O Papel das Mulheres

A ideia para este texto surgiu de um comentário de uma leitora, Ana Maria, a quem agradeço dar o mote para esta discussão que, tendo em conta a oposição que vou recebendo sobre este tema, já vem tardia.

O ditado popular sobre a mulher ser quem usa as calças em casa é bem conhecido de todo o povo português e aponta para o facto de, contrário à natureza humana, ser a mulher quem lidera o lar. Este ditado providencia um mote perfeito para a discussão que pretendemos efectuar aqui, que é o do papel da mulher no movimento dissidente. men9Analisando a expressão, o que podemos concluir? Primeiro, a supracitada artificialidade da liderança feminina, tão artificial que é necessário criar um ditado jocoso para ilustrar a situação. Segundo, que essa artificialidade é demonstrada não apenas no interior (liderança) mas no exterior (calças), sendo que o exterior é simbólico de algo maior, e mais pernicioso. Ao imitar os homens, as mulheres perdem as suas qualidades femininas, sem ganhar nenhuma das masculinas: tornam-se meramente homens de segunda. Por isso, não exagero quando digo que a decadência da nossa civilização se deve, em grande parte, ao facto das mulheres terem começado a usar calças. Pode parecer apenas um pormenor, mas é um símbolo da deriva maior da nossa civilização, da corrente igualitária que a inundou e virou do avesso, do caos identitário em que nos encontramos. Toda esta tragédia começou, não pela raça, não pela imigração, mas pela confusão do papel da mulher na sociedade. E tão importante é a concepção correcta dos papéis adequados de cada sexo, que todas as sociedades que foram além do mais básico primitivismo a reconheceram e aplicaram. Excepções sempre as houve, mas como se costuma dizer, servem apenas para confirmar a regra. E a regra existe com razão. Uma mulher como a Ayn Rand, por exemplo, fez muitíssimo bem em nunca ter tido filhos e ser dona de casa e, em vez disso, dedicar-se ao trabalho intelectual, produzindo ideias de indiscutível valor e originalidade (a avaliação última dessas ideias é uma questão demasiado complexa para discutirmos aqui). Mas também por essa razão, uma vez chamaram-lhe ‘o homem mais corajoso na América’. Por certo que os que pretendem que as mulheres tenham a liberdade de participar no movimento no mesmo patamar que os homens não quererão que elas se transformem em meras imitações dos homens. E no entanto, quando o fazem, é precisamente nisso que se transformam.

Não é ao acaso que a Bíblia menciona a indumentária especificamente: «Uma mulher não poderá usar coisas de homem e um homem não poderá vestir-se com roupas de mulher, porque o SENHOR, teu Deus, abomina quem assim procede.» (Deuteronómio 22:5). Especula-se que a razão para que tal viesse especificamente mencionado na Bíblia se encontra na proximidade das sociedades pagãs que rodeavam os hebreus na época, e que possivelmente não observariam estas distinções. Ora, tal razão aplica-se também à nossa moribunda civilização, que dedicada hoje a variadíssimos deuses pagãos, se acaba por esquecer até do mais fundamental da organização humana: das diferenças salutares entre homens e mulheres.

É fácil antecipar as objecções: que é um anacronismo extremista, que a sociedade mudou, que ‘evoluímos’, que tais concepções são resquícios antiquados de uma era primitiva, ou no mínimo, menos ‘iluminada’. Estas objecções são, em grande parte, feitas por companheiros dissidentes, a quem só podemos apontar que com essas mesmas objecções a Esquerda defende todo o seu programa – desde a imigração até à aceitação dos ‘estilos de vida alternativos’. Pelo que podemos concluir que tais argumentos são inválidos – ou, caso concluamos que são válidos para uma coisa, são igualmente válidos para outra. Por outras palavras, das mulheres usarem calças à abolição da identidade nacional, vai um tirinho.

Neste canto da Internet, ter opiniões impopulares e consideradas radicais pela maioria é uma inevitabilidade. No entanto, a visão tradicional da Mulher é impopular e considerada radical mesmo no seio do movimento dissidente, mesmo entre homens e mulheres que reconhecem as diferenças físicas, mentais e espirituais entre os sexos, que reconhecem o papel de ambos na ordem tradicional. Para eles, a ideia de que as mulheres devem ter uma função fundamentalmente distinta da dos homens no movimento ainda é tabu, senão mesmo anátema. Pelo contrário, o consenso parece ser 5a610cb01e000028005adbd4que as mulheres podem (e em alguns casos devem) ter um papel semelhante ao dos homens na produção e distribuição de ideias, na participação em demonstrações e debates e, deduz-se, nas batalhas campais em que muitos dos eventos se transformam e eventualmente nas trincheiras de uma potencial guerra civil.

