Automatizar a Alienação: progresso tecnológico e anti-globalismo

«The conservatives are fools: They whine about the decay of traditional values, yet they enthusiastically support technological progress and economic growth. Apparently it never occurs to them that you can’t make rapid, drastic changes in the technology and the economy of a society without causing rapid changes in all other aspects of the society as well, and that such rapid changes inevitably break down traditional values.»

Theodore Kaczynski, Industrial Society and Its Future, 1995

Um dos argumentos mais usados pela intelligentsia globalista para justificar a imigração de massas para o Ocidente é o baixíssimo índice de fertilidade observado entre as populações nativas e a necessidade de manter a população a um nível estável evitando, desta forma, uma descida nos níveis de produtividade e um colapso do sistema de pensões. Esquecendo a perspectiva ‘conspiratória’ de que existem motivos ulteriores social_problems_depicted_in_cool_cartoon_art_04para as elites globalistas quererem esta solução, o argumento que apresentam é puramente económico – e nessa sua miopia estão perfeitamente alinhados com a Direita moderada, para quem a economia é o único barómetro político, social e cultural.

Este argumento pode ser rejeitado por várias razões, algumas económicas e outras de cariz moral: a mais importante, a meu ver, não tem absolutamente nada que ver com economia, e baseia-se no princípio moral de que uma população deve manter a integridade étnica (e logo, cultural) da sua nação ancestral. Acontece que este princípio, embora moralmente justificado, para ser aplicável na realidade, obriga a que se façam considerações de ordem técnica. Podemos achar, e com razão, que os argumentos e intenções dos globalistas são iníquos, mas temos de concordar que o seu raciocínio não é totalmente disparatado, sobretudo se quisermos manter ou aumentar o nível de riqueza presentemente existente. Tendo em conta o índice de fertilidade dos nativos europeus, a Segurança Social e semelhantes sistemas de transferência de rendimentos de jovens para idosos é insustentável. Já o é há várias décadas, e a combinação de declínio populacional e políticas inflacionárias promete destruir o sistema por dentro, seja através da impossibilidade de o Estado cumprir com os compromissos para com os beneficiários ou de os cumprir para com os credores a quem se endividou para pagar aos beneficiários. É um problema inamovível e que exige uma solução.

A Direita moderada não tem preferência: desde que se resolva, não importam os meios – mesmo que esses meios sejam a substituição da população original por africanos, árabes e ameríndios. Tendo em conta que esta substituição não implica uma reposição qualitativa, mas sim quantitativa, que os imigrantes que invadem o Ocidente não têm a mesma capacidade intelectual e produtiva dos nativos, que uma boa parte deles adicionam custos em vez de benefícios ao sistema, e que a economia mundial necessita de cada vez menos mão de obra não-especializada dada a automatização e o avanço tecnológico (algo que já afecta as classes baixas e médias do Ocidente) as considerações conspiratórias ganham alguma validade. Pelo que a Direita identitária rejeita obviamente esta solução, tanto moral como economicamente, e em contraposição diz que não precisamos de imigrantes, precisamos somente de mais automatização e progresso tecnológico. Com a automatização e o progresso tecnológico vem racionalidade económica, maior produtividade e logo a libertação de recursos sem se sacrificar a produção de riqueza, permitindo, em princípio manter o sistema de pensões mesmo perante uma população envelhecida e uma diminuição da população activa. A automatização permite já, e permitirá cada vez mais, a realização de inúmeras tarefas de forma menos dispendiosa do que a prévia necessidade de se empregar as classes baixas e médias, aumentando o nível geral de riqueza. O argumento é ilustrado sucintamente neste video. Ao contrário da Direita moderada e dos globalistas, a Direita identitária pode apontar para sociedades onde a sua solução já está a ser praticada.

Para os identitários, o Japão funciona como o exemplo a seguir. Uma sociedade envelhecida, sim, mas que, apesar disso, continua a prosperar economicamente, cada vez mais tecnologicamente avançada e que se mantém ainda etnicamente homogénea, e logo largamente livre do crime violento ou de propriedade, ao ponto de a polícia não ter o que fazer. No entanto, penso que é algo ingénuo olhar para o Japão como uma história de social_problems_depicted_in_cool_cartoon_art_640_36.jpgsucesso, quando essa história pode ser mais correctamente descrita como uma tragédia. Se as afirmações acima sobre a sociedade Japonesa são verdadeiras, é preciso no entanto olhar para o abismo social e moral em que o país caiu – não apesar delas, mas por causa delas. Neste mini-documentário, vemos a profundidade da decadência para lá dos números, aquela que não podendo ser quantificada, pode ser observada e sentida. Esta é uma sociedade altamente disfuncional, um pesadelo kafkiano de hotéis capsula, de homens herbívoros, de hikikomoris, em que homens e mulheres não têm interesse no sexo oposto, em que a figura do funcionário ideal da corporação se realiza na sua mais assustadora representação – e mesmo isso não sendo suficiente para satisfazer as necessidades de uma sociedade altamente competitiva – em suma: o cúmulo da sociedade materialista. O desenvolvimento tecnológico que tornou o Japão numa história de sucesso económico foi art-emgn-7o mesmo que tornou os seus cidadãos meros autómatos ultra-materialistas, desligados da sua humanidade e, logo, do próximo. E, sem alógenos violentos que, pelo seu barbarismo, os lembrem da realidade pura e dura da vida, têm liberdade e paz para adormecer num torpor estéril de conforto. Não admira que uma tal sociedade não produza progenitura. Para quê trazer crianças ao mundo quando o mundo é um vazio absoluto? Os Japoneses são um retrato aterrador do futuro que a automatização trará ao resto do mundo – se o permitirmos. No fundo são uma ilustração humana da fossa comportamental observada por John B. Calhoun na sua experiência com roedores. E na verdade, mesmo em países relativamente atrasados (em comparação com o Japão), observamos já as mesmas consequências.

Mesmo deixando de lado considerações sobre a alienação social, o problema demográfico é, pelo menos em parte, um produto da sociedade pós-industrial. Tome-se, por exemplo, o declínio nas contagens de espermatozóides nos homens ocidentais, cujas origens particulares não são objecto de concordância nos estudiosos mas em que todas as hipóteses são produtos do estilo de vida permitido e apenas possível pelo rápido progresso tecnológico (a comida altamente processada, o excesso de toxinas no ar, os químicos na água, etc).

A solução para um problema não pode ter a mesma natureza que a origem desse problema. Aquilo que permitiu a baixa fertilidade e o envelhecimento nas nossas sociedades foi a automatização e o avanço tecnológico, a terciarização da economia, o desligar da actividade económica da capacidade de sobrevivência. Pelo que mais automatização, mais avanço tecnológico e mais terciarização não vão resolver o problema, mas sim complicá-lo. Quanto mais removidas as pessoas estiverem das realidades da natureza, quanto mais conforto e alienação, quanto mais artificiais forem as suas vidas, mais fácil será subverter os seus valores e destruir a sua humanidade.

É inegável que o relativismo moral propagado quer pelas universidades quer pela sociedade de consumo e pela Internet teve e tem um efeito devastador nas atitudes sociais, incluindo aquelas directamente relacionadas com a reprodução, a sexualidade e as relações entre os sexos. Mas estas razões culturais são inseparáveis dos avanços tecnológicos que as permitiram – e sem os quais a propaganda que as promoveu não teria tido efeito, pois os recursos materiais para os realizar não existiriam. Não só a tecnologia permite disseminar a propaganda, mas as próprias atitudes são possíveis apenas através dos meios tecnológicos. Imagine-se, por exemplo, sexualidade desligada da reprodução de forma generalizada sem contraceptivos, transsexualismo sem técnicas avançadas de cirurgia plástica, homossexualidade continuada sem medicamentos que mantenham as várias doenças propagadas pela actividade sob controlo ou, para usar um exemplo ainda mais simples, a própria medicina que permite que pessoas, por mais ineptas ou irresponsáveis, sobrevivam até uma idade extremamente avançada.

Eu costumava partilhar da ideia que a tecnologia era socialmente neutra, isto é, que eram os homens e as suas disposições que imprimiam a uma particular tecnologia uma faceta benéfica ou maléfica. E até certo ponto é verdade. Mas é preciso entender que a tendência natural no Homem é para o mal devido à sua natureza caída. Como diziam os texto technoantigos: a carne é fraca. E é igualmente importante compreender que não é tanto uma tecnologia em particular que constitui o problema, mas o rápido e exponencial avanço da mesma, que leva à introdução de uma ou outra ferramenta na sociedade sem que haja uma consideração prévia das suas consequências para a sociedade. Os últimos 250 anos no Ocidente, quase sem excepção, foram de ditadura científica e tecnológica – sob um ou outro sistema político, a constante foi a primazia deste progresso sobre todas as outras considerações e o concomitante desprezo por qualquer preocupação levantada em relação a essa primazia. Salazar não prezava o ‘imobilismo’ português, como os seus detractores o apelidavam, nem o protegeu institucionalmente por uma questão de pequenez provinciana, mas sim porque sabia que o progresso tecnológico veloz levava a uma igual revolução nas estruturas sociais.

É óbvio que muita gente utiliza a tecnologia para fins nobres, para procurar a verdade, para se tornar uma pessoa melhor e mais completa, para ajudar os outros, etc. Mas, pela própria natureza humana, esses serão sempre uma minoria. Esta realidade, no entanto, só tem consequências sociais graves quando a tecnologia atinge um ponto de sublimação – ou seja, quando se torna generalizada.

A melhoria das condições de vida desligada do esforço individual não é uma estrada de sentido único. Estas melhorias, sobretudo a partir de um certo ponto de desligamento completo entre produção e sobrevivência, de controlo e alienação quase absolutos da natureza, criam as suas próprias estruturas mentais e culturais. As normas tradicionais existem dentro de uma moldura civilizacional em que os homens têm de trabalhar para sobreviver, estão sujeitos e, até certo ponto, limitados pelas forças da natureza. Não admira pois que, quanto mais avançada a revolução industrial e mais removidos os homens estão destas condições naturais, menos as normas tradicionais sejam seguidas ou vistas como válidas, e mais a promoção dos estilos de vida alternativos se torne aceitável.

