ignorância e inabilidade táctica, para além da sua falta de humildade. O povo que se lembra de Salazar tem sentimentos mistos. O que não se lembra conhece-o pela propaganda sancionada pela Esquerda. A imagem de Salazar e do salazarismo não é nem de longe tão tóxica como o Nazismo, nem se justificaria que fosse, mas o regime continua a ser o produto do seu tempo, e o povo até pode querer um homem forte, honrado e com visão como Salazar foi, mas não quer um novo Salazar, até porque isso não faz sentido nenhum.

 

Como sucedia a Álvaro Cunhal, também do nosso lado e do lado oposto, nos atazanam a cabeça constantemente com fantasmas do passado. O dele era Lenine, o nosso é Salazar. Precisamos de um novo, precisamos do antigo; ou então, acusam-nos de querer trazê-lo de volta ou reinventá-lo. Devemos rejeitar esta matriz. Cabe-nos a nós, no início deste século, encontrar as respostas adequadas para os problemas de hoje, como Salazar as encontrou para os problemas do início do século passado. Salazar e os homens que o salazarrodearam não andavam preocupados a dizer que precisavam de um novo D. Dinis ou de um novo Marquês do Pombal. Andavam preocupados em tomar o poder pelos meios possíveis e em efectuar as mudanças necessárias para equilibrar as contas do estado, restabelecer a moral pública e a ordem social. Não achavam que o necessário era ressuscitar velhas ideias ou passadas ideologias, mas sim organizar a sociedade conforme princípios universais e intemporais.

 

O que nos falta não é um novo Salazar, mas algo mais importante: homens que, em vez de estar presos ao passado, consigam antever o futuro e trabalhar para o construir; que reconheçam um líder digno quando este surgir e o ajudem a concretizar a sua visão; e um povo que esteja disposto ao sacrifício necessário para a tarefa hercúlea de salvar Portugal da falência, da degeneração e do caos em que se está a afundar desde que se fundou a Terceira República. Apelar ao passado é manter a conversa onde o sistema a quer: no plano do imaginário. E como não há regimes perfeitos, invocar qualquer um que já tenha existido é dar munições ao inimigo e pedir que disparem sobre nós. O saudosismo pode ser o desporto nacional, mas quem o pratica sai sempre vencido. Enquanto os líricos se enternecem de nostalgia pelo passado, os poderosos destroem o país impunes.

Portugal Desintegrado : EP 43 : Homofilia

O homófilo olha para a subversão interna e diz: ‘quem sou eu para julgar?’

Neste episódio falamos sobre doenças contraídas por sub-humanos, continuamos a falar sobre a perene tentativa e crescente sucesso dos sodomitas na corrupção social (e sobretudo infantil), das novas fronteiras e da megalomania do movimento sodomita e por fim olhamos para a homofilia da direita seropositiva.

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A indignação veio tarde, e é insuficiente

photo_2018-10-10_09-34-49A 10 de Outubro de 2018, o país acordou com uma história sobre um questionário oferecido a crianças do 5º ano, no âmbito da “disciplina” de Cidadania, em que se perguntava se se sentiam atraídos por homens, mulheres ou ambos.

Rapidamente a indignação se espalhou nas redes sociais, nas caixas de comentários dos jornais e nos blogs e, em resposta, o governo viu-se obrigado a abrir inquéritos e investigações ao caso. De repente, o cidadão comum e moderados de todos os quadrantes políticos acordaram para a realidade de que a agenda LGBT não tem pejo em direccionar a sua propaganda a crianças pré-pubescentes. Infelizmente a indignação vem tarde, e é insuficiente.

As mesmas pessoas que defenderam e defendem a liberdade que permite que a propaganda sodomita seja bombardeada incessantemente através dos meios de comunicação, da cultura e das “artes”, indignam-se agora com a manifestação nas escolas de algo que a nossa cultura promove 24 horas por dia, 365 dias por ano, de realidade vs ficção.pngformas muito mais subtis, incisivas e aberrantes. Pessoas que provavelmente vêem séries como Modern Family – que tem como duas das suas personagens principais dois sodomitas, “casados” e com uma “filha” adoptiva – sentados no sofá acompanhados dos filhos – porque os “gays” da série são muito engraçados e nada ameaçadores (porque são pura ficção). As mesmas pessoas que não se incomodaram com o desenho animado premiado em que dois rapazinhos pré-púberes se “apaixonam” e beijam. As mesmas pessoas que não abriram a boca quando a Disney pôs três “casais” de crianças do mesmo sexo a beijarem-se numa série infantil. As mesmas pessoas que têm colegas e amigos sodomitas e não têm problemas em que estes convivam com os seus filhos. As mesmas pessoas que acham que a homossexualidade em si não é um problema, que cada um faz o que quer com o seu corpo e com a sua vida, desde que não atente contra a vida dos outros, e que até acham que os “gays” devem poder “casar” e, quem sabe, até adoptar.