Recentemente o Youtube lançou uma sequela do Karate Kid em forma de série que é surpreendentemente contrária ao politicamente correcto. A série chama-se Cobra Kai (o nome do dojo dos antagonistas no original), e uma das cenas mais hilariantes é quando uma preta gorda com cabelo de lésbica se tenta juntar ao dojo e o sensei lhe diz que não se aceitam mulheres no karaté pela mesma razão que não se aceitam no exército: porque é estúpido. Numa civilização em ordem, eu não necessitaria de justificar o porquê do papel das mulheres no movimento dever ser o de esposas e mães, de aliadas domésticas dos homens que efectuam o principal do trabalho (intelectual e físico) requerido para o triunfo das nossas ideias. Numa civilização em ordem, bastaria simplesmente repetir o truísmo da série e dizer que qualquer outra abordagem é estúpida. Mas infelizmente a nossa civilização não está em ordem, e até os truísmos têm de ser explicados, justificados e argumentados, uma e outra vez.

Já mencionámos a Bíblia, mas convém voltar a mencioná-la e lembrar que as prescrições sobre o papel feminino não se limitam à advertência contra o seu uso de indumentária masculina. Pelo contrário, a mulher é distinta do homem, e deve a ele ser submissa. Repare-se nas seguintes passagens:

«Como acontece em todas as assembleias de santos, as mulheres estejam caladas nas assembleias, porque não lhes é permitido tomar a palavra e, como diz também a Lei, devem ser submissas. Se quiserem saber alguma coisa, perguntem em casa aos maridos, porque não é conveniente para uma mulher falar na assembleia.» (1 Coríntios 14:33-35)

«Submetei-vos uns aos outros, no respeito que tendes a Cristo: as mulheres, aos seus maridos como ao Senhor, porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da Igreja – Ele, o salvador do Corpo. Ora, como a Igreja se submete a Cristo, assim as mulheres, aos maridos, em tudo.» (Efésios 5:21-24)

«A mulher receba a instrução em silêncio, com toda a submissão. Não permito à mulher que ensine, nem que exerça domínio sobre o homem, mas que se mantenha em silêncio. Porque primeiro foi formado Adão, depois Eva. E não foi Adão que foi seduzido mas a mulher que, deixando-se seduzir, incorreu na transgressão. Contudo, será salva pela sua maternidade, desde que persevere na fé, no amor e na santidade, com recato.» (1 Timóteo 2:11-15)

«Do mesmo modo, as anciãs tenham um comportamento reverente, não sejam caluniadoras nem escravas do vinho, mas mestras de virtude, a fim de ensinarem as jovens a amar os maridos e os filhos, a serem prudentes, castas, boas donas de casa e dóceis aos maridos, de modo que a palavra de Deus não seja difamada.» (Tito 2:3-5)

Saliento estas passagens porque elas não existiram no vácuo. Pelo contrário, elas foram a base da civilização que, de uma forma ou de outra, todo o movimento dissidente respeita como o auge da Europa e quer ressuscitar. A identidade nacional nasce primeiro na família, e a família nasce do homem e da mulher. Quão importante é, pois, que tenhamos a concepção correcta do relacionamento entre os dois? E quão destrutivo é que tenhamos uma errada? Basta observar a sociedade presente, que é predicada, não na distinção entre homem e mulher, e na submissão da mulher ao homem, mas pelo contrário, numa absoluta igualdade e individualismo que permite, a homens e a mulheres, fazerem o que bem lhes apetece, mesmo que o que lhes apeteça semeie a destruição da ordem social.

Mas toda esta conversa de religião e civilizações antigas diz muito pouco a um grande número de pessoas no nosso movimento, e apesar das evidências sobre a importância destas considerações, elas são maioritariamente relegadas para o plano da fantasia, pois a questão fundacional é muitas vezes esquecida ou abertamente ignorada (como já apontámos). Por isso avancemos para considerações mais terrenas.

Quando se advoga a participação das mulheres no movimento, não como esposas, mães e companheiras, mas como equivalentes intelectuais e físicas dos homens, obviamente que se tem em mente muitos casos recentes que, admita-se, angariaram indiscutivelmente um grande número de novos convertidos à causa identitária, à defesa do Ocidente e à tentativa de o ressuscitar do torpor terminal em que se encontra depois de ter sido vergado às forças igualitárias e relativistas do Iluminismo.