Veja-se algo tão simples como veículos motorizados. Estes permitem percorrer distâncias relativamente longas com facilidade, onde antes as mesmas distâncias eram muito mais dispendiosas e difíceis. Por um lado, admitimos todos os benefícios que trouxe, mas não nos podemos admirar que esta mobilidade facilitada tenha ajudado também a acabar com a proximidade comunitária, que tenha levado a que a família estendida se transformasse em família nuclear, que a educação das crianças deixasse de ser um trabalho do bairro, da vila ou da aldeia. Isto para ilustrar que até uma tecnologia que tomamos como garantida, tem implicações para a organização social e enfraquece normas tradicionais de comunidade.

Outro exemplo do dia-a-dia pode ser encontrado nos electrodomésticos. Tendo sido originalmente oferecidos às donas de casa, para as ajudar nas tarefas diárias que faziam parte dos deveres de uma mulher, rapidamente se transformaram numa forma de libertação, não só dos aspectos mais cansativos da lida da casa, mas eventualmente da própria casa. A mulher libertada pelos electrodomésticos que não tinha de despender tanto tempo nas tarefas domésticas criou a ‘dona de casa aborrecida’, sujeita a todo o tipo de propaganda da sociedade de consumo, até eventualmente criar a mulher que entra no mercado de trabalho, a mulher carreirista, as enormes taxas de divórcio e mães solteiras, e por aí adiante.

Estes exemplos, e milhares de outros, sugerem que o nível de crescimento tecnológico, que é exponencial, não linear, é rápido demais para que exista uma concordante adaptação mental nas pessoas, gerando a disfunção e alienação que caracterizam as nossas sociedades.

As pessoas gostam de imaginar, por exemplo, que os carros conduzidos automaticamente vão libertar tempo para as pessoas se instruírem, adquirirem novas capacidades, criarem novas obras de arte, etc. Na realidade, o que vai acontecer e acontece sempre é que as pessoas vão usar esse tempo para ver pornografia, reality shows, tirar selfies e jogar jogos de computador. Da mesma forma que gostavam de imaginar que a Internet seria usada para expandir o conhecimento e erudição do cidadão comum, quando na verdade a maioria usa-a para satisfazer impulsos primários e alienar-se do vácuo da vida moderna através de entretenimento.

E repare-se que nem mencionámos os perigos que a Inteligência Artificial e a modificação genética apresentam para a humanidade, problemas distintos em natureza daqueles que falámos acima, e que são o produto do progresso tecnológico exponencial quando não existem entraves institucionais, ou sequer considerações sérias sobre as consequências desse progresso.

Por isso a invasão imigrante é menos destrutiva a longo prazo do que a crescente automatização e progresso tecnológico, precisamente por gerar mais sofrimento físico e mais tensão – uma tensão e sofrimento que podem trazer-nos de volta a um reconhecimento das realidades base da vida e que são essenciais para acordar o homem moderno ocidental do seu torpor tecnologicamente induzido. Quando tudo arde art-emgn-3nenhuma mulher vai queixar-se do patriarcado, nenhum homossexual vai insistir na sua perversão. Se insistirem vão rapidamente perecer. Os identitários gostam muito de falar nas práticas disgénicas da nossa sociedade, mas nunca mencionam o factor que permite esta disgenia generalizada: o progresso tecnológico. Pelo contrário, paradoxalmente encontramos entre eles alguns dos seus mais ávidos defensores. Nenhuma outra força permite numa escala tão grande a sobrevivência dos fracos, nem promove com a mesma ferocidade a complacência dos fortes. O avanço tecnológico é um sedativo gradual que leva ao equivalente social de um corpo vegetativo ligado a uma máquina.

Muitas sociedades e povos sobreviveram a invasões, nenhuma sobreviveu à decadência do conforto. Foram precisamente as sociedades afluentes, confortáveis e decadentes (uma combinação que não é um acaso) que foram incapazes de resistir aos invasores. Pelo que a solução não pode ser uma insistência e intensificação dos meios que geraram os fins que queremos evitar, mas sim uma rejeição desses meios e um retorno a uma forma de organização económica e social que não só reflicta os valores que consideramos certos, mas garanta a manutenção da sociedade de acordo com esses valores.

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Maio de 68

Prof.-João-Carlos-Espada-pbO João Carlos Espada (JCP) publicou um texto que ilustra a vacuidade moral, a obsessão economicista e, sobretudo, a incapacidade de observar o mundo à volta e admitir um erro que caracteriza a Direita moderada.

A mundividência do JCP, talvez pela idade, talvez por teimosia, ou talvez por ser um marxista arrependido daqueles que se converteu tarde ao anti-Comunismo, não consegue conciliar a ideia de que o Capitalismo sem entraves e o relativismo moral andam de mãos dadas. Ou se consegue, continua a achar que os benefícios do primeiro justificam a iniquidade do segundo. Mais: se tiver de escolher, e não está sozinho nessa escolha, prefere que o capitalismo liberal continue, mesmo que para isso se tenha de destruir toda a moral absoluta, toda a identidade nacional e substituir as populações nativas por alógenos.

Não estou a exagerar quanto às opiniões da personagem. O próprio não tem problemas em admitir a total falência da sua filosofia, ou aliás, em ver a falência como uma vitória: «a legalidade da “República burguesa” saiu vitoriosa; e isso permitiu a vitória pacífica de CAR6805-29May68-001.jpgmuitas das ideias de Maio de 68.» E que ideias eram essas? Não as económicas, não o anti-capitalismo, a rejeição do sistema usurário internacional ou a oposição à sociedade de consumo. As ideias que saíram vitoriosas, e que tomaram conta da sociedade, foram as culturais: o relativismo moral e a liberdade absoluta do hedonismo que o acompanha. O JCP considera isto uma vitória, sem ironia. Mais, ele próprio admite que, sem a democracia e o capitalismo, essas ideias teriam sido impedidas de medrar: «a verdade é que, devido a essa vitória da “oligarquia burguesa”, as ideias libertárias de Maio de 68 puderam continuar a ser livremente defendidas — o que evidentemente não teria acontecido se tivesse ocorrido a revolução comunista.»

Se acham que estamos a citar fora do contexto, oferecemos a palavra ao JCP num parágrafo inteiro que sumariza toda a tragédia da sua mundividência:

«Muitos comentadores discutem hoje que avaliação devemos fazer das ideias libertárias de Maio de 68. É certamente um tema importante. Mas não creio que seja o essencial. O essencial é que, contra os anseios revolucionários de Maio de 68, a França permaneceu “burguesa” — isto é, livre e democrática. Por essa razão, pôde absorver muitas ideias de Maio de 68. Pela mesma razão, pôde e continua a poder também contrariá-las.»

As ideias libertárias a que se refere são as do relativismo moral que conquistou o Ocidente, aquele que destrói as relações hierárquicas na sociedade, que despreza os valores tradicionais, que envenena as relações naturais entre homens e mulheres, que idolatra a sodomia e os sodomitas, que esbate a coesão e identidade nacionais, que importa milhares de alógenos do terceiro mundo, que eleva o hedonismo e a ‘realização pessoal’ à razão de viver e ao objectivo a que todos devemos almejar. O JCP considera as concessões feitas em 1968, e por consequência os seus resultados, como algo que devemos aplaudir. Salvámos a democracia e o liberalismo, salvámos a pureza ideológica, e o resto que se lixe. Aqui aproxima-se mais dos ideólogos dogmáticos do Comunismo original, indiferentes aos resultados que a sua ideologia produz, do que do pragmatismo racional que é suposto representar.

Na sua obsessão económica, o JCP esquece que o Maio de 68 começou, não com as greves, mas com a ocupação das universidades e que este foi um prenúncio da subsequente e gradual ocupação, muito mais radical, permitida pela sua querida democracia liberal burguesa e que hoje é, sem grande protesto da Direita, o status quo académico. Mas rey_jean-pierre_1143_2005.jpgolhando de momento para a questão puramente económica, convém pensar como se conseguiu mobilizar toda a classe trabalhadora industrial (poderíamos dizer, o proletariado) para um protesto de tão massiva escala. A intelligentsia moderna que explica o apoio aos Nacional-Socialistas na Alemanha de Weimar meramente pela malícia da propaganda e do populismo, como se não houvessem razões para a população procurar alternativas à decadência total da república em questão, explica com a mesma cegueira os distúrbios proletários de Maio de 1968. Num caso como no outro, a Direita ignora ou menospreza as origens do fenómeno com a iniquidade ou ineficiência das soluções promovidas, como se não houvessem razões profundas para a revolta. Em 68 tinham-se passado mais de 20 anos desde a grande reorganização ideológica da indústria no mundo moderno, em que a capacidade produtiva Europeia se começava a exportar para a Ásia e América do Sul, e em que a inflação usurária se fazia sentir sobre o poder de compra e sobre a qualidade de vida que os trabalhadores podiam dar às suas famílias. A sua estratégia era errada e as suas alianças ignorantes, mas as suas preocupações eram válidas.

Os trabalhadores juntaram-se aos estudantes porque julgaram que as suas preocupações eram aliadas naturais das causas libertárias dos relativistas morais. Estes trabalhadores, com famílias para alimentar, não tinham capacidade nem disposição para perceber que a Esquerda Radical que ocupara as universidades (e a que, diga-se, o Partido Comunista Francês da época se opôs), queria tanto saber das suas aspirações mesquinhas de estabilidade laboral e salários que lhes permitissem manter as suas estruturas familiares intactas como os capitalistas. A Esquerda Radical queria sexo, drogas e rock n’ roll, como hoje quer sodomia, imigração de massas e mutilação genital. Note-se que, passados 50 anos, a classe trabalhadora ainda não percebeu a grande traição daqueles que lhes prometeram protecção e que em vez disso lhes deram hedonismo. Na última década, as novas gerações das classes trabalhadoras, já sem nada que reivindicar, sem famílias para proteger, sem trabalhos para manter, juntaram-se a eles, preferindo o hedonismo. Mas não os censuremos demais, pois de um lado e do outro não houve quem lhes oferecesse nada de melhor e da plebe não se pode, nem deve, esperar mais. O trágico é que, defendendo o contrário, os Comunistas percebiam este truísmo. Os liberais acharam que, sem pressões sociais, os valores tradicionais da plebe se manteriam intactos perante a grande subversão relativista que o seu sistema permitia.

Em Maio de 1968 era talvez natural e compreensível achar-se que a maior ameaça aos valores tradicionais vinha do Comunismo, não só pela ideologia, como pelo poder político que representava e pelas alianças culturais que mantinha no Ocidente (isto é, os relativistas morais). Meio século depois, os opositores do Comunismo, se o eram por razões morais (e hoje é difícil dizer se de facto o eram ou não), deveriam admitir o erro que cometeram ao promoverem o Liberalismo como força de oposição. Afinal, os valores que se combatiam em 68 não eram apenas económicos, e foram esses outros que ganharam a batalha, não através do Comunismo, mas através do Capitalismo. Já aqui o dissemos e voltamos a repetir, a combinação de mercado livre internacional e relativismo moral é a força mais destrutiva dos valores tradicionais, sobretudo pelo seu carácter progressivo e gradual, que não facilita a identificação do fenómeno e que essa combinação é absolutamente inevitável. Mas nem precisamos de ficar presos à teoria. Observando o trajecto das democracias liberais, bem como o trajecto paralelo que os países comunistas efectuaram, só uma boa dose de vaidade e dissonância cognitiva podem fazer com que não se admita o erro.

Sorriso de Raposa

Malcolm X é uma daquelas figuras que o zeitgeist moderno prefere não mencionar. Ao contrário de Martin Luther King, sempre aplaudido por todos os quadrantes por se encaixar nos desígnios das elites e promover todos os lugares comuns da nossa era, Malcolm X não faz parte dos santos seculares da historiografia oficial, pois era primeiramente conhecido por ser um opositor da integração entre os pretos e os brancos na América e favorecer o separatismo radical, uma ideia que levou inclusivamente a que se sentasse à mesa com dirigentes do Ku Klux Klan para discutir esta solução, demonstrando que a História muita vezes não é tão simples como a narrativa oficial faz crer. O que me leva a mencioná-lo aqui, no entanto, não é a sua defesa do separatismo racial, mas a exposição de uma outra ideia que também desafia a narrativa oficial.

Neste video, Malcolm X explica que a Esquerda na América age como defensora dos pretos americanos sem ter no entanto qualquer intenção de os ajudar, em contraste com a Direita, que não finge ter os pretos nas suas preocupações nem tem a pretensão de avançar as suas causas. Nem a Esquerda nem a Direita têm os interesses dos pretos em conta, segundo ele, mas a Esquerda, como uma raposa, diz que sim, sorrindo. A Direita, como um lobo, mostra os dentes por outras razões. Tendo isto em conta, Malcolm X conclui que a Esquerda é muito mais perigosa para os negros do que a Direita.

WITHERING-wolf-bearing-teeth

Eu penso que podemos e devemos aplicar a mesma analogia aos partidos e à intelligentsia de Direita em relação aos tradicionalistas. Os tradicionalistas sabem que a Esquerda não lhes tem qualquer simpatia e os antagoniza abertamente, mostrando-lhes os dentes com a intenção de atacar. A Direita mainstream, pelo contrário, como a raposa, pretende fingir-se amiga (ou pelo menos simpatizante) dos tradicionalistas, sorrindo, ao mesmo tempo que nas suas ideias e acções avança, premeditada ou ingenuamente, uma agenda completamente distinta, avessa e hostil à causa tradicionalista.

A Direita mainstream em Portugal (e no resto do Ocidente) tem essencialmente duas bandeiras: a liberdade individual e a eficiência económica. A “Direita dos costumes” como lhe chamaram outrora, para todos os efeitos, na esfera mediática e partidária, não existe. Este fenómeno encontra-se muito bem sumarizado num excerto deste texto:

«A dimensão [dos] costumes tem sido menosprezada desde que o marxismo impôs o primado da economia, e antes de Marx já os liberais e os utilitaristas também davam maior importância à economia. Essa primazia não diminuiu, pelo contrário, com o aumento do rendimento e do conforto dos povos. A economia passou a ser o terreno onde se confrontavam as propostas políticas. (…) À direita, o vazio ideológico e a fraqueza política, aceitou-se a ditadura do politicamente correto. novo paradigma de revolução social. (…) a direita, jótica ou degenerada, abandona o combate cultural e adopta o niilismo relativista da esquerda. A direita socializou-se. Os valores passaram a ser rodapés de discursos eleitorais. Os políticos de direita aplaudidos pelos média são os que defendem o liberalismo de costumes, ainda que militem num partido democrata-cristão…».

Os tradicionalistas observam esta capitulação da Direita mainstream àquilo que chamam de ‘marxismo cultural’ e, até certo ponto, apontam-na como uma traição, para a qual não existe grande explicação fora da respeitabilidade profissional e da promoção pessoal. Eu considero no entanto que há um mal de raiz na matriz bipolar da Direita moderna, e que, apoiando o liberalismo económico, é apenas lógico e natural que apoiem o liberalismo social. São os Liberais com visões sociais tradicionalistas que estão em grave contradição.

Parte do problema começa no termo com que se designa a ideologia que pretende destruir todas as relações hierárquicas da sociedade tradicional através da destruição da moral que as sustenta: ‘marxismo cultural’. O termo é mal empregado porque, na prática e na teoria, não há melhor veículo para o pro-gayrelativismo moral, para a destruição das estruturas tradicionais e da moralidade subjacente a esta do que o liberalismo económico – e que portanto, e apesar das origens intelectuais dos seus promotores originais, o termo deveria ser ‘liberalismo cultural’ (o termo que prefiro, no entanto, é simplesmente ‘relativismo’). ‘Marxismo cultural’, apontando o epíteto dos seus promotores originais, esconde o veículo pelo qual ele se perpetua com sucesso. É inegável que os revolucionários culturais que deram origem à teoria se designavam como marxistas, mas foi no país mais liberal do mundo e principal baluarte dessa ideologia económica que a semente encontrou terreno fértil.

De onde vêm as modas e tendências que, ano após ano, destroem o tecido social? De onde vem o entretenimento que serve de veículo à propaganda relativista e que é responsável pela disseminação destas ideias? Vem dos países marxistas ou dos países capitalistas liberais? Não são as multinacionais – representantes maiores do capitalismo DHgIEh4UwAAJ4BIliberal e da globalização – os principais motores e promotores da imigração de massas, da bastardização da cultura, da ausência de identidade nacional e comunitária, da criação do homem-novo consumista, dos desvios e desviantes sexuais, dos estilos de vida alternativos, da sobresexualização da sociedade e da sexualização precoce – em suma, de todos os cancros sociais a que nos opomos? E que, muito mais do que através da retórica política esquerdista e da propaganda a que são submetidos na escola, é através do progresso tecnológico e do capitalismo global que estas ideias demoníacas se inculcam nas mentes do povinho?

Não observamos também que, nas sociedades que estavam fechadas ao capitalismo global, as mesmas ideias, promovidas agressivamente pelo sistema político, não medraram ao longo de décadas da mesma forma que se infiltraram, pela calada, nos países liberais? Como explicamos que os países de Leste, sujeitos a ditaduras marxistas usury and sodomy.JPGagressivas, sejam hoje os únicos onde ainda existe alguma identidade nacional, rejeição da imigração de massas e dos ‘estilos de vida alternativos’ e onde o Cristianismo ainda é relevante, não só na vida comunitária, mas nos destinos nacionais? A explicação é simples: ao contrário do Ocidente, o Leste esteve insulado do capitalismo global e, portanto, da lenta subversão dos valores tradicionais, que só a riqueza e o conforto conseguem promover e enraizar com extrema facilidade. A tragédia para estes países é que caso não tomem medidas para limitar as consequências económicas da globalização, as suas sociedades, tornando-se mais prósperas, vão contrair o vírus do relativismo liberal e acabar por destruir aquilo que cem anos de comunismo não conseguiram destruir.

Tendo nós uma visão sã do Homem e da Sociedade Humana, e sabendo que a liberdade de escolha leva necessariamente, na maioria da população, a um nivelamento por baixo, podemos continuar a ignorar que é através do liberalismo económico que aquilo que consideramos sagrado vai sendo destruído, lentamente, contaminando os nossos compatriotas, as nossas famílias, os nossos filhos? Que muito antes de ser legalmente enquadrado pelo Estado, o relativismo moral e cultural foi propagado através da sociedade de consumo massificado e da globalização?

Há quem considere a promoção do liberalismo nos costumes pela Direita uma aberração, mas na verdade não há contradição: a sua defesa da economia liberal, do progresso tecnológico, da eficiência económica anda de mãos dadas com a destruição do tradicionalismo. Não é pois de estranhar que a Esquerda dite o discurso e a Direita o aceite, pois pela sua própria moldura ideológica, não tem meios de o rejeitar. Reparem que não estamos a argumentar que o capitalismo liberal não é o mecanismo mais adequado para melhorar o nível de vida dos cidadãos: é inegável a eficiência do sistema em produzir riqueza material. O que estamos a argumentar é que a forma radical com que remove a pobreza material promove, na mesma medida, a pobreza espiritual e moral.

Na busca da prosperidade e do progresso tecnológico, na procura de melhorar o bem estar económico dos cidadãos e de tornar eficientes os mecanismos para esse melhoramento, a Direita promove o veneno que infecta o espírito da nação. É ingénuo achar que as mudanças económicas radicais que o capitalismo opera podem deixar as workbuyconsumedieestruturas sociais intactas. O capitalismo procura consumidores (a única categoria que lhe interessa) e sendo que a eficiência na obtenção desses consumidores é de suprema importância para a maximização dos seus lucros, a promoção de valores anti-tradicionais é inevitável, mais, é uma necessidade: a uniformização cultural, nacional e racial (através da plebeização da cultura, da promoção do internacionalismo e da imigração de massas) e a atomização do indivíduo (através da promoção de ‘estilos de vida alternativos’) são os veículos pelos quais se obtém o consumidor perfeito, ou seja, que se maximiza o lucro. O sonho do Internacionalismo Comunista só é conseguido, paradoxalmente, através do capitalismo liberal.

A Direita Liberal que ainda vai mostrando, pouco e esporadicamente, algum interesse pelas questões culturais e morais, ignora este fenómeno e vive numa dissonância cognitiva. Eu ignorei-o durante vários anos apesar dessa dissonância. O Liberal vê a 635952276665246516-755625981_consumerliberdade como a ausência de coerção pelo Estado, mas não vê a servidão imposta pelo capitalismo liberal, em que o homem é desligado da sua nação, da sua comunidade e até da sua família, pela promoção de uma cultura uniformizadora, degenerativa e ultra-individualista, que mina as fundações dessas relações primordiais. O homem moderno é tão indefeso perante o capitalismo liberal como o era perante o comunismo, a diferença é que no primeiro está bem alimentado, em conforto, e as suas raízes vão sendo arrancadas lentamente, sem se aperceber, e portanto, muito menos susceptível de se revoltar.

Concluímos portanto que o facto da Direita moderna ser liberal nos costumes (como a Esquerda), mas também liberal na economia (ao contrário da Esquerda), faz com que a Direita seja na prática uma ameaça maior à sociedade tradicional, ou o que dela resta. A sua combinação de liberdade individual e eficiência económica é a receita perfeita para a realização prática do relativismo: a desagregação da família, a destruição das instituições intermédias, a atomização do indivíduo. Ou seja, um tradicionalista tem muito mais a temer da Direita mainstream do que da Esquerda. Até a Direita abandonar o liberalismo económico o tributo que presta aos valores tradicionais não passa de um sorriso da raposa.

Apatia Mortal

Introdução

Apesar de na grande maioria dos países Europeus não se poder manter estatísticas criminais discriminadas por etnia, é um segredo mal guardado que a criminalidade violenta é um ofício praticado em grande parte por indivíduos de origem não-Europeia.

Com o influxo migratório que a crise de ‘refugiados’ trouxe à Europa o número desses crimes aumentou exponencialmente, como já tinha vindo a aumentar nas últimas décadas com a mais calma, mas ainda assim grande, enxurrada de emigrantes de países africanos e asiáticos. Muito já refugees-welcomese escreveu sobre o assunto, por antagonistas e apologistas. A identificação de padrões como o acima descrito sobre a criminalidade e a sua relação com a etnia é uma das coisas de que os média alternativos se orgulham de providenciar, tendo em conta a total ausência dessa identificação (ou mesmo omissão maliciosa) desses padrões. No entanto há um ângulo que é quase sempre ignorado (e dizer quase é ser generoso), mas que me parece ser extremamente importante, senão mesmo determinante não só para se entender o fenómeno, mas também para encontrar soluções para o mesmo.

Há essencialmente duas narrativas referentes a estes crimes: os média tradicionais têm a narrativa globalista, muitas vezes ocultando (ou tentando ocultar) as origens étnicas e religiosas dos prevaricadores – quando não é possível ignorar os crimes; os média alternativos (blogs, canais de youtube, alguns jornais online) avançam a narrativa nacionalista, salientando o carácter de invasão, de que estes crimes são cometidos não por nativos, mas sim por elementos estranhos à sociedade em que são perpetrados, racial e culturalmente. A narrativa que nunca vejo avançada, ou sequer mencionada, é nem nacionalista nem globalista (embora claramente mais simpatizante com a nacionalista, pelo menos em termos de objectivos), e é a narrativa moralista, que é a que venho apresentar aqui hoje, e que já mencionei algumas vezes no podcast.

Acho que é possível comparar o problema da invasão do terceiro mundo e dos crimes cometidos pelos invasores com o problema das armas e dos massacres perpetrados por exemplo nas escolas (como este caso recente). Em ambos os lados encontramos a narrativa materialista: da Esquerda querem proibir as armas, na Direita permitir o acesso a armas para efeitos de auto-defesa. Também aqui concordo muito mais com a Direita (já que a auto-defesa é um direito e um dever), mas não deixa de faltar ao seu argumento (muitas vezes) uma dimensão não-materialista. A origem do problema, e logo a sua solução última, não está na posse ou na ausência de armas – mas na alienação social, nos fármacos providenciados e na ausência de escapes adequados para jovens direccionarem a sua energia.

Mas se este problema é algumas vezes apontado pela Direita, juntamente com a sua defesa da posse de armas para auto-defesa, a verdade é que no caso da imigração esta outra (mais fundamental) identificação do problema é raramente mencionada.

Por isso vamos rever alguns dos casos mais famosos (ou mais macabros) e evidenciar este problema que raramente é mencionado, ou sublinhado, nos artigos que nos apresentam as histórias ou nos comentários que se fazem a eles.

O Escândalo de Rotherham

Este escândalo foi de tal forma grande que nem os média tradicionais o puderam ignorar quando rebentou, e consiste no abuso sexual de raparigas menores, ao longo de vários anos, por parte de grupos de paquistaneses. Tais abusos foram facilitados pela reluctância das autoridades em investigar os homens envolvidos por estes serem de uma minoria étnica (a BBC refere-se a eles rotherham-groomingcomo ‘asiáticos’, mas as fotos desfazem a confusão sobre a que parte da Ásia eles pertencem). O medo de serem acusados de racismo foi maior do que a vontade de descobrir a verdade sobre estes abusos, daí que eles tenham decorrido durante vários anos.

Este episódio teve um precedente, raramente mencionado, em que um ‘casal’ de sodomitas que tinha adoptado vários rapazes abusava frequentemente das crianças e usava o sistema de adopção (e a apatia dos serviços de adopção) como forma de acesso a rapazes para violar. Tal como em Rotherham, as autoridades não investigaram aquilo que era uma situação mais do que suspeita por medo de serem acusados de homofobia. Ao contrário de Rotherham, não houve grande publicidade ou agitação nos média (tradicionais ou alternativos). E usando este caso podemos apontar as causas óbvias, materialistas: a cobardia dos serviços de adopção, a falta de investigação sobre quem quer adoptar. Mas mais importante é apontar, a meu ver, uma sociedade que permite e encoraja a adopção de “casais” do mesmo sexo, e o próprio facto de que tantas crianças Europeias são concebidas fora do casamento e dadas para adopção. Ou seja, sublinha a existência de um problema moral, social, muito antes de ser um problema policial.

Similarmente, a primeira coisa a notar sobre Rotherham, e que foi de facto apontada pelos média alternativos, é a chocante realidade de que o homem Europeu tem mais medo de ser acusado de ser racista (ou homofóbico) do que tem vontade de justiça, preferindo legar menores ao abuso sexual e deixar os abusadores em liberdade. Isto seria já de si extremamente demonstrativo da apatia Europeia, mas a verdade é que essa apatia não fica por aqui – e é precisamente esta parte seguinte que é frequentemente ignorada, mas que é talvez ainda mais ilustrativa.

Este artigo conta as histórias, na primeira pessoa, de algumas das raparigas. ‘Sarah’, por exemplo, conta que foi levada com 11 anos por outra rapariga, que lhe mostrou ‘o que fazer’. ‘Jessica’, com 14, conta como um dos homens parou o carro ao pé dela e dos amigos e que foi assim que entrou em contacto com eles. Diz ela que ‘gostava dele e que queria estar com ele’, e que os pais diziam que ela não devia, que ele era muito velho, mas ela ‘não queria saber’, estava ‘fascinada por ele’. O pai ainda foi à polícia, mas como a rapariga ia voluntariamente com o homem, não podiam (e não queriam) fazer nada. ‘Emma’ conheceu os seus abusadores com 12 anos, seduzida pela promessa de drogas e álcool. As violações começaram pouco depois e as ameaças à mãe da rapariga levaram a que ela não fizesse queixa dos homens às autoridades.

Noutro artigo temos uma história com mais detalhes. Outra Sarah, desta vez nome verdadeiro, conta por exemplo que também ela foi apresentada, com 11 anos, aos homens por uma rapariga mais velha, de 15, com promessa de erva e álcool. Estas levaram, ao fim de dois anos, a cocaína e anfetaminas. Os abusos sexuais faziam parte da rotina: os homens iam buscá-la a casa e levavam-na de carro para vários locais onde o consumo de drogas e os abusos eram praticados. A rapariga vivia com a mãe, e apenas com a mãe, e com 3 irmãos. A mãe tinha dois trabalhos e sempre que tentava impedir a filha de ir com os seus violadores ela reagia violentamente, pois queria as drogas que eles providenciavam. Diz ela ‘eu tive 15 homens a puxar-me para fora de casa dos braços da minha mãe, mas eu odiava-a’.

Por fim, conta ainda a história da irmã mais nova, Laura, que aos 15 anos começou uma relação com um paquistanês de 16 anos. Ao fim de uns tempos acabaram e ela teve um outro caso com um amigo dele, também muçulmano, de quem engravidou. Depois voltou para o seu ex-namorado que, após descobrir que ela contara a história à família dele, decidiu matá-la por ter trazido vergonha e desonrado a sua família.

A história de Rotherham pinta um quadro de desolação social, desagregação familiar e apatia comunitária, sem o qual estes abusos continuados não poderiam existir. Se eliminássemos os imigrantes muçulmanos, não eliminaríamos o problema, apenas um dos seus sintomas. A facilidade e até celebração com que o Ocidente recebe hordas de imigrantes é em si um resultado da mesma desolação, desagregação e apatia. Quem vive numa lixeira pode andar constantemente a matar os mosquitos, mas sem se livrar do lixo não se livra da praga.

Rapariga Italiana desmembrada

Um dos casos mais recentes foi o de Pamela Mastropiero, uma rapariga de 18 anos encontrada morta e desmembrada dentro de malas de viagem. O primeiro homem acusado pelo crime foi um nigeriano de 29 anos, já conhecido das autoridades por ser um traficante de droga. Haxixe foi encontrado na sua casa. A rapariga, entretanto, era drogada e acabara de sair da clínica de reabilitação – a sua morte ocorrendo no dia seguinte.

Que conclusões podemos tirar?

Bom, os artigos são muito limitados na informação que dão porque, como eu disse, são focados na causa material, nunca nas situações e disposições que levaram à conclusão. Mas pelos pormenores dados não é difícil de adivinhar que a rapariga, com 18 anos e já viciada em drogas, saiu da clínica (não se sabe se contra as recomendações dos médicos, ou com o seu aval) e no mesmo dia foi procurar um traficante (o tal nigeriano), aparecendo no dia seguinte morta. Ou seja, foi procurar uma forma de morte e encontrou outra. Por mais macabro que o crime seja, por mais repulsivo que o assassino seja (ambas as coisas indisputáveis), o crime não teria acontecido sem a acção da rapariga em questão. E mesmo que o traficante fosse italiano, e que em vez de a matar se tornasse o seu vendedor frequente, poderíamos dizer que não havia nenhum problema? Quanto tempo até morrer de overdose? Quanto tempo até se prostituir para arranjar mais uma dose? E seria este destino melhor só porque a sua morte seria mais lenta, consentida, e com a ajuda de um Europeu, em vez de um Africano?

Se a nossa sociedade não estivesse caída num hedonismo suicidário, num abismo de alienação, esta história não existiria.

Rapariga Alemã esfaqueada

O título do artigo no site da Identity Evropa lê ‘Migrante Afegão assassina rapariga alemã de 15 anos’. O artigo em si não adianta grandes pormenores: afirma que o assassinato ocorreu numa loja devido a uma discussão (não se sabe sobre o quê) e mais nada sobre o crime em si. É curioso, mas é preciso ir aos média tradicionais para se encontrar detalhes que oferecem alguma perspectiva (neste caso a omissão maliciosa está do lado da narrativa nacionalista, mais uma vez mostrando que muita gente nos média alternativos se recusa a encarar o verdadeiro problema): a rapariga era, afinal, ex-namorada do assassino. O artigo diz, na voz da mãe da rapariga, que antes dela terminar o namoro com o rapaz, a família o tinha recebido de braços abertos. Também aqui as autoridades nada fizeram: aparentemente, depois da rapariga ter acabado com ele, o rapaz começou a persegui-la online e a causar distúrbios com os amigos dela.

Mais uma vez urge perguntar se, numa sociedade em ordem, com uma população moralmente sã, com famílias intactas, com um sentido de identidade e comunidade, se este crime, ou mais especificamente, as circunstâncias que levaram ao crime, poderiam ter acontecido. Não só a rapariga de 15 anos (!) entrou numa relação amorosa (e, deduz-se, sexual) com um emigrante afegão, como a família aceitou essa relação abertamente, convidou o futuro assassino para sua casa e, por fim, a rapariga decidiu terminar o namoro (algo que é cada vez mais comum entre as mulheres ocidentais, seja nas suas relações com Europeus ou não-Europeus).

Aposto que estas minhas considerações vão ser mal-entendidas por muita gente, mas não consigo, nem acho benéfico, ignorar o grande problema de lealdade entre os ocidentais, e em especial entre as mulheres ocidentais, que repetidamente correm para os braços dos refugiados, desde as mais tenras idades, com a apatia ou apoio dos pais (quando estes têm conhecimento, ou fazem parte das suas vidas de todo).

Na ausência dos ‘refugiados’ que se tornaram o objecto e maior emblema dessa falta de lealdade, de alguma outra forma essa falha moral se manifestaria. E o Ocidente continuaria em declínio mortal, deixando as suas raparigas e mulheres sexualmente livres para experimentar, desperdiçarem a sua fertilidade e beleza, e não produzirem descendência, ou produzirem uma descendência igualmente desligada de valores e normas de comportamento decentes que perpetuariam o ciclo de degeneração.

Outra rapariga Alemã

Esta outra rapariga alemã, de 19 anos, estudante de medicina, saíra de uma festa organizada pela faculdade às 2:37 da manhã e no caminho para casa, que percorria de bicicleta, foi violada e afogada no rio por um emigrante afegão. Como o Daily Mail observa, ‘ironicamente’ a rapariga fazia voluntariado em part-time para ajudar os ‘refugiados’. A polícia acredita no entanto que o agressor e a vítima nunca se tinham conhecido. A rapariga também fazia parte de uma iniciativa no Facebook chamada ‘Refugee Help Freiburg’.

A família, posteriormente, pediu oficialmente que, quem quisesse mostrar compaixão pelo sucedido, doasse dinheiro a uma instituição de caridade que ajudasse os ‘refugiados’.

Tal como no episódio anterior, uma sociedade sã, com as prioridades certas, não produziria esta situação. A mesma rapariga há 50, 100 ou 200 anos atrás não estaria numa festa, não estaria a estudar, mas sim em casa, com o marido e, provavelmente, com os filhos.

Não é possível desligar a libertação sexual, o acesso das mulheres à educação, a desagregação ou inexistência da família do problema migratório. A apatia e o hedonismo que levaram a uma coisa levaram também a outro. E mesmo que se resolva um dos problemas, mantém-se o problema original que levou à sua existência.

Como o Afonso muito bem observou num comentário a um episódio do podcast, a Direita em geral concorda na identificação dos problemas, e concorda com as soluções directas, mas é duvidoso que concordem com a identificação das causas mais profundas que estão na origem destes problemas (no caso, tratava-se da prostituição ‘soft’, como lhe chamam, praticada por miúdas de classe média de pais divorciados – e da reluctância de muita Direita em proibir o divórcio).

Rapariga Finlandesa Assassinada

Uma rapariga Finlandesa de 17 anos foi assassinada por um rapaz afegão que a violou, encharcou em gasolina e lhe pegou fogo. O contexto? Namoravam há um mês quando a rapariga quis acabar a relação para namorar com outro homem, enquanto que o namorado queria que ela se casasse com ele e fosse mãe dos seus filhos. Como ela não cooperou, ele atacou-a enquanto ela fazia jogging. Seja ou não verdade o que o ‘refugiado’ disse sobre querer casar e ter filhos, importa pouco para ilustrar a falha moral da parte da rapariga, que é o que me importa documentar.

Penso que não preciso de repetir a ladainha. O problema é exactamente o mesmo, apenas a manifestação é ligeiramente diferente, com outro cenário e noutro país. Mas a patologia social não muda.

Violação e violência na Suécia

Três raparigas adolescentes e um rapaz encontram-se para uma festa num apartamento nos arredores de Estocolmo.

Uma das raparigas convidou um emigrante da Libéria de 21 anos, que já conhecia. Este trouxe outro emigrante, do Quénia. Pouco depois, os dois emigrantes atacariam o rapaz (deixando-o com danos cerebrais permanentes) e violariam as raparigas.

Este é o último exemplo que aqui apresento. Tal como nos exemplos acima, revela exactamente o mesmo hedonismo, a mesma apatia, a mesma hipergamia feminina fora de controlo, a mesma efeminação masculina que é implícita ou explícita (um dos exemplos que não consegui encontrar o link, mas que me lembro de ler foi de uma jovem, se não me engano italiana, que convidou um ‘refugiado’ para o seu apartamento para ter sexo, e que foi depois encontrada morta pelo namorado, Europeu – o exemplo perfeito da falta de lealdade de que falamos).

Conclusão

Note-se que não mencionámos absolutamente nada (pois já muito se disse noutras paragens) sobre a política e os políticos, as decisões judiciais e os seus decisores, os organismos oficiais e instituições, etc, que vão maioritariamente no sentido da leniência para com os criminosos, de abertura das fronteiras e de apoio aos ‘refugiados’ a todos os custos. E também não mencionámos os atentados terroristas que são paralelos a estes outros crimes pontuais. Estes outros resultados são causados, ou no mínimo facilitados, pela mesma apatia para que chamamos a atenção.

Esquecendo portanto esses outros fenómenos a nível institucional, a nível individual a verdade é que encontramos caso atrás de caso em que são os Europeus (e em especial as Europeias) a convidar a sua própria destruição, seja num sentido mais global de quererem os ‘refugiados’ dentro das suas fronteiras, seja num sentido mais particular de os quererem dentro das suas casas e dos seus corpos. Caso atrás de caso em que a alienação, o hedonismo, a apatia, a desagregação da família e da comunidade, a falta de entraves à hipergamia feminina, a efeminação e impotência masculina, em suma, a morte espiritual dos Europeus, são a linha melódica que liga os vários movimentos desta sinfonia trágica.

E é indiscutível que existem muitos outros casos em que as vítimas (ou os pais das vítimas) não têm qualquer responsabilidade passiva, em que não procuraram a morte mas a encontraram na mesma às mãos dos bárbaros, mas arriscaria dizer que a maioria, senão uma esmagadora maioria, destes crimes se encontra na primeira categoria de ‘morte convidada’, e ignorar esta disposição suicidária nos Europeus é ignorar uma parte importantíssima da história, sem a qual o problema migratório não existiria em primeiro lugar, nem é passível de ser entendido e logo, de ser resolvido, satisfatoriamente e de uma vez por todas.

O facto é que existem igualmente inúmeros outros casos de mulheres que procuram os ‘refugiados’ para sexo sem que tenham o desfecho violento que vimos nos casos acima, que sublinham a mesma falta de lealdade, o mesmo hedonismo, a mesma apatia, o mesmo suicídio.

Podemos rever alguns dos mais conhecidos. Como o da rapariga Mórmon americana que, ao invés de ajudar as pessoas na sua comunidade, decidiu ir para um campo de refugiados na Grécia e acabou por se ‘apaixonar’ por um deles.

Ou as inúmeras mulheres suecas que levam ‘refugiados’ para casa que, supostamente, são menores de idade para terem relações sexuais com eles. As mesmas mulheres que, apesar do aumento enorme do número de violações, reagem desta forma quando alguns, poucos, adopt-refugee-1homens decidem protegê-las dizendo para os emigrantes tirarem as mãos das suas mulheres, elas respondem dizendo que não são deles coisa nenhuma.

Ou as também inúmeras mulheres britânicas que foram fazer voluntariado para a ‘selva’ de Calais para ter sexo com os ‘refugiados’, algumas com vários em cada dia.

O episódio mais grotesco, e ao mesmo tempo mais icónico, é o da mulher branca a ter relações sexuais com um ‘refugiado’ africano em cima de uma pilha de lixo. Orwell escreveu há umas décadas atrás que se quiséssemos uma imagem do futuro que imaginássemos uma bota a pisar um rosto, para sempre. Orwell, no entanto, provou ser extremamente ingénuo. Acho que podemos actualizar a frase e dizer, que se querem uma imagem do futuro Europeu imaginem um ‘refugiado’ a ter sexo com uma Europeia sobre uma pilha de lixo, para sempre. Enquanto não mudarmos o ímpeto na alma Europeia de se rebaixar a tal forma, de se destruir tão ilustrativamente, não podemos mudar nada.

Mas como evitar este futuro? Infelizmente não existem soluções fáceis nem instantâneas. O que sei por certo é qual não é a solução. E a solução não é continuarmos com um liberalismo, permissividade, matriarcado, degeneração puramente brancos. A solução não é removermos os imigrantes e continuarmos a indulgir no hedonismo que resulta na apatia que os convidou em primeiro lugar e que os continua a convidar. Afinal de contas, ainda não há muitas décadas os nossos países eram homogéneos, e essa homogeneidade resultou neste destino. Já existia algo de muito errado na nossa civilização, e nas almas das pessoas que a constituíam.

O nosso suicídio não será menos estrondoso, nem menos trágico, se for consumado apenas entre Europeus. Sem uma mudança estrutural, não só política, mas espiritual (sem a qual a política não pode suceder), sem retornar à tradição Cristã, ao patriarcado que o Ocidente rejeita mas que o Islão, bem ou mal, representa, o Ocidente não tem salvação. A luta não será sequer uma luta. A sociedade patriarcal vai vencer. Será simplesmente uma questão de saber se será a nossa, ou a deles.

O Supositório Arco-Íris

red_pill_blue_pill.jpgUm novo termo tomou de assalto o discurso político nos últimos anos: o comprimido. Em especial, o comprimido vermelho, the red pill, aludindo ao filme The Matrix. E em especial, este comprimido tem sido um discurso político mais à Direita, em oposição ao consenso ideológico reinante nas últimas décadas, que é de Esquerda. No filme oferecem ao protagonista dois comprimidos, um, o azul, que o leva de volta à sua vidinha normal e de volta à paz de acreditar em tudo o que o sistema quer que ele acredite; o outro, vermelho, mostra-lhe a realidade pura e dura.

Tomar o comprimido vermelho é, pois, passar a ver velhas questões com novos olhos. Da verdadeira natureza das mulheres ao processo político, há muitos comprimidos vermelhos. Depois, como a moda pegou, inventaram outros comprimidos: o roxo, o verde, e muitos outros. Honestamente, já perdi a noção do que estes outros significam. Guardei um, porque já me acusaram de o ser várias vezes: blackpill, querendo isso dizer que sou pessimista e transtorno algumas pessoas com esse pessimismo – sinal evidente de que estou a fazer bem o meu trabalho. Se a realidade é negra, e o comprimido mostra a realidade, então a cor adequada é mesmo essa.

Esta história dos comprimidos era aceitável quando só havia dois (o vermelho e o azul), mas agora que já passou a fase da lua de mel e se criam outros para identificar nuances, tornou-se idiota. Era, 111admito, uma boa forma de sumarizar o processo em que um homem passa a perceber o que há de errado com o mundo. Hoje, ser redpilled pode significar simplesmente que se gosta de Donald Trump e se critica o Islão por não ser compatível com os “valores ocidentais” (que na maioria dos casos nada têm que ver com a civilização tradicional cristã, mas com a modernidade que a rejeitou). E convém lembrar que a terminologia vem de um filme razoável, mas que tem duas sequelas absurdas e que os seus autores entretanto decidiram ser transsexuais, por isso o seu julgamento da realidade não é por certo o mais adequado.

Ora, há um comprimido que grande parte da sociedade e, infelizmente, também uma boa parte da Direita moderna engoliu e que não há maneira de regurgitar. Este comprimido é tão forte que é aparentemente imune aos poderes medicinais do vermelho. O seu efeito permanece mesmo quando se digere o outro. Falo, obviamente, do comprimido arco-íris.

O comprimido arco-íris é a aceitação, ou menorização do impacto, da causa e prática da sodomia. Nenhuma questão é tão ignorada ou menosprezada como o impacto que a aceitação e promoção da homossexualidade têm na sociedade. Tendo em conta esta realidade, talvez o comprimido seja afinal um supositório. Tratando-se de seres que se dizem à Direita, esta apatia perante um dos principais flagelos do nosso tempo, não deixa de ser ainda mais preocupante.

Repare-se por exemplo neste texto do camarada Carlos Guimarães Pinto, um dos paladinos do Liberalismo Português, que fala precisamente deste assunto e ilustra o quão enfiado está o supositório arco-íris nos rectos da Direita portuguesa. Sumarizando, parece que uma secretária de estado assumiu a sua condição de sodomita. O Carlos considera que as pessoas normais ignoraram e continuaram a sua vida – tendo em conta o grau de desinformação sobre o assunto, e rainbow supa supressão dos instintos naturais no ser humano moderno, a consideração é acertada. Mais à frente vem a observação de que os conservadores, perante esta notícia, se encontraram na posição de defender «que ser homossexual é normal e plenamente aceite». Não é que não tenha razão, porque tem. O que preocupa é que a Direita se encontre, em 2017, nessa posição. É certo que os seus efeitos em Portugal ainda são mínimos quando comparados com países mais ‘avançados’ na sua degeneração. Mas só uma ingenuidade extrema (a roçar a idiotia) não consegue antever que não deverá demorar muito a que os apanhemos, porque na realidade os continuamos a seguir, no caminho para o abismo civilizacional. Enquanto a Esquerda quer acelerar o passo, a Direita limita-se a defender a posição da Esquerda da década passada. É como se não notasse que a sua defesa do status quo de Esquerda, não mantém esse status quo, mas move-o sempre e sempre para a Esquerda. E é como se não tivesse qualquer princípio basilar na sua filosofia, a não ser a defesa do status quo e a liberdade económica.

Em bom português costuma dizer-se que contra factos não há argumentos, mas quando se toma o supositório arco-íris os factos são irrelevantes. Podem confirmar aqui alguns factos ‘de ódio’ sobre os sodomitas. A lista é vasta, por isso vamos rever apenas uma minoria para ilustrar o quão problemática em termos materialistas é esta ‘comunidade’, quão absurdo é o seu orgulho e qual o seu impacto contabilizável na sociedade. Tendo em conta que a Direita parece obcecada com números, pode ser que assim comecem a abrir os olhos.

Homossexuais do sexo masculino têm 60 vezes mais probabilidade de ter SIDA que homens heterossexuais. 46% dos homossexuais do sexo masculino são alvo de abuso sexual, comparado com apenas 7% dos homens heterossexuais. 43% dos homossexuais de sexo masculino têm mais de 500 ‘parceiros sexuais’ ao longo da vida. 79% dos homossexuais de sexo masculino admitem que mais de metade dos seus ‘parceiros’ são estranhos. Os homossexuais de sexo masculino, que são apenas 1% da população, são 83% dos casos de sífilis. 40% a 60% dos homicidas em série são homossexuais. A monogamia não é uma característica central da maioria das relações homossexuais. 28% dos homossexuais tiveram sexo com mais de mil homens. Entre os homens heterossexuais apenas 25 % tiveram relações com mais de 10 mulheres.

Claro que perante estes factos teremos um coro infindável de vozes da Esquerda a assegurar-nos que a origem destas atitudes claramente disfuncionais se deve, única e exclusivamente, à discriminação de que estas pessoas são alvo pela sociedade normal. Mas parando um pouco para pensar, não há instituição que não se vergue para lhes fazer a vontade, e se por um acaso alguém decidir criticá-los, as tais instituições serão bem sucedidas em destruir a vida de quem teve a audácia de questionar os dogmas sodomitas.

Do lado da Direita, sobretudo da Direita liberal, virá o coro de que, se liberalizarmos o mercado e acabarmos com a subsidiação do seu ‘estilo de vida’ perigoso, os problemas para a sociedade deixam de existir e passam a ser um elemento circunscrito às vidas privadas dos indivíduos que a praticam. E aqui se vê o quão fundo está o supositório arco-íris. O autismo perante a sodomia é simbólico e o caso mais pertinente do autismo geral da Direita perante toda a degeneração que a Esquerda tem vindo a promover desde que tem essa liberdade e que a Direita insiste em defender com dez anos de atraso, só para dizer que se opõe a alguma coisa.

Podemos tentar chamá-los à razão e falar na realidade de que uma relação homossexual nunca pode gerar progenitura, e que portanto os homossexuais não contribuem para a perpetuação da espécie. Visto que os seus maiores defensores (e praticantes) costumam ser ateus e darwinistas, isto deveria ser visto como uma desvantagem – mas não alimentemos ilusões. A um homem com a cabeça no sítio não custa a perceber que deste facto salutar nasce quase toda a disfunção desta ‘comunidade’, mas para quem tomou o supositório, tudo isto não passa de ódio latente. Aliás, quem critica os homossexuais deve ser secretamente homossexual – uma lógica brilhante segundo a qual os ateus que odeiam a religião são secretamente devotos.

Depois podemos falar do bullying que esta ‘comunidade’ faz a qualquer oposição, crítica ou julgamento. Os exemplos são inúmeros (como este, ou este, ou ainda este) e deviam fazer soar o alerta em qualquer homem com senso comum.

Podemos falar nas marchas LGBT que ostentam, com orgulho, todos os tipos de sexualidade desviante como se fosse normal e desejável, e de como pais dão palmadinhas nas costas a si San-Diego-Pride-Parade-39.jpgmesmos por serem tolerantes e levarem os filhos a ver o escabroso espectáculo.

E por fim, podemos apontar o facto de que os governos ocidentais parecem ter a sodomia como uma das principais prioridades da sua política externa, ao ponto de se gastar quase um bilião de dólares com o assunto.

Não me parece que a Direita ignore pelo menos algumas destas realidades. E no entanto, nem um pio sai da sua boca para condenar a ‘comunidade’, a sua causa ou a sua desejabilidade numa sociedade civilizada.

A Direita não diria, por exemplo, que um heroinómano é normal e aceitável, nem sugeriria que se aceitasse essa disfunção como algo «normal e plenamente aceite». E no entanto, diz o mesmo do sodomita, sobre o qual é possível argumentar que a sua disfunção tem muito mais influência na sociedade, e uma influência muito mais negativa.

A realidade é que a aceitação da homossexualidade como normal e permissível, que veio da Esquerda e foi aceite pela Direita, é a fonte de onde jorra o lodo moral onde o Ocidente se encontra. Neste momento, o leitor mais ingénuo, mesmo perante todos os dados providenciados acima, estará a pensar que estou a exagerar.

E eu entendo, até certo ponto. É verdade que pecados é o que não falta, e que muitos deles são parte integrante da nossa sociedade desintegrada. Por exemplo, porque não apontar o sacrifício infantil que as nossas sociedades elevaram a um direito de todas as mulheres com subsídio estatal como a fonte desse lodo? É uma pergunta válida dado que o aborto é, claramente, um sinal de que forças demoníacas caminham entre nós, quando algo tão aberrante e destrutivo, que é nada menos que sacrifício humano ritual, é permitido.

Mas a sodomia é o ponto em volta do qual todos os outros males revolvem, incluindo o aborto. Em primeiro lugar, a sodomia é um ‘estilo de vida’ inerentemente egoísta, luxurioso e hedonista. Promove o sexo como uma acção meramente física (como urinar ou defecar), desligado da sua função biológica e, logo, da sua componente espiritual; é necessariamente infértil e masturbartório – mas masturbartório através do uso, e profanação, de outra pessoa. Promove a doença, porque o hedonismo é forçosamente uma atitude de baixa preferência temporal, ou seja, descarta o sexo seguro e a monogamia na procura de actividades mais extremas, e tal como qualquer disfunção, não fica estanque nessa procura do prazer: a dose tem de ser maior, e o seu efeito mais rápido (o que explica o alto número de pedófilos e pederastas entre a ‘comunidade’ gay). A sodomia promove igualmente, e pela mesma razão, o uso e abuso de drogas, provavelmente porque é um acto que para ser praticado, e ao contrário do sexo (o verdadeiro, entre um homem e uma mulher), necessita de lubrificantes artificiais e é necessariamente violento (não é um acaso que seja um acto praticado amiúde nas prisões como forma de dominação dos mais fracos).

Além disso, a sodomia é inerentemente um pecado organizado, visto que é necessário pelo menos duas pessoas para o cometer. Podem-me dizer que o homicídio é pior que a sodomia, no vácuo, e eu concordo. Mas não há nada inerente ao pecado do homicídio que leve à formação de ‘comunidades’ secretas de homicidas por prazer, que tenham o objectivo de dominar as instituições e propagar a sua ideologia homicida. Pelo contrário, os homicidas por prazer em geral são lobos solitários. Mas os sodomitas organizam-se e recrutam (a história das últimas décadas prova-o). Mais: a sua propensão é para a sociabilidade e portanto para propagar a sua disfunção. Um homicida não vai criar uma ideologia para justificar os seus homicídios, enquanto que os sodomitas fazem-no há séculos para racionalizar a sua disfunção. E essa racionalização, claro, não será no sentido de uma sociedade ordeira, comunitária e recta, mas no sentido de individualismo extremo – visto que o acto em que se baseia é puramente masturbartório, sem qualquer benefício para a comunidade que não o prazer imediato de quem o pratica.

Tendo em conta esta situação, e o facto de serem naturalmente uma minoria, é também natural que a ideologia e ‘comunidade’ sodomita promova todo o tipo de individualismo degenerado entre a população, seja o aborto, o uso de drogas, a aceitação da imigração de massas, a libertação sexual das mulheres ou o transexualismo (e, em breve, a pedofilia), como forma de destruir o modo de vida funcional da maioria.

Além disso, a propagação da sua ideologia destrói as ligações naturais de amizade e lealdade entre os homens, obrigando-os a temer sempre que um outro homem olhe para eles como um receptáculo para o seu sémen. E a ausência destas relações de lealdade tornam a sociedade mais fraca e mais sujeita a subversão interna ou invasão externa, algo que podemos observar em todas as sociedades ocidentais.

Ou seja, embora o homicídio (em que se inclui o aborto) seja um pecado mais grave, a verdade é que não existem manifestações de orgulho pelo homicídio, em que milhares de pessoas não-sodom_gomorrah_2homicidas participam e apoiam. Não existem apoiantes de homicidas nas posições mais altas da sociedade, das instituições públicas às empresas privadas. Não existe uma promoção infindável do estilo de vida homicida nas escolas nem nas universidades. E por fim, não existe a possibilidade de se ser ostracizado pela denúncia do homicídio. O mesmo não pode ser dito da sodomia.

Não é ao acaso que o único episódio bíblico em que Deus destrói directamente duas cidades seja pela prática e aceitação generalizada da sodomia. Uma tal sociedade não tem salvação possível.

A Direita deve voltar a encarar a sodomia, a sua aceitação e infiltração nos seus meios, como um mal. Não como uma ‘escolha’ inócua (embora insalubre), mas como um cancro que não só ameaça corroer a sociedade até ao seu âmago, mas que já o fez em larga medida e possivelmente de forma irremediável. É simples: como Cristo, devemos exigir que se arrependam e que parem de praticar a sua actividade destrutiva.

Está na hora da Direita retirar o supositório arco-íris.

Uma mera formalidade

A barbárie Islâmica continua a assolar a Europa. Os detalhes são irrelevantes. Por muito que a imprensa queira ofuscar a origem dos ataques terroristas ou desculpabilizar os responsáveis, só behead-those-who-insult-islammesmo quem insiste em fechar os olhos não sabe. Quem é que, com dois dedos de testa, com o mínimo de atenção e o mínimo de honestidade acha que se deve continuar a importar hordas de árabes, magrebinos e africanos que professam o Islão? Quem é que, na posse das suas faculdades mentais, ainda acha que o Islão é uma religião de paz e que o elemento de conquista é a excepção e não a regra? Ninguém. Quem era passível de ser instruído já o foi. Pelo que é irrelevante para a Direita martelar mais uma vez o assunto.

No entanto, dada a frequência da barbárie, este martelar tornou-se uma fonte de popularidade, de rendimento e mediatismo. Da mesma forma que a Esquerda utiliza os eventos para pregar o seu demónico evangelho, o virtue-signaling da Direita é exclamar, uma e outra vez, o óbvio ululante. É pena porque é uma evidência que ofusca o verdadeiro problema.

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Wilders: “Basta de selvagens castanhos que violam miúdos“; Also Wilders: “Temos de defender os nossos pederastas da selvajaria Islâmica“. Hum… ?

De certa forma, é compreensível. A Direita já não ganha há muito: a sua existência é unicamente reactiva perante qualquer que seja a obsessão da Esquerda no momento – e a Esquerda, que é patrocinada pelas elites financeiras com os seus propósitos particulares completamente

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Espécimes da Raça Ariana.

desligados dos interesses dos nativos e dos imigrantes, está permanentemente investida num exercício de gaslighting da população sem precedentes. A cada atentado, a Esquerda (que inclui a imprensa, as universidades, o governo, os think thanks, etc.) jura-nos que o Islão é uma religião de paz, que os atentados nada têm a ver com a importação desta cultura para a Europa, que criticá-la é ser xenófobo e que, em última instância, encontrar um padrão em todos estes eventos apenas demonstra o quão odiosos são os críticos. Perante isto, a Direita arranca para a refutação de todas as permissas da Esquerda, e assim permite que ela dite o tom e o conteúdo do discurso.

A Esquerda sendo o que é, e patrocinada por quem é, vê apenas as consequências e causas materiais. Nem importa que minta. A refutação das suas mentiras não desliga a crítica da mundividência materialista. Além disso é muito mais fácil atacar os outros do que olhar para dentro, admitir as nossas falhas e superá-las. Se a Esquerda decidiu olhar para dentro e aceitar tudo o que há de mau como sendo bom, a oposição decidiu ignorar o pântano que é a alma europeia e apontar o foco para fora, como se fosse possível que os elementos exteriores nos afectassem como afectam sem que houvesse subversão interna.

É importante perceber a verdadeira origem do problema, que não são os bárbaros estrangeiros mas os nativos moralmente apáticos. Eu não vejo nenhuma outra civilização a convidar bárbaros para as suas nações, a dar-lhes casa, comida e abrigo. Nenhuma outra raça tão apática que após cada atentado defende as suas causas e que continua a insistir em convidá-los. Quantos dos que morreram em Espanha apoiavam os ‘refugiados’? Quantos não apoiando ficaram calados? Quantos permitiram ou estiveram-se a marimbar para o facto de as suas crianças sofrerem lavagens cerebrais na escola para que os aceitem?

Morreram 14 pessoas no atentado espanhol. Entretanto houve mais uns quantos, noutros sítios. Mas quantos abortos foram perpetrados nesse espaço de tempo? Quantas vidas pereceram às mãos dos próprios Europeus, com subsídio público e indiferença da população?

No Twitter alguém perguntava, perante a notícia de que o jihadista que cometeu o atentado já tinha anunciado o seu propósito, ‘como é que é possível continuarem a ignorar?‘. A resposta é simples: apatia. Se o jihadista tivesse dito que queria ilegalizar a pornografia tinham-lhe prestado atenção e feito protestos.

Se o problema fosse só um de invasão, era fácil de resolver. Infelizmente, o problema é muito mais profundo. A ameaça física que os bárbaros Islâmicos apresentam é insignificante comparada com

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Mais espécimes da Raça Ariana.

a aniquilação espiritual a que os europeus se votaram a si mesmos. O Homem Europeu tem como único deus o hedonismo. Enquanto lhe permitirem refastelar-se nos seus pecados, é-lhe completamente indiferente se bárbaros estrangeiros matam os seus compatriotas, violam as suas mulheres e crianças ou destroem as suas cidades. A sua lealdade é direccionada apenas para o seu prazer imediato. Pelo que até os críticos do Islão e da sua entrada na Europa estão simplesmente focados na sua remoção e julgam que, uma vez removido o elemento Islâmico, a Europa pode continuar na sua depravação hedonista e tudo correrá pelo melhor.

Os avisos foram-nos dados mas decidimos não os ouvir. Os antigos Israelitas cometeram o mesmo erro, tiveram a mesma presunção e sofreram as mesmas consequências:

«Todas estas maldições vos seguirão e vos alcançarão até que sejam destruídos — tudo por terem recusado ouvir o Senhor vosso Deus. Estes horrores cairão sobre vocês e os vossos descendentes como um sinal. Tornar-se-ão escravos dos vossos inimigos, por causa de não terem louvado o Senhor por tudo o que vos deu. O Senhor mandará os vossos inimigos contra vocês; vocês terão fome, sede, frio e necessidades em todos os domínios. Um jugo de ferro será posto no vosso pescoço, até que sejam destruídos.

O Senhor trará contra vocês uma nação distante que vos cairá em cima como uma ave de rapina; uma nação cuja língua não compreenderão — gente feroz e furiosa que não terá compaixão nem de velhos nem de novos. Eles comerão tudo o que é vosso em casa e nos campos; levar-vos-ão todo o gado e as colheitas; desaparecerão os cereais, o vinho novo, o azeite, as crias das vacas e das ovelhas. Essa nação sitiará as vossas cidades e derrubará as muralhas, por mais altas que sejam e por muito que pensem que vos protegem seguramente.» (Deuteronómio 28:45-52)

A história está a repetir-se porque os Europeus, tal como os antigos Israelitas, elevaram as suas invenções e prazeres terrenos acima de Deus e dos seus mandamentos. A incrível disfuncionalidade das nossas sociedades deriva deste facto, e faz-nos a cada dia mais fracos, mais solipsistas, menos humanos, e a nossa fraqueza torna-nos presas fáceis para os bárbaros. «Quem tem apego à sua vida vai perdê-la; quem despreza a sua vida neste mundo vai conservá-la para a vida eterna» (João 12:25). A alma do Europeu comum está perdida. A morte física trazida pelos bárbaros é uma mera formalidade.

O enigma dos Liberais

«Academia is to knowledge what prostitution is to love»
Nassim Nicholas Taleb

Depois de termos falado dos problemas do liberalismo, vamos falar dos problemas dos Liberais. Isto, admita-se, é mais fácil: existem muitas, muitas obras do pensamento liberal e nem todo esse pensamento é de deitar para o lixo (em alguns casos, como Mises, é absolutamente essencial). Os Liberais antigos, ao contrário dos modernos, ainda tinham algo que um reaccionário podia aproveitar.

Em especial, pode aproveitar-se a Escola Austríaca (ou pelo menos, as obras principais). Esta escola de pensamento é a única escola económica que não foi cooptada pelo materialismo (tanto o antigo, de Smith e Ricardo, como o moderno, de Fisher e Keynes) – e como tal é também a única que consegue apresentar uma teoria que represente a realidade económica e a explique de forma satisfatória.

Não será de surpreender, no entanto, que os escritos puramente económicos da Escola Austríaca (que não contêm necessariamente prescrições políticas) tenham com o tempo servido de base, e justificação, para prescrições políticas. Prescrições liberais.

Mises, a figura principal e certamente a mais interessante, fez sempre questão de distinguir entre os seus escritos puramente económicos e os seus escritos políticos. E por fazer essa distinção, ambos mantiveram a sua relevância. Theory of Money and Credit, por exemplo, continua a ser a obra essencial para explicar o clusterfuck que é a política monetária democrática, sem no entanto advogar contra ou a favor: limita-se a chamar os bois pelos nomes. Um retrato mais largo da teoria e realidade económica pode ser encontrado em Human Action. Ambos os livros são peças necessárias para entender o mundo em que vivemos.

Nos seus escritos puramente políticos (como o Nation, State and Economy) Mises observa o mundo com uma clareza que faria corar reaccionários modernos – como observámos aqui, em Democracia, o caminho é sempre para a Esquerda, o que faz de um liberal há cem anos um terrível reaccionário contemporâneo. No entanto aqui já podemos observar, no meio da sua enorme erudição, a tendência (talvez inevitável) de ver o mundo somente pela esfera económica, e cair na armadilha liberal, whig, progressista. Esta crença de que o mundo está em constante progresso (em vez de degeneração) era um conceito que Mises terminantemente rejeitou toda a vida na sua teoria económica (pois era inegável a degeneração da disciplina), e no entanto, na sua vertente puramente política Mises continuava a cair na patranha, e acreditar que a passagem das entidades políticas aristocráticas para as democráticas tinha sido um progresso. A obsessão económica tinha levado a melhor.

E aqui entramos especificamente no tema deste texto. Tal como Mises, os Liberais portugueses deixaram o seu conhecimento de teoria económica levar a melhor e enformar todo o seu pensamento político. Ao contrário de Mises, não o fazem com especial erudição (mas não os vamos censurar por isso – podem acusar-me do mesmo e com razão). Os principais sítios da blogosfera portuguesa liberal são o Blasfémias e o Insurgente e é neles que se encontra esta obsessão, à superfície incompreensível. Ambos são, supostamente, de Direita. E apesar de se aproveitar um ou outro indivíduo em particular (e de vez em quando), a verdade é que a maioria revela um autismo estonteante e tem um único barómetro político: a economia.

Os Liberais portugueses são democratas. Sendo democratas são obrigados a mover-se intelectualmente na Janela de Overton, por auto-censura inconsciente e por auto-censura PwnedCatconsciente. Por causa dessa auto-censura, os Liberais estão obcecados com reformas dentro do sistema. Nunca sequer lhes ocorre que o sistema deva morrer, que o sistema seja iníquo, que o sistema seja podre de raiz. E se ocorre, não o dizem. Pelo contrário. E há uma razão para isto, mas já lá vamos. Por agora convém salientar que a obsessão económica não é defeito, é feitio.

Como explicar que um liberal não queira sair da UE? A UE é essencialmente a versão moderna da União Soviética: um organismo insonso de burocratas cinzentos que ditam a vida de milhões de pessoas sem qualquer representatividade. Não são os Liberais a favor da representatividade?

A explicação é que os Liberais temem que haverá menos liberalismo económico nas nações europeias sem a alçada benévola da União Europeia. Temem em especial que haja menos em Portugal. E sendo essa a única métrica para a sua visão política, são contra. E é inegável que isto sucederia, a curto prazo. O que levaria a um colapso, a médio prazo.

E aí voltamos à mesma questão: os Liberais temem o colapso do sistema, por mais iníquo que o sistema seja, por mais antitética ao Liberalismo que a própria fundação monetária desse sistema 839d3c15540b493f867668a0ca132551.jpgseja, por mais iliberal que o sistema seja. Os Liberais lutarão incansavelmente (na esfera intelectual) para evitar descartar a constituição comunista que rege o país. Há anos que os Liberais andam a anunciar a falência da Segurança Social, há anos que falam da fundação fraudulenta do sistema monetário, há anos que apontam a ignomínia da dívida pública. E no entanto as suas prescrições são sempre no sentido de evitar o colapso inevitável. Em vez de matar o dragão, os Liberais querem domesticá-lo.

Eles sabem, no entanto, que o colapso é inevitável. Mas ao que parece os Liberais têm um enorme medo do sofrimento, mesmo do sofrimento salutar. Só que é inegável que, de uma forma ou outra, haverá sofrimento. Muito especificamente, sofrimento económico. Haverá tumultos por causa desse sofrimento. Para usar a analogia preferida dos Liberais, a desintoxicação não é agradável para o drogado. Mas estar constantemente na corda bamba dos paliativos não é uma solução. É uma cobardia.

O que escapa aos Liberais obcecados com as consequências económicas imediatas, ou que insistem em não ver, é que para uma boa parte da população (e muito em especial daquela população que vive à conta do Estado – em que muitos deles se incluem, quer gostem disso ou não), é necessário sofrimento. Cristo também teve de sofrer na cruz antes de ressuscitar.

É preciso que as pessoas vejam o que é viver sem subsídios. É preciso que vejam o que significa uma dívida impagável e as consequências de dizer, firmemente, que não a vamos pagar. É preciso que voltem a depender das famílias, dos amigos, dos vizinhos, da comunidade. É preciso que encarem a realidade de ter trabalhos duros e desagradáveis. É preciso que sejam obrigadas a não gastar tudo o que ganham, a viver com menos do que precisam, a poupar. A maioria das pessoas tem conforto a mais para o seu próprio bem. Tal como os Liberais, perderam a noção do que é importante. Não sabem distinguir o eterno do transiente.

A grande maioria dos nossos defensores do mercado, são defensores apenas do seu esqueleto, sem entenderem (ou não querendo entender) que a alma e a carne que enformam esse esqueleto são mais importantes para que o sistema funcione do que a formalidade desse sistema. Neste momento, a alma do povo é o Estado Social, é a dependência, é a morosidade, a preguiça, a vaidade e a gula. O liberal não diz ‘vamos acabar com o sistema para erigir sobre as ruínas uma fundação sólida‘. Diz ‘vamos adiar o seu colapso, e acentuar as consequências desse colapso‘. Porque, como Keynes dizia, a longo prazo estamos todos mortos. Os Liberais esperam honestamente estar mortos quando o colapso acontecer. E trabalham para adiar esse colapso de forma a garantir esse destino.

Assim se explica, em parte, o porquê de os Liberais acreditarem na democracia: é uma forma voluntária de cegueira. Acreditam que elegendo o PSD (ou, vá lá, a ala Liberal do PSD, que é a ala moderada da moderação deles mesmos) vamos caminhar para mercados mais abertos e atenuar o Estado Social (não se riam). Tentam vender o seu peixe a pessoas que só comem carne e cover26defendem eurodeputados porque disseram uma vez uma frase liberal (enquanto fazem parte do conselho cosmético da União das Repúblicas Socialistas Europeias). Acreditam que as pessoas comuns (o maior entrave ao liberalismo), pessoas que não poupam, que vivem do Estado Social, cujos únicos interesses são o futebol e a novela, que papam tudo o que lhes dizem na televisão, cuja única cultura é o consumismo, estas mesmas pessoas que nem cuidar de si e dos seus conseguem ou pretendem fazer, podem e devem votar em representantes. Representantes esses que não representam ninguém a não ser a si mesmos e aos interesses que os compram. Este retrato da Democracia e da população em Democracia não é um exagero, é observável. E mesmo que não fosse, é intuitivo. E se a intuição não fosse o seu forte, podiam sempre ler Hans Hermann Hoppe. Mas não. Estão presos numa visão whig da história em que à frente está sempre o progresso.

Mas existe uma peça do puzzle em falta. Acima dissemos que se trata de cegueira, mas é uma cegueira voluntária. A maioria dos Liberais é inteligente e certamente teve tempo e oportunidade de se deparar com a contradição em que se encontra, estes liberais certamente que leram os livros certos e reflectiram sobre o que leram. Da própria perspectiva do liberalismo, a sua defesa do status quo é inexplicável.

Mas explica-se perfeitamente quando se percebe que escrevem em nome próprio e que têm empregos e reputações a defender. Que quase todos são beneficiários do sistema falido das stock-vector-scale-favoring-self-interest-rather-than-personal-values-108478289universidades. São professores, ou consultores, ou comentadores especialistas. Pagam a renda a girar a alavanca das ciências sociais nas fábricas de mentecaptos. Ser liberal é alternativo, mas é trendy. Um liberal pode ir às festas e às conferências, pode fazer parte das instituições, pode viver em paz sendo o enfant terrible que o consenso de Esquerda tolera, porque não ameaça.

Não se espere, pois, que rejeitem o seu modo de vida em nome de ideais maiores, ou sequer de consistência ideológica. Não se morde a mão que dá de comer.