Infelizmente, ainda não vai ser desta que os moderados se apercebem da total impossibilidade de limitar as acções privadas ao domínio privado, e que aquilo que é permitido é tacitamente aprovado e recomendado como saudável e natural. E muito menos se vão aperceber da enorme influência que os sodomitas têm no arrancar das raízes sociais e na destruição de todos os conceitos de normalidade no que à sexualidade diz respeito – algo que afecta, literalmente, a capacidade de sobrevivência de uma sociedade. E quando falamos da influência dos sodomitas, nem sequer estamos a falar do enorme poder do lobbi “gay”, que é uma força inamovível, instalada em todas as instituições, públicas e privadas. Não, a mera tolerância da homossexualidade como “estilo de vida” aceitável é destrutiva para a sociedade, para a normalidade e para o desenvolvimento psíquico infantil.

A verdade incontornável é que a mera aceitação da homossexualidade e a permissão da sua exposição pública implicam sexualização precoce das crianças. Uma relação amorosa entre um homem e uma mulher é perfeitamente explicável a um miúdo sem videntrar em detalhes sobre sexo: juntam-se, amam-se e assim saem bebés. Foi assim que eles vieram ao mundo e foi para isso que o pai e a mãe se juntaram. O como e o porquê estão ambos respondidos, fim da conversa. Explicar um “casal” homossexual implica adicionar a componente do prazer sexual como motivo da união, já que a procriação está fora de questão. Ou seja, entre ter um questionário que pergunte se se sentem atraídos pelo oposto ou pelo mesmo sexo, ou ter de explicar um “casal” gay – algo que na nossa sociedade se tornou inevitável – a exposição a temas que as crianças não têm capacidade para compreender e que, portanto, não devem ser alvo de discussão ou explicação, passam a ter de ser discutidas e explicadas.

Dá uma certa vontade de rir ver liberais como o Vitor Cunha ou como a Helena Matos a agitarem os braços por causa do infame questionário, quando certamente não querem proibir toda e qualquer manifestação pública (incluindo nos meios de comunicação e entretenimento) de homossexualidade. Dentro da sua filosofia, proibir o privado é uma Capturelimitação de liberdade injustificável, mesmo que esta acarrete um preço caríssimo a pagar na sanidade e ordem social. Desde que não seja patrocinado com o dinheiro público ou propagado por meios de comunicação públicos, o liberal não tem qualquer meio de evitar a conspurcação das crianças à mão dos sodomitas, a não ser confiar que todos os pais, a todos os momentos, estarão atentos e capazes de evitar a exposição destes temas aos seus filhos. Evitar que vejam televisão, revistas, jornais, vídeos e páginas na internet e que saiam à rua para qualquer tipo de actividade. Se hoje ainda é um pouco exagerado fazer esta asserção (mas não demasiado), não é certo que ela não se torne verdade absoluta se a sociedade não mudar de atitude em relação à questão, visto que já é praticamente impossível, na sociedade de hoje, proteger os nossos filhos da influência negativa que a ideia de homossexualidade necessariamente impõe.

E todos sabemos que a marcha do progresso não pára. Se acham que a propaganda homossexual vai parar por aqui e não vai continuar aumentar em violência e em volume, e que não vai invadir mais e mais espaços, incluindo todos os espaços puramente infantis, então só posso lamentar a vossa inocência. Era apenas uma questão de tempo até que a propaganda sodomita entrasse na escola de forma explícita – porque de forma implícita já lá está há vários anos. E a polémica tem pouca fundação e pouco resultado, pois findado o circo mediático as crianças até podem voltar para a escola sem que lhes enfiem pela goela abaixo a realidade anti-natura da homossexualidade, mas nos intervalos brincando com os seus smartphones, ou em casa, sentados ao computador ou à frente da televisão, serão confrontados com a mesma disfunção, sob formas muito mais perversas e manipulativas – sem que ninguém abra a boca.

Portugal Desintegrado : EP 42 : O Futuro é um Presente envenenado

A sexualização das crianças é o emblema final de uma civilização em desintegração.

Neste episódio lemos uns comentários do Afonso, abordamos a crescente sexualização das crianças e a origem desse fenómeno e falamos do homem do momento, Jair Bolsonaro, e de como a Direita Seropositiva prefere que as suas crianças sejam corrompidas e as suas sociedades caiam no caos a apoiar um não-cosmopolita que fala sem papas na língua.

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Portugal Desintegrado : EP 41 : Quem vive pelo orgasmo, morre pelo orgasmo

O Nacionalismo tem de ser menos heteronormativo e homofóbico“, dizem os nacionalistas desenvolidos. Deixem-me de fora destes desenvolvimentos então.

Neste episódio falamos do meu “etnomasoquismo”, lemos uma caixa de comentários num blog nacionalista que podia ser do bloco de esquerda (mas só para brancos), abordamos a questão da SIDA em Serralves e no mundo “artístico” e terminamos com a legalização da prostituição na Alemanha e os seus efeitos.

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Portugal Desintegrado : EP 40 : Direita Seropositiva (II)

Diz que não à direita seropositiva. Pode salvar-te a vida.

Neste episódio falamos de uma sondagem divulgada e comentada pelo Afonso de Portugal (a parte não seropositiva do episódio) e de como os nossos maiores inimigos são os da nossa própria casa. Falamos de um youtuber português “conservador” com milhares de subscritores que acha que crianças devem aprender sobre sexo na escola aos 10 anos, que os sodomitas são como nós e que a esquerda é que é verdadeiramente homofóbica. E lemos e comentamos duas entrevistas (uma a um transsexual e outra a um traficante de droga), ambas publicadas na Magg, a magazine do jornal da Direita Seropositiva, o Observador.

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