Consideremos o caso Lauren Southern. Com 23 anos, a menina Southern é não só a fêmea mais famosa no movimento, mas uma das figuras mais proeminentes mesmo descontando o seu cromossoma identificador. Qual é a razão para esta popularidade? Lauren_Southern_OKSerá a originalidade das suas ideias ou da apresentação dessas ideias? Ou será por ser uma jovem rapariga que, no decorrer do seu trabalho, vai mostrando as pernas e os ombros, e por vezes um pouco mais que isso? Não se pode subestimar o poder da libido masculina, que mesmo em assuntos em que deve ser posta de parte acaba por dominar as prioridades. Como podemos ver ilustrado nesta review do seu livro, a menina Southern não é nem original nas ideias, nem na apresentação – pelo contrário, nem sequer se eleva acima do mais básico em ambas as categorias. Nesse livro, inclusivamente, encontra-se esta pérola de intelectualidade e bom gosto: «If there was a moment in the 2016 U.S. election that epitomized this newfound hate for the young on the right, it was Republican consultant Rick Wilson’s infamous… declaration that Trump supporters were “childless, single losers who masturbate to anime.” Guilty as charged. Well, except I don’t masturbate to anime characters. I dress up like them and guys masturbate to meSe isto não demonstra que a menina Southern sabe perfeitamente qual é o seu papel – uma softcore camwhore para nerds políticos – não sei o que demonstra.

Convém neste momento fazer um reparo: não estamos a argumentar que a rapariga não produz nada de qualidade, pelo contrário. Um exemplo recente de algo de qualidade que produziu foi o documentário Farmlands, publicitado aqui com legendas em português do Brasil, que chama a atenção devida para a horrível e ignorada situação dos brancos na África do Sul. Mas há perguntas importantíssimas que se devem colocar: será que este documentário, ou as outras obras de qualidade feitas pela menina Southern, só poderiam ser feitas por ela ou, pelo contrário, um jornalista masculino poderia ter feito o mesmo, com pelo menos a mesma qualidade (note-se que as únicas partes más do filme são precisamente quando ela faz monólogos em voz off enquanto se pavoneia em frente da câmara)? E, sendo que um homem poderia fazer o mesmo trabalho, e potencialmente mais bem feito, haverá algo que só a menina Southern possa fazer, uma categoria de actividades em que um homem a não possa substituir? A resposta é igualmente afirmativa. E essas actividades são aquelas que coincidem com o papel tradicional da mulher na sociedade: ser uma esposa, uma mãe, providenciar acompanhamento emocional e intelectual nos primeiros anos de vida das crianças, manter um lar estável e saudável para a sua progenitura.

Nunca me deixa de surpreender que tantos anti-feministas queiram para as suas mulheres o mesmo que as feministas querem para todas as mulheres: que sejam imitações de segunda dos homens. Que em vez de se dedicarem àquilo que a sua biologia e seu espírito lhes lega como natural e que só mesmo elas podem concretizar, queiram que elas se dediquem a produzir frutos que os homens também podem produzir, e em geral melhor. Esta é uma das falhas primordiais da nossa civilização: esquecer as divisões naturais, os papéis naturais, e transformamos as mulheres em homens de segunda. Não observamos nós o vácuo criado por esta ideia de igualdade, em que as mulheres da nossa raça desperdiçam a sua fertilidade, os seus dons naturais, na perseguição do hedonismo, por um lado, mas por outro lado igualmente destrutivo, na perseguição de carreiras, na imitação do papel masculino? Não reconhecemos as consequências destrutivas para a civilização dessa nova ordem? Não as observamos todos os dias, quer em estatísticas, quer no dia-a-dia? E se sim, porque queremos nós que as nossas mulheres, participando num movimento que fundamentalmente rejeita as consequências dessa ordem social, funcionem da mesma forma e concretizem os mesmos erros?

Depois é preciso considerar algo que já foi mencionado noutros textos: primeiro, que o meio é a mensagem. E depois que atrair as pessoas erradas, e sobretudo os homens errados, é contraproducente. Neste caso, o meio é muitas vezes o de ter mulheres a ditar a homens aquilo em que devem acreditar e porquê. Psicologicamente, isto resulta em kjaskjshomens castrados. A verdade é que a popularidade de Lauren Southern, bem como de raparigas semelhantes, vem da percepção óbvia, mas perniciosa, de que o mesmo tema quando apresentado em conjunção com um decote ou uma carinha laroca tem automaticamente mais audiência. E note-se que a menina Lauren, em termos de beleza, será no máximo um 6.5. Tire-se a maquilhagem e desconfio que se encontra um 4 ou no máximo um 5. Será que queremos conquistar uma audiência de homens sexualmente frustrados que se perdem de amores por uma rapariga de aspecto banal com quem concordam politicamente?

Uma boa ilustração do tipo de homem que estas raparigas atraem para um movimento que se quer sério e que precisa, definitivamente, de homens com espinha, encontra-se quando se ‘segue’ o dinheiro. Antes de ser banida do Patreon, por exemplo, a Lauren estava a receber quase quatro mil dólares por mês e, além de mostrar um decote lauren patreon.pngproeminente na sua foto, referia-se jocosamente ao facto de uma doação dar o direito ao dador de dizer que era seu ‘namorado’ e que ela não confirmaria nem desmentiria. Outro exemplo, entretanto desaparecido da sua página, encontrava-se na possibilidade de pagar duzentos e cinquenta dólares por 15 minutos (!) de sessão de Skype privada com a menina Southern. Não sei de ciência certa, mas apostaria que uma prostituta de luxo levaria menos de mil dólares à hora – em carne e osso, não por sessão de Skype. Isto ilustra tanto o empreendedorismo (por assim dizer) da menina Southern, como a sede de atenção feminina e a total efeminação dos homens brancos modernos, obcecados com a sua ‘namorada virtual’ ao ponto de pagarem a peso de ouro a oportunidade de fazerem parte do seu ‘círculo íntimo’ (quão grande é esse círculo, nunca saberemos). Entretanto a menina Southern apagou esta opção do seu site (depois de algumas críticas) e ficou apenas a opção ‘Exclusive’, em que pagando cem dólares por mês, obtêm um livestream particular entre os subscritores dessa opção e, cereja no topo do bolo, ela segue-os no Twitter (não estou a gozar!). Não só não queremos estes homens ao nosso lado numa batalha, mas perpetuar este tipo de atitude é absolutamente contraproducente. Podemos ter um exército de milhões, mas se forem milhões como os que dão dinheiro à menina Southern, seremos derrotados por trezentos inimigos duros, como na mítica história.

Vários outros exemplos existem destas raparigas, também chamadas de trad thots (ou putéfias tradicionalistas), e das suas legiões de seguidores que comem demasiada soja. Nenhuma delas é casada, ou tem filhos. As únicas mulheres do movimento que os têm são muito mais recatadas, trabalham com os seus maridos e, por essa razão, não obtêm o mesmo nível de atenção masculina (nem é esse o seu objectivo). Mas não podemos culpar apenas as raparigas. Quem devemos culpar são os homens fracos que as promovem e lhes sustentam o estilo de vida. Espero estar enganado, mas suspeito que nenhuma dessas raparigas vai casar e ter filhos enquanto a sua beleza relativa e juventude lhes permitirem ter hordas de frustrados a patrocinar as suas viagens e ‘aventuras’. Para quê dedicarem-se a um homem, quando podem ter a atenção de milhares, senão milhões?

Começámos com um ditado popular, e acabamos com uma história que ilustra a importância, e a força imparável, que é viver e agir conforme a ordem divina, e como isso é espelhado pelos papéis, absolutamente distintos, dos homens e das mulheres.

Com a subida ao poder dos bolcheviques na Rússia, várias leis contra a religião foram passadas, impedindo os padres de evangelizar, incluindo ensinar o Cristianismo às novas gerações. O objectivo, claro, era destruir a prazo toda a religião visto que esta era um obstáculo, senão o maior obstáculo, à criação do paraíso socialista na terra. Estas leis mantiveram-se até praticamente ao final do regime soviético, quase 80 anos. Conta-se que um líder Soviético, pouco depois da revolução e tendo em conta as leis estabelecidas contra a religião, perguntou ao Patriarca de Moscovo o que iria acontecer à Igreja quando a última avó morresse. O Patriarca respondeu-lhe que haveria outra geração de avós para as substituir. Palavras proféticas, sobretudo se se considerar que a maioria das avós russas de hoje eram apenas crianças ou nem sequer nascidas quando estas palavras foram proferidas, e que a Igreja manteve-se ao longo de toda a animosidade comunista e retomou o seu lugar (e continuou a crescer) logo após a queda do regime.

21d602d5ff237aaa874221c992c8797f.jpgO que a história ilustra é que a Igreja salvou-se pelo facto das mulheres agirem como mulheres, cumprindo o seu papel natural, ensinando os mais novos, passando as tradições. Repare-se que não foi através da ordenação de mulheres para o sacerdócio que a Igreja continuou, mas pelo contrário, precisamente por manter essa restrição, cada sexo ter a sua função, permitiu que mesmo sob condições incrivelmente adversas encontrasse uma continuação. Há uma lição aqui para os homens e mulheres ocidentais dos nossos dias. Ao invés de aceitar a senda igualitarista e querer transformar as mulheres em homens de segunda, que invariavelmente transforma os homens em seres efeminados, devemos respeitar a ordem e separação natural de funções, cada um apelando às suas forças, em cooperação, em vez de competição.